
O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Romeu Zema | Zema foi visto como nome promissor da direita, associado à honestidade, gestão eficiente e defesa da redução de impostos. Houve simpatia inicial. | Predominou ceticismo quanto à candidatura, com avaliações de que seu discurso foi mais uma promessa eleitoral comum. Foi visto como opção sem força. | O candidato foi percebido como “mais do mesmo”, com falas genéricas e pouca credibilidade. Temas como impostos agradaram parcialmente. | Zema foi percebido de forma negativa, como candidato artificial, frio e com discurso vago. Predominou rejeição ideológica e baixa conexão com sua imagem. | O grupo viu Zema como candidato voltado à direita e pouco capaz de atrair quem está insatisfeito com Lula. Seu discurso foi considerado genérico. | Predominou forte rejeição, com Zema visto como político tradicional disfarçado de renovação. O discurso foi lido como oportunista e superficial. | Os participantes deram suas respostas alinhados a seus grupos de pertencimento. |
| Renan Santos | Reconheceram algumas propostas como positivas e valorizaram a ideia de renovação política, mas consideraram o candidato ainda imaturo, pouco conhecido e sem força. | Predominou a descrença em promessas grandiosas e a visão de que o discurso parecia bonito, porém impraticável. Houve simpatia pontual, mas sem confiança. | Dividiram-se entre interesse inicial pela proposta e forte ceticismo sobre sua execução. A principal cobrança foi por realismo, experiência e credibilidade. | Rejeitaram majoritariamente o tom e o conteúdo da proposta, vista como radical, preconceituosa e distante da realidade social. Consideraram o candidato pouco viável eleitoralmente. | Avaliaram que o discurso ignorava problemas estruturais urbanos e sociais, sendo utópico ou autoritário. Viram a candidatura mais como guiada pela busca de visibilidade do que como uma alternativa concreta. | Predominou rejeição ao estilo e às propostas, percebidas como sensacionalistas, superficiais e inexequíveis. O candidato foi visto como figura performática. | Os participantes deram suas respostas alinhados a seus grupos de pertencimento. |
| Augusto Cury | Viram com simpatia o discurso de união nacional e superação da polarização, valorizando Augusto Cury como nome preparado e diferente. Ao mesmo tempo, duvidaram de sua força para enfrentar o sistema político e governar com eficácia. | Reconheceram boa comunicação e propostas desejáveis, mas avaliaram que seu perfil está mais ligado ao campo intelectual do que à política prática. Predominou a percepção de baixa viabilidade eleitoral. | Demonstraram abertura para conhecer melhor o candidato, especialmente por representar alternativa menos polarizada. Porém, exigiram provas concretas de capacidade de governo. | Parte viu positivamente a defesa de equilíbrio entre esquerda e direita e temas sociais. Ainda assim, prevaleceu a leitura de discurso abstrato, com tom motivacional ou religioso e pouca objetividade política. | Receberam a candidatura com curiosidade por surgir como terceira via e discurso conciliador. Contudo, cobraram propostas claras e questionaram a credibilidade de uma fala considerada genérica. | Reconheceram conhecimento intelectual e boa retórica, mas rejeitaram sua adequação ao cargo presidencial. Predominaram críticas à falta de experiência política e ao caráter utópico das propostas. | Os participantes deram suas respostas alinhados a seus grupos de pertencimento. |

Romeu Zema (Novo) confirmou sua pré-candidatura à Presidência da República. Após assistir ao vídeo, respondam:
Vocês já conheciam o ex-governador de Minas Gerais?
O que acham do discurso dele no material assistido e dele como candidato a presidente?

Entre os bolsonaristas convictos, Romeu Zema encontrou o ambiente mais favorável entre todos os segmentos testados. O grupo demonstrou predisposição a enxergá-lo como nome viável dentro do campo da direita, especialmente por associá-lo a valores já centrais para esse eleitorado, como honestidade, austeridade administrativa, combate à corrupção e redução de impostos. Sua experiência como governador também funcionou como ativo simbólico, reforçando a imagem de gestor capaz de transferir para o plano nacional práticas vistas como eficientes.
Ao mesmo tempo, a receptividade não significou adesão irrestrita ou imediata. Mesmo entre os mais simpáticos ao candidato, apareceu a percepção de que promessas eleitorais precisam ser acompanhadas com cautela e testadas ao longo da campanha. Houve abertura para conhecê-lo melhor e avaliar propostas futuras.
A primeira que ele lançou a de redução de impostos e honestidade ja pega pelo menos 30% dos brasileiros. O negócio é que em meio a eleição todo mundo parece ser bom até entrar no poder .então temos sim que ficar atentos . Mas ele conseguindo diminuir a corrupção e os impostos ja sana a metade dos nossos problemas. Então nada mais justo de começarmos a avaliar esse candidato. Pelas suas ideias . E projetos para o povo brasileiro." (BC, 21 anos, autônomo, AL)
"Sim, eu ja conheço Romeu Zema. O que eu posso dizer é que pela primeira vez me sinto muito bem representada em relação as pessoas que almejam chegar a presidência do nosso país. Romeu Zema fez um ótimo trabalho em MG como governador, é honesto, é educado e integro, tem meu total apoio para que esse bom trabalho seja replicado em nível nacional, o Brasil precisa muito de gente com essa linha de raciocínio, inteligente, cirúrgico, e que saiba colocar cada um em seu devido lugar. Acho que ele teria mais sucesso como vice de Flavio Bolsonaro. Mas é isso. Este cenário eleitoral vai estar bem rico e diversificado para este ano, isso é interessante e muito importante!" (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"Não conheço muito sobre o candidato, suas propostas causam interesse, pois foca muito no que o brasileiro tem mais reclamado nesses últimos anos, aumento excessivo de impostos, chama bastante atenção, pode ser um candidato pra se ficar de olho." (BC, 48 anos, do lar, SP)

Entre os bolsonaristas moderados e os indecisos conservadores, predominou uma postura de cautela e baixa mobilização diante da candidatura de Romeu Zema. Esses grupos não demonstraram disposição automática para aderir a um nome apenas por sua identificação com a direita. O vídeo foi recebido com reservas, e muitos enxergaram no discurso elementos já recorrentes em campanhas eleitorais, como promessas amplas, críticas ao sistema e apelos à eficiência administrativa.
Ainda que temas econômicos, especialmente redução de impostos, responsabilidade fiscal e combate a privilégios, tenham encontrado alguma ressonância, isso não foi suficiente para gerar entusiasmo político. A percepção dominante foi de que Zema ainda não se diferenciou de outros candidatos que prometem mudanças semelhantes.
"Bom dia,como sou de Minas Gerais já conheço o Romeu zema,no primeiro mandato ate que ele governou bem,mas no 2 mandato ele deixou a desejar.. Ai como presidente não sei se seria uma boa opção..." (BM, 38 anos, coordenadora , SP)
"Acho que é mais uma candidatura para fazer barulho do que pra fazer diferente. Esse discurso dele é bem eleitoreiro e sabemos que isso não reflete muito a realidade depois que se elege. Acho que é mais um candidato para manter a polarização." (BM, 30 anos, assistente de TI, ES )
"Já conheci essa figura política. Me parece um discurso pronto como muitos outros. Ele está certo que a carga tributária neste país é um monstro principalmente pra sustentar privilégios de políticos mas sinceramente acho difícil isso mudar só com boa vontade. Agora vir com o papinho de que direita não é corrupta está de brincadeira, neste país direita, esquerda e a bússola inteira é corrupta e imoral"
(IC, 45 anos, representante comercial, PE)

Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, prevaleceu uma recepção marcada por distanciamento político e baixa identificação com a candidatura de Romeu Zema. Sua imagem foi amplamente vinculada ao campo da direita, o que funcionou como barreira inicial relevante nesses segmentos. Mesmo entre eleitores menos rigidamente alinhados, o candidato não conseguiu transmitir novidade suficiente para superar resistências ideológicas já presentes, sendo frequentemente percebido como representante de um projeto político já conhecido e pouco atraente para esse público.
Além da distância programática, também apareceu dificuldade de conexão simbólica e emocional. O discurso foi descrito como excessivamente ensaiado, genérico ou pouco convincente, sem demonstrar sensibilidade concreta a temas sociais mais amplos, como desigualdade, proteção social e condições de vida da população. Em vez de despertar curiosidade ou abertura, a comunicação reforçou percepções negativas já existentes.
Achei ele péssimo, eu não o conhecia.
Ele parece um robô programado pra falar um texto pronto. Um homem sem emoção, sem simpatia. Achei ele muito apelativo nessa proposta, pq mostra logo de cara que ele quer chegar onde mais machuca no pobre pra poder ganhar, tá tentando entrar pela parte mais sensível. Não concordo com isso, esse homem não tem meu voto." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"Não conheço o Zema, mas achei o discurso dele bem preocupante, ainda mais por flertar com a direita, já é algo que não me agrada. Percebi também q alguns políticos estão tentando manter a linha “nem esquerda, nem direita” e acho isso extremamente preocupante, pq acredito q ter um lado definido é importante e eu prefiro um candidato que se posicione do q alguém que fique no muro." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Muito hipócrita... Discurso sem nenhuma veracidade! Fala de político em campanha! Sem convicção no que de fato acredita e defende...
Vai estar do lado que tirar mais vantagens, sempre em benefício próprio" (LL, 43 anos, autônomo, MT)

Renan Santos (Missão) confirmou sua pré-candidatura à Presidência da República. Após assistir ao vídeo, respondam:
Vocês já conheciam o pré-candidato? O que acham do discurso dele no material assistido e dele como candidato a presidente?

“Eu já ouvi esse nome, Mas confesso que não tenho nenhuma informação sobre ele.” (BC, 44 anos, do lar, MT)
“Na verdade, nao tenho nem o que argumentar, pois nem conheco ou nunca ouvi falar dessa pessoa.” (BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)
“Nunca ouvi falar do candidato...” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
“Eu não o conhecia.” (IP, 18 anos, autônoma, SP)
“Boa Tarde! Não conheço o candidato.” (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)
“Eu não conheço, mas vejo que quer chamar atenção e iludir a população com esses projetos sem noção dele.” (LD, 44 anos, autônomo, SP)

Embora a recepção geral tenha sido marcada por reservas, surgiram manifestações positivas pontuais em diferentes segmentos, sobretudo entre bolsonaristas convictos, parte dos bolsonaristas moderados e alguns indecisos conservadores. Nesses grupos, houve valorização da ousadia do discurso, da disposição em abordar problemas antigos de forma direta e da tentativa de apresentar soluções ambiciosas. Também apareceu certa simpatia pela imagem de renovação política, especialmente por se tratar de um nome novo em comparação às figuras tradicionais já conhecidas do eleitorado.
Essa receptividade, contudo, mostrou-se mais curiosa do que consolidada. Em muitos casos, o material despertou interesse para conhecer melhor o candidato, sem necessariamente gerar apoio firme ou intenção imediata de voto. Mesmo entre os que aprovaram o conteúdo, permaneceram dúvidas sobre experiência, capacidade de execução e viabilidade eleitoral.
“Já ouvi falar dele sim, por conta do MBL que é bastante ativo nas redes sociais e debates. As propostas são boas, pode renovar o meio com novas ideias, porém o mesmo não tem experiência em cargos políticos.” (BC, 48 anos, do lar, SP)
“Não o conheço, mas essa proposta é muito boa! Gostei do jeito que ele falou e pontuou, seria uma opção de canditato mais pra frente em um próximo futuro, porque acredito que nessa eleição ele não tenha a garra que o povo precisa pra vencer toda a corrupção.” (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
“Estou gostando bastante das idéias dele. Se realmente conseguir fazer o que está prometendo será ótimo para o nosso país.” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

No conjunto dos grupos, predominou a rejeição ou forte ceticismo diante do conteúdo apresentado. Parcela dos bolsonaristas moderados, indecisos conservadores, indecisos progressitas, lulodescontentes e lulistas reagiram de forma mais crítica, questionando tanto o tom do discurso quanto a viabilidade concreta das propostas. Nesses segmentos, o material foi frequentemente percebido como exagerado, simplificador ou distante da realidade social e institucional do país, o que limitou sua capacidade de persuasão.
Permaneceram também as dúvidas sobre experiência, capacidade de execução e competitividade eleitoral do pré-candidato.
“Não conheço ele. Acho essa proposta impraticável. Acho que precisa apresentar planos mais fácies de serem concretizados, e não focar em atacar outros candidatos.” (BM, 41 anos, turismólogo, PE)
“Não conheço. Achei o discurso bom demais pra ser verdade e apenas 10 anos pra realizar tudo isso. É aquilo, ano de eleição, vão falar o que queremos ouvir.” (BM, 72 anos, pensionista, RJ)
“Nunca ouvi falar do candidato e me espanta muito o seu discurso sobre exterminar as favelas. Além de ser um discurso totalmente radical a postura dele é agressiva e preconceituosa com quem mora em comunidades.” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
“Nao conhecia, Uma proposta complexa explicada de maneira rasa, discurso pra pegar as pessoas pelo emocional do tema abordado. Nao gostei.” (IP, 32 anos, técnico em logística, SP)
“Fácil na teoria, Impossível na prática.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
“Achei o candidato um verdadeiro louco e utópico... tá vendendo uma campanha que não vai conseguir cumprir.” (LD, 47 anos, professora, MT)
“Minha opinião sobre o discurso dele é mais do mesmo do MBL (muita lacração e frases de impacto).” (LL, 28 anos, vendedora, PA)
“Não conhecia o candidato. Achei a proposta dele muito interessante, mas também um pouco utópica... totalmente fora da realidade do nosso país.” (LL, 38 anos, representante de atendimento, AL)

Augusto Cury (Avante) confirmou sua pré-candidatura à Presidência da República. Após assistir ao vídeo, respondam:
Vocês já conheciam o pré-candidato? O que acham do discurso dele no material assistido e dele como candidato a presidente?

Em praticamente todos os segmentos houve reconhecimento de que Augusto Cury se comunicou bem e apresentou uma fala organizada, conciliadora e emocionalmente acessível. Sua experiência como escritor e palestrante reforçou a percepção de domínio retórico e facilidade para transmitir mensagens positivas.
Ao mesmo tempo, muitos avaliaram que o conteúdo permaneceu excessivamente amplo, com poucas propostas concretas e sem explicação clara sobre como enfrentar problemas reais do país. Dessa forma, o material produziu melhor impressão no plano simbólico e discursivo do que no campo da confiança ou da capacidade executiva.
"Não conheço o candidato, acho um discurso a priori meio genérico, com cara de terceira via, sem propostas, sem projetos. Tentando ganhar espaço com uma ideologia diferente. Vamos aguarda um programa de governo, para identifica o que realmente o candidato vai propor" (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Bom dia! Nunca ouvi falar do candidato e nem do assunto. Teve alguns pontos positivos na fala, tipo a igualdade e tal, mas ele tá parecendo querer levar tudo pra religiosidade e a fala ficou meio que demais após isso, pq parece algo muito difícil de conseguir, de cara parece ser só mais uma promessa vazia. Não senti confiança." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"Não conhecia,mais falou bonito. Mesmo assim não me convenceu. Pois até papagaio se ensinar fala bonito." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"bom dia, conhecia superficialmente como escritor, não sabia que estava se candidatando. Não tenho muita opinião, falou bem, mas não fala nada sobre como pretende conseguir isso. Parece algo muito mais utópico do que ele (ou qualquer outro) num curto de prazo de nos próximos 5-10 anos (aproximadamente dois mandatos) conseguir viabilizar algo nesse sentido" (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

Bolsonaristas convictos, indecisos conservadores, indecisos progressistas e parte dos lulodescontentes demonstraram receptividade inicial à candidatura por enxergarem no discurso uma tentativa de reduzir conflitos políticos e propor maior união nacional. A defesa de equilíbrio entre campos ideológicos e a imagem de alguém sem trajetória tradicional na política despertaram curiosidade em segmentos cansados da disputa entre polos já conhecidos.
Essa abertura, porém, ocorreu de forma contida. Em vez de adesão imediata, predominou uma postura exploratória, marcada pela disposição de acompanhar melhor o candidato antes de qualquer decisão. O interesse apareceu mais como busca por novidade e alternativa possível do que como entusiasmo espontâneo ou identificação consolidada.
"Sim já conhecia ele e seu trabalho é um ótimo candidato essa ideia de juntar esquerda e direita que é meia complicado prq depende de outros partidos as atitudes dele são de extremo apoio à sociedade." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)
"Bom dia! Fiquei surpresa pois não sabia que ele estava na política, é um ótimo escritor. Como político não tenho muito o que falar, por esse vídeo me pareceu ser o meio 'nem direito nem esquerda' o que já me chama a atenção. Mas precisamos de mais tempo pra ter uma noção verdadeira do que ele vai ser." (IC, 24 anos, advogada, RO)
"Já conhecia o candidato por ser um grande escritor de livros de auto-ajuda. Acho que finalmente é um candidato que não trás propostas, mas sim, uma mudança de pensamento ideológico, de não ficar preso a esquerda ou direita, mas encontrar um equilíbrio entre as duas e fazer que ambos os projetos e ações sejam positivas para população." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Boa noite ! Não conheço o candidato, mas foi um discurso plausível que busca agrada os dois lados da política, e contempla todas as áreas que precisa de mudança e apoio, é um candidato para continuar acompanhando suas propostas." (LD, 27 anos, entregadora, RS)

Bolsonaristas moderados, lulistas, lulodescontentes e setores dos grupos indecisos convergiram na percepção de que boas intenções ou prestígio intelectual não bastariam para sustentar uma candidatura presidencial competitiva. A ausência de experiência administrativa e de inserção política concreta foi vista como obstáculo importante para lidar com a complexidade institucional do país.
Também surgiu a leitura de que candidaturas externas ao sistema encontram dificuldades para crescer eleitoralmente e transformar visibilidade em votos. Assim, mesmo entre quem não rejeitou o nome, prevaleceu a dúvida sobre sua capacidade real de se viabilizar como alternativa robusta na disputa nacional.
"Bom dia...eu já conhecia o Augusto Cury mais como escritor e palestrante, não como político. No vídeo, o discurso dele parece focado em questões emocionais e sociais, trazendo uma visão diferente da política tradicional. Como candidato, ele pode chamar atenção por ser alguém de fora da política, mas ainda fica a dúvida sobre a experiência prática dele para governar o país." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)
"Conheço como escritor, é um candidato com ideias boas e diferentes, o mesmo não tem experiência política, é algo a se analisar." (BC, 48 anos, do lar, SP)
"Já conhecia por ser escritor, entretanto não tem história política para assumir tal cargo. Sabemos que ele entende bem de mente e afins, mas e a política? Não acho uma boa opção." (BC, 44 anos, autônomo, SP)
"O conhecia mais pelos livros no discurso achei interessante essa pegada mais voltada pra comportamento, emocional, sociedade… é diferente dos políticos tradicionais. Mas fico meio com pé atrás, pq uma coisa é teoria e livro, outra é governar um país com problema econômico e político pesado." (IP, 32 anos, técnico em logística, SP)

De forma geral, a testagem dos três nomes considerados outsiders revelou um padrão convergente: todos despertaram curiosidade inicial e algum interesse localizado, porém nenhum apareceu, neste momento, como alternativa viável à corrida presidencial. Em comum, essas candidaturas atraíram a atenção por atributos específicos — experiência administrativa, retórica de ruptura ou capital simbólico construído fora da política tradicional —, mas ainda insuficientes para fundamentar forte confiança eleitoral.
No caso de Romeu Zema, a maior adesão concentrou-se entre bolsonaristas convictos e parte dos bolsonaristas moderados, que valorizaram seu perfil gestor, defesa de corte de gastos, redução de impostos e posicionamento mais liberal na economia. Entre indecisos conservadores houve abertura cautelosa, porém sem entusiasmo. Já entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas predominou rejeição ou frieza, motivadas pela associação automática à direita, percepção de discurso genérico e baixa conexão com temas sociais mais amplos. Assim, Zema mostrou potencial mais claro de atrair o eleitorado de direita do que de expandir fronteiras políticas.
Renan Santos encontrou cenário distinto: o principal traço foi o desconhecimento prévio de seu nome. Houve receptividade mais visível entre bolsonaristas moderados, alguns indecisos conservadores e parcelas de indecisos progressistas abertas à ideia de renovação, que enxergaram no candidato ousadia e disposição para enfrentar problemas antigos. Entre bolsonaristas convictos apareceu divisão, combinando simpatia ao tom combativo com desconfiança sobre a capacidade de protagonismo real. Já lulodescontentes e lulistas reagiram de forma majoritariamente crítica, apontando exagero, inviabilidade das propostas e linguagem pouco sensível a temas sociais. Seu desempenho indicou capacidade de gerar debate, mas não de consolidar confiança ampla.
No caso de Augusto Cury, a adesão mais favorável surgiu entre indecisos moderados, parte dos indecisos progressistas e lulodescontentes cansados da polarização, que valorizaram tom conciliador, imagem de intelectualidade e trajetória externa à política tradicional. Também houve curiosidade entre alguns conservadores moderados, atraídos pela ideia de renovação sem confronto agressivo. Em contraste, bolsonaristas convictos e lulistas mostraram maior resistência, por enxergarem falta de posicionamento claro, excesso de abstração e ausência de experiência administrativa. O nome despertou respeito pessoal, mas pouca convicção eleitoral imediata.
Em síntese, os dados sugeriram que cada outsider dialogou melhor com nichos distintos: Zema com a direita organizada, Renan Santos com setores atraídos por ruptura e novidade e Augusto Cury com eleitores cansados da suposta polarização. Ao mesmo tempo, todos encontraram a mesma barreira estrutural: dificuldade de ultrapassar suas bases potenciais iniciais e transformar curiosidade em apoio competitivo nacional. Isso reforça que, no cenário atual, candidaturas externas ao sistema dependem não apenas de novidade, mas de credibilidade, clareza programática e capacidade concreta de atrair coalizões eleitorais.
Se de fato há uma concentração de preferência nos dois polos, o da extrema direita, liderado por Flavio Bolsonaro e o da centro-esquerda, liderado por Lula, um candidato outsider, para se viabilizar, precisa ser fortemente competitivo em pelo menos um desses polos e, ao mesmo tempo, mostrar ampla capacidade de atrair eleitores indecisos. Os outsiders testados essa semana até conseguem ir bem no segundo quesito, como Cury e Santos, mas todos falham em se colocarem como opção em algum dos polos. Romeu Zema, em particular, mostra baixa capacidade de atrair indecisos e pálidas chances de competir com Flávio Bolsonaro pelos votos da direita, ou seja, fracassa nos dois quesitos.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

