Relatório 134

De 25 a 31/5/26

Temas:

  • Luciano Huck e o Bolsa Família
  • Flávio Bolsonaro e Trump
  • Fim da Escala 6x1
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

p 2/20

Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 25 a 31/5/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 147 interações, totalizando 6.998 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Críticas ao Bolsa FamíliaConcordaram majoritariamente com a crítica de Luciano Huck, argumentando que o Bolsa Família pode gerar dependência e ser utilizado politicamente para manter apoio eleitoral. Embora reconhecessem a importância do programa, defenderam maior fiscalização e mudanças.Concordaram com a necessidade do Bolsa Família, mas enfatizaram que o programa deveria estimular autonomia e não permanência prolongada. Predominou a percepção de que existem casos de acomodação e falhas de controle, embora alguns tenham alertado para os riscos de generalizações.Demonstraram posições mais equilibradas, reconhecendo tanto a importância social do programa quanto a existência de distorções pontuais. Predominou a crítica à generalização dos beneficiários e a defesa de melhorias que ampliem oportunidades de ascensão econômica.Apresentaram opiniões divididas. Parte concordou com Huck ao apontar situações de acomodação, enquanto outra parte atribuiu a permanência no programa à falta de oportunidades e às dificuldades econômicas enfrentadas pela população vulnerável.Defenderam o Bolsa Família como política necessária de proteção social e consideraram que a fala de Huck reforçou estereótipos sobre pobreza. Apesar disso, reconheceram a necessidade de aperfeiçoamentos e de políticas que promovam desenvolvimento econômico e geração de empregos.Rejeitaram fortemente a ideia de que os beneficiários permanecem no programa por comodismo, atribuindo a dependência às condições de vulnerabilidade e à falta de oportunidades. Criticaram Huck por considerarem que ele fala a partir de uma posição de privilégio.Os participantes formularam suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Encontro de Flávio Bolsonaro e TrumpO encontro foi visto como um movimento positivo que reforçou a imagem de Flávio Bolsonaro como liderança alinhada à direita internacional, fortalecendo pautas ligadas ao combate ao crime organizado, à liberdade de expressão e à aproximação com os Estados Unidos.O encontro foi percebido como politicamente favorável para consolidar o apoio do eleitorado de direita e demonstrar articulação internacional, embora parte do grupo tenha destacado que seus efeitos tendem a reforçar apoiadores já existentes mais do que conquistar novos eleitores.Predominou a preocupação com a soberania nacional, levando muitos participantes a enxergarem a aproximação com Trump de forma crítica ou cautelosa. Alguns reconheceram valor em alianças internacionais e no enfrentamento ao crime organizado, desde que preservada a autonomia brasileira.O encontro foi interpretado como mais uma evidência de oportunismo político e alinhamento excessivo aos Estados Unidos, reforçando percepções já negativas sobre Flávio Bolsonaro e alimentando preocupações com interferências externas.O episódio foi visto principalmente como uma estratégia para desviar a atenção de desgastes recentes, sem capacidade de alterar opiniões já consolidadas sobre o candidato. Também surgiram críticas à possível subordinação dos interesses brasileiros a interesses estrangeiros.O encontro reforçou avaliações negativas já existentes, sendo percebido como uma tentativa de deslocar o foco de controvérsias e fortalecer a própria candidatura. A aproximação com Trump foi frequentemente associada à incoerência entre o discurso patriótico e a defesa da soberania nacional.Os participantes formularam suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Fim da Escala 6x1Predominou o apoio à redução da jornada por proporcionar mais descanso, convivência familiar e qualidade de vida aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, houve preocupação com possíveis efeitos econômicos, como aumento de custos, demissões e repasse de preços.Defenderam majoritariamente o fim da escala 6x1 como uma medida necessária para melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores. As ressalvas concentraram-se nos impactos para empresas e na capacidade de adaptação da economia à nova jornada.Apoiaram a proposta por considerarem que trabalhadores mais descansados tendem a ter melhor qualidade de vida e desempenho profissional. Demonstraram cautela quanto aos efeitos futuros da medida, defendendo que seus impactos econômicos e sociais ainda precisam ser observados na prática.Enxergaram a aprovação como uma conquista dos trabalhadores, associada à ampliação do tempo para descanso, lazer e convivência familiar. Predominou a percepção de que a medida valoriza o trabalhador e pode gerar benefícios também para a produtividade.Interpretaram a mudança como uma vitória da classe trabalhadora e um avanço necessário para garantir mais qualidade de vida, saúde e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. As preocupações com a implementação apareceram de forma secundária.Consideraram a aprovação uma conquista histórica dos trabalhadores e um passo importante na valorização dos direitos trabalhistas. Predominou a defesa de que o descanso, a dignidade e o bem-estar dos trabalhadores devem ter prioridade sobre argumentos exclusivamente econômicos.Os participantes formularam suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
p 3/20

Pergunta 40

O apresentador Luciano Huck participou neste sábado (23) do Fórum Esfera, um evento que se apresenta como um espaço de interlocução entre os poderes público e privado. Em suas falas, Huck argumentou que, em cidades onde grande parte da economia depende do programa, não há incentivos para que os beneficiários deixem o auxílio e busquem progresso socioeconômico. E também afirmou que, devido à falta de oportunidades, as famílias acabam buscando formas de permanecer no programa indefinidamente, que beneficiários se acomodam e enganam o Estado para permanecer na política social. Após ser duramente criticados nas redes, nesse domingo, ele fez um vídeo falando que sua fala foi tirada de contexto, que ele apoiava sim o programa e estava apenas propondo alterações no mesmo. O que vocês acham esses posicionamentos de Luciano Huck sobre o Bolsa Família e dele como um potencial influenciador de opiniões políticas?
p 4/20

Concordância com a crítica de Huck e preocupação com dependência do programa

Entre bolsonaristas convictos e moderados predominou predominou a percepção de que Luciano Huck levantou uma discussão legítima sobre problemas existentes no Bolsa Família. As falas convergiram na avaliação de que o programa é necessário para famílias vulneráveis, mas que pode gerar dependência prolongada e acomodação em parte dos beneficiários quando não é acompanhado por políticas de qualificação profissional, geração de empregos e incentivos à autonomia econômica. Também apareceu com frequência a percepção de que existem falhas de fiscalização e uso político dos programas sociais, reforçando a defesa de critérios mais rigorosos para permanência no benefício.

Também foi recorrente a visão de que existem injustiças no acesso ao programa. Os participantes relataram a impressão de que algumas pessoas permanecem recebendo o benefício sem necessidade real, enquanto outras famílias em situação de vulnerabilidade enfrentam dificuldades para ingressar ou permanecer na política social. Essa percepção reforçou a defesa de mecanismos mais eficientes de controle e atualização cadastral. Embora os bolsonaristas moderados tenham demonstrado maior cautela ao reconhecer que nem todos os beneficiários se enquadram nesse perfil, ambos os grupos compartilharam a convicção de que o Bolsa Família deveria estar mais fortemente vinculado a estratégias de emancipação econômica e redução da dependência em relação ao Estado.

"Achei bacana o posicionamento dele e faz sentido se olharmos pelo lado da melhoria do programa. O bolsa família é essencial para quem está na extrema pobreza, mas o governo não pode parar por aí. Defender a ideia não é necessariamente ser contra o auxílio, mas sim querer que ele funcione melhor, com uma fiscalização firme para evitar fraudes e oportunidades reais, como cursos de capacitação e incentivos de emprego" (BC, 24 anos, enfermeira, GO)

"Como ele disse, há locais onde a população depende muito do benefício, não procurando emprego para não perder o valor recebido, acho que deveria ter maior investimento em recursos para que a população não fique exclusivamente dentro do programa social, como geração de empregos." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"O auxilio é realmente necessário, mas algumas pessoas fizeram dele uma renda fixa. Familia que realmente precisam não são aprovadas e quem não tem tanta necessidade se aproveita, acho que deviam fazer melhor a seleção." (BC, 22 anos, vigilante, RO)

"Acho que ele está certo em alguns pontos. Muitas pessoas realmente acabam ficando dependentes do programa por falta de oportunidades e incentivo para crescer. Isso não significa acabar com o Bolsa Família, mas melhorar o sistema para ajudar as pessoas a terem mais independência no futuro." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Na minha opinião ele está certíssimo. A impressão que dá é que muita gente acaba fazendo filho só para ter mais auxílio rs. Lógico que o programa atende famílias de que fato precisam, e deve ser continuado, mas acho que além disso precisa ser desenvolvido políticas públicas a fim de não acomodar essas pessoas, e que elas saiam dessa bolha." (BM, 29 anos, advogada, SP)

p 5/20

Defesa do programa com reconhecimento de problemas e necessidade de aperfeiçoamentos

Os indecisos conservadores e menor parte dos indecisos progressistas adotaram uma posição intermediária, marcada pela tentativa de conciliar duas percepções que apareceram simultaneamente ao longo das discussões. De um lado, houve amplo reconhecimento da importância do Bolsa Família para garantir condições mínimas de sobrevivência e dignidade a famílias em situação de vulnerabilidade. De outro, surgiu a compreensão de que o programa não está livre de problemas e que podem existir situações de acomodação, fraudes ou permanência indevida entre alguns beneficiários. Ainda assim, diferentemente dos grupos mais alinhados à direita, essas questões foram tratadas como distorções pontuais e não como características centrais da política social. As falas demonstraram preocupação em evitar julgamentos generalizantes sobre os usuários do programa e em distinguir casos isolados da realidade enfrentada pela maioria das famílias atendidas.

Também foi recorrente a percepção de que o principal desafio não está na existência do benefício, mas na ausência de condições que permitam aos beneficiários conquistar maior estabilidade econômica. Muitos participantes argumentaram que a dependência em relação ao programa está frequentemente associada à falta de oportunidades de trabalho, à informalidade, aos baixos salários e às dificuldades de acesso a serviços públicos e qualificação profissional.

A figura de Luciano Huck foi avaliada de forma ambivalente: alguns reconheceram elementos legítimos em sua crítica, enquanto outros consideraram que suas declarações desconsideravam a complexidade da pobreza e a realidade concreta vivida pelos beneficiários.

"Ele levantou um pouco que divide a população, todavia já foi comprovado que programas sociais trazem retorno para a população e movimentam a economia do país num bom sentido evitando gastos a mais com saúde e outras áreas. Todavia generalizar uma galera se se aproveita de um benefício de maneira errada em vista daqueles que de fato precisam é muito complicado. Por mais que ele conheça ou saiba de histórias de pessoas que possam se acomodar com os auxílios como ele diz acreditar tem muita gente que não tem o que comer e graças a esses benefícios podem tem um mínimo de dignidade." (IC, 29 anos, professor, RJ)

"Pra mim o Luciano Huck não tem lugar de fala nessa história. Ninguém consegue viver plenamente bem com 600 e poucos reais de bolsa família. Aqui já fomos beneficiados e mesmo assim procurávamos outras formas de conseguir mais uns trocados pra completar o mês. Hoje já não precisamos mais. Alguns ricos como Luciano Hulk acham que o pobre gosta de ser pobre, e não quer trabalhar, não podemos também negar que tem aqueles que são preguiçosos." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Acredito que possam ter trechos em sua fala que acabaram tendo essa interpretação sobre o que ele quis dizer,para saber melhor deveríamos ter acesso a todo o material desse fórum. Mas entendi a ideia que ele quis transmitir e em partes faz sentido,pois os 'Benefícios' são bons e auxiliam a sociedade, mas tem muita pessoa que se encosta ou se aproveita da situação e se acomoda,muitas vezes tirando o direito de quem realmente precisa." (IP, 46 anos, vendedora, RS)

"Acredito que o apresentador não falou nada demais, porque é a uma opinião dele. De fato o programa bolsa família em sua teoria não foi feito para ser uma renda definitiva e sim provisória para aquelas famílias que necessitasse, porém infelizmente não é isso que acontece em nosso país. Muitas famílias acabam se acomodado e a falta de oportunidade, não buscam melhorias. Assim continuando dependendo do programa." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)

p 6/20

Rejeição à ideia de acomodação e crítica à fala de Huck

Entre os dois grupos mais próximos do campo progressista predominou uma rejeição consistente à interpretação de que os beneficiários permanecem no Bolsa Família por acomodação ou falta de interesse em melhorar de vida. As falas enfatizaram que o valor do benefício é insuficiente para garantir uma vida confortável e que sua função principal é assegurar condições mínimas de sobrevivência para famílias que enfrentam desemprego, informalidade, baixos salários e outras formas de vulnerabilidade social. A permanência no programa foi compreendida principalmente como consequência das desigualdades estruturais existentes no país e da dificuldade de acesso a oportunidades econômicas estáveis.

A figura de Luciano Huck foi frequentemente percebida como símbolo de uma visão distante da realidade das camadas populares. Diversos participantes argumentaram que suas declarações refletiam desconhecimento sobre as dificuldades concretas enfrentadas por quem depende do programa para complementar a renda familiar. A retratação posterior foi recebida com ceticismo e, em muitos casos, não alterou a avaliação negativa produzida pelas falas iniciais. Embora parte dos participantes tenha reconhecido a necessidade de aperfeiçoar os critérios de acesso e fiscalização do programa, predominou a percepção de que o principal problema do debate público está na tendência de responsabilizar indivíduos pobres por condições que são produzidas por fatores econômicos e sociais mais amplos.

"Pra mim o Luciano Huck falou sem entender a realidade da maioria das pessoas que recebe Bolsa Família. Os dados mostram que a maior parte dos beneficiários trabalha ou tenta trabalhar, só que em emprego informal, precário e mal pago. O problema não é acomodação, é falta de oportunidade real msm. E o Bolsa Família não é um valor que deixa alguém confortável, é literalmente complemento pra sobrevivência." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"O Luciano Huck, foi bem infeliz com seu posicionamento, já sabemos que existem falhas no sistema, mas o que deve ser feito a reformulação dos critérios e o que os influenciadores devem fazer é lutar pelas mudanças e melhorias no Bolsa-Família." (LD, 47 anos, professora, MT)

"Acho a fala dele coerente com a pessoa que ele é, um homem branco e privilegiado. Sabemos que esse tipo de pensamento é bem comum no meio desse público e já é o esperado. Quando a influência, eu acredito sim que ele influencie muitas pessoas, assim como outras figuras públicas, nesse contexto, sendo um desserviço e disseminando mais falácias pra população." (LD, 29 anos, professora, RJ)

"A fala do apresentador sequer faz sentido considerando que caso o programa mudasse e tirassem o benefício destas, elas não teriam absolutamente nada. Ninguém quer viver com o mínimo, se esta população 'engana' o estado para permanecer no benefício, é para continuar existindo, coisa que ele jamais entenderia no alto do próprio privilégio." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"O apresentador foi muito infeliz na sua fala!E não adianta de nada se retratar e querendo explicar, pois ficou bem claro que ele não entende e desconhece totalmente sobre as pessoas que precisam dos benefícios do Governo. Ele vive dentro de uma bolha! São mundos diferentes e ele nem deveria opinar" (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)

"Achei ridícula a fala dele. Um programa tão importante como o Bolsa Família é o que garante a sobrevivência de milhões de pessoas. Mesmo sendo um valor baixo, sem esse auxílio muitas famílias passariam por extrema necessidade. É lamentável ver um 'influenciador' usar seu alcance para falar esse tipo de absurdo abertamente, demonstrando total falta de empatia e responsabilidade social." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

p 7/20

Pergunta 41

O senador Flávio Bolsonaro (PL) se encontrou nesta terça-feira (26) com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. Em entrevista coletiva, Flávio disse ter pedido a Trump para que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) sejam classificadas pelo governo americano como organizações terroristas e defendeu a garantia plena da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, uma bandeira comum entre os dois. O senador disse que não pediu a Trump um endosso à sua candidatura no Brasil, mas afirmou ter mostrado pesquisas, dito ao republicano acreditar em vitória nas eleições deste ano e que Lula adota posição "antiamericana". Flávio também afirmou ter sinalizado a Trump que, em um eventual governo dele a partir de 2027, os EUA teriam "um presidente aliado" no Brasil, o que tornaria desnecessária a adoção de tarifas ou retaliações comerciais. Vocês viram essa notícia? O encontro entre os dois melhora ou piora sua avaliação sobre Flávio Bolsonaro?
p 8/20

Demonstração de liderança internacional e alinhamento político desejável

Entre os dois grupos bolsonaristas, predominou uma leitura amplamente positiva do encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump. As opiniões associaram a aproximação à capacidade de construir alianças internacionais estratégicas, fortalecer relações com governos ideologicamente alinhados e projetar uma imagem de liderança capaz de reposicionar o Brasil no cenário internacional. O encontro também foi percebido como um sinal de compromisso com pautas valorizadas por esses participantes, especialmente o combate ao crime organizado, a liberdade de expressão e a aproximação com os Estados Unidos.

Além disso, muitos participantes interpretaram a reunião como um indicativo de viabilidade política para uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A proximidade com Trump foi entendida como um ativo simbólico importante, capaz de reforçar credenciais junto ao eleitorado conservador e transmitir a imagem de um político com capacidade de articulação além das fronteiras nacionais.

"Melhora minha avaliação sobre o candidato, acredito que alinhar essa questão das facções é muito importante, ter os estados unidos como aliado seria muito bom nas questões comerciais. Na questão da liberdade de expressão nas redes seria ótimo melhorar, pois o governo atual esteve pressionando várias empresas como X antigo twitter, que foi até banido por dias no Brasil anteriormente por essa mesma questão." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"Bom dia ! Não cheguei a ver a notícia mas na minha opinião o encontro melhora sim, eu fico do lado do Flávio sobre a questão de mencionar que os faccionados podem ser considerados terroristas" (BC, 24 anos, enfermeira, GO)

"Melhora bastante! Flávio tá indo muito bem. Ele sempre teve um posicionamento firme sobre suas convicções para o Brasil, ele realmente tem projeto voltado para isso!" (BC, 47 anos, administradora, BA)

"Bom dia. Fiquei sabendo do encontro. Acho importante ter bom relacionamento com Trump. Para mim, melhora minha avaliação sobre ele, pois acho que Trump tem muita força mundial. Mas ha quem o odeie. Então como a colega disse, acho que vai da visão política individual." (BM, 29 anos, advogada, SP)

"vi sim essa noticia na midia estatal ( que em muito fez comentarios negativos, claro.) e nas redes sociais. Acredito que foi de muito bom grado esse encontro e acredito que ali se concretizou o que o novo governo da direita em 2027 ira propor aos EUA e voltar a parceria que nunca deveria ter sido desfeita. Quanto ao pseudo encontro do atual executivo brasileiro, com o Presidente Trump, com certeza foi um fiasco, pe nem teve notoriedade , nem uma nota do rodapé da Casa Branca, provando que esse governo brasileironão tem mais nenhuma moral com o Tio Sam." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

p 9/20

Sinal de subordinação aos Estados Unidos e tentativa de desviar o foco de desgastes

Entre os grupos de indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma visão crítica do encontro. As opiniões frequentemente associaram a aproximação com Donald Trump a uma postura excessivamente subordinada aos interesses norte-americanos, despertando preocupações sobre soberania nacional e autonomia política. Mesmo quando alguns participantes concordaram com determinadas pautas discutidas, como o combate ao crime organizado, a avaliação geral foi de que a iniciativa gerava mais desconfiança do que confiança.

Também foi recorrente a percepção de que a viagem possuía forte motivação eleitoral e buscava deslocar a atenção de controvérsias recentes envolvendo Flávio Bolsonaro. Para esses grupos, o encontro foi interpretado mais como uma estratégia de comunicação política e sobrevivência eleitoral do que como uma ação voltada a interesses concretos do país, reforçando avaliações negativas já existentes sobre o senador.

"Piora, ao meu ver o Flávio é entreguista, longe de mim querer defender o Lula, pelo contrário o que eu mais tenho são críticas, mas pelo menos ele sabe fazer política internacional. Já o Flávio é lambe botas de estadunidense, e pra vencer as eleições ele demonstra estar disposto a passar por cima da soberania nacional. Porque a questão de colocar as facções como organizações terroristas é uma manobra pra ajudar os Estados Unidos invadir nosso povo igual eles fazem mundo afora." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Eu vi um pouco sobre o encontro dos dois, isso só me faz ter mais certeza que não devo votar no Flávio Bolsonaro. A ideia dele é entregar o Brasil pros USA, isso é muita loucura. Também vi umas páginas apontando essa ""foto"" como IA, o que não me assusta em nada." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Eu não soube desse encontro. Esse Flávio se afunda mais a cada notícia que aparece sobre ele. Ir buscar aliança com o Trump só vai deixar ele pior. Flávio tá querendo vencer a qualquer custo, está mostrando que está disposto até de ""dar o Brasil nas mãos do Trump"".

Pra mim, piora meu ver sobre ele. Pq todos já sabemos que Trump não presta e só pensa em si mesmo. Que Flávio já é ruim de natureza. E juntar os dois? É só regresso. Eu não apoio que presidente de outro país queira se meter em leis daqui, cada um com seu cada qual." (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Não fiquei sabendo dessa encontro. O Flávio vai totalmente em desencontro com a paz e com a sabedoria de um político. É nítido que ele vai fazer de tudo para vencer as eleições, inclusive se bandiar para o lado do Trump. Espero que acabe essa polarização, mas pelo visto não acabará tão cedo." (IP, 32 anos, técnico em logística, SP)

"Sim, acompanhei as notícias sobre isso. Não muda em nada minha percepção ao Flávio Bolsonaro pq é exatamente o que se esperaria dele pra tentar desviar a atenção das atuais polêmicas do caso Master. Ele certamente está procurando uma saída pra tudo isso." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"Sim, vi a notícia e minha avaliação só piora, um entreguista, nada patriota. Deveria ser fuzilado em praça pública como traidor. E o pior é que tem muitos cúmplices. Eu não acredito que na nossa Constituição não tenha punição para traidor e espiões." (LL, 61 anos, administrador, PR)

p 10/20

Pergunta 42

A Câmara dos Deputados apovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. A proposta foi aprovada com ampla maioria (461 votos a favor e 19 contra no segundo turno). O texto segue agora para análise no Senado Federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou, nas redes sociais, a aprovação pela Câmara dos Deputados e afirmou tratar-se de uma vitória da classe trabalhadora. O que vocês acham da aprovação dessa medida?
p 11/20

Amplo consenso

Entre todos os segmentos analisados, houve uma convergência rara em torno da avaliação positiva da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. Independentemente do posicionamento político dos participantes, predominou a percepção de que a rotina de trabalho vigente impunha níveis excessivos de desgaste físico, emocional e social aos trabalhadores. As falas ressaltaram que a medida permitiria ampliar o tempo dedicado à família, ao descanso, ao lazer e aos cuidados pessoais, aspectos frequentemente percebidos como sacrificados pelas exigências do mercado de trabalho. A ideia de que a vida não deveria ser organizada exclusivamente em função do trabalho apareceu de forma recorrente em praticamente todos os grupos.

A redução da jornada foi interpretada como uma medida de justiça social e de reconhecimento da importância do equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal, produzindo um consenso que atravessou fronteiras ideológicas normalmente bastante rígidas.

"Achei muito bom, essa vitória foi conquistada e merecida, agora poderemos ficar mais tempo com a familia, descansar mais, ter 100% de aproveitamento nos finais de semana." (BC, 22 anos, vigilante, RO)

"Fico muito feliz com a aprovação, e é motivo de comemorar, pois os trabalhadores merecem esse tempo livre, para passar mais tempo com a família e curtir a vida sem ter que passar a maior parte do tempo no serviço" (BC, 24 anos, enfermeira, GO)

"Pô de verdade eu sou a favor desse fim da escala 6x1 ,quem já trabalhou nessa escala sabe que é exaustivo e muito pesado, mentalmente, fisicamente, enfim.. quem não gostou foi empresários né ? Por que pra maioria das empresas se desse pro funcionário trabalhar sem folga alguma seria ótimo rs..." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

"Bom dia..acho que essa medida pode trazer mais qualidade de vida para os trabalhadores, já que a escala 6x1 é muito cansativa. Ter mais tempo para descanso e família é importante. Trabalhei muito tempo no comércio é isso era muito exaustivo. Mas também é necessário pensar nos impactos para as empresas e na economia." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Bom dia é seria bom para os que trabalham ! mais mercado , empresas algo farão pois principalmente donos de supermercado vivem abrindo em feriado e domingo ! Vms ver como vai ser ! Mais e bom para o descanso daquele que trabalham mto!" (IC, 30 anos, autônoma, SP)

"Achei uma aprovação justa. Os efeitos dela só vamos ter certeza a longo prazo. Mas não acredito que serão negativos. Pessoas descansadas trabalham melhor. E locais como mercados, padarias, terão que se readaptar, eu acho um absurdo alguns mercados ficarem abertos até 20h da noite em pleno feriado, isso é muita falta de respeito com o funcionário. Acho que com a nova escala isso vai melhorar.""" (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Achei excelente, os trabalhadores merecem ter descanso, merecem ter um tempo com a família, a vida de só trabalhar não é fácil.

Muito tempo lutando contra isso, tentando alcançar e finalmente deu certo. Finalmente um pouco de reconhecimento. É uma vitória enorme pra todos os trabalhadores.""" (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Foi ótimo, quantos trabalhadores serão beneficiados. Com o fim da escala 6x1 reduzindo assim a carga horária dos trabalhadores. Isso é uma vitória .""" (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)

"Foi uma vitória pra nós trabalhadores, com isso vamos ter mais tempo de descanso para estar mais tempo com os nossos.""" (LD, 59 anos, educador social, CE)

"Considero essa PEC excelente. O nosso povo merece descanso, tempo de qualidade com os filhos e o convívio com a família. Essa medida trará benefícios imensos para a saúde e o bem-estar da população. É, sem dúvida, uma vitória histórica para a classe trabalhadora." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

p 12/20

Apoio acompanhado de preocupação com impactos econômicos

Embora tenham apoiado majoritariamente a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores demonstraram uma preocupação recorrente com os possíveis efeitos econômicos da medida. As falas indicaram que a proposta era vista como positiva para os trabalhadores, mas acompanhada de incertezas sobre a capacidade de adaptação das empresas, especialmente em setores que dependem de jornadas mais extensas ou funcionamento contínuo. Nesse sentido, apareceram dúvidas sobre o aumento dos custos operacionais, a necessidade de novas contratações e o impacto que essas mudanças poderiam gerar sobre preços, produtividade e sustentabilidade dos negócios.

esses participantes adotaram uma postura cautelosa, defendendo que seus resultados precisariam ser observados ao longo do tempo. Houve a percepção de que empresas tenderiam a buscar formas de compensar as novas exigências, seja por meio de reajustes de preços, reorganização das equipes ou redução de postos de trabalho.

"Apesar de proporcionar mais tempo livre ao trabalhador, essa medida tem custo. Baixa produtividade, menos horas trabalhadas, mesmos impostos incidindo, talvez a necessidade de contratação de mais funcionários para manter a produção, entre outros pontos. E esse custo vai ter que ser repassado para alguém. O empregador, asfixiado, pode ter que demitir ou fechar seu negócio. Ou os preços de venda terão que ser reajustados para maior. Então, quem vai pagar por essa "bondade eleitoral"? Todos, principalmente os trabalhadores." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"""Eu acho positivo, na ideologia! Mas, na pratica é diferente.

Eu acho que esse projeto deveria da as empresas e funcionarios a flexibilidade de escolher 44 horas 5x2 ou 36 horas 6x1. Tem empresa que tem que mais dias abertos, mesmo que com horário de funcionamento reduzido, sem falar que se retirasse metade dos impostos dos empresários qualquer umas dessas propostas daria certo, mas com essa carga tributária só vai dar desemprego.""" (BC, 47 anos, administradora, BA)

Bolsonaristas Moderados (BM)

"""Obvio que essa pauta é campanha eleitoreira. Apesar de eu não ser empresário e sim assalariado, mas tenho sim a visão que tudo tera consequencias, pq as empresas, cuja carga tributaria é desumana, nao aguentara isso, e havera demissoes, aumentos e tudo isso sera repassado ao povo. Vamos ver para crer.""" (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

"Bom dia..acho que essa medida pode trazer mais qualidade de vida para os trabalhadores, já que a escala 6x1 é muito cansativa. Ter mais tempo para descanso e família é importante. Trabalhei muito tempo no comércio é isso era muito exaustivo. Mas também é necessário pensar nos impactos para as empresas e na economia." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

Indecisos Conservadores (IC)

"""Bom dia.

Sinceramente eu acredito que isso realmente só com o tempo poderemos ver os efeitos se serão mais positivos ou negativos. Sou a favor das pessoas terem mais tempo pra outras coisas além de trabalhar. Mas também não sou inocente de acreditar que as empresas e os empregadores em geral não vão responder isso de algum forma, seja reduzindo funcionários ou aumentando os preços nos produtos e serviços. Mas tudo isso só veremos veremos com o tempo.""" (IC, 37 anos, professor, RJ)

"É ótimo para os trabalhadores, muitas empresas tem trabalho escravo sim, e os funcionários ficam a mercê porque precisam estar empregados, abdicam da saúde, da família e muitas vezes da criação dos filhos, porque saem cedo e chegam tarde, na grande maioria sem folga aos finais de semana, é doido. De toda forma creio que haverá sim demissões, e muitas conveniências que encontramos abertas a qualquer momento do dia ou noite, com certeza serão extintos, a empresas nunca querem perder e abrir mão de nada." (IC, 38 anos, coordenadora , SP)

p 13/20

Valorização dos direitos trabalhistas e da dignidade do trabalhador

Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, a aprovação da redução da jornada foi interpretada principalmente como uma conquista da classe trabalhadora e um avanço na ampliação de direitos sociais. As discussões foram marcadas pela defesa de condições de trabalho mais humanas e pela crítica a modelos laborais considerados excessivamente desgastantes. Nesses grupos, a medida foi frequentemente associada à ideia de dignidade, reconhecimento e valorização do trabalhador, sendo vista como uma correção necessária de uma realidade em que o trabalho ocupava espaço excessivo na vida das pessoas. O foco das avaliações esteve menos nos possíveis impactos econômicos e mais nos benefícios sociais, familiares e individuais decorrentes da mudança.

Também apareceu de forma recorrente a percepção de que descanso, lazer e convivência familiar não deveriam ser tratados como privilégios, mas como direitos legítimos de quem trabalha. Muitos participantes defenderam que trabalhadores mais descansados tendem a apresentar maior disposição, satisfação e produtividade, tornando a medida benéfica não apenas para os indivíduos, mas para a sociedade como um todo. Nesse sentido, a aprovação foi percebida como um passo importante na construção de relações de trabalho mais equilibradas e compatíveis com a qualidade de vida desejada pelos trabalhadores.

"Excelente. Merecemos ter descanso, lazer, tempo com a familia. E sendo sincero, acho que nao pode parar por ai. Os políticos do nosso país tem uma série de regalias, plano de saude, auxílio alimentação gigantesco, uma série de benefícios que deveria ser obrigatórios e com teto alto para a classe trabalhadora. Estou feliz com a redução da jornada pq sei na pele o quanto ela afeta. Mas sei q pode melhorar ainda mais.""" (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Achei uma ótima notícia,com essa nova medida os trabalhadores terão mais tempo para descansar,aproveitar seu lar e poder estar junto de sua familia,curtindo bons momentos, pois a vida não se resume só em dinheiro. Sendo assim estarão mais felizes e dispostos,com isso trabalharão com mais ânimo e com mais tranquilidade,sem muita pressão e cansaço. Com certeza,além de ser ótimo para os trabalhadores esse descanso também refletirá positivamente para a empresa,trazendo bons resultados. Estou muito feliz por essa conquista dos trabalhadores.""" (IP, 46 anos, vendedora, RS)

"Esse projeto foi uma das maiores vitórias dos trabalhadores,que o empresariado brasileiro largue a ganância e se adeque a nova jornada. A 6x1 é imoral, acaba com a vida do trabalhador. Eu como CLT 6x1, aguardo ansiosamente a aprovação,para poder aproveitar mais a minha esposa e família""" (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)

"Uma vitória para todos nós classe trabalhadora, fiquei contente não só por mim mas por todos que teremos esse avanço necesario para nossa saúde mental e social" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

"Considero essa PEC excelente. O nosso povo merece descanso, tempo de qualidade com os filhos e o convívio com a família. Essa medida trará benefícios imensos para a saúde e o bem-estar da população. É, sem dúvida, uma vitória histórica para a classe trabalhadora." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

"Acho excelente, demorou pra isso. O trabalhador desse regime é um semiescravo, sem tempo pra viver! Tem umas pessoas por aí que falam que vai aumentar os preços ou quebrar negócios com a mudança de regima, esses tem que rever seus conceitos. Se uma empresa/loja/estabelecimento tem que fazer seu trabalhador de semiescravo pra ter lucro, tem algo de muito errado com esse negócio. Na época abolição da escravidão falavam a mesma coisa, que ia quebrar a economia sem escravos.....""" (LL, 45 anos, professor, PB)

p 14/20

Considerações Finais

A discussão sobre as declarações de Luciano Huck revelou que, de forma geral, existe espaço para discutir aperfeiçoamentos no Bolsa Família sem que isso implique necessariamente rejeição ao programa. Em todos os grupos houve reconhecimento, em maior ou menor grau, da importância do programa para famílias em situação de vulnerabilidade. A divergência central foi concentrada nas explicações para a suposta permanência dos beneficiários na política social e no significado atribuído às críticas feitas pelo apresentador. Enquanto participantes identificados com a direita demonstraram maior concordância com a ideia de que o programa pode estimular dependência e acomodação, os grupos do campo progressista atribuíram essa permanência principalmente às dificuldades estruturais enfrentadas pelas populações de baixa renda. É importante notar aqui que o enquadramento da permanência excessiva e da dependência, em si falácias factuais, foi pouco contestado. Ou seja, há um déficit informacional na população em geral em relação ao desempenho do programa, a despeito de uma simpatia bastante generalizada, impulsionado pelo sentimento de justiça social.

Também chamou atenção o fato de que a figura de Luciano Huck se tornou parte importante do julgamento sobre suas declarações. Entre bolsonaristas, suas falas foram frequentemente interpretadas como um diagnóstico legítimo sobre problemas reais do programa. Já entre lulistas e lulodescontentes, predominou a percepção de que o apresentador fala a partir de uma posição privilegiada e distante da realidade dos beneficiários. Os grupos intermediários, por sua vez, demonstraram maior disposição para separar o conteúdo da fala da figura pública que a emitiu, avaliando simultaneamente aspectos considerados válidos e limitações presentes em sua argumentação.

A recepção do encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump foi fortemente condicionada pelas predisposições políticas prévias dos participantes e separou os grupos em dois blocos. Entre os bolsonaristas convictos, e em menor medida entre os moderados, a reunião foi interpretada como um ativo político capaz de reforçar atributos já valorizados nesse campo, como alinhamento internacional com lideranças conservadoras, enfrentamento ao crime organizado e proximidade com os Estados Unidos. Nesses grupos, o encontro foi percebido como demonstração de força política e capacidade de articulação, contribuindo para fortalecer a imagem do senador junto à sua base de apoio.

Nos outros quatro segmentos, entretanto, prevaleceram avaliações negativas ou indiferentes. Indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas frequentemente interpretaram a aproximação com Trump como sinal de excessiva dependência de interesses dos Estados Unidos, que podem colocar em risco a soberania nacional. Ainda que alguns participantes tenham reconhecido a relevância do debate sobre segurança pública e crime organizado, o encontro não foi percebido como uma iniciativa voltada ao interesse nacional, sendo mais frequentemente associado a cálculos eleitorais e à tentativa de produzir fatos políticos favoráveis que desviassem a atenção do público das denúncias que assolam a figura de Flávio Bolsonaro. De forma geral, o episódio demonstrou baixa capacidade de conversão eleitoral para além dos segmentos já alinhados ao bolsonarismo. Entre os indecisos – público em disputa –, predominou uma reação crítica à aproximação com Trump, especialmente devido às preocupações com soberania nacional e à percepção de excessiva dependência dos Estados Unidos, fatores que contribuíram mais para reforçar rejeição do que para ampliar apoios.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho revelou um dos mais amplos consensos observados entre os diferentes segmentos ideológicos. Independentemente do grupo de pertença dos participantes, predominou a avaliação de que os trabalhadores brasileiros enfrentam jornadas excessivamente desgastantes e que a ampliação do tempo destinado ao descanso, à convivência familiar e ao lazer representa um objetivo legítimo e desejável.

As diferenças surgiram menos em relação ao mérito da proposta e mais na forma de interpretar suas consequências. Entre bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, o apoio à medida foi frequentemente acompanhado por preocupações com seus possíveis efeitos econômicos, especialmente sobre empresas, empregos e preços. Nesses grupos, a defesa dos trabalhadores coexistiu com uma visão cautelosa sobre a capacidade de adaptação do setor produtivo. Já entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, a discussão esteve mais concentrada na ampliação de direitos e na valorização da dignidade do trabalhador, com menor peso atribuído aos riscos econômicos e maior ênfase nos ganhos sociais da mudança.

Um aspecto particularmente relevante foi a baixa centralidade atribuída ao governo Lula na discussão. Embora a pergunta mencionasse explicitamente a comemoração do presidente pela aprovação da proposta, a maior parte dos participantes avaliou a medida a partir de seus potenciais impactos sobre a vida dos trabalhadores, e não como uma realização governamental. Mesmo entre os grupos lulistas, a aprovação foi celebrada principalmente como uma conquista da classe trabalhadora. Já entre os grupos bolsonaristas, apesar de algumas referências extremamente pontuais ao possível caráter eleitoral da iniciativa, predominou a avaliação de seus efeitos concretos sobre justiça e qualidade de vida do trabalhador, produzindo um debate relativamente despolarizado em comparação com outros temas associados ao governo federal.

p 15/20

p 16/20

MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

p 17/20

Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

p 18/20

INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

p 19/20
p 20/20
MDP - Relatório 134