Relatório 140

De 6 a 12/7/26

Temas:

  • Propagandas de Bets na Copa
  • Postura de Lula
  • Posicionamento de Tarcísio de Freitas
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 6 a 12/7/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 158 interações, totalizando 5.986 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Propaganda de BetsPredominou a defesa da regulamentação mais rígida das propagandas, rejeitando a proibição das bets. Alguns expressaram forte desconfiança em relação às motivações do governo.Houve amplo consenso de que a publicidade das bets se tornou excessiva e precisava de regras muito mais rígidas para proteger a população. Uma parcela menor defendeu a proibição das plataformas e de suas propagandas.Predominou a defesa de uma regulamentação rigorosa, especialmente para limitar a publicidade. Também surgiu uma corrente favorável à proibição, motivada pelos danos sociais associados às apostas.O grupo convergiu na avaliação de que a publicidade das bets era abusiva . Houve divisão entre a defesa da regulamentação mais rígida e a proibição completa.Predominou a percepção de que as bets provocam graves danos sociais e exigem uma atuação mais firme do Estado. O grupo dividiu-se entre a defesa da proibição e de uma regulamentação muito mais rigorosa.Predominou a defesa da proibição das bets, consideradas responsáveis pelo endividamento das famílias. Houve consenso de que a publicidade era excessiva.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento, mas expressaram igual preocupação com o vício causado.
Postura de LulaPredominou a interpretação de que o gesto confirmou a falta de postura presidencial de Lula e reforçou percepções de que ele utiliza uma comunicação populista e manipuladora, explorando a pauta da pobreza para obter apoio político.O grupo avaliou o gesto como incompatível com a função presidencial, pois um chefe de Estado deveria preservar respeito, decoro e postura institucional. Também apareceu a percepção de que a forma da manifestação ofuscou a seriedade do assunto.Prevaleceu a avaliação de que a atitude foi desnecessária, grosseira e incompatível com o cargo de presidente, comprometendo a credibilidade da mensagem. Também foi recorrente a leitura de que o episódio reforçava um padrão de comunicação populista.Predominou a concordância com a mensagem, relativizando o gesto diante do contexto da fala. Alguns participantes consideraram o gesto inadequado para um presidente, embora atribuíssem maior importância ao conteúdo do discurso do que à sua forma.O grupo defendeu a importância da mensagem, mas avaliou que o gesto foi incompatível com a postura ética e institucional esperada de um chefe de Estado. Apareceu a defesa de que esse mesmo padrão de cobrança deveria valer para qualquer presidente, independentemente de sua posição política.Predominou a avaliação de que o gesto foi uma reação espontânea, sendo considerado secundário diante da mensagem transmitida. Uma parcela minoritária avaliou que a atitude foi exagerada, mas tratou o episódio como um deslize pontual.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Declarações de Tarcísio de FreitasPredominou a defesa de que o vínculo com o estado é mais importante do que o local de nascimento. Parte do grupo reconheceu a contradição de Tarcísio, mas prevaleceu maior desconfiança em relação às possíveis candidaturas de Marina Silva e Simone Tebet.Prevaleceu a avaliação de que candidatos devem possuir relação efetiva com o estado que pretendem representar, independentemente da origem. A principal crítica foi dirigida à postura de Tarcísio, considerada incoerente, enquanto Marina e Simone foram pouco personalizadas nas respostas.Em geral, os participantes defenderam que candidaturas fora do estado de origem são legítimas quando existe vínculo efetivo com a população local. A maioria acusou Tarcísio de ser contraditório ao criticar uma prática que também fez parte de sua trajetória.Predominou a avaliação de que o estado de nascimento é secundário diante da residência, do conhecimento da realidade local e do compromisso com a população. Também foi amplamente compartilhada a percepção de que Tarcísio adotou uma postura incoerente.O grupo criticou a postura de Tarcísio, considerada contraditória por utilizar um argumento aplicável à sua própria trajetória. Ao mesmo tempo, prevaleceu a defesa de candidaturas fora do estado de origem quando acompanhadas de vínculo e atuação consistente no estado representado.Houve uma forte crítica à postura de Tarcísio, frequentemente interpretada como hipócrita e associada a um padrão de atuação da direita. Além disso, o grupo foi o que mais explicitamente defendeu Marina Silva e Simone Tebet e legitimou suas possíveis candidaturas.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
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Pergunta 58

Nas últimas semanas, cresceu a polêmica em torno do excesso de propaganda de bets nas transmissões da Copa do Mundo de 2026, especialmente na CazéTV — canal que detém a exclusividade dos 104 jogos e vinha usando narradores e comentaristas para divulgar ofertas de apostas ao vivo. O Conar chegou a conceder liminar suspendendo três anúncios (KTO, Betnacional e Bet365) por indícios de publicidade abusiva, e a Senacon abriu investigação paralela sobre o tema.

E vocês, o que acham dessa quantidade de propaganda de bets durante os jogos? Na opinião de vocês, as bets deveriam ser proibidas ou apenas regulamentadas de forma mais rígida?

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Excesso de propaganda

Independentemente do posicionamento político, houve uma convergência muito expressiva na avaliação de que a publicidade das bets durante as transmissões da Copa do Mundo havia ultrapassado limites aceitáveis. Nos seis grupos, os participantes descreveram a quantidade de anúncios como exagerada, repetitiva e incômoda, considerando que a experiência de assistir aos jogos estava sendo prejudicada pela constante exposição às propagandas. Em muitos casos, a percepção foi de que o futebol havia deixado de ocupar o centro da transmissão, dando lugar à promoção contínua das casas de apostas.

Também foi consensual a preocupação com os efeitos desse modelo de publicidade sobre a população. Mesmo entre os participantes que defenderam a permanência das bets, prevaleceu a avaliação de que a divulgação excessiva incentivava apostas impulsivas e ampliava os riscos de vício, especialmente entre jovens e pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Assim, apesar das divergências quanto à proibição ou à regulamentação das plataformas, consolidou-se um amplo consenso de que a publicidade das bets deveria ser submetida a restrições muito mais severas.

"Acredito que proibir as bets não é mais possível, já caiu no gosto popular e não sou muito a favor de proibições, acredito que quem gosta e é consciente tenha direito de jogar, porém a questão propagandas em grande quantidade já acaba passando do limite, seria bom ter uma regulação na quantidade de propaganda que é exibida ao público." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"Bom dia....Acho que a quantidade de propaganda de bets durante os jogos está exagerada.Não sou contra a existência delas, mas acredito que deveria haver uma regulamentação mais rígida para evitar excessos e proteger principalmente os mais jovens e pessoas vulneráveis." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Bom dia ... Acho que tem propaganda demais, atrapalha quem tá assistindo e pode incentivar gente a apostar sem saber os riscos. Não precisa proibir tudo, mas tem que ter regras bem mais duras: menos anúncios, não deixar falar disso o tempo todo ..." (IC, 30 anos, autônoma, SP)

"Pra mim já passou do limite. Tá parecendo q o futebol virou intervalo de bet com jogo no meio. Eu não acho q precisa proibir, mas tem q ter uma regulamentação muito mais pesada. Esse tipo de propaganda incentiva um monte de gente, principalmente jovem, a entrar num negócio q pode virar vício e acabar com a vida financeira da pessoa." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Olá, pessoal. Acho que essa quantidade de propaganda é um bombardeio de informação que pela repetição faz as pessoas aderirem. As bets deveriam ter regras rígidas de propaganda pois causa dependência e endividamento de muitas famílias. Até mesmo leva a morte." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Acho a quantidade de propaganda abusiva. Viciam as pessoas em apostar todos os jogos e não a torcer pelos times." (LL, 25 anos, desempregada, BA)

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Responsabilidade individual

Nos grupos mais próximos da direita - bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores -, predominou a rejeição à proibição das bets, acompanhada da defesa de uma regulamentação mais rígida, especialmente em relação à publicidade. A percepção majoritária foi de que apostar deveria permanecer uma decisão individual e que o Estado não deveria impedir a existência das plataformas. Nesse sentido, prevaleceu o entendimento de que o problema estava menos nas apostas em si e mais na forma como vinham sendo promovidas durante as transmissões esportivas.

Os participantes avaliaram que o volume de propagandas havia ultrapassado limites aceitáveis, tornando-se excessivo e incentivando comportamentos impulsivos. Mesmo reconhecendo os riscos associados ao vício e ao endividamento, a maior parte do grupo defendeu que esses danos poderiam ser enfrentados por meio de regras mais rigorosas para a publicidade, e não pela proibição das bets. Assim, consolidou-se uma posição que conciliou a valorização da liberdade de escolha com a defesa de maior controle sobre as estratégias de divulgação das casas de apostas.

"Acredito que proibir as bets não é mais possível, já caiu no gosto popular e não sou muito a favor de proibições, acredito que quem gosta e é consciente tenha direito de jogar, porém a questão propagandas em grande quantidade já acaba passando do limite, seria bom ter uma regulação na quantidade de propaganda que é exibida ao público." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"Na minha opinião, proibir as bets não é o caminho, porque no fim das contas aposta quem quer e cada um sabe de si. O problema real não é o jogo, mas sim a apelação nas propagandas." (BC, 24 anos, enfermeira, GO)

"Bom dia....Acho que a quantidade de propaganda de bets durante os jogos está exagerada.Não sou contra a existência delas, mas acredito que deveria haver uma regulamentação mais rígida para evitar excessos e proteger principalmente os mais jovens e pessoas vulneráveis." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Na minha opinião, as bets não precisam ser proibidas, mas devem ser regulamentadas de forma muito mais rígida. O excesso de propagandas durante os jogos incentiva as pessoas a apostar sem pensar nos riscos, principalmente os jovens. A publicidade deve ter limites e priorizar a proteção do consumidor." (BM, 17 anos, secretária, MT)

"O estranho é que durante as transmissões na TV aberta só não ocorre na mesma quantidade porque não tem a mesma frequência da transmissão do Cazé TV que está cobrindo todos os jogos, acredito que tem interesse de terceiros nessas denúncias que está tendo seu monopólio ameaçado. Penso que tem ser regulamentadas, até porque proibição não soluciona os problemas." (IC, 37 anos, professor, RJ)

"Acho que tem propaganda demais, atrapalha quem tá assistindo e pode incentivar gente a apostar sem saber os riscos. Não precisa proibir tudo, mas tem que ter regras bem mais duras: menos anúncios, não deixar falar disso o tempo todo ..." (IC, 30 anos, autônoma, SP)

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Ênfase nos impactos sociais das bets

Nos grupos mais próximos do campo progressista, predominou uma percepção de que as bets representavam um problema social que ultrapassava a esfera da escolha individual. As apostas foram associadas, de forma recorrente, ao vício, ao endividamento e à deterioração das condições de vida das famílias, especialmente entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade econômica. Também apareceu com frequência a avaliação de que a publicidade explorava justamente essa vulnerabilidade ao incentivar a expectativa de ganhos fáceis como solução para dificuldades financeiras.

Nesses segmentos a responsabilização das empresas e do poder público apareceu com maior intensidade do que a ênfase na responsabilidade individual dos apostadores. Como consequência, foram mais frequentes as manifestações favoráveis à proibição completa das bets, entendida como a forma mais eficaz de reduzir seus impactos sociais. Ainda assim, uma parcela dos participantes defendeu que, caso a proibição não fosse viável, seria necessário adotar uma regulamentação muito mais rígida, sobretudo em relação à publicidade e às estratégias de incentivo às apostas.

"Na minha opinião, eu acho um absurdo propaganda de algo que já comprovaram ser feito pra perder, e sinceramente, por mim poderia probir todas as bets, já que os influenciadores recebem uma conta fake que só tem êxito nas apostas, pra divulgação, enquanto milhares de pessoas afundam na lama tentando o mesmo resultado. Claro, eu compreendo que ninguém é forçado a apostar, mas o cenário econômico, os salários baixos, a escala 6x1, tudo contribui para que quem aposta, encha os olhos e enxergue nas casas de aposta, uma solução rápida pra ter uma qualidade de vida melhor, conseguir viver, em vez de sobreviver, ter lazer, e muitas vezes até quitar as dívidas." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

"Boa noite! Essas propagandas são extremamente abusivas e acaba iludindo e viciando quem não tem condições, assim gerando sérias consequências para às famílias. Sou totalmente contra essas propagandas. Deveria ser proibidas e que divulgasse deveria pagar uma multa astronômica ." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)

"Na minha opinião as bets devem ser enquadradas como crime no Brasil, ser proibida de todas as formas. Sendo a Copa um evento de grande abrangência, as propagandas só influênciam mais pessoas a entrarem neste mundo e destruírem suas vidas. Os órgãos responsáveis deviam ter monitorado e fiscalizado antes de iniciar os jogos com medidas para proibir essas propagandas." (LD, 47 anos, professora, MT)

"Na minha opinião as bets deveriam ser proibidas assim ou minimamente regulamentas como as drogas, álcool, cigarro provocam vício e destrui famílias o marketing abusivo e bombardeado procura novas vítimas" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

"Eu acho que as bets deveriam ser proibidas no Brasil, pois elas se sustentam das perdas dos usuários. Fica bem claro que quem ganha algo com as bets são os influenciadores, que divulgam e enganam as pessoas com falsos ganhos." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

"Eu sinceramente já acho um absurdo existirem essas Bets já que sabemos que isso está acabando com a vida de muita gente. Se torna um vício, as pessoas incontroláveis gastam tudo o que tem e ainda se endividam. Portanto, acho que devia ser proibido esse tipo de propaganda ainda mais durante os jogos da Copa que tem tanta audiência. Ontem assisti o jogo do Brasil pela CazéTb. E notei que os próprios comentaristas, depois de anunciar a propaganda da bet, falava pra pessoa ter consciencia, algo assim, tipo jogar por distração... para tomar cuidado. Não era com essas palavras mas queriam dizer isso. Talvez eles tenham sido advertidos, talves, para não perder o dinheiro da publicidade começaram a comentar isso no final de cada publicidade." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

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Pergunta 59

O presidente Luiz Inácio Lula da SIlva (PT) mostrou o dedo do meio nesta sexta-feira (3) durante discurso em uma cerimônia oficial do governo no Palácio do Planalto, em Brasília, ao rebater a afirmação de que "pobre não gosta de coisa boa."

"Nós vamos acabar com essa história que eles pensam que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles [mostra o dedo do meio]. Nós gostamos de coisa boa. Nós queremos é tudo de primeira", disse o presidente.

Vocês viram essa notícia? O que acham da postura de Lula em sua fala?

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Condenação da postura presidencial e crítica ao uso político da pobreza

Entre os bolsonaristas convictos, moderados e indecisos conservadores, predominou uma avaliação amplamente crítica da postura de Lula, interpretada como incompatível com a função presidencial e coerente com percepções já consolidadas sobre sua forma de governar. Embora o gesto tenha sido o elemento que desencadeou a discussão, as respostas rapidamente extrapolaram o episódio específico e passaram a incorporar críticas mais amplas ao estilo de comunicação do presidente, frequentemente descrito como pouco institucional, desrespeitoso e incompatível com a imagem esperada de um chefe de Estado. Entre esses participantes, prevaleceu a expectativa de que o presidente preservasse uma postura de maior decoro, independentemente do contexto ou da mensagem defendida.

Também houve forte convergência na interpretação de que a referência à população mais pobre fazia parte de uma estratégia recorrente de mobilização política. Nos três grupos, apareceu a percepção de que Lula utilizava o discurso em defesa dos pobres para reforçar sua identificação com esse segmento da população e produzir ganhos políticos, sendo frequentemente acusado de explorar essa narrativa de forma populista. Assim, o episódio foi interpretado menos como um deslize isolado e mais como uma confirmação de avaliações previamente existentes sobre sua comunicação e sua atuação política.

"O Lula tenta manipular o povo, se aproveitando da vulnerabilidade, sempre utilizando da pobreza para se promover, se incluindo ao falar "nos pobres" sendo ele e a primeira dama esbanjadores do dinheiro público que são, cada dia passamos mais vergonha, o pior é saber que uma parte da população passa pano para essas atitudes dele." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"Bom dia ! Achei a postura dele muito inadequada, ainda mais para um presidente, ele deveria dar exemplo e ser menos fútil, só fala abobrinha na maioria das vezes." (BC, 24 anos, enfermeira, GO)

"Boa tarde. Acho que a postura e a atitude do nosso excelentíssimo presidente e totalmente inaceitável, ele como líder político tem que ter no mínimo de decorro frente a população. E a fala dele vai de frente as promessas que ele fez no início do mandato, onde ele mesmo prometeu picanha pra população, e hoje muito mal se compra um acém no mercado. Como que se vai comer bem se os preços estão nas alturas e a cada dia que passa só piora." (BM, 72 anos, pensionista, RJ)

"Não vi nada sobre essa notícia, mas sendo o Lula eu não duvido. Ele é muito presepeiro, adora fazer esse tipo de coisa pra aparecer. De fingir que sente as dores do pobre, sendo super exagerado ao se expressar. Achei desnecessário, como eu já falei aqui outras vezes não acho que é assim que um presidente se porta. O Lula deve ter uma acessoria boa, mas pelo visto não segue." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Não soube sobre esse episódio, mais um episódio lamentável, a postura desses chefes de Estado no Brasil são lamentáveis, mesmo que o disse possa ser verdade, a forma como se diz acaba perdendo credibilidade." (IC, 37 anos, professor, RJ)

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Separação entre conteúdo e forma

Embora tenham chegado a conclusões distintas sobre o episódio, os três grupos mais próximos do campo progressista (indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas) compartilharam uma característica importante: a tendência de separar o conteúdo da mensagem da forma como ela foi transmitida. Houve maior disposição para avaliar de maneira independente a defesa da população mais pobre e a adequação da postura presidencial. Assim, mesmo quando houve reprovação ao gesto, ela nem sempre implicou rejeição à mensagem ou ao próprio Lula.

Entre os indecisos progressistas e os lulistas, prevaleceu a concordância com a ideia de que pessoas pobres também têm direito a bens e serviços de qualidade, o que levou muitos participantes a relativizarem a importância do gesto diante do contexto em que foi realizado. Ao mesmo tempo, tanto nesses grupos quanto, de forma ainda mais acentuada, entre os lulodescontentes, apareceram participantes que consideraram inadequado um chefe de Estado recorrer a um gesto ofensivo em uma cerimônia oficial. Em conjunto, as respostas sugeriram que, nesses segmentos, a avaliação do episódio foi marcada por uma distinção mais clara entre mérito da mensagem e comportamento institucional, permitindo críticas à forma sem, necessariamente, rejeitar o conteúdo defendido pelo presidente.

"Não havia visto, e fui assistir ao vídeo, e sinceramente? Nós vimos de um tudo no governo Bolsonaro, então esse gesto nem me assusta. Concordo com a fala, mas acho que enquanto autoridade máxima de uma nação, não cabia esse gesto de dar o “dedo do meio”, porém, não me assustou diante de tudo que eu já vi no governo anterior, mas é fato que a comunicação poderia se reservar apenas à palavras, é uma pena." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

"Eu achei engraçado kkkkk. Pra mim foi mais uma forma de responder quem vive menosprezando o povo pobre. Não vejo problema nenhum, às vezes uma reação mais espontânea passa o recado melhor do que um discurso todo engessado. Quem se incomodou mais com o dedo do que com a desigualdade tá olhando pro problema errado." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Olá, pessoal. Não vi ou li essa notícia. Comentando, acho essa postura um tanto arriscada. Ela fala diretamente e de maneira usual, em que todos entendem, porém os moralistas e conservadores podem considerar inadequado de ser dito pelo presidente, considerando o formalismo do cargo de presidente. Particularmente, não vejo problema pois todos já usamos tal gesto em nosso cotidiano." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Sinceramente não vi essa notícia e olha que sigo vários portais de notícia. Irei até procurar para ver se realmente aconteceu. Não acho que isso seja correto. Não é só porque sou de esquerda que irei passar a mão na cabeça de todos que tb o são. Mas isso não irá me fazer deixar de gostar do Lula ou deixar de votar nele. Se realmente aconteceu, acredito eu que tenha sido um deslize. Não foi certo mas também não terá sido o fim do mundo." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

"Bom dia! Não acompanhei a noticia, mas não vejo nada demais na postura do presidente, apesar de ter sido em uma cerimonia oficial do governo." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

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Pergunta 60

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) por se candidatarem ao Senado por São Paulo. Marina nasceu no Acre e Simone no Mato Grosso do Sul. No entato, Tarcísio nasceu no Rio de Janeiro e também foi criticado no passado por esse mesmo motivo: se candidatar a um cargo estadual fora do seu próprio estado de nascença. O que vocês acham dessa postura de Tarcísio de Freitas e dessa prática política de se candidatar a cargos políticos fora do seu estado de origem?

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Críticas à prática por conveniência eleitoral, mas relativização a partir dos envolvidos

Nos grupos mais próximos do bolsonarismo, predominou a avaliação de que o estado de nascimento, por si só, não deveria impedir uma candidatura. Em comum, os participantes defenderam que o elemento mais importante era a existência de vínculos concretos com o estado, como residência, conhecimento da realidade local e histórico de atuação. Também apareceu com frequência a preocupação de que essa possibilidade fosse utilizada apenas por conveniência eleitoral, levando parte dos respondentes a defender critérios mais rígidos para restringir candidaturas motivadas exclusivamente por estratégia política.

Apesar dessa convergência sobre a prática, houve diferenças na forma de avaliar os personagens envolvidos. Entre os bolsonaristas convictos, parte dos participantes relativizou a contradição de Tarcísio ao argumentar que ele teria construído uma trajetória e prestado serviços a São Paulo, ao mesmo tempo em que questionou a legitimidade das possíveis candidaturas de Marina Silva e Simone Tebet por considerar que lhes faltariam vínculos consistentes com o estado. Já entre os bolsonaristas moderados, predominou uma leitura mais crítica da postura do governador, frequentemente considerada incoerente por utilizar contra as ministras um argumento aplicável à sua própria trajetória. Nesse grupo, as avaliações concentraram-se menos nas figuras de Marina e Simone e mais na defesa de que os mesmos critérios deveriam valer para todos os candidatos.

"Eu acho que o importante é o candidato já ter um histórico de trabalho em função do Estado para o qual se candidata. É preciso saber o grau de envolvimento e o que já fez por este Estado... Mas, no caso dessas duas candidatas, não há com que preocupar: nenhuma delas conhece a fundo a realidade e os problemas de São Paulo." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Concordo com ele. A gente sabe que Tarcísio não é paulista, mas além dele já ser integrado com São Paulo, ele já tinha uma longa lista de serviços prestados aos paulistas... Nos seus Estados elas não seriam eleitas, por isso essa tentativa." (BC, 47 anos, administradora, BA)

"Para mim é meio sem noção essa discussão... O que realmente importa não é onde o político nasceu, mas se ele conhece os problemas da região... Agora o Tarcísio falar disso sendo que ele fez a mesma coisa é meio contraditório." (BC, 24 anos, enfermeira, GO)

Bom dia.... Acho que o mais importante não é onde a pessoa nasceu, mas o compromisso que ela tem com o estado que pretende representar. Se esse critério vale para um político, deveria valer para todos, sem exceção." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Eu acho hipocrisia da parte dele... ele também não nasceu em São Paulo e quer ditar regras... se ele pode, por que os demais não?" (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

"Bom dia! Acho uma postura temerosa... Tarcísio não deveria ter dado opinião já que ele tem o teto de vidro. Isso não o faz melhor que elas." (BM, 41 anos, turismólogo, PE)

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Crítica à incoerência de Tarcísio e defesa da legitimidade das candidaturas com vínculo ao estado

Entre os indecisos conservadores, os indecisos progressistas e os lulodescontentes, predominou uma avaliação bastante convergente de que a crítica feita por Tarcísio de Freitas era incoerente com sua própria trajetória política. Em comum, os participantes consideraram que o governador utilizava contra Marina Silva e Simone Tebet um argumento que também poderia ser aplicado ao seu próprio caso, o que reduzia a legitimidade de sua crítica. Diferentemente dos grupos mais próximos do bolsonarismo, praticamente não surgiram avaliações específicas sobre a capacidade das duas ministras de representar São Paulo.

Também prevaleceu a percepção de que candidaturas fora do estado de origem são legítimas quando acompanhadas de residência, conhecimento da realidade local e compromisso efetivo com a população. Ainda que alguns participantes defendessem maior vínculo territorial ou manifestassem preferência por candidatos naturais do estado, essas posições apareceram como critérios gerais e não como críticas direcionadas especificamente a Marina Silva e Simone Tebet. Assim, o foco permaneceu concentrado na coerência entre discurso e prática e na qualidade da representação política.

"Boa tarde ... Isso é pura hipocrisia! Se ele já fez o mesmo, não tem moral pra cobrar dos outros. E além disso, a lei permite, o que vale é se a pessoa tem compromisso com o estado, não onde nasceu!!" (IC, 30 anos, autônoma, SP)

"Bem contraditório da parte dele né, querer julgar alguém, fazendo a mesma coisa. Eu não vejo problema em uma pessoa se candidatar fora do seu estado de origem... acho até mais coerente." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Pra mim o Tarcísio foi contraditório. Ele criticar isso sendo q fez exatamente a mesma coisa perde um pouco a moral. Não vejo problema da pessoa se candidatar em outro estado, desde q tenha uma ligação real com o lugar." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Bom dia! Ele está sendo muito hipocrita em agir dessa forma... acabou morando lá por muitos anos, conhece a cidade, sabe dos problemas... nesses casos, faz sentido pra mim que uma pessoa de outro estado governe." (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Olá, pessoal. Acho essa postura de Tarcisio no mínimo contraditória... Considero bem complicadas essas candidaturas longe dos Estados de origem apenas por conveniência política. Penso que precisa construir uma trajetória nesse novo local." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Eu não acho a prática de se candidatar em outro estado ruim não... Em relação à crítica do governador, eu acho que não foi legal, pois ele está fazendo exatamente a mesma coisa... ele deveria ser o primeiro a apoiar." (LD, 29 anos, professora, RJ)

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Crítica a Tarcísio e defesa explícita das ministras

No grupo de lulistas, predominou uma avaliação fortemente crítica à postura de Tarcísio de Freitas, interpretada como hipócrita e contraditória por questionar uma prática presente em sua própria trajetória política. Assim como nos demais grupos situados mais próximos do campo progressista, prevaleceu a percepção de que o estado de nascimento não deveria impedir uma candidatura, desde que o candidato possuísse vínculo efetivo com o estado e conhecesse sua realidade.

O principal diferencial desse grupo esteve na forma como os participantes avaliaram os atores envolvidos. Além de criticarem Tarcísio, diversos respondentes manifestaram apoio explícito a Marina Silva e Simone Tebet ou utilizaram o episódio para reforçar percepções negativas sobre a direita e a extrema direita. Dessa forma, a discussão deixou de se restringir à legitimidade das candidaturas e passou a ser interpretada como mais um episódio da disputa política entre campos ideológicos, no qual as ministras apareceram mais frequentemente como alvo de defesa do que de questionamentos.

"Pelo menos Simone Tebet conhece São Paulo, contrário de Tarcísio que sequer sabia o nome de bairros quando se elegeu, sem falar na competência das duas ministras infinitamente superiores." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"Acho que é bem típico dos políticos de direita e extrema direita. Só olham os erros dos outros, nunca os deles. Se ele do RJ pode se candidatar por SP, por que elas não podem?" (LL, 35 anos, analista de sistemas, SP)

"Achei essa postura do Tarcísio de Freitas extremamente hipócrita. Não faz sentido ele criticar elas por uma prática que o próprio já adotou no passado. Honestamente, não tenho opinião formada sobre essa questão de se candidatar fora do estado de origem, não vejo isso como um problema." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

"Tarcício hipócrita, já que fez a mesma coisa. Não vejo problemas de se candidatar fora do estado natal, desde que tenha conhecimento da região a que se candidata." (LL, 45 anos, professor, PB)

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Considerações finais

As discussões sobre as propagandas de bets revelaram um amplo consenso de que a publicidade durante as transmissões esportivas havia ultrapassado limites aceitáveis. Independentemente do posicionamento político, os participantes avaliaram que a quantidade de anúncios era excessiva, comprometia a experiência de assistir aos jogos e estimulava o comportamento de aposta. Também houve convergência quanto à necessidade de restringir de forma mais severa esse tipo de publicidade. A principal diferença entre os grupos esteve na forma de compreender a origem do problema e o papel do Estado. Entre os segmentos mais à direita, predominou a defesa da responsabilidade individual dos apostadores e da manutenção das bets, desde que submetidas a regras mais rígidas de publicidade. Já entre os grupos mais próximos do campo progressista, a discussão concentrou-se mais nos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e vulnerabilidade econômica, tornando mais frequentes as posições favoráveis à proibição completa das plataformas.

A interpretação do episódio sobre a postura de Lula foi fortemente condicionada pelos posicionamentos políticos dos participantes. Nos grupos mais à direita, predominou uma rejeição ampla ao gesto, que foi interpretado como confirmação de percepções já consolidadas sobre o presidente e frequentemente associado a críticas mais gerais ao seu estilo de comunicação e à sua forma de fazer política. Nesses segmentos, o conteúdo da fala recebeu pouca atenção diante da condenação da postura presidencial. Já entre os grupos mais progressistas, predominou a concordância com a mensagem de que a população mais pobre merece acesso a bens e serviços de qualidade. Porém, mesmo assim, os indecisos progressistas e os lulodescontentes reprovaram a postura de Lula, por considerá-la incompatível com o momento solene e com o cargo por ele ocupado. Somente entre os lulistas prevaleceu uma tendência mais consistente de relativizar o gesto, tratando-o como um aspecto secundário diante da mensagem transmitida e sem que isso comprometesse sua avaliação positiva do presidente.

As falas de Tarcísio de Freitas geraram consenso parcial entre os grupos. Independentemente do posicionamento político, predominou a avaliação de que o estado de nascimento não deveria, por si só, impedir uma candidatura. Em todos os segmentos, o critério considerado mais relevante foi a existência de vínculos efetivos com o estado, expressos pelo conhecimento da realidade local, pela trajetória política e pelo compromisso com a população representada. Também houve ampla convergência na percepção de que a crítica de Tarcísio de Freitas era enfraquecida pela aparente incoerência entre seu discurso e sua própria trajetória política. Mesmo entre bolsonaristas, que demonstraram maior disposição para discutir o mérito da crítica, foi recorrente o reconhecimento de que o governador utilizava um argumento que também poderia ser aplicado ao seu próprio caso. As diferenças apareceram principalmente na forma como os participantes avaliaram as ministras e interpretaram o significado político do episódio. Nos grupos bolsonaristas, especialmente entre os convictos, surgiram com maior frequência questionamentos sobre o vínculo de Marina Silva e Simone Tebet com São Paulo e preocupações com candidaturas motivadas por conveniência eleitoral. Já entre os grupos do campo progressista, as ministras foram raramente alvo de críticas e, entre os lulistas, chegaram a ser explicitamente defendidas.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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MDP - Relatório 140