
O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Conflito Irã x EUA | O conflito foi visto como parte de uma disputa ideológica e geopolítica mais ampla, com avaliações positivas da postura dos Estados Unidos contra regimes considerados hostis ao Ocidente. Houve consenso de que o Brasil deveria permanecer neutro e evitar envolvimento direto. | A ação dos Estados Unidos foi considerada, pela maioria, compreensível ou até justificável diante da percepção de que o Irã representaria uma ameaça regional, por seu programa nuclear e apoio a grupos armados na região. Prevaleceu a defesa de neutralidade do Brasil. | O grupo demonstrou maior incerteza e conhecimento limitado sobre o conflito, destacando os impactos humanitários da guerra e a complexidade geopolítica da situação. Houve consenso de que o Brasil deveria evitar envolvimento e priorizar seus problemas internos. | Predominou uma visão crítica ao intervencionismo dos Estados Unidos e às disputas de poder entre grandes potências, com forte preocupação com as vítimas civis. Houve consenso de que o Brasil deve manter postura cautelosa e não se envolver no conflito. | O episódio foi percebido como parte de uma dinâmica internacional marcada por rivalidades estratégicas e por disputas por influência em regiões consideradas estratégicas, como o Oriente Médio. A posição predominante foi de neutralidade do Brasil, acompanhada de defesa de soluções diplomáticas. | O conflito foi interpretado majoritariamente como resultado do intervencionismo dos Estados Unidos e de disputas geopolíticas globais, com forte preocupação humanitária. O grupo defendeu que o Brasil permaneça fora do conflito e privilegie a via diplomática. | Os participantes não fizeram leituras embasadas na religião. |
| Ato Acorda Brasil | A manifestação foi vista como legítima e necessária para denunciar supostas injustiças do STF e do governo, defender Bolsonaro e os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Predominou a ideia de mobilização popular contra perseguição política. | Houve apoio ao direito de manifestação e, em parte, às pautas defendidas, mas com maior nuance. Alguns concordaram com críticas ao sistema político e à anistia, enquanto outros defenderam limites institucionais ou responsabilização legal. | Predominou distanciamento em relação ao ato e às pautas, combinado com defesa do direito democrático de manifestação. Muitos expressaram indiferença ou ceticismo em relação à utilidade política dessas mobilizações. | Reconheceram o direito de protesto, mas rejeitaram majoritariamente as pautas do ato, especialmente a anistia e a defesa de Bolsonaro. Apareceram algumas críticas à polarização política e à centralidade dessas disputas no debate público. | Manifestaram rejeição completa às pautas defendidas, mas reconheceram o direito de manifestação. O protesto foi frequentemente visto como pouco relevante ou desconectado de prioridades do país. | Predominou forte rejeição às pautas e à própria manifestação, interpretada como defesa de atos antidemocráticos. O grupo enfatizou a necessidade de responsabilização legal pelos eventos de 8 de janeiro e criticou a legitimidade política do protesto. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Banco Master | Interpretaram o caso como evidência de um grande esquema de corrupção envolvendo elites financeiras e membros do Judiciário, com menções diretas a ministros do STF e autoridades públicas do atual governo. Predominou a percepção de conluio institucional e forte indignação com o que consideram seletividade e impunidade da justiça. | Entre os que opinaram com algum conhecimento, predominou a leitura de um grande escândalo de corrupção com possível envolvimento de autoridades públicas. Também surgiram menções a ministros do STF e ao governo, reforçando uma visão crítica sobre a atuação das instituições. | Acompanharam o caso de forma moderada e interpretaram o episódio como um escândalo envolvendo muito dinheiro e atores influentes. Alguns participantes mencionaram autoridades e membros do Judiciário. | Enquadraram o caso principalmente como exemplo de corrupção e abuso de poder econômico por parte de elites financeiras. As interpretações foram mais estruturais, com poucas menções a nomes específicos, e enfatizaram a necessidade de investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos. | Perceberam o episódio como um escândalo amplo envolvendo redes de influência entre setor financeiro e diferentes esferas do poder. Houve algumas menções a autoridades e ministros, mas predominou a ideia de corrupção transversal que atravessa todo o sistema político. | Prevaleceu a percepção de um grande escândalo financeiro possivelmente envolvendo atores políticos diversos. As falas foram menos personalizadas, com poucas citações de nomes e maior foco na expectativa de investigação e punição. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |


Houve convergência entre os diferentes grupos sobre o posicionamento esperado do paía: o Brasil deveria adotar uma postura de neutralidade diante do conflito. Independentemente da posição ideológica ou da avaliação sobre os atores envolvidos na disputa, prevaleceu a percepção de que o país não deveria se envolver diretamente em uma escalada militar entre potências internacionais. A neutralidade apareceu associada à ideia de que o Brasil possui limitações militares e estratégicas para atuar em um cenário de guerra dessa magnitude. Nesse sentido, a defesa de distanciamento foi frequentemente formulada como uma forma de evitar riscos diplomáticos, econômicos ou de segurança que poderiam surgir de um eventual alinhamento com qualquer um dos lados do conflito.
Além disso, a neutralidade também foi justificada pela percepção de que o país enfrenta desafios internos relevantes que deveriam ser priorizados. Em diferentes grupos, apareceu a avaliação de que o Brasil deveria concentrar seus esforços em questões domésticas, como desenvolvimento econômico, estabilidade social e resolução de problemas estruturais internos, em vez de assumir protagonismo em disputas internacionais complexas.
"Não sei bem o que achar. Mas em relação ao brasil, não acho que nosso país deva se aliar a alguém agora. É um momento delicado e por enquanto permanecer neutro e não se meter é a melhor decisão." (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Bem existem nações unidas, onde países tem que realmente seguir o padrão estabelecido. Brasil deve estar neutro ,na minha opinião, porque nos temos cuida do nosso desenvolvimento, se posicionar o que realmente interessa desenvolvimento." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Eu acho que o Brasil não deve se envolver de nenhuma forma nesse conflito pois não possuímos o arsenal bélico necessário para isso. Além disso, o Brasil é um país emergente que possui diversos problemas, então acredito que direcionar valores para investir em armas de guerra seria o mesmo de piorar as condições de vida no Brasil. O Brasil precisa focar em demandas internas porque temos muito a melhorar." (IC, 24 anos, advogada, RO)
"Acredito que o Brasil deve manter uma postura neutra e diplomática, defendendo o diálogo e a solução pacífica dos conflitos, priorizando a paz e o respeito às relações internacionais." (IP, 22 anos, assistente administrativa, PE)
"Acredito que essa guerra é pura maldade humana onde entra a ganância por poder onde quem padece é a população. Acredito que o Brasil não deve tomar partido nessa guerra." (LD, 59 anos, educador social, CE)
"Penso que só quem sofre com esses ataques são pessoas inocentes, as coisas não deveriam ser assim, nada se resolve com guerra. O Brasil tem que ficar quieto e não se envolver." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

Entre os bolsonaristas — especialmente os convictos e parte dos moderados — predominou uma interpretação do conflito que atribuiu legitimidade à ação militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel. Nesse enquadramento, o regime iraniano foi frequentemente percebido como uma ameaça relevante à estabilidade internacional, sobretudo em razão de seu programa nuclear e de seu suposto apoio a grupos armados atuantes no Oriente Médio. A operação militar foi, portanto, interpretada como uma resposta estratégica diante de riscos considerados crescentes para a segurança regional e global. Essa leitura esteve associada à percepção de que o Irã desempenha um papel desestabilizador na região e que ações preventivas poderiam ser necessárias para conter o avanço de suas capacidades militares.
Em algumas falas apareceu uma visão mais ampla da política internacional, na qual os Estados Unidos foram percebidos como um ator central no enfrentamento de regimes considerados hostis ao Ocidente. Essa interpretação foi acompanhada, em vários casos, por avaliações positivas da postura de liderança dos Estados Unidos no cenário internacional.
"Acredito que Trump está decidido a reduzir drasticamente as áreas de domínio da esquerda em todo o mundo... Assim, o ataque ao Irã, no momento em que Rússia está em grave crise financeira e China enfrenta problemas tbm econômicos, juntamente com o desmantelamento dos cartéis de droga, parece ser na hora certa, definindo um cenário que dificulta o crescimento dos governos de esquerda." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"O Trump sempre colocando pais dele na frente de tudo e tds admiro sua postura tenho medo do que nosso presidente Lula está disposto a fazer acordo com ele pois é um mega inteligente lidando com burro onde só afunda o Brasil cada vez mais...." (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"O Irã além da questão nuclear também apoia grupos terroristas como o Hamas e Hezbollah, então a ação dos EUA foi plausível." (BM, 30 anos, assistente de TI, ES)
"Eu acho que a intervenção dos EUA e Israel, já foi até tardia!... O fato do governo iraniano querer "enriquecer" urânio para fins energéticos é conto da carochinha, quando na verdade eles querem sim produzir sua própria bomba atômica." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

Entre os lulistas, lulodescontentes e parte dos indecisos progressistas predominou uma leitura mais crítica da atuação dos Estados Unidos no conflito. A ação militar foi frequentemente interpretada como expressão de uma tradição de intervencionismo internacional por parte das grandes potências, especialmente dos Estados Unidos, em regiões consideradas estratégicas para seus interesses. As falas sugeriram a percepção de que operações militares dessa natureza estariam ligadas não apenas a preocupações de segurança, mas também a disputas por influência política, controle de recursos estratégicos e manutenção de posições de poder no sistema internacional. Essa interpretação esteve acompanhada de questionamentos sobre a legitimidade da ação e sobre as motivações políticas que poderiam ter impulsionado a escalada do conflito.
A crítica ao papel dos Estados Unidos foi frequentemente associada à percepção de que disputas entre grandes potências acabam sendo conduzidas em territórios onde a população local arca com os principais custos humanos e sociais da guerra.
"Penso que em primeiro lugar os EUA e Israel são uns fora da lei. Atacar um país enquanto ocorrem as negociações de vários níveis tipo das "armas nucleares" é tentativa de fragilizar o País para obter melhores resultados." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"Eu penso que os Estados Unidos sempre esteve envolvido com grandes conflitos, e sempre se sentem soberanos pra fazer e desfazer o que bem entende." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Vejo que não é de hoje que acontecem essses conflitos... sendo nesse caso os EUA e ISRAEL contra o IRÃ, querendo todas as riquezas que o IRÃ tem." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Vi os noticiários mas nao acompanhei os relatos sobre os fatos mas sou contra qualquer tipo de conflito guerra nessas ocasiões sempre tem alguns interesses pra beneficiar a si próprio... e como sabemos os Estados Unidos e dono disso provocar atacar nações sem se preocupar com qualquer tipo de vida." (LD, 49 anos, vigilante, MT)
"O conflito iran x eua são por domínio da região que somente prejudicam a populaçao local e mundial." (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
"Esse é um assunto é bastante delicado, pois o Estados Unidos está sem se envolvendo em conflitos para provar a supremacia sobre os demais países." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)


Entre bolsonaristas convictos e, em menor grau, entre os bolsonaristas moderados, houve apoio consistente ao ato e às pautas. Nesse campo, o ato foi interpretado como uma forma legítima de mobilização popular e de expressão de insatisfação com o cenário político e institucional do país. As manifestações foram frequentemente associadas à defesa do direito de protesto e à ideia de que a população deve ocupar o espaço público para pressionar autoridades e demonstrar descontentamento. Entre os participantes desses grupos, prevaleceu a leitura de que mobilizações desse tipo cumprem um papel importante ao sinalizar que parte da sociedade permanece politicamente ativa e disposta a se posicionar.
Ao mesmo tempo, a intensidade do apoio variou entre os dois segmentos. Entre os bolsonaristas convictos, predominou uma adesão mais enfática às pautas do protesto, especialmente aquelas relacionadas às críticas ao Supremo Tribunal Federal, à defesa de Bolsonaro e à anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro. Já entre os bolsonaristas moderados, parte dos participantes demonstrou concordância apenas parcial com os temas levantados, especialmente no que se refere à anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, indicando posições intermediárias que combinam críticas às decisões judiciais com a defesa de responsabilização legal.
"Concordo com ato. São por meio de manifestações como essas que o povo percebe a força que tem. É uma injustiça o que os ministros estão fazendo com os manifestantes do 8 de janeiro, ditando penalidades absurdas e sem nexos para pessoas que não cometeram crimes hediondos." (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Super concordo com o ato. Vejo esse movimento como uma demonstração de que a população não está adormecida, é a voz de milhares de brasileiros que querem um país livre da perseguição politica." (BC, 24 anos, enfermeira, GO)
"Sim, eu fiquei sabendo. Vi em diversos grupos em que eu estou, vi vídeos, me emocionei muito, até desejei estar lá. É necessário sim fazermos essas manifestações. Esse movimento tem todo o meu apoio e o meu respeito." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Sim soube. Concordo com os atos e pautas defendidas. Somos um país democrático e temos a liberdade de expressar nossas opiniões."
(BM, 30 anos, assistente de TI, ES)
"Soube do acontecimento. Acho que as pautas defendidas são válidas; e sendo um ato pacífico, não há porque não ser feito." (BM, 29 anos, advogada, SP)
"Acho justo e coerente os temas defendidos. Acho valido poder expressar a nossa opinião de forma pacífica e sou contra qualquer ato de violência para provar um ponto."(BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)

A rejeição às manifestações e às pautas defendidas concentrou-se principalmente entre os lulistas, os lulodescontentes e os indecisos progressistas. Entre esses grupos, predominou uma avaliação crítica tanto do conteúdo das reivindicações quanto do sentido político do ato. As falas frequentemente interpretaram as pautas — especialmente os pedidos de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a defesa de Bolsonaro — como tentativas de relativizar ou justificar ações consideradas antidemocráticas. Nesse contexto, apareceu com frequência a defesa de que eventuais crimes cometidos devem ser julgados e punidos dentro das regras institucionais, reforçando uma visão mais legalista e institucional do conflito político.
Também apareceu a percepção de que essas manifestações tendem a mobilizar principalmente segmentos já fortemente alinhados ideologicamente, sem ampliar o diálogo político ou produzir efeitos concretos sobre as prioridades nacionais.
"Sim, fiquei sabendo pelas redes de notícias. Não apoio Bolsonaro e nem nenhuma manifestação a favor dele. Brasil precisa realmente acordar, mas acordar sem libertar Bolsonaro, todas as pessoas que cometeram crime precisam pagar por ele." (IP, 26 anos, autônoma, RO)
"Não fiquei sabendo dessas manifestações pelo Brasil, e nem desse ato Acorda Brasil. Acho que é de direito e por lei as manifestações, mas não concordo com certos posicionamentos e pela anistia, sendo que já foi provado todos os envolvimentos do Ex presidente com os atos anti democráticos." (IP, 32 anos, técnico em logística, SP)
"Eu acompanhei as notícias sobre essa Manifestação política, e penso que é direito de todos grupos fazer atos públicos, eu não concordo com as pautas defendidas, pois várias infrações foram cometidas." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Boa tarde eu tomei conhecimento dessas manifestações mas nao vejo nenhum sentido pois quais benefícios que o Brasil ganha com isso estavam lutando em favor de uma baderna que aconteceu no dia 8 de janeiro de 2023." (LD, 49 anos, vigilante, MT)
"Bom dia, fiquei sabendo através das redes sociais e acho uma vergonha ir às ruas para pedir anistia p golpista, existem tantas pautas importantes para lutar no nosso país e as pessoas fazendo isso pra ajudar criminoso." (LL, 28 anos, vendedora, PA)
"Não fiquei sabendo, mas considero um verdadeiro descaso, falsa de senso, noção e vergonha na cara apoiar a liberdade de um ex presidente golpista e pessoas que vandalizaram e depredaram o patrimônio público." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

"Não fiquei sabendo desse ato não. Acho que independentemente da posição política, todos têm o direito de se manifestar. Não concordo com as pautas defendidas, mas acho que eles estão no direito deles, desde que seja uma manifestação pacífica." (IC, 24 anos, advogada, RO)
"Eu vi no jornal sobre. Eles tem o direito de manisfestar, mesmo eu achando uma perda de tempo, eles estão no direito deles contando que aja ordem, decência, não prejudique o ir e vim dos outros, ok." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Não fiquei sabendo, até porque esse é um assunto que cansa a paciência da gente meros trabalhador CLT ou autônomo. Mas pra quem quer e tem tempo pra isso, tem todo direito de se manifestar pacificamente e expressar suas opiniões." (IC, 45 anos, representante comercial, PE)
"Vi sim, repercutiu bastante. Acho que manifestação é um direito de todo mundo, faz parte da democracia. Mas, sendo bem sincero, eu não concordo com algumas das pautas que foram defendidas ali. Acho que certas coisas precisam seguir o que já foi decidido e pronto."
(IC, 33 anos, consultor de TI, SP)


As respostas indicaram níveis distintos de acompanhamento do caso entre os grupos analisados. Em geral, o episódio ainda não se apresentava como um tema amplamente consolidado, com vários respondentes afirmando ter tido contato apenas superficial com as notícias ou acompanhá-lo por meio de manchetes e informações fragmentadas.
Apesar dessas diferenças no grau de acompanhamento, emergiu entre os grupos um sentimento relativamente disseminado de desconfiança em relação à capacidade das instituições de produzir responsabilização efetiva. Em diferentes segmentos apareceu a avaliação de que escândalos envolvendo grandes volumes de recursos e atores politicamente influentes frequentemente terminam sem punição proporcional aos fatos investigados. Essa percepção atravessou posições ideológicas distintas e esteve associada à ideia de que elites econômicas e políticas dispõem de mecanismos de proteção institucional. Assim, mesmo entre participantes com leituras divergentes sobre o significado político do caso, predominou um ceticismo compartilhado quanto ao desfecho das investigações e à efetividade do sistema de justiça em casos de grande repercussão.
"A verdade é que a gente tem que sair mesmo as ruas e exigir justiça para todos esses corruptos, porque o fato é que se as pessoas de bem não se manifestar todo esse escândalo vai terminar em pizza." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Um adendo, se tratando de Brasil tudo terminar em pizza rsrs" (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
"Não me aprofundei sobre o caso, só por meio de reportagens esporádicas. Mas ficou claro pra min, que se trata do típico caso onde órgãos privados com influência econômica mantém uma relação de interesse com agentes e órgãos públicos. Onde todos tiram vantagens e quem perde real é só a população mesmo." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Sim, vi por cima… pra mim isso só mostra como no Brasil o buraco entre dinheiro, banco e política é sempre mais embaixo." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Acompanho o caso e acho que o desdobramento será abafado… considero um grande roubo e informação privilegiada de Vorcaro, esquerda e direita ambas estão corrompidas pelo poder." (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
"Sim ,estou acompanhando , e infelizmente não acredito que todos os envolvidos serão presos e que permaneçam presos!" (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)

"Ontem eu li em um canal de notícias que foram encontrado em uma tal planilha o nome de tal Alexandre de Moraes, da mulher dele e do Dias Toffoli, ou seja, a mesma quadrilha da suprema corte." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Pelo que vi o banco Master teve um crescimento muito rápido... Vi também que teve mensagens entre o Vorcado e o ministro Alexandre de Moraes no dia que ele foi preso pela primeira vez." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)
"Estou acompanhando sim. A PF apreendeu o celular de Varcaro e está desvendando vários pontos importantes... onde no dia da sua primeira prisão ele trocou mensagens com o ministro Alexandre de Moraes." (BM, 29 anos, advogada, SP)
"Estou acompanhando. Pelo que eu percebi esse Daniel vorcaro tinha contado direto com o ministro Alexandre de Morais, para tentar salvar o banco Master." (BM, 72 anos, pensionista, RJ)
"A última informação que tive é de que o banqueiro fez uma troca de msgs com o Alexandre de Moraes... por conta disso acho esse processo falho já que envolve um ministro e sua esposa no meio disso tudo." (IC, 29 anos, professor, RJ)
"Eu acredito que não tem como não acompanhar nem mesmo de longe... o que vejo e percebo é que o ministro Alexandre Moraes está o tempo todo se contradizendo com os fatos investigado e apurados." (IC, 45 anos, representante comercial, PE)

"pra mim isso só mostra como no Brasil o buraco entre dinheiro, banco e política é sempre mais embaixo. quando começa a puxar a ponta do fio aparece de tudo… corrupção, pressão em decisão, gente influente no meio." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Sim, estou acompanhando por alto. O que eu sei, é que o banco Master prometia rendimentos acima do que outros bancos oferecem em investimentos… com isso, eles maquiaram os balanços financeiros, pra esconder os prejuízos." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Mas além do poder econômico expresso numa vida nababesca… há também a descoberta de atuação violenta e de subordo de servidores em altos cargos de importantes órgãos da administração federal." (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Eu estou acompanhando as notícias sobre o Banco Master e seus desdobramentos. Até agora de acordo com as notícias é uma das maiores fraudes financeiras do país envolvendo vários setores e com participação de muitos políticos, empresários e acesso a informações privilegiadas para a fraude acontecer." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Boa noite, sim muita gente envolvida em mais um caso de enriquecer as custas da política e até financiando campanhas eleitorais, até com ameaças às pessoas." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"Sim, estou acompanhando. Pelo o que aparenta é um dos maiores senão maior golpe financeiro da história do sistema financeiro brasileiro, envolvendo várias esferas de poderes atingindo atores diferentes espectros políticos." (LL, 38 anos, representante de atendimento, AL)

O conflito entre os Estados Unidos e o Irã evidenciou diferenças claras entre os grupos, reproduzindo clivagens ideológicas já observadas em outras etapas da pesquisa e que se tornaram ainda mais visíveis com a nova composição dos participantes. Entre os segmentos mais alinhados à direita, especialmente entre bolsonaristas, predominou uma interpretação que tende a legitimar a ação norte-americana como resposta necessária às ameaças atribuídas ao regime iraniano, frequentemente acompanhada de avaliações positivas da postura de liderança de Donald Trump no cenário internacional. Já entre lulistas, lulodescontentes e parte dos indecisos progressistas, prevaleceu uma leitura mais crítica da atuação dos Estados Unidos, associando o episódio a práticas recorrentes de intervencionismo militar e a disputas geopolíticas por influência e recursos estratégicos. Em convergência, de forma transversal, os participantes defenderam que o Brasil deveria adotar uma postura de neutralidade diante da crise, evitando envolvimento direto em uma disputa entre grandes potências. Essa posição foi frequentemente justificada pela percepção de que o país possui limitações militares e diplomáticas para atuar em um conflito dessa magnitude, além da ideia de que o governo deveria priorizar desafios internos e preservar os interesses nacionais. É digno de nota o fato de a virada da opinião, do apoio à rejeição das ações dos EUA se dá já no grupo de indecisos progressistas.
A mesma divisão foi encontrada nos posicionamentos adotados sobre a manifestação “Acorda Brasil”. Entre os participantes alinhados ao campo bolsonarista, predominou a interpretação do ato como uma mobilização legítima da sociedade. As pautas do protesto foram vistas como legítimas e necessárias, sendo associadas à defesa de liberdade política, à crítica ao governo federal e à desconfiança em relação ao sistema institucional. Já entre os grupos mais progressistas, as manifestações foram majoritariamente rejeitadas, sendo frequentemente associadas à defesa de pautas consideradas antidemocráticas ou à tentativa de relativizar os acontecimentos de 8 de janeiro. Já os indecisos, quando cientes dos atos ocorridos, avaliaram o evento com maior distanciamento, ora expressando ceticismo sobre sua utilidade política, ora apontando desgaste ou repetição das reivindicações apresentadas. Esse resultado mostra que o evento não conseguiu furar a bolha bolsonarista, servindo no máximo para reforçar a coesão do grupo, particularmente de seu componente mais radicalizado.
O caso do Banco Master foi interpretado, de modo comum pelos participantes, como um episódio de grande gravidade, associado à percepção de corrupção e de relações pouco transparentes entre o sistema financeiro e o poder político. Ainda que o nível de acompanhamento das notícias tenha variado entre os grupos, predominou a leitura de que se trata de um escândalo de grande dimensão, potencialmente envolvendo atores influentes e grandes volumes de recursos. As divergências apareceram sobretudo na forma como o episódio foi enquadrado. Os segmentos bolsonaristas tenderam a interpretar o caso de maneira mais politizada e personalizada, mencionando somente nomes ligados ao governo federal e sugerindo vínculos diretos entre banqueiros e autoridades. Já entre os participantes mais próximos do campo progressista, o caso foi visto como mais um exemplo da proximidade entre grandes interesses econômicos e a política, mas sem citar nomes de possíveis envolvidos. O resultado geral é o inegável aumento da percepção de corrupção do sistema político, algo que frequentemente produz consequências eleitorais.
Por fim, cabe ainda registrar que, em duas das três questões da semana, o grupo de indecisos conservadores demonstrou menor conhecimento e menor nível de engajamento nos temas em comparação com os demais grupos. Para análises futuras, será importante investigar se esse padrão decorre de uma característica específica dos participantes atuais ou se reflete um traço mais geral desse perfil de eleitor.


O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

