Relatório 138

De 22 a 28/6/26

Temas:

  • Camisa do Brasil
  • Piada de Lula sobre Neymar
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 22 a 28/6/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 97 interações, totalizando 4.145 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Camisa Verde e AmarelaPredominou a defesa de que a camisa da seleção e as cores nacionais pertencem a todos os brasileiros e não devem ser apropriadas por nenhum grupo político. Também prevaleceu a crítica à disputa simbólica, considerada irrelevante diante de problemas mais importantes do país.Defenderam que os símbolos nacionais pertencem à população e rejeitaram sua associação a partidos ou lideranças. Parte do grupo reconheceu que a direita passou a utilizar esses símbolos com mais frequência, mas sem considerar que isso justificasse exclusividade.Predominou a percepção de que a disputa era uma estratégia de marketing e polarização, conduzida por ambos os lados. Também reconheceram que a associação da camisa ao bolsonarismo surgiu principalmente a partir da direita, mas defenderam que os símbolos devem permanecer de todos os brasileiros.Predominou a crítica à tentativa de vincular a camisa da seleção ao bolsonarismo e a defesa de que os símbolos nacionais pertencem à coletividade. Também avaliaram que a controvérsia desviava o foco de problemas mais relevantes do país.Predominou a defesa de que bandeira e camisa da seleção são símbolos nacionais e não devem ser apropriados por partidos ou candidatos. Também atribuíram à direita a origem dessa disputa, embora considerassem que nenhum grupo devesse monopolizar esses emblemas.Predominou a avaliação de que o bolsonarismo se apropriou indevidamente dos símbolos nacionais e gerou constrangimento ao seu uso. Também defenderam a iniciativa de Lula como uma forma de reafirmar que as cores da bandeira e a camisa da seleção pertencem a todos os brasileiros.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos originais de pertencimento.
Fala de Lula sobre NeymarPredominou a avaliação de que o comentário foi desnecessário e incompatível com a postura esperada de um presidente, interpretado como um ataque político a Neymar. Também apareceu a percepção de que esse tipo de episódio apenas alimenta a polarização.O comentário foi visto, em geral, como uma provocação política desnecessária e um desvio de temas mais importantes. Parte do grupo, porém, relativizou o episódio, tratando-o como uma piada comum ou até concordando com críticas à convocação de Neymar.Predominou a ideia de que Lula poderia até ter razão sobre Neymar, mas que a forma e o contexto da fala foram inadequados para um presidente. Também houve críticas à espetacularização da política e à priorização de temas pouco relevantes.O comentário foi interpretado como uma brincadeira sem maior gravidade, considerada compatível com um momento de descontração. A principal crítica concentrou-se na tentativa da oposição de transformar o episódio em disputa política.Predominou uma posição ambivalente: a brincadeira foi vista como leve e coerente com críticas já difundidas sobre Neymar, mas considerada pouco estratégica ou inadequada para um presidente, sobretudo em período eleitoral.O comentário foi amplamente interpretado como uma brincadeira legítima e compatível com a situação de Neymar na Seleção. Também prevaleceu a percepção de que a oposição explorou desproporcionalmente um episódio sem grande relevância para gerar desgaste político.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos originais de pertencimento.
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Pergunta 52

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro chamou a tradicional camisa amarela da seleção brasileira de “camisa do Bolsonaro” e pediu ao eleitorado que a use durante a Copa do Mundo. A fala aconteceu durante uma agenda no Norte do país. Logo depois, Flávio acusou o governo de se apropriar indevidamente das cores brasileiras, tradicional símbolo das manifestações da direita. Tal fala ocorreu após o presidente Lula divulgar uma série de fotos com a camisa da seleção brasileira, dando início a uma disputa simbólica pelo emblema no momento do torneio. “O Brasil é dos brasileiros”, diz a legenda da imagem divulgada nos perfis do petista nas redes sociais. O que vocês acham dessa disputa pelas cores da bandeira? Quem está com a razão?

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Símbolos nacionais de toda a população

Predominou, de forma transversal entre todos os segmentos, a percepção de que a bandeira, a camisa da seleção e as cores nacionais pertencem ao conjunto da população brasileira e não devem ser apropriadas por partidos, lideranças ou campos políticos específicos. Independentemente das diferenças ideológicas observadas entre os grupos, os participantes convergiram na defesa do caráter coletivo desses símbolos, entendendo que eles representam a nação como um todo e não grupos ou projetos políticos particulares. Também foi recorrente a avaliação de que a politização desses emblemas contribui para aprofundar a polarização e dificulta que sejam vivenciados como elementos de identidade nacional compartilhada.

Além disso, em praticamente todos os grupos apareceu a percepção de que a controvérsia em torno da camisa da seleção e das cores da bandeira constitui uma disputa secundária, que desvia a atenção de problemas considerados mais urgentes para o país. Assim, mais do que discutir quem teria razão no episódio específico, os participantes defenderam que lideranças políticas deveriam concentrar seus esforços na apresentação de propostas e soluções para questões concretas da população.

"As cores do Brasil não tem lado político, é dos brasileiros no geral, ainda mais em plena copa do mundo, todos estão vestidos das mesmas cores" (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"Bom dia...A bandeira e a camisa da Seleção são de todos os brasileiros. Não acho que devam ser associadas a um político ou partido. O ideal é que representem a união do país." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"A bandeira, o hino, as camisas, todos são símbolos da nação, na minha visão não pertencem a nenhum espectro político, hoje tudo é muito politizado por aqui e isso só serve pra dividir ainda mais o nosso país, os dois lados erram se supostamente quiserem se apropriar de algo que é patrimônio do brasileiro desde sempre" (IC, 24 anos, estudante, MA)

"Acredito que as cores de nossa bandeira que existem na camiseta da seleção da brasileira não deveriam ser utilizada como representação de uma ideologia política,seja ela qual for,esquerda ou direita. Tenho clareza sobre seu significado,o azul que representa o nosso oceano,o amarelo que é o nosso ouro e sol e o verde do solo fértil e não sobre partidos de direita ou esquerda,isso chega a ser um desrespeito à nossa história em usarem essa imagem ao seu favor. Por isso razão nenhum dos dois tem razão pois,nossa bandeira nos representa como nação e como Brasileiros,junto ao nosso hino e não como ideologia política." (IP, 46 anos, vendedora, RS)

"Olá, pessoal. Penso que nenhum dos dois está com a razão já que os símbolos nacionais não podem ser partidarizados. Assim, essa disputa não deveria ocorrer." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Bom dia! As cores da bandeira pertencem ao Brasil, ao povo brasileiro e não a qualquer partido politico, essa disputa que a família bolsonaro e seus eleitores promovem é ridicula." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

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Origem da disputa

Embora tenha existido amplo consenso de que os símbolos nacionais pertencem a todos os brasileiros, os grupos divergiram ao explicar como essa disputa se consolidou e quem seria o principal responsável por sua politização.

Entre os bolsonaristas convictos e moderados, predominou a percepção de que a associação recente entre a camisa da seleção e a direita não justificaria qualquer reivindicação de exclusividade sobre esses símbolos. Ainda que alguns participantes tenham reconhecido que, nos últimos anos, a camisa amarela passou a ser utilizada com maior frequência por manifestações de direita, essa aproximação foi tratada como um fenômeno circunstancial, sem que houvesse uma responsabilização mais direta do bolsonarismo pela politização das cores nacionais.

Já entre os indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma leitura distinta sobre a origem dessa disputa. Nesses grupos, foi recorrente a avaliação de que a associação entre a camisa da seleção e o bolsonarismo decorreu de um processo anterior de apropriação promovido pela direita, que transformou um símbolo nacional em marcador de identidade política. Apesar disso, a maior parte dos participantes também defendeu que a solução não estaria em substituir uma apropriação por outra, mas em restituir o caráter coletivo desses emblemas. Entre os grupos mais próximos ao governo, especialmente os lulistas e, em menor intensidade, os lulodescontentes, apareceu ainda uma interpretação mais favorável à iniciativa de Lula de utilizar a camisa da seleção e o slogan "O Brasil é dos brasileiros", compreendida menos como uma nova apropriação partidária e mais como uma tentativa de reafirmar que esses símbolos pertencem ao conjunto da população brasileira.

"Costumo ficar do lado do Flávio, mas nessa questão ele está bastante equivocado.. agora as pessoas não podem mais usar a blusa do Brasil que já está automaticamente associada a direita ? Bem arrogante da parte dele." (BC, 24 anos, enfermeira, GO)

"Bom dia...A bandeira e a camisa da Seleção são de todos os brasileiros. Não acho que devam ser associadas a um político ou partido. O ideal é que representem a união do país." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"O que eu vejo é que no campo político o bolsonarismo se apropriou do simbolismo da bandeira do Brasil e das camisas do Brasil, e o Lula está aproveitando a copa pra recuperar esse símbolo. Mas esse símbolo é pra quem quiser usar, é um símbolo nacional, não deveria estar atrelado a bandeira de partido, tínhamos que partir do pressuposto de que todos os políticos estão alí pro bem nacional." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Pra mim essa discussão é meio ridícula. A camisa da seleção, a bandeira e as cores do Brasil não pertencem nem ao Lula nem ao Flávio Bolsonaro. Pertencem aos brasileiros. Acho meio bizarro alguém chamar a camisa da seleção de "camisa do Bolsonaro", como se um símbolo nacional tivesse dono. E também não vejo problema nenhum em qualquer pessoa usar as cores do Brasil. Isso mostra como a polarização chegou num nível de clubismo de futebol. Tem gente que acha que a bandeira é de um partido e outros acham que é do outro. Pra mim, nenhum dos dois tem exclusividade sobre símbolos que representam o país inteiro." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Eu particularmente acho isso um saco e acho super errado esse tipo de atitude da família Bolsonaro que vem sempre tentando dividir o país. Os emblemas nacionais pertencem a nação e não apenas a um grupo específico. Eu super concordo com essas atitudes do Lula em se apropriar e retomar com os símbolos nacionais para a ampla população e não se permitir usar outra cor, como tenho visto pessoas prefere só a blusa azul para não paracetamol de direita." (LD, 29 anos, professora, RJ)

"Acho que os Bolsonaros dizerem que a camisa amarela da Seleçao Brasileira é a "camisa do Bolsonaro" é só mais um dos absurdos que somos obrigados a aturar por conta dessa familia insana. A camisa amarela da seleção é dos brasileiros, é de quem quiser usa-la, independente de ser de direito ou de esquerda. Cadê a liberdade que eles tanto alardeiam por ai?? Não sou de direita mas se eu quiser usar a camisa amarela eu não posso, só porque decidiram que tem que ser de direita pra usar?? Isso é ridículo! Assim como ele pedir para usarem a camisa durante a Copa como se fosse um "apoio" a eles... Muita gente usa por conta da Copa e não por causa de política! A camisa amarela é do Brasil! Dos brasileiros! Governo fez muito bem em lançar essa campanha. Tem que acabar com isso de "monopolizarem" símbolos nacionais." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

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Pergunta 53

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento em Minas Gerais, fez uma brincadeira ao comentar a convocação do jogador Neymar para atuar pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Durante discurso em Belo Horizonte (MG), ao conversar com uma criança que acompanhava o evento, o petista afirmou que Neymar é ""o primeiro convocado home office do mundo"", provocando risos na plateia. Rival de Lula na pré-campanha presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) usou uma camiseta de Neymar da seleção brasileira no dia seguinte à crítica do petista, que Flávio chamou de “gol contra”. O que vocês acham do comentário de Lula?
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Críticas à postura de Lula enquanto presidente

Entre os bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores predominou a avaliação de que o comentário de Lula foi inadequado para alguém que ocupa a Presidência da República. Embora alguns participantes tenham concordado que a convocação de Neymar poderia ser questionada por razões esportivas, essa concordância apareceu em segundo plano diante da percepção de que um chefe de Estado deveria adotar uma postura mais institucional, evitando manifestações dessa natureza. Assim, a principal crítica dirigiu-se menos ao conteúdo da piada e mais à expectativa de maior prudência e responsabilidade no exercício do cargo.

Também houve convergência na percepção de que o episódio exemplificava a crescente politização de temas cotidianos. Os participantes avaliaram que declarações desse tipo tendem a alimentar a polarização, gerar novos embates entre governo e oposição e desviar a atenção de assuntos considerados mais relevantes para o país.

"Foi uma tentativa de se aproximar dos presentes ao evento, tentando fazer piada, mas de forma grosseira e desnecessária. Teria sido melhor se bem orientado pela assessoria de marketing, mas ao que parece a piada foi uma ideia apenas dele." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Algo na política moderna que me incomoda bastante é a questão da busca pelo engajamento; parece-me que o presidente estava buscando isso com essa fala. (...) O discurso do presidente fomenta divisões desnecessárias e rebaixa o nível do debate público para o entretenimento. É a espetacularização da política, porque isso dá views." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Acho tudo isso dai bem nada a ver, os cara tão cheio de problemas pra resolver dentro do nosso país e qualquer palta vira política meu, um comentário ou algo do tipo sempre gera disputa entre esquerda e direita, incrível." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

"Não deixa de ter razão, mas a fala foi extremamente desnecessária, na posição política e de autoridade dele, realmente foi um gol contra, na minha opinião." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

"Foi um comentário ruim, ele deveria apoiar mais e não fazer piada, pois os jogadores estão representando o país em uma competição onde o mesmo é conhecido mundialmente." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"Achei esse comentário completamente desnecessário, como tem eleições tudo e motivo pra criar engajamento ou alfinetar alguém que seja contrário ao seu ideal." (BM, 72 anos, pensionista, RJ)

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Brincadeira sem maior importância

Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas predominou a avaliação de que o comentário de Lula não representou um problema relevante, sendo interpretado como uma brincadeira ou um momento de descontração. Muitos participantes também concordaram, em alguma medida, com as dúvidas sobre a convocação de Neymar, entendendo que a crítica refletia um debate já presente entre torcedores e nas redes sociais. Mesmo entre aqueles que consideraram a fala pouco estratégica para um presidente, prevaleceu a percepção de que seu conteúdo não justificava a dimensão da controvérsia.

Também houve convergência na leitura de que a repercussão do episódio esteve relacionada à sua exploração política. Os participantes avaliaram que a reação da oposição, especialmente de Flávio Bolsonaro, transformou uma declaração considerada trivial em instrumento de confronto eleitoral e mobilização de apoiadores. Dessa forma, a principal crítica deslocou-se da fala de Lula para a politização do episódio, entendida como mais um exemplo da dinâmica de disputa permanente entre governo e oposição.

"Pra mim foi normal, um momento engraçado básico de todos nós. Pq muitas pessoas já falaram sobre o Neymar dessa mesma forma ou parecida. Nem tudo é ataque, as vezes é só humor mesmo." (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Pra mim foi só uma zoeira. Política já tá séria demais pra transformar toda piada em escândalo. Agora, usar isso pra fazer disputa política e responder com camiseta de jogador parece mais campanha do que um debate sobre o que realmente importa pro país." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Comentário leve sobre o que todo mundo comenta na internet mas talvez não tenha sido adequado para o presidente do Brasil de qualquer forma nada grave ou fora da verdade com respeito a brincadeira." (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

"Bom dia, Nesse comentário como presidente ele foi infeliz. Mas por outro lado como torcedor ele só fez crítica a convocação do Neymar por esta lesionado e no momento tinha que ter convocado outro jogador bem fisicamente e nessa onda o Flávio aproveitou desse episódio e quis aparecer sem muita relevância." (LD, 49 anos, vigilante, MT)

"Não discordo do que Lula disse, acho que serve pra descontrair." (LL, 25 anos, desempregada, BA)

"Acredito que tenha sido só uma brincadeira do Lula. Mas claro que o Flávio Bolsonaro vai tentar fazer disso uma afronta... tudo, absolutamente tudo que os progressistas falarem ou fizerem irão sempre tentar encontrar algo para ataca-los." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

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Considerações Finais

A discussão sobre a disputa em torno da camisa da seleção e das cores da bandeira revelou um forte e surpreendente consenso entre os diferentes grupos da pesquisa. Independentemente da orientação política, prevaleceu a defesa de que os símbolos nacionais pertencem a todos os brasileiros e não devem ser apropriados por partidos, lideranças ou projetos eleitorais. O principal ponto de convergência esteve menos na avaliação dos atores envolvidos e mais na rejeição à partidarização de elementos tradicionalmente associados à identidade nacional.

As diferenças apareceram sobretudo na forma como os participantes explicaram a origem dessa disputa. Enquanto os grupos mais próximos ao bolsonarismo tenderam a minimizar ou relativizar a responsabilização da direita pela associação entre a camisa da seleção e esse campo político, os indecisos e os grupos mais próximos ao governo interpretaram esse processo como resultado de uma apropriação anterior promovida pelo bolsonarismo. Entre lulodescontentes e, principalmente, lulistas, a iniciativa de Lula foi compreendida como uma tentativa de reafirmar o caráter coletivo dos símbolos nacionais, e não de estabelecer uma nova exclusividade.

Já a discussão sobre o comentário de Lula a respeito do jogador Neymar esteve menos relacionada ao conteúdo da piada em si do que às expectativas que cada grupo projetou sobre o comportamento do presidente e sobre a dinâmica da disputa política. Por mais irônico que pareça, entre os segmentos mais próximos da oposição, prevaleceu a posição de que um chefe de Estado adote uma postura mais institucional e evite declarações que possam aprofundar disputas políticas, ainda que parte dos participantes compartilhasse das críticas à convocação de Neymar. Já entre os grupos mais próximos do campo governista, predominou a interpretação de que a fala constituiu apenas um momento de descontração, cuja repercussão foi amplificada artificialmente pela oposição. Assim, a discussão foi menos sobre Neymar ou sobre a piada em si e mais sobre como episódios cotidianos passam a ser reinterpretados como símbolos da competição eleitoral e da disputa por visibilidade no debate público.

Interessante observar que, nas duas questões da semana, a ideia de polarização apareceu de forma recorrente nas falas dos participantes, independentemente do posicionamento político. Chama atenção o fato de que essa narrativa foi acionada de forma espontânea pelos participantes, indicando que a noção de polarização já integra o repertório cotidiano de interpretação da política, ainda que seu uso não corresponda necessariamente às definições desenvolvidas pela literatura especializada.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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MDP - Relatório 138