


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PEC 12/2026 (regime flexível) | Predominou a preocupação de que a proposta ampliasse a insegurança financeira e reduzisse direitos trabalhistas, sendo vista por muitos como desfavorável ao trabalhador. Uma parcela menor reconheceu potencial de flexibilidade, mas com fortes dúvidas sobre sua aplicação no contexto brasileiro. | Defenderam que mudanças nas relações de trabalho poderiam ser discutidas, desde que preservassem os direitos trabalhistas já existentes. A principal percepção foi a de que a proposta favoreceria mais as empresas do que os trabalhadores. | Predominou a visão de que a proposta poderia resultar em precarização do trabalho ao transferir poder excessivo aos empregadores nas negociações individuais. Também apareceu desconfiança quanto às motivações eleitorais da iniciativa. | Predominou uma rejeição bastante clara à proposta, que foi amplamente interpretada como uma medida capaz de enfraquecer direitos trabalhistas já consolidados. As opiniões convergiram na percepção de que a flexibilização contratual tenderia a beneficiar principalmente os empregadores. | Predominou o receio de perda de direitos e enfraquecimento da proteção oferecida pela CLT, com forte desconfiança sobre a aplicação prática da proposta. Ao mesmo tempo, alguns reconheceram que a flexibilidade poderia trazer vantagens se fosse rigidamente regulamentada. | Houve rejeição unânime à proposta, entendida como uma ameaça aos direitos trabalhistas e à estabilidade financeira dos empregados. O grupo enxergou a medida como favorável aos empregadores e prejudicial aos trabalhadores. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Nova taxação de Trump | Predominou a percepção de que Flávio Bolsonaro não teve responsabilidade pela taxação, atribuída às decisões soberanas dos Estados Unidos e aos problemas do governo brasileiro. Houve compreensão ou apoio à postura de Trump, embora com reconhecimento de possíveis prejuízos econômicos ao Brasil. | Prevaleceu a avaliação de que Flávio Bolsonaro não foi responsável pela medida, entendida como resultado dos interesses norte-americanos. Ao mesmo tempo, surgiram preocupações com os impactos econômicos e forte defesa do PIX como uma conquista positiva para os brasileiros. | Predominou a suspeita de que Flávio Bolsonaro tenha exercido alguma influência política no episódio, ainda que sem provas concretas. Houve ampla rejeição à taxação e à possibilidade de medidas que afetassem o PIX, vistas como prejudiciais ao Brasil. | A principal percepção foi a de que a aproximação de Flávio Bolsonaro com Trump foi inadequada e potencialmente prejudicial aos interesses nacionais. A decisão dos Estados Unidos foi amplamente rejeitada e interpretada como uma ação voltada aos interesses americanos. | Predominou a avaliação de que Flávio Bolsonaro teve responsabilidade política relevante na adoção das medidas e que a aproximação com Trump buscou produzir desgaste ao governo brasileiro. A taxação foi vista como prejudicial ao país e motivada por interesses políticos e econômicos externos. | Houve forte consenso de que Flávio Bolsonaro teve responsabilidade pelo episódio e atuou contra os interesses nacionais. A decisão de Trump foi amplamente rejeitada, sendo percebida como uma medida prejudicial à economia brasileira e à soberania do país. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Restrição do acesso ao aborto legal | Houve rejeição à decisão do Senado, entendida como um obstáculo ao acesso ao aborto legal e à autonomia das vítimas de violência sexual. Uma parcela menor defendeu a participação da família na decisão, especialmente quando se trata de crianças. | Predominou a defesa da participação familiar nas decisões envolvendo menores vítimas de estupro, vista como necessária diante da vulnerabilidade da criança ou adolescente. Ao mesmo tempo, houve consenso sobre a necessidade de acolhimento e proteção às vítimas. | Predominou a defesa da autonomia da vítima para decidir sobre a interrupção da gestação, com críticas à suspensão da resolução. Também apareceu a percepção de que a família deve exercer papel de apoio e orientação, sem substituir a vontade da vítima. | Predominou a avaliação de que a decisão pode dificultar o acesso ao aborto legal e enfraquecer a proteção às vítimas de estupro. Ao mesmo tempo, o grupo buscou equilibrar autonomia da vítima, apoio familiar e análise cuidadosa de cada caso. | Predominou a percepção de que a medida tende a dificultar o acesso ao aborto legal e prejudicar vítimas de violência sexual. Também surgiram posições que defenderam a participação da família nas decisões, especialmente em razão da idade e vulnerabilidade das vítimas. | Houve rejeição praticamente consensual à decisão do Senado, vista como um retrocesso que dificulta o acesso a direitos já garantidos por lei. O grupo defendeu que a decisão sobre a gestação deve caber prioritariamente à vítima e que o Estado deve ampliar sua proteção. | Não houve unidade temática nem argumentativa suficiente entre os evangélicos. A posição variou mais conforme o grupo político a que pertenciam. |

A oposição apresentou na quinta-feira (28/5) uma outra alternativa à proposta recém aprovado pelos deputados federais, que prevê o fim da escala 6x1.
Trata-se da PEC 12/2026, de autoria do senador Rogerio Marinho (PL-RN). Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. O patrão poderia, assim, pagar ao empregado somente as horas efetivamente trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual vai prevalecer sobre possíveis acordos coletivos. Os benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas. De acordo com o senador Rogerio Marinho, a proposta busca ampliar a liberdade e a autonomia do trabalhador na escolha de sua jornada de trabalho e, consequentemente, na definição proporcional de sua remuneração.
Até então, 40 senadores haviam assinado a PEC, incluindo o pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro. O que vocês acham dessa proposta alternativa?

Houve ampla rejeição à proposta apresentada pela oposição. Independentemente do posicionamento político dos grupos, predominou a percepção de que a medida representava uma flexibilização excessiva das relações de trabalho e poderia resultar em perda de direitos historicamente associados à CLT. As discussões foram marcadas por forte desconfiança em relação à promessa de ampliação da liberdade de escolha do trabalhador. Em vez de enxergarem maior autonomia, os participantes avaliaram que a proposta transferiria para os empregados riscos que atualmente são mitigados pela legislação trabalhista, especialmente em aspectos relacionados à estabilidade financeira, previsibilidade da renda e proteção social.
Também foi amplamente compartilhada a avaliação de que trabalhadores e empregadores não possuem o mesmo poder de negociação. Nesse sentido, a ideia de que contratos individuais poderiam prevalecer sobre acordos coletivos foi recebida de forma majoritariamente negativa, sendo interpretada como um mecanismo que favoreceria as empresas em detrimento dos trabalhadores. Chamou atenção o fato de que essa leitura apareceu não apenas entre lulistas e indecisos progressistas, mas também entre bolsonaristas moderados, indecisos conservadores e parte significativa dos bolsonaristas convictos. Mais do que divergências ideológicas, o debate foi atravessado por uma percepção comum de que, na prática brasileira, a flexibilização proposta abriria espaço para redução de direitos, aumento da insegurança econômica e precarização das condições de trabalho.
"Eu não concordo de forma alguma. Em que mundo esses políticos estão. NÃO EXISTE ACORDO ENTRE PATRÃO E FUNCIONÁRIO. AQUI NO BRASIL SÓ FUNCIONA SE VIRAR LEI. Tanto não funciona que muitos trabalhadores ainda hoje por incrível que pareça trabalham sem carteira assinada e muitos trabalhadores principalmente os rurais que não tem estudo, nem sabem dos seus direitos porque muitos empregadores ainda hoje escondem os direitos de seus empregados. Como os funcionários vão negociar com pessoas assim? Claro que nem todos os patrões são desse jeito, mas infelizmente uma boa parte é. E se o funcionário estiver doente esses dias não vão ser cobertos? Qualquer ausência até justificadas e os feriados, tudo isso vai incidir diretamente no valor da mão de obra dos trabalhadores, não vai ter mais cobertura, já que tudo será pelas horas trabalhadas, isso so vai travar a vida do trabalhador, isso sim me parece é uma armadilha para os trabalhadores." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Essa proposta de flexibilização precisa ser analisada com cuidado para não reduzir direitos como FGTS, férias e 13º. Melhorar a jornada é importante, mas sem prejudicar quem trabalha pelo menos no meu ponto de vista não pode ser algo que prejudique o trabalhador, tira de um lado e coloca no outro... ai é complicado" (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
"Acho essa proposta alternativa bem ruim. Porque ao meu ver quer precarizar o trabalho, como está exposto na imagem, a pec deixa claro que os acordos individuais prevalecem ao coletivo, ou seja, a proposta cria extrema insegurança financeira. Sem um salário fixo garantido, o trabalhador perde a previsibilidade necessária para arcar com custos básicos, isso sem contar que os contratos individuais quase sempre fazem o trabalhador sair perdendo. Temos que lembrar que na relação trabalhador/patrão o trabalhador sempre é a parte mais vulnerável do elo, por isso eu acho essa proposta ruim porque as empresas iam parar de oferecer o regime de CLT e só iriam oferecer esse regime flexível e os trabalhadores por não ter o que fazer acabariam sendo sucateados com essa proposta." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"Pra mim essa proposta é papo de vender retirada de direito como se fosse liberdade. Na prática quem tem mais poder de negociação é o patrão, não o trabalhador. Acho péssima ideia. Parece mais uma forma de precarizar emprego e reduzir direitos do que ajudar quem trabalha de verdade. Quem propõe isso, jamais trabalharia com isso." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"A proposta é válida, mas em se tratando do nosso Brasil ela não e viável, pois seria um meio das empresas adotar em definitivo o regime alternativo para diminuir os direitos adquiridos pelos trabalhadores com tanta luta." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Acho que essa PEC é um retrocesso nas garantias trabalhistas. Quando o acordo individual vale mais do que o acordo coletivo, o funcionário perde o apoio do sindicato. Receber apenas pelas horas trabalhadas gera uma instabilidade financeira, bem como mudar o fgts e 13º salario é apenas uma forma de diminuir os valores desses direitos." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

Embora a rejeição à proposta tenha predominado amplamente, surgiu em diferentes grupos o reconhecimento de que modelos mais flexíveis de contratação e jornada podem apresentar vantagens em determinadas circunstâncias. Alguns participantes consideraram positiva a possibilidade de maior autonomia para organizar horários de trabalho, conciliar compromissos pessoais, realizar atividades paralelas ou até ampliar a renda por meio do aumento das horas trabalhadas. Também apareceu a percepção de que formatos mais flexíveis poderiam funcionar adequadamente em determinados setores econômicos ou em países onde as relações de trabalho são percebidas como mais equilibradas e previsíveis.
Entretanto, essas avaliações favoráveis raramente se converteram em apoio efetivo à proposta. Na maior parte dos casos, os potenciais benefícios foram acompanhados de dúvidas sobre sua viabilidade prática no contexto brasileiro. Predominou a percepção de que a fragilidade econômica de muitos trabalhadores e o desequilíbrio de poder existente nas relações de trabalho dificultariam a adoção de um modelo genuinamente baseado na livre escolha. Assim, mesmo entre aqueles que enxergaram méritos na ideia de maior flexibilidade, prevaleceu o receio de que a proposta acabasse sendo utilizada para reduzir custos empresariais, enfraquecer garantias trabalhistas e ampliar situações de vulnerabilidade para os empregados.
"Esse tipo de trabalho, por hora é bem flexível, funciona em alguns países, como nos Estados Unidos, porém no Brasil acho difícil ser favorável ao trabalhador, principalmente por nossa economia não ser tão boa, nosso poder de compra é bem baixo, o valor pago por hora provavelmente seria baixo. Acordos entre patrão e funcionário normalmente tendem a favorecer mais a empresa, na maior parte dos casos dão um jeito de prejudicar o trabalhador." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)
"Acho que a proposta pode trazer mais flexibilidade, mas também pode reduzir direitos e benefícios dos trabalhadores. Acho que precisa ser muito bem discutida antes de ser aprovada." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Porém essa proposta achei interessante também. Porque dá para escolher entre esses dois , que dá para conciliar com a nossa rotina , podendo ter mais tempo até para fazer coisas pessoais e pelo jeito n vai comprometer muito os pagamentos. Interessante!""" (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)
"Achei a idéia muito legal, pois facilita a vida de um funcionário que precisa ir ao médico, reunião escolar, ou não está muito bem de saúde. O funcionário decide quanto vai receber e quanto vai trabalhar. Caso esteja talvez precisando de mais dinheiro, pode trabalhar mais horas e ter esse ""aumento"". Eu já vi isso sendo retratado em filmes, sempre achei interessante. Tbm acredito que seja bom a parte dos benefícios serem de acordo com o quanto você trabalhou. Desde que o patrão não decida que a hora é 5$, tá ótimo né. Pq tem muita coisa no meio disso, pra não virar bagunça e nem ser ruim pra todos, o valor da hora tem que ser bom pra ambos (não sei como vai funcionar essa parte). Acho uma idéia boa.""" (IP, 26 anos, autônoma, RO)
"Não acho a proposta tão ruim, desde que seja muito bem regulamentada e que todos os direitos sejam garantidos, porque de fato ela pode abrir brechas. Entendi também que nesse regime de horas pode ser até vantajoso para os funcionários conciliarem trabalhos em mais de um local e outras coisas alternativas caso desejem." (LD, 29 anos, professora, RJ)


Entre os bolsonaristas convictos e parte dos moderados, a discussão foi marcada por uma forte resistência à narrativa de que Flávio Bolsonaro teria sido responsável pela adoção das tarifas americanas. Os participantes enxergaram a medida como resultado de decisões autônomas do governo dos Estados Unidos, motivadas por interesses econômicos, comerciais e geopolíticos próprios, e não como consequência da atuação de um político brasileiro. Houve também a percepção de que a tentativa de associar diretamente Flávio Bolsonaro ao episódio representaria uma estratégia de desgaste político da oposição. Em diversas falas, a origem do problema foi deslocada para a condução do governo Lula, para a deterioração das relações diplomáticas com os Estados Unidos ou para fragilidades estruturais do próprio país, consideradas fatores mais relevantes para explicar a postura adotada por Trump.
Além disos, embora muitos participantes tenham reconhecido que as tarifas poderiam trazer prejuízos para empresas, exportações e consumidores brasileiros, isso não se traduziu necessariamente em condenação à postura de Trump. Predominou o entendimento de que líderes políticos devem priorizar os interesses de seus próprios países e que o presidente americano estaria apenas exercendo esse papel.
"Eu não acredito que Flávio Bolsonaro tenha a ver com essas medidas, mas sim a posição do governo brasileiro, que insiste em patrocinar e colaborar com governos de esquerda. Além disso, o presidente Lula tenta de todas as formas transformar o Brasil numa ditadura destruindo a indústria, o Agro, o País. Eu concordo com o que Trump tem feito com relação ao Brasil, mesmo sabendo que infelizmente essa tarifa vai ser muito ruim para a exportação brasileira, mas pensando num futuro não muito distante, teremos condições de voltar a criar condições para os setores que forem atingidos pelas novas tarifas voltem a crescer sem as algemas da esquerda." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Não ele esta tentando freiar essas taxação para o povo não sofrer com mais perdas , só que ele esbarra numa vontade superior mundial hoje que está sim para o país dele e fará de tudo para o povo dele viver bem, muito ao contrário de muitos governantes daqui ,só que o Brasil é muito dependente para desenvolver financeiramente pois sempre foi mal administrado nesses últimos tempos onde os governantes só pensou em encher os proprios bolsos ,mas dentro desse contexto de querer o melhor para o próprio país, devemos ver algum jeito pra também fazer com que essas taxas não venham atrapalhar a vida da gente pensar igual o trump pensa ,pq no final só o povo que ja está mais que sofrido perde." (BC, 39 anos, administrador, RJ)
"Bom dia...Não acredito que a responsabilidade seja de Flávio Bolsonaro. Decisões sobre tarifas internacionais envolvem vários fatores e governos. Sobre a medida de Trump, é uma decisão que visa os interesses dos EUA, mas seus efeitos para o Brasil e para o comércio precisam ser analisados com cautela." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Eu acho que muito do que ta acontecendo, dessa relacao extremecida entre os EUA e o Brasil se deve muito ao atual executivo estar "esticando a corda" sem pensar e por birra, teimosia e vinganca. O Brasil com o atual governo nao tem poder de barganha nem moral para assuntos internacionais na balanca comercial e nos brasileiros é que vamos pagar essa conta mais cedo ou mais tarde." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
"Na minha opinião, o Flávio Bolsonaro não tem responsabilidade direta por essa nova taxação imposta pelos EUA. No máximo, a proximidade política dele com alguns setores americanos pode ter ajudado a dar mais visibilidade ao assunto, mas a decisão em si parece estar ligada a interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos..." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

Entre a outra parcela dos bolsonaristas moderados e entre os indecisos conservadores, predominou uma posição mais ambivalente em relação ao episódio. Os participantes demonstraram rejeição às tarifas impostas pelos Estados Unidos e preocupação com seus possíveis impactos sobre a economia brasileira, mas sem estabelecer consenso sobre o grau de responsabilidade de Flávio Bolsonaro. Enquanto alguns consideraram improvável que ele tivesse capacidade de influenciar uma decisão dessa magnitude, outros avaliaram que a coincidência entre sua visita à Casa Branca e o anúncio das medidas tornava legítimas as suspeitas sobre algum tipo de participação política ou articulação indireta. Mais do que uma acusação categórica, prevaleceu um ambiente de dúvida e desconfiança, no qual a ausência de provas concretas conviveu com a percepção de que os acontecimentos dificilmente poderiam ser vistos como mera coincidência.
Outro elemento central das discussões foi a defesa do PIX e a rejeição à possibilidade de interferência norte-americana em um sistema considerado benéfico para os brasileiros. Muitos participantes interpretaram as críticas americanas ao mecanismo de pagamentos como uma tentativa de proteger interesses econômicos próprios, especialmente de grandes empresas financeiras internacionais.
"Acho também que os EUA estão sendo covardes com o Brasil, visto que na relação comercial de importação X exportação, eles sempre saem ganhando. E fica claro também que eles não aceitam o PIX, pois mostra uma certa "liberdade" dos brasileiros em relação às grandes empresas americanas de cartões de crédito." (BM, 41 anos, turismólogo, PE)
"Bom dia. Acho que o Flavio Bolsonaro, nao tenha influência na decisão de Trump, visto que foi no mandato do Bolsonaro que foi implantado o pix. As decisões do Trump sao voláteis, uma hora abaixa as taxas e do nada resolve aumentar. Mas e certo que ele tambem possa esta fazendo isso para minar o governo atual com os Estados Unidos ja que e apoiador dos Bolsonaro e isso pode influênciar na hora da eleição." (BM, 72 anos, pensionista, RJ)
"Não posso afirmar nada, todavia a ação do presidente de taxar as importações brasileiras após a visita do Bolsonaro me leva a acredita que ele teve alguma coisa a ver. Como não tenho como comprovar não tenho uma opinião formada sobre. Todavia não me surpreenderia a ligação direta dele na decisão do Trump já que ele. Engraçado que para os interesses americanos o presidente não taxou nada né, apenas o que o convém. E o Pix, o que falar dessa ferramenta que burla o monopólio americano (Visa e Mastercard) do mercado brasileiro. E tem gente que defende ele...." (IC, 29 anos, professor, RJ)
"Não acredito que Flávio Bolsonaro tenha tanta influência assim nas decisões de Trump. Acontece que o governo Lula é o oposto do que Trump acredita e vice-versa. Como brasileiro não concordo com a perseguição ao PIX mas entendo que Trump faz o que considera melhor pro seu país, a questão é quem precisa mais que quem? e quem vai sair mais prejudicado?..." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Nao concordo com Trup, mas Creio que Flávio tenha influência sim, com interesses na eleição, para depois falar que conseguiu negociar devido a boa relacao política com Trump. Claro que Trump vai tomar suas decisões baseadas nos seu próprios interesses, e ele está de olho em muitas coisas aqui no Brasil." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

Nos grupos mais próximos do campo progressista e em parte dos indecisos conservadores, predominou a percepção de que Flávio Bolsonaro teve algum grau de responsabilidade política pelo episódio, ainda que nem sempre tenha sido apontado como o responsável direto pela decisão dos Estados Unidos. As falas convergiram na avaliação de que sua aproximação com Donald Trump e sua presença na Casa Branca não poderiam ser dissociadas do contexto em que as tarifas foram anunciadas. Em muitos casos, a sequência dos acontecimentos foi interpretada como um indicativo de alinhamento político entre os dois atores, alimentando suspeitas de que interesses eleitorais brasileiros estariam influenciando a relação com os Estados Unidos. Mais do que discutir a capacidade efetiva de Flávio determinar decisões americanas, os participantes questionaram a legitimidade de buscar apoio ou articulação política externa em um contexto que poderia gerar prejuízos econômicos ao próprio país.
Também predominou uma leitura fortemente crítica da decisão de Trump, entendida como uma medida voltada exclusivamente à defesa dos interesses norte-americanos e pouco preocupada com os impactos para o Brasil. As tarifas foram frequentemente percebidas como uma forma de pressão econômica e política, enquanto as menções ao PIX despertaram reações especialmente negativas, por ser considerado um instrumento estratégico e benéfico para os brasileiros. Nesse contexto, o episódio acabou mobilizando discussões sobre soberania nacional, patriotismo e defesa dos interesses do país.
"Pra mim o Flávio tem responsabilidade política nisso sim. Não to falando q ele mandou os EUA fazerem isso, mas vc vai lá, tira foto, faz aproximação e logo depois vem medida q pode prejudicar o próprio Brasil? Fica óbvio. O mais contraditório é q essa galera vive falando de patriotismo e Brasil acima de tudo... aí quando aparece uma medida q pode prejudicar o país, o discurso muda." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Eu não estou acompanhando esse ocorrido, mas quando um político decide levar problemas internos do seu país à outro, isso ocasiona uma tensão e risco de impacto econômico, portanto, acredito que ele tenha uma parcela de culpa sim. E não, não concordo com a decisão do Trump." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Pra mim é óbvio que esse tipo de aproximação com Trump acaba fortalecendo medidas contra o próprio Brasil, então o flavio tem sim responsabilidade política nisso. E usar PIX como desculpa parece mais “pressão” dos EUA do que uma preocupação real. Não concordo com uma taxação que pode prejudicar a economia brasileira só por interesse político." (LD, 27 anos, entregadora, RS)
"Eu acredito sim q as medidas tiveram a ver com a família Bolsonaro, onde eles estão tentando atacar o Brasil de diversas formas para assim usarem isso a favor das suas campanhas e prometerem novos acordos com o EUA. Fico triste pq não é nada patriota, já que eles levantam tanto essa bandeira." (LD, 29 anos, professora, RJ)
"Flávio Bolsonaro tem total responsabilidade com as tarifas. Ele não pensa um momento sequer no povo brasileiro, o único interesse é salvar a própria pele. E não concordo em absolutamente nada com Donald Trump, pois o interesse dele é apenas o colonialismo através da economia típico dos americanos." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)


Houve amplo consenso em todos os grupos sobre a percepção de que a decisão do Senado tende a dificultar o acesso ao aborto legal por crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
As falas convergiram na avaliação de que a vítima deveria ocupar posição central na decisão sobre a continuidade da gestação, especialmente por já ter sido submetida a uma situação extrema de violência. Também foi recorrente o entendimento de que impor novas barreiras institucionais ou ampliar etapas de autorização representa um agravamento do sofrimento já vivido, podendo tornar ainda mais difícil o acesso a um direito já previsto em lei.
Porém, mesmo entre participantes favoráveis à autonomia da vítima, raramente surgiu uma defesa da exclusão completa da família. Pelo contrário, a maioria das falas reconheceu a importância do acolhimento, da orientação e do apoio familiar durante o processo. A divergência central esteve menos na presença da família e mais na definição de quem deveria ter a palavra final. Nesse sentido, muitos participantes defenderam que os responsáveis atuassem como rede de proteção, mas sem substituir a vontade da vítima. Também apareceu, de forma recorrente, a preocupação de que a participação obrigatória da família possa gerar problemas em contextos nos quais os próprios familiares estejam envolvidos na violência ou não ofereçam um ambiente seguro para a tomada de decisão, reforçando a percepção de que a proteção da vítima deveria prevalecer sobre qualquer outro princípio.
"Minha opinião é que a vítima sempre tem a voz independente da sua família, só ela sabe o que sofreu e outra coisa, gerar um filho sem o seu consentimento mesmo eu não sendo mulher(mãe) penso que seria algo totalmente desconfortável, ainda mais que iria pensar sempre que a geração não foi espontânea, mas forçada por um ato de violência. O psicológico dessa pessoa nunca mais seria o mesmo, sendo assim penso que somente ela deveria opinar sobre querer continuar ou não a gestação e que a família deve apenas dar suporte e apoio em sua decisão e não tomar por ela." (IC, 29 anos, professor, RJ)
"Interpretei a pergunta ao contrário! Eu não concordo com a suspensão da resolução, pois as vítimas DEVEM ter total autonomia para decidir se querem ou não continuar com a gestão COM OU SEM o consentimento familiar. CORRIGINDO." (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Na minha opinião, falar sobre aborto é um pouco delicado, por questões religiosa sempre vou defender a vida, mas não posso ser hipócrita em dizer que uma menina que passou por um estupro seja obrigada a gerar um filho, fruto dessa violência. Acredito que a família deva sempre estar junto, mas sempre respeitando a vontade da vítima. Precisamos defender nossas crianças." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"Bom dia, Não concordo porque acredito que a escolha da vítima sempre tem que estar acima de todas as outras decisões. Vejo a família muito importante nesse processo, mas ainda assim a decisão da criança tem q ser respeitada. Acho q essa decisão pode acabar prejudicando muito nessas situações." (LD, 29 anos, professora, RJ)
"Essa decisão prejudica a vítima de violência sexual, e desta forma aumenta a procura por clínicas clandestinas. Independente de ser criança ou adulto, ninguém deve ser obrigado a gerar um fruto de violência. O aborto sempre existiu de forma clandestina, pondo mulheres em risco. O aborto legalizado é um direito que não deveria ser tirado de uma vítima de violência sexual." (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)
"É tão delicado, são dois lados, cada um com seus pontos. A criança deveria ter direito de escolha, como disseram, a família muitas vezes está envolvida, quase sempre o abusador é algum familiar. Essa decisão tira autonomia de alguém já vulnerável, mas não que precisa do apoio e direcionamento da família. As situações precisam sempre ser analisadas, antes de qualquer intervenção." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

Apesar da convergência predominante em torno da crítica à decisão do Senado, os grupos mobilizaram justificativas distintas para sustentar essa posição.
Entre os indecisos conservadores e parte dos bolsonaristas convictos e moderados, embora a conclusão frequentemente também tenha sido crítica à decisão do Senado, o raciocínio percorreu caminhos diferentes. A defesa da autonomia da vítima apareceu menos associada ao debate sobre direitos reprodutivos e mais vinculada às consequências concretas da violência sexual sobre a vida da criança ou adolescente. As falas enfatizaram os impactos emocionais, psicológicos e sociais decorrentes da gestação resultante de estupro, destacando o sofrimento da vítima e a dificuldade de exigir que ela carregasse as consequências de uma violência que não escolheu sofrer. Nesses grupos, a autonomia foi frequentemente justificada por argumentos de proteção e cuidado, e não necessariamente por uma defesa mais ampla do direito ao aborto.
"Minha opinião é que a vítima sempre tem a voz independente da sua família, só ela sabe o que sofreu e outra coisa, gerar um filho sem o seu consentimento mesmo eu não sendo mulher(mãe) penso que seria algo totalmente desconfortável, ainda mais que iria pensar sempre que a geração não foi espontânea, mas forçada por um ato de violência. O psicológico dessa pessoa nunca mais seria o mesmo..." (IC, 29 anos, professor, RJ)
"Sinceramente, eu achei péssima essa decisão do Senado. Uma menina que passa por uma violência absurda dessas, já tá com o psicológico completamente destruído e ainda precisa passar por toda uma situação burocrática… e ainda ter que esperar a família decidir por ela, é crueldade." (BC, 24 anos, enfermeira, GO)
"Uma decisão bem ruim, acredito que cabe diretamente a vítima decidir, dificultar mais o acesso a procedimentos seguros é um retrocesso, acaba abalando ainda mais a vítima..." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

Entre os lulistas, a rejeição assumiu caráter mais político, com a medida sendo frequentemente interpretada como um retrocesso na garantia de direitos e como uma iniciativa que transfere novos obstáculos para vítimas que já se encontram em situação de extrema vulnerabilidade. Nesse segmento, a discussão esteve fortemente centrada na defesa da autonomia individual e na compreensão de que o Estado deveria ampliar, e não restringir, mecanismos de proteção e acesso ao aborto legal. As falas foram marcadas por menor disposição para ponderar aspectos relacionados à autoridade familiar, predominando a percepção de que a vontade da vítima deveria prevalecer sobre qualquer outra consideração.
Já entre os indecisos progressistas e os lulodescontentes, predominou uma abordagem mais reflexiva e circunstancial. Embora a maioria também tenha demonstrado preocupação com os efeitos da suspensão da resolução, as falas dedicaram maior atenção às ambiguidades e dilemas envolvidos na questão. Surgiram ponderações sobre a idade da vítima, sua capacidade de decisão em um momento de fragilidade emocional, o papel que a família pode desempenhar como rede de apoio e, simultaneamente, os riscos de que familiares estejam envolvidos na própria violência. Em vez de uma defesa irrestrita da autonomia ou da autoridade familiar, esses participantes tenderam a buscar formas de equilibrar proteção, acolhimento e capacidade de decisão, revelando maior preocupação com as complexidades práticas que cercam cada caso.
"Medida que pune a vítima. O aborto para quem sofreu uma violência deveria ser ainda mais facilitado, independente de ser criança ou adulto." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"Essa decisão prejudica a vítima de violência sexual, e desta forma aumenta a procura por clínicas clandestinas. Independente de ser criança ou adulto, ninguém deve ser obrigado a gerar um fruto de violência. O aborto sempre existiu de forma clandestina, pondo mulheres em risco. O aborto legalizado é um direito que não deveria ser tirado de uma vítima de violência sexual." (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)
"Acho um absurdo essa decisão do senado. Ao invés de proteger as crianças e adolescentes eles dificultam o acesso a um direito garantido por lei." (LL, 28 anos, vendedora, PA)
"Pra mim é um tema bem delicado, mas se a gravidez aconteceu por estupro eu acho q a vítima deveria ter acesso ao aborto legal sem um monte de barreira no caminho. Ao mesmo tempo, por ser criança ou adolescente, eu também acho complicado excluir totalmente a família da conversa..." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Na minha opinião falar sobre esse assunto é muito delicado,bastante complicado e difícil de se decidir... fica difícil deixar que a própria família decida ou auxilie, como também é complicado que a vítima possa decidir sozinha..." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Um assunto complicado já que a criança/adolescente ainda não tem a formação necessária para definir seu total bem estar... tema complexo mas que o Estado deveria garantizar o direito mínimo de bem estar e saúde." (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

A proposta alternativa apresentada pela oposição ao fim da escala 6x1 encontrou resistência significativa entre a maioria dos participantes. Embora tenham surgido manifestações pontuais favoráveis à ideia de maior flexibilidade na definição das jornadas e da remuneração, a reação predominante foi de desconfiança. Em todos os segmentos, prevaleceu a preocupação de que a proposta poderia resultar em redução de direitos trabalhistas, aumento da insegurança financeira e fortalecimento do poder dos empregadores nas negociações individuais. Mesmo entre bolsonaristas convictos e moderados, grupos que frequentemente demonstram maior abertura a pautas de flexibilização econômica, apareceram preocupações semelhantes às observadas entre indecisos e eleitores de Lula. O ponto de convergência foi a avaliação de que trabalhadores e empregadores não ocupam posições equivalentes na relação de trabalho e que, na prática, a liberdade contratual proposta tenderia a beneficiar mais as empresas do que os empregados. Além disso, entre os apoiadores de Bolsonaro, nem mesmo a menção do apoio de Flávio Bolsonaro à pauta contribuiu para aumentar a adesão à proposta. Em outras palavras, a tese de que o neoliberalismo é um elemento central do bolsonarismo não se confirma quando olhamos para o eleitorado, por mais que ela esteja presente aqui e acolá nas falas de Bolsonaro e seguidores e em suas ações, como demonstra o apoio à PEC do regime flexível.
Já o episódio da taxação de Trump evidenciou o padrão de segmentação costumeiro. Mais do que discutir os méritos econômicos da taxação anunciada pelos Estados Unidos, os participantes utilizaram o acontecimento como um elemento para reforçar percepções prévias sobre Flávio Bolsonaro, Donald Trump e o governo Lula. Entre os segmentos bolsonaristas, predominou a tendência de dissociar Flávio da decisão americana e atribuir as tensões comerciais à condução das relações com os EUA por parte do governo federal ou a problemas estruturais do Brasil. Os indecisos conservadores ocuparam posição intermediária, compartilhando críticas à taxação, mas demonstrando dúvidas e suspeitas sobre o grau de envolvimento do senador. Já entre os demais grupos, mais próximos do campo progressista, prevaleceu a percepção de que a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Trump foi inadequada e contribuiu, direta ou indiretamente, para medidas prejudiciais aos interesses nacionais.
Um elemento que se destacou foi a centralidade do PIX no debate. Independentemente do posicionamento político, o sistema foi amplamente percebido como uma inovação positiva para a população brasileira e como um ativo estratégico do país. As críticas ou investigações envolvendo o PIX foram recebidas com desconfiança pela maioria dos participantes, frequentemente associadas à defesa de interesses econômicos norte-americanos ou de grandes empresas financeiras internacionais.
Por fim, a discussão sobre a restrição do direito de adolescentes violentadas ao aborto revelou um quadro bastante homogêneo. Embora tenham surgido divergências sobre o papel da família e sobre quem deveria participar do processo decisório, predominou entre os participantes a preocupação com a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A principal convergência observada não esteve necessariamente na defesa de uma posição ideológica específica sobre o aborto, mas na percepção de que a vítima deveria ser o foco central de qualquer decisão tomada pelo Estado. Mesmo entre participantes mais conservadores, foram raras as manifestações que defenderam a obrigatoriedade da continuidade da gestação em casos de estupro. Outro aspecto relevante foi que as opiniões se organizaram menos em torno de identidades políticas e mais a partir da forma como cada participante equilibrou autonomia individual, proteção da infância e autoridade familiar. Enquanto grupos progressistas enfatizaram o direito da vítima de decidir sobre seu próprio futuro, os grupos mais conservadores destacaram a importância do suporte familiar diante de uma situação traumática. No entanto, a maioria das falas não enxergou esses elementos como necessariamente incompatíveis ou excludentes.
Também chamou atenção a ausência de um padrão claramente associado à religião. Mesmo entre os participantes evangélicos, frequentemente apontados como mais conservadores em pautas relacionadas ao aborto, não houve unidade argumentativa consistente.
Ambos os episódios, a PEC da flexibilização e a restrição do direito ao aborto, mostram o quão os grupos de parlamentares conservadores do Congresso – bolsonaristas, Centrão e quejandos – estão arriscando assumir posições públicas bastante alienadas da opinião dos cidadãos, inclusive de seus eleitores, às portas de uma eleição.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

