Relatório 35

De 08 a 14/12

Temas:

  • Falas de Michele, Auxílio a Caminhoneiros e Taxistas, Apoios de Criminosos
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) deriva do Monitor da Extrema Direita (MED). O escopo original, restrito a grupos focais de bolsonaristas convictos e moderados, foi expandido mediante critérios de seleção mais sofisticados, estruturando cinco grupos que cobrem a maior parte do espectro ideológico da população brasileira atual:

G1 – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno e aprovam as invasões de 08/01.

G2 – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno e desaprovam as invasões de 08/01.

G3 – Preferências Flutuantes: não votaram em Lula nem em Bolsonaro no primeiro turno e anularam ou votaram em branco no segundo turno.

G4 – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno, mas reprovam a atual gestão.

G5 – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno e aprovam sua gestão.

Dessa maneira, o Monitor do Debate Público (MDP) capta um espectro bem mais amplo da opinião pública e dos fenômenos que orientam o comportamento político no Brasil comtemporâneo.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas colocados no tempo que lhes for mais conveniente, liberdade essa inexistente nos grupos focais tradicionais, que são presos à sincronia do roteiro de temas e questões colocados pelo mediador. O instrumento de pesquisa, assim, se acomoda às circunstâncias e comodidades da vida de cada um, reduzindo a artificialidade do processo de coleta de dados e, portanto, produzindo resultados mais próximos das interações reais que os participantes têm na sua vida cotidiana.

É importante salientar que os resultados apresentados são provenientes de metodologia qualitativa, que tem por objetivo avaliar posicionamentos e opiniões. Mesmo quando quantificados, tais resultados não podem ser tomados como dados estatísticos provenientes de amostragem aleatória, ou seja, as totalizações dos posicionamentos de grupos específicos não devem ser entendidas como dotadas de validade estatística mas como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é total e garantido, assim como sua anuência prévia com a divulgação dos resultados da pesquisa, desde que respeitado esse anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Entre os dias 08 a 14/12 dois grupos foram monitorados a partir de suas opiniões sobre questões do momento. Compõem esses grupos 36 participantes, todos eleitores de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, divididos entre bolsonaristas convictos (G1) e bolsonaristas moderados (G2) – o critério de seleção é o apoio aos atos de 8 de janeiro.

Cada grupo foi montado de modo a combinar variáveis como sexo, idade, etnia, renda, escolaridade, região de moradia e religião em proporções similares às da população brasileira.

Compusemos também um "grupo virtual" formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos, com 18 participantes, a fim de capturar tendências específicas da opinião desse contingente demográfico.

Ao longo da semana, três temas foram abordados: i) reações a falas de Michele Bolsonaro ; ii) irregularidades no pagamento de auxílios durante o governo Bolsonaro; iii) acusações a amigos próximos da família Bolsonaro.

Ao todo, foram analisadas 134 interações, que totalizaram 5.604 palavras.

Bolsonaristas ConvictosBolsonaristas Moderados
Falas de Michele BolsonaroUnanimemente o grupo apoiou as falas da ex-primeira-dama, avaliando que o trecho havia sido retirado do contexto e defendendo o caráter, a integridade e a virtude de Michele.O grupo apoiou Michele, dizendo que as reclamações em relação ao conteúdo eram mimimi da esquerda. Todos validaram que as falas seriam positivas e em tom apenas de agradecimento.
Auxílio a Caminhoneiros e TaxistasO grupo avaliou a investigação como mais uma tentativa de prejudicar Bolsonaro. Para eles, os culpados seriam os responsáveis por fiscalizar a distribuição e os próprios beneficiados, que receberam indevidamente o auxílio.O grupo atribuiu a responsabilidade aos órgãos responsáveis por fiscalizar e aplicar as medidas de seleção dos beneficiários. As pessoas que receberam indevidamente foram avaliadas como corruptas.
Apoios de CriminososO grupo defendeu ferrenhamente a integridade de Bolsonaro, comparando-o a Lula, que seria um condenado. Quanto aos vínculos, todos afirmaram que o ex-presidente não tinha como prever as ações de seus apoiadores.O grupo defendeu Bolsonaro, avaliando que os dois citados eram apenas apoiadores do mesmo e, após as acusação, o ex-presidente havia imediatamente se afastado de ambos.
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Pergunta 101

Um vídeo divulgado nas redes sociais (enviado aqui para vocês) mostra Michele Bolsonaro “agradecendo a Deus todos os dias, por não ter passado por nenhum problema em sua vida”, citando exemplos de pessoas com filhos autistas ou mulheres abusadas sexualmente.

Como vocês avaliam essas falas da ex-primeira-dama?

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Primeira-dama exemplar

Michele foi defendida, em ambos os grupos, como primeira-dama exemplar, caridosa e muito atuante em causas para auxiliar pessoas com necessidades especiais. O conteúdo do vídeo foi avaliado como demonstrativo apenas de sua fé e vontade de ajudar o próximo.

Muitos criticaram o uso do trecho, por ter sido retirado de contexto a fim de manchar a imagem da ex-primeira-dama, assim como supostamente faziam com o ex-presidente.

Outros também falaram em um "mimimi" da esquerda, que teria sempre a intenção de problematizar fatos para prejudicar o clã Bolsonaro.

"Acho Michele Bolsonaro uma mulher admirável, e entendo que as falas dela são no sentido de explanar um raciocínio mais extenso que está fora do contexto devido ao vídeo ser muito curto !" (G1, 57 anos, representante comercial, RS)

"Pra quem ver o vídeo inteiro sabe o que ela quis dizer, pegam uma fala e já querem acusar com se ela estivesse falando bobeira, assim como tazaim com as falas de Bolsonaro, cortavam e colocavam o que eles queriam pra tentar derrubar ele . São uma família perseguida por bandidos mas sabemos que são honestos e se preocupam com povo brasileiro principalmente com os problemas de saúde. E agradeço a Deus por na minha família também não ter ninguém autista, porque a vida já está difícil sem um imagina com um assim ." (G1, 44 anos, desempregada , PR)

"O que vi aqui no vídeo foi o que cansaram de fazer com o Ex-Presidente Bolsonaro. Pegaram um parte do vídeo para sair do contexto completo. O vídeo mostra o que pouca gente tem a coragem de expressar. É lógico que qq mulher deve de fato dar graças a Deus por não estar passando por esses dois problemas citados. É lamentável q as pessoas ou até os próprios jornalistas e tb esquerdistas mudem tudo do contexto para tentar acusar a equipe anterior de algum ato ilícito ou por discriminação." (G1, 57 anos, analista de TI, MA)

"A agenda da ex primeira dama era principalmente formada de ajuda a pessoas com necessidades especiais e mulheres vítimas de estupro e violência doméstica. Que mulher não agradeceria por isso. A fala foi correta e o que mais era de se admirar é que ela não tendo passado por isso se empenhava em ajudar essa população esquecida por todos. Infelizmente estamos em um país onde a fala virou bíblia e tem várias interpretações onde um quer transformar em ódio e outro em amor. Pelo menos ela se preocupava com pessoas que precisam e não com o lençol que ia dormir." (G2, 43 anos, comerciante, TO)

"Como os colegas comentaram acima o vídeo é curto,qual mulher ou mãe e pai nunca fez um agradecimento desse não vi nada demais.muito mimimi pra pouca coisa." (G2, 50 anos, dona de casa , DF)

"É preciso ver o discurso completo para entender exatamente o que ela quis dizer. Agradecer a Deus e abençoar os filhos é algo que deveria ser normal.." (G2, 42 anos, administradora, GO)

"Eu assim como outras mães também agradeço a Deus por não ter que passar por esta missão, não é fácil ser mãe de uma criança especial, isso foi a única coisa que ela quis dizer, quem conhece Michele sabe que ela foi a única primeira dama que em todo o mandato de Bolsonaro lembrou dos deficientes assim como ela fez, ela sempre foi muito engajada na causa das pessoas com deficiência. As mais diversas deficiências foram mencionadas nos últimos 4 anos antes desse atual presidente. Michele é a EXPRESSÃO do valor de uma verdadeira mulher de Deus e isso ninguém vai manchar, por mais que a mídia como sempre queira fazer isso." (G2, 39 anos, cabeleireira, PE)

"Hoje em dia é tudo romantizado, muito mi-mi-mi, não vi ela falar nada de mais, autismo não é doença mais ninguém quer que seu filho venha com qualquer tipo de problema." (G2, 39 anos, administradora, BA)

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Ataques a Janja

Muitos participantes compararam Janja com Michele, para evidenciar que, enquanto a ex-primeira-dama se preocupava em ajudar os mais necessitados, a atual só estaria gastando dinheiro com viagens e compras de roupas de cama.

"Acho que ela se destacou como primeira dama, dez um ótimo trabalho ajudando as mulheres , diferente da atual, que só viajar e gasta em lençol, ela sim merece ser chamada de primeira dama." (G1, 51 anos, pensionista, GO)

"Ela esteve 4 anos fazendo a diferença, fazendo história como primeira dama desse país, altruísta, humilde, econômica, discreta e agindo em prol de quem precisa. Enquanto a atual vive em viagens luxuosas, uma deslumbrada que usa nosso dinheiro e nem disfarça. Essa imprensa fala bem e entrevista o tempo todo mostrando o que ela nunca foi. Pior de tudo que TODO brasileiro viu e vê a diferença, mas ficam calados e ainda apoiam isso." (G1, 48 anos, do lar, SP)

"A agenda da ex primeira dama era principalmente formada de ajuda a pessoas com necessidades especiais e mulheres vítimas de estupro e violência doméstica. Que mulher não agradeceria por isso. A fala foi correta e o que mais era de se admirar é que ela não tendo passado por isso se empenhava em ajudar essa população esquecida por todos. Infelizmente estamos em um país onde a fala virou bíblia e tem várias interpretações onde um quer transformar em ódio e outro em amor. Pelo menos ela se preocupava com pessoas que precisam e não com o lençol que ia dormir e nem pra onde ia viajar." (G2, 43 anos, comerciante, TO)

"Desculpa nunca fiz isso acho quem que tá fazendo esse mimimi ,deveria se preocupar com as contas da primeira dama atual pelo que foi comentado não será mostrado nem gastos ou o que ganhara nas viagens.Abre o olho Brasil." (G2, 50 anos, dona de casa , DF)

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Pergunta 102

Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) divulgadas nesta sexta-feira (2) identificaram pagamentos irregulares de quase R$ 2 bilhões nos auxílios pagos pelo governo Jair Bolsonaro a caminhoneiros e taxistas no segundo semestre de 2022.

Segundo a CGU, falhas na operacionalização desses pagamentos fizeram com que 356.773 pessoas recebessem as parcelas sem ter direito legal aos recursos, por não cumprirem os requisitos para recebimento. Entre os taxistas, por exemplo, 30,1 mil beneficiados não tinham registro de atividade remunerada na carteira de habilitação.

Quem vocês avaliam que deve ser responsabilizado por esses gastos?

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Agências de fiscalização e população

Ambos os grupos atribuíram a responsabilidade do ocorrido às agências de fiscalização e à própria população que recebeu indevidamente os benefícios.

Para os participantes, as falhas maiores ocorreram na distribuição, com os agentes fiscalizadores não checando corretamente as informações dos beneficiados.

As pessoas que se inscreveram indevidamente também foram responsabilizadas e avaliadas como corruptas. Pedidos para que houvesse a restituição dos valores foram feitos por muitos participantes.

"É extremamente vergonhoso ver a má fé da população inicialmente em querer tomar para si um direito que não lhe pertence. O que mais vemos em determinados municípios é pessoas que tem uma vida estabilizada querendo usufruir de direitos que seriam administrados a quem não tem condições financeiras. Reclamamos da corrupção, mas a prática de tal já está generalizada, não importa se é muito ou pouco, corrupção é corrupção. A responsabilidade seria sa população e dos órgãos fiscalizadores também." (G1, 35 anos, administradora, MT)

"Ao meu ver os responsáveis teriam que ser o órgão/setor de fiscalização disso, com certeza tem algum seto que faz isso, e se passou por ele e foi liberado, pois eles quem estão errados, de aprovar e de liberar." (G1, 35 anos, autônoma , MA)

"Infelizmente nesse país o anormal é não ter corrupção, as pessoas agem de má fé e se dão bem em tudo, por isso a decadência política é tão grande." (G1, 51 anos, pensionista, GO)

"Os responsáveis são aqueles deveriam checar as informações do benefiario antes de aprovar o benefício." (G2, 30 anos, pensionista, TO)

"Acho que deveria ser investigados, e as pessoas que receberam indevidamente devem ser exigido o estorno dos valores, acho que a falha de um sistema que identifique com clareza já é um indicativo de que todo o sistema foi falho, então deveriam ser responsabilizados quem liberou o pagamento e também quem recebeu para que devolva" (G2, 28 anos, autônoma, DF)

"Quem devia organizar os pagamentos errou. As pessoas que receberam sem merecer também têm culpa e deveriam devolver. É importante investigar e responsabilizar quem tomou as decisões erradas." (G2, 42 anos, administradora, GO)

"Assim como todos os demais participantes aqui também concordo que a culpa é de quem enviou o benefício, e o beneficiado estornar os valores recebidos, pra isso existe secretaria e funcionários para verificar a real situação. O sistema errou mas a aprovação foi responsabilidade deles. Cabe ao beneficiado devolver." (G2, 54 anos, nutricionista , AM)

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Perseguição

O grupo 01 (bolsonaristas convictos) viu na situação uma tentativa da esquerda de incriminar Bolsonaro, que, mais uma vez, estaria sendo perseguido. Para eles, o ex-presidente agiu com boa fé, para ajudar a todos, e não caberia a ele controlar quem seriam os beneficiados da medida.

"Isso não foi culpa do Presidente Bolsonaro isso é de responsabilidade da fiscalização isso não trabalho dele e sim dos órgãos responsável" (G1, 48 anos, do lar, SP)

"Acho que a esquerda quer com isso incriminar o presidente Bolsonaro, eles ainda não acharam um motivo que dê margem para isso, mas se tem que achar um culpado acho que seria a fiscalização." (G1, 55 anos, gerente de serviços elétricos , RJ)

"Se tem culpado foi a pessoa que pediu o benefício sem ter o direito e a fiscalização. Bolsonaro fez o que precisava fazer para ajudar o povo." (G1, 47 anos, secretária, MG)

"O governo Bolsonaro, ao contrário do desgoverno do amor , priorizou a ajuda à população mais necessitada durante a pandemia , procurando agilizar e desburocratizar o sistema sempre pensando no povo. Errou quem pegou sem merecer. E cabe ressaltar que a atitude deles é vergonhosa devido ao fato de terem tirado a oportunidade do benefício ter ido para quem realmente necessitava. Mas Bolsonaro não tem como ter culpa disso" (G1, 57 anos, representante comercial, RS)

"E de novo, mas uma vez a esquerda querendo criar acusações para nosso ex presidente. Eu ficaria espantada se Bolsonaro ficasse com o dinheiro, mas se ele usou para beneficiar o povo que paga impostos, a polêmica é porque foi para ajudar motoristas em tempos de crise, não vejo nenhum problema. E outra coisa, Era o Bolsonaro que checava os dados? Ele não pode ser responsabilizado porque ele autorizou os pagamentos agora quem confere e quem assegura de que os valores seriam pagos as pessoas certas deveriam ser os órgãos verificadores, que são pagos por isso, inclusive com nossos impostos. Os esquerdistas são uma comédia." (G1, 39 anos, dona de salão de beleza, BA)

"Continuam querendo achar alguma coisa errada de qualquer forma! E só encontram coisas boas e certas! Esta narrativa mais uma vez é uma calunia. Quando se está em Estado de calamidade, você socorre à todos, não dá para ficar cassando pelo em ovo, numa situação de urgência. Simples, quem recebeu indevidamente que devolva o dinheiro, agora ficar procurando uma desculpa para se vingar dos caminhoneiros que apoiaram o melhor presidente que esse país já teve, isso que é vergonhoso." (G1, 39 anos, cabeleireira, PE)

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Pergunta 103

Em 2015, Carlos Bolsonaro fez um Tweet criticando a proximidade de Lula com pessoas envolvidas em crimes.

Esse ano, dois grandes apoiadores de seu pai e seus amigos foram acusados de crimes: o ex-marido de Ana Hickmann, acusado de agredí-la fisicamente, e, ontem, Renato Cariani, influencer do mundo fitness, foi alvo de operação da Polícia Federal contra tráfico de drogas. Renato inclusive participou de uma live com o ex-presidente.

Como vocês avaliam essas proximidades?

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Meros conhecidos x Integrantes do Governo

Em ambos os grupos, os participantes pontuaram as diferenças entre as amizades de Lula e de Bolsonaro.

Para eles, Lula seria próximo de pessoas comprovadamente associadas à criminalidade, a pessoas envolvidas em corrupção e demais crimes e, como agravante, muitos desses compunham o atual governo.

Já Bolsonaro teria apenas recebido o apoio dos dois citados e, ainda mais, eles seriam totalmente inocentes.

"Uma coisa é ser comparsa de quem já é criminoso como é o caso do Lula, outra coisa é ser aliado e estar próximo de pessoas que porventura se tornam criminosos. Ninguém nasce com uma estrela na testa mostrando o que é ou não. Ninguém é culpado até que se prove o contrário. Agora essa PTzada tem é muito crime escancarado, nem da pra comparar as situações." (G1, 35 anos, administradora, MT)

"Lula é amigo de criminosos, bandidos e terroristas. O que tem haver Bolsonaro ter amizade com o ex marido da Ana e com o Renato, pelo que sei Renato é uma pessoa honesta. Acredito que estão perseguindo o Renato justamente por ele ter entrevistado o Bolsonaro em um podcast. Af essa esquerda é de dar nojo."" (G1, 47 anos, secretária, MG)

"Vcs sabem que é o líder do governo no congresso ? Simplesmente o homem do dinheiro na cueca. Isso ninguém questiona, isso é ser próximo de bandido." (G1, 57 anos, analista de TI, MA)

"Eu nunca vi uma pessoa mentir tanto como Lula. Um bandido que roubou bilhões e que apoia todo tipo de safadeza. Ele acha que as pessoas têm memória fraca, porque não é possível tanta mentirada!!! Já contra Bolsonaro o que se vê são acusações. Nada comprovado. Eu acredito na inocência do ex presidente Bolsonaro. Bolsonaro não é e nunca foi caçado pelo que ele fez, mas por quem ele é." (G1, 39 anos, dona de salão de beleza, BA)

"O que estamos vendo é uma perseguição insana contra um dos melhores presidenciaveis do Brasil. Não vejo problemas em simpatizantes se envolverem em problemas particulares cada um cada um responde pelo seu caráter"" (G1, 47 anos, administrador, GO)

"São crimes que não tem nada haver com corrupção política, agora o que Carlos citou eu acho que foi referente aos desvios que Lula fez e tudo era dos amigos. Quanto aos amigos ao nosso redor é como uma caixinha de surpresa, Ana Hickmann mesmo, levou 25 anos pra descobrir que o marido não é uma boa pessoa para conviver." (G2, 42 anos, professora, PR)

"São homens públicos e tanto Lula quanto Bolsonaro estão vulneráveis às pessoas fichas sujas aproximarem deles (live, campanhas, caminhadas reuniões etc). O que vale melhor observação é o vínculo que esses fichas sujas tem com os presidentes numa intimidade maior, como acesso aos ministérios com indicações outros políticos. Tratar esses sujos como autoridades e honra." (G2, 53 anos, administrador, ES)

"Nada conclusivo em questão ao Renato cariani, agora em questão de falar aos apoiadores do Bolsonaro, são apenas apoiadores, do lula são pessoas próximas como a matéria mesmo fala, ai está uma grande diferença" (G2, 24 anos, eletrotécnico , GO)

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A percepção dos evangélicos

Os participantes evangélicos não se diferenciaram significativamente dos demais.

Nos três temas da semana a família Bolsonaro foi defendida por todos, avaliados como pessoas integras, corretas, tementes a Deus e honestas. Já Lula foi bastante atacado, acusado de ser realmente aliado de bandidos.

"Eu concordo com ela e também agradeço a Deus por ter filhos saudáveis. pois imagino o quanto deve ser difícil ver um filho nessas situações! Somos realmente abençoadas, mas cada um tem sua luta que deve ser travada com sabedoria e discernimento!" (G1, 35 anos, administradora, MT)

"A Michele Bolsonaro foi a única primeira Dama a trabalhar em diversos programas sociais, principalmente apoiando os surdos e mudos ela deu voz a eles é uma mulher íntegra, honesta e ama o Brasil. Que Deus abençoe a nossa primeira Dama." (G1, 47 anos, secretária, MG)

"O vídeo tem apenas 9 segundos e não tem como forma uma opinião sem saber o contexto todo dessa fala. Mas acredito que ela não estava desdenhando das pessoas que sofreram ou sofrem esses problemas citados por ela." (G2, 30 anos, pensionista, TO)

"Isso não foi culpa do Presidente Bolsonaro isso é de responsabilidade da fiscalização isso não trabalho dele e sim dos órgãos responsável" (G1, 48 anos, do lar, SP)

"Se tem culpado foi a pessoa que pediu o benefício sem ter o direito e a fiscalização. Bolsonaro fez o que precisava fazer para ajudar o povo." (G1, 47 anos, secretária, MG)

"A responsabilidade serio sos responsaveis por averiguar na epoca o presidente apenas criou este beneficios para ajudar na pandemia" (G2, 54 anos, do lar, PR)

"Se você sabe que está recebendo um benefício sem ter direito você também está sendo desleal , não é culpa de quem quis ajudar." (G2, 39 anos, administradora, BA)

"Verdade está na hora de mostrarem os erros do lula e esquecerem um pouco o nosso Presidente Bolsonaro." (G1, 47 anos, secretária, MG)

"Um político ,não pode fazer um filtro excessivo em sua campanha e contatos de uma forma geral, até sob o risco de ser taxado de elitista! E nesses casos específicos a assessoria e o próprio presidente Bolsonaro não sabiam dos ilícitos destas pessoas naquele momento… , ou resumindo, todos são inocentes até prova em contrário! Diferente do carniça e seus asseclas que tem abertamente contatos nas organizações criminosas como PCC E CV, e ainda pior, defendem os meliantes e juntamente com o STF facilitam a impunidade de criminosos perigosíssimos! A diferença entre Bolsonaro e Lula é simplesmente abissal." (G1, 57 anos, representante comercial, RS)

"Nada conclusivo em questão ao Renato cariani, agora em questão de falar aos apoiadores do Bolsonaro, são apenas apoiadores, do lula são pessoas próximas como a matéria mesmo fala, ai está uma grande diferença" (G2, 24 anos, eletrotécnico , GO)

"Esquerda sempre buscando motivo de incriminar alguém que nem está mais no poder ... vai entender" (G2, 32 anos, vendedor, MA)

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Considerações finais

A semana foi de bastante rispidez por parte dos participantes, que viram as sucessivas acusações à família Bolsonaro como perseguição.

O vídeo enviado de Michele não causou nenhum estranhamento entre os participantes, que a defenderam de modo unânime. Em contrapartida, Janja, que nem era citada no vídeo, foi acusada de ostentar com o dinheiro público. Alguns apresentaram informações bastante recentes acerca dos gastos públicos de viagens do presidente para apoiar suas falas.

As frases polêmicas ditas por Michele foram vistas como normais e as potenciais reclamações avaliadas como perseguição e mimimi da esquerda, demonstrando que posturas “não polidas” seguem sendo interpretadas como sinais de honestidade e autenticidade.

Bolsonaro seguiu imune a acusações, tanto da proximidade com pessoas envolvidas em crimes quanto de atos enquanto presidente. A imagem do mesmo segue sem ser manchada por sucessivos erros de sua gestão, mesmo quando há farta evidência que esses erros ocorreram, como se ele não fosse responsável pelos atos do poder executivo sob seu controle. Os pagamentos indevidos dos benefícios foram criticados, mas atribuídos à má fé dos beneficiados ou à má gestão dos responsáveis por fiscalizar, seja lá quem forem.

Mais uma vez, o apontamento de muitos erros de Bolsonaro causou estresse no grupo, que reage esposando a teoria de perseguição continua movida pela esquerda e contra-ataca acusando Lula.

Mais uma vez o grupo de moderados se comportou de maneira muito similar ao de radicais. Seria isso sinal de um estreitamento entre a distância que havia entre os grupos? Estariam os moderados se aproximando, progressivamente, de posições mais radicais? Estaria o efeito teflon que blinda a imagem de Bolsonaro se fortalecendo? Essas são questões que serão exploradas futuramente pelo projeto MED.

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Distribuição da participação

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MDP

O Monitor do Debate Público é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), localizado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da UERJ, baseado na metodologia do Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), desenvolvida por nossa equipe.

O POMT é uma metodologia inovadora que nos permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens no que toca temas da agenda pública, preferências, valores, recepção de notícias etc. Ela opera por meio de grupos focais de operação contínua no WhatsApp, com participantes selecionados e um moderador profissional.

Assim como na metodologia tradicional de grupos focais, os grupos contínuos no WhatsApp do POMT permitem que o moderador estimule o aprofundamento de temas sensíveis e difíceis de serem explorados por meio de pesquisas quantitativas ou mesmo pela aplicação de questionários estruturados.

O caráter assíncrono dos grupos do POMT, possibilitado pela dinâmica da comunicação no WhatsApp, permite respostas mais refletidas por parte dos participantes, o que é adequado tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, dado que o voto é também uma decisão que muitas vezes demanda reflexão.

Por sua natureza temporal contínua, os grupos focais do POMT são propícios para criar situações deliberativas, nas quais as pessoas se sentem compelidas a elaborar suas razões a partir das razões dadas por outros participantes do grupo.

O telefone celular é hoje o meio mais democrático e acessível de comunicação. Assim, a participação nos grupos do POMT não requer o uso de computador ou mesmo que os participantes interrompam suas atividades para interagirem entre si.

O MDP é um projeto que utiliza a metodologia do POMT para analisar, com periodicidade semanal, o debate público brasileiro, segmentado em cinco grupos de diferentes orientações ideológicas, que cobrem da extrema-direita à esquerda. Tal divisão se justifica por serem esses grupos os de maior relevância demográfica na atualidade.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições 2018. Foi consultora da UNESCO, coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em diversas campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Realiza consultoria para desenho de pesquisa qualitativa, moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela UNICAMP e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York, Graduate Center. Foi professor do antigo IUPERJ de 2003 a 2010. É, desde 2010, professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ). Coordenador do LEMEP, do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista Social e doutoranda em Sociologia pelo IESP-UERJ e mestre em Sociologia pela UFPR, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Possui formação em UX Research e cursos de gestão e monitoramento de redes sociais e estratégias eleitorais, mídias digitais e gerenciamento de redes. Possui experiência em pesquisas de mercado e campanhas políticas. Realiza moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte, manutenção de servidores web e possui especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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