


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Desistência de voto | Predominou a rejeição automática a candidatos da esquerda, especialmente do PT, associada a uma forte identificação ideológica. Também apareceram exigências de honestidade, combate à corrupção e alinhamento com valores. | A principal razão para abandonar um candidato foi a percepção de corrupção, desonestidade ou incoerência. Houve repúdio a propostas vagas e rejeição a candidatos que apenas promovam ataques aos adversários. | O grupo priorizou critérios ligados à ética, coerência e comportamento dos candidatos, rejeitando escândalos, corrupção e abuso de poder. Também demonstrou desconfiança em relação a promessas vazias e campanhas baseadas em ataques. | A rejeição esteve associada tanto à corrupção quanto a posturas consideradas preconceituosas, autoritárias ou contrárias aos direitos humanos. Houve forte valorização da defesa das minorias e de propostas concretas para a população. | Predominou uma postura pragmática, marcada pela disposição de trocar de candidato caso surgisse uma alternativa melhor. Corrupção, crimes e alianças consideradas inadequadas também apareceram como fatores de rejeição. | A principal preocupação esteve na defesa das minorias, dos direitos sociais e da soberania nacional. Também houve rejeição a candidatos envolvidos em escândalos ou que adotassem condutas incompatíveis com a responsabilidade do cargo. | A religião não apareceu como critério explícito para abandonar uma candidatura presidencial. |
| Pesquisas Eleitorais | Predominou uma forte desconfiança em relação às pesquisas, frequentemente percebidas como manipuladas ou utilizadas para influenciar eleitores. A confiança apareceu de forma condicionada a alguns institutos. | Houve rejeição quase generalizada das pesquisas de opinião, vistas como tendenciosas, manipuladas ou financiadas para favorecer determinados candidatos. A percepção de influência sobre o eleitorado foi recorrente. | Predominou a aceitação das pesquisas como instrumentos legítimos de medição da opinião pública, acompanhada de ressalvas sobre metodologia, representatividade da amostra e possíveis impactos sobre o comportamento eleitoral. | O grupo apresentou opiniões divididas, mas prevaleceu uma visão de confiança cautelosa. As pesquisas foram geralmente entendidas como retratos momentâneos da realidade, úteis para identificar tendências, mas sujeitas a limitações e erros. | Predominou uma postura de confiança seletiva, baseada na reputação dos institutos e na análise da metodologia. As pesquisas foram consideradas úteis, embora sujeitas a falhas e passíveis de interpretação crítica. | Predominou uma avaliação favorável das pesquisas de opinião, especialmente quando realizadas por institutos reconhecidos e divulgadas por veículos tradicionais. As ressalvas apareceram de forma secundária diante da confiança geral nos levantamentos. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Atuação do TSE | Predominou a defesa da suspensão da pesquisa, baseada na forte desconfiança em relação aos institutos e na percepção de que pesquisas são frequentemente manipuladas para influenciar o eleitorado. | Parte dos participantes considerou que a medida foi correta diante da possibilidade de vieses ou irregularidades metodológicas, enquanto outros defenderam que pesquisas não deveriam ser barradas, mas sim submetidas a critérios rigorosos de transparência e fiscalização. | A maioria dos participantes defendeu que pesquisas eleitorais deveriam ser divulgadas, sendo barradas apenas em situações excepcionais, como casos comprovados de fraude, erro metodológico ou irregularidades claramente demonstradas. | A maioria considerou que pesquisas não deveriam ser barradas, salvo em casos de irregularidades comprovadas, enfatizando o direito à informação e a liberdade de escolha dos eleitores. Surgiu também preocupação pontual com o potencial das pesquisas de ampliar conflitos e polarização. | Houve consenso de que a pesquisa deveria ter sido divulgada, mesmo diante de questionamentos metodológicos, cabendo às autoridades investigar eventuais problemas sem restringir o acesso público aos dados. A defesa da transparência foi central. | Predominou a avaliação de que a suspensão foi inadequada e motivada por interesses políticos, reforçando a defesa da ampla divulgação das pesquisas eleitorais. O grupo associou a medida à falta de transparência e ao favorecimento de determinados atores políticos. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |


Entre a maioria dos participantes, este foi o eixo de maior convergência. Independentemente do posicionamento ideológico ou da intenção de voto, os participantes demonstraram considerar a integridade moral como um requisito básico para o exercício da Presidência da República. Envolvimento em corrupção, desvio de recursos públicos, crimes, mentiras, abuso de poder ou outras formas de conduta consideradas antiéticas apareceram de maneira recorrente como fatores capazes de provocar abandono imediato do apoio a um candidato. Em muitos casos, essas questões foram mencionadas antes mesmo de divergências programáticas ou ideológicas, sugerindo que a honestidade constitui um critério fundamental para a avaliação eleitoral.
Também chamou atenção o fato de que a preocupação com a integridade não se limitou ao histórico pessoal dos candidatos, mas se estendeu às alianças políticas, à coerência entre discurso e prática e à forma como conduzem suas campanhas. Os participantes demonstraram forte rejeição a promessas consideradas enganosas, à disseminação de desinformação e a comportamentos percebidos como incompatíveis com a responsabilidade do cargo. De maneira geral, emergiu a expectativa de que o presidente seja não apenas capaz de governar, mas também um exemplo de honestidade, transparência e compromisso com o interesse público.
"Bom dia..Corrupção, falta de honestidade e promessas que claramente não pretende cumprir." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"O que me faria desistir de votar em um candidato seria um escândalo de corrupção que envolvesse devio de verbas publicas ou rombo nos cofres publicos em beneficio particular." (BM, 72 anos, pensionista, RJ)
"Escândalos, corrupção, nepotismo, omissão, abuso de poder, desvio de caráter, quebra de decoro, incoerência, formações de alianças duvidosas, campanha com desinformação, discurso extremista ou discurso de ódio..." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"O que me faria desistir de votar em um candidato seria se seu discurso e conduta não correspondesse mais ao que eu acredito, aí incluo também envolvimentos em escândalos e casos de corrupção." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"corrupção, atos ilícitos, associação ao crime organizado" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
"O histórico do candidato se ele já foi envolvido com corrupção e crimes, e os aliados dele durante a campanha, pois se o candidato é ficha limpa mas se envolve com aliados corruptos, não vai conseguir fazer um trabalho sem atos ilícitos." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Bom dia,mal conduta,ficha suja,ser contra o povo,Na verdade a gente espera só coisas boas. Mais hoje em dia,a conduta desse políticos tá tão difícil." (IP, 28 anos, vendedora, AL)
"De uma maneira geral, independentemente da minha intenção de voto, eu desistiria de votar em um candidato caso ele demonstrasse publicamente ou de forma disfarçada discursos de ódio, preconceito ou incentivo à violência. Também consideraria um problema, mentiras ou falas contraditórias sobre temas importantes. Além disso, provas de corrupção, envolvimento em crimes ou atitudes contrárias aos direitos humanos, ações e falas machistas, seriam motivos suficientes para eu deixar de apoiá-lo." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"O que me faria desistir de votar em candidato com certeza seria ele se envolver em escândalos, polêmicas, não se comportar a altura de um cargo tão importante." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)
"Eu desistiria imediatamente de votar no meu candidato caso descobrisse que ele entregaria a soberania, a economia e a cultura para outro País e se ele fizesse uma injustiça contra as minorias e o povo pobre e se meu candidato morrer." (LL, 61 anos, administrador, PR)

Entre os bolsonaristas convictos e parte dos bolsonaristas moderados, a rejeição a determinados candidatos esteve fortemente associada à identidade política e ideológica. Mais do que características individuais, propostas específicas ou mesmo episódios concretos de gestão, o pertencimento a determinados campos políticos apareceu como um fator suficiente para inviabilizar o voto. Em especial, candidatos vinculados à esquerda e ao PT foram frequentemente percebidos como incompatíveis com valores considerados fundamentais pelos participantes, funcionando como uma barreira eleitoral prévia à análise de outros atributos.
Essa dinâmica revelou a força dos alinhamentos identitários na estruturação das preferências políticas desses grupos. Embora temas como corrupção, honestidade e capacidade administrativa também tenham sido mencionados, em diversos momentos eles apareceram articulados a uma visão mais ampla de rejeição a determinados projetos políticos. Assim, a avaliação eleitoral não se restringiu à atuação dos candidatos, mas esteve ancorada em percepções sobre os valores, ideias e visões de sociedade que eles representariam.
"Se o candidato for da esquerda, em especial do PT, não tem meu voto." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Bom, eu nunca votaria em qualquer canditado que fosse do partido do PT ou aliado a ele, falo isso com muita convicção, porque não votar em políticos associados a este partido vai muito além de uma questão política, partidária ou ideológica! Não votar no PT é uma questão de segurança nacional, de ver o quanto a criminalidade aumenta a cada dia, os impostos, é taxas sobre taxas, além de uma corrupção velada que não cessa, so se descobre a cada dia mais fontes de roubos, de enxurradas de nosso dinheiro suado se perdendo nessa quadrilha." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Se o atual candidato em que eu vou votar, der uma loucura e mudar de lado, tipo, sair da direita e ir debandar para esquerda. Pq falo isso? Todos os politicos sao iguais. Concordo. mas tenho uma aversao a esquerda que nem suporto debater com um. Mas não é pq sou "extemista". é pq é dificil ter um dialogo com pessoas de esquerda, pois sao extremamentes intolerantes nas ideias, alem de serem oportunistas." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
"Se o atual candidato em que eu vou votar, der uma loucura e mudar de lado, tipo, sair da direita e ir debandar para esquerda. Pq falo isso? Todos os politicos sao iguais. Concordo. mas tenho uma aversao a esquerda que nem suporto debater com um. Mas não é pq sou "extemista". é pq é dificil ter um dialogo com pessoas de esquerda, pois sao extremamentes intolerantes nas ideias, alem de serem oportunistas. Agora HJ, as vesperas das eleiçoes, uma coisa é unanime e dou a mao a palmatoria.. NENHUM seja de esquerda ou direita, não estão trazendo propostas alguma para o pais e sim so metendo pau um no outro.. isso nao é debate. Eu quero propostas concretas, para os proximos 4 anos.educação, segurança, economia, crescimento do PIB, empregos... gostaria e muito que o meu candidato acabasse com estorinha de cotas, com assistencialismo.. o povo vive numa sociedade e tem que produzir! E nao alguns produzindo, se lascando e o outros usufruindo e tirando onda com sua cara...é acbar com mordomias, enxugar ministterios, a maquina estatal, reduzir impostos.. o que tem ja esta ate alem da conta... agora, isso se faria em 4 anos?? Jamais! é um processo que levará decadas, geraçoes e olhe la... mas algo tem que se fazer e a principio, é extirpar ess ecancer, chamado PT." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, a desistência do voto também esteve fortemente associada à percepção de que um candidato poderia representar ameaça a direitos, garantias sociais ou princípios democráticos considerados fundamentais. As respostas revelaram elevada sensibilidade a temas relacionados à proteção de minorias, ao combate à discriminação e à preservação de direitos sociais, indicando que a avaliação dos candidatos ultrapassava aspectos administrativos ou econômicos e incorporava julgamentos sobre valores e visões de sociedade. Candidatos percebidos como preconceituosos, intolerantes ou indiferentes às desigualdades sociais tendiam a ser prontamente rejeitados.
Também se destacou a preocupação com a defesa da democracia, da soberania nacional, da laicidade do Estado e da proteção de grupos considerados mais vulneráveis. Em ambos os grupos, a legitimidade de um candidato esteve associada à sua capacidade de representar valores como inclusão, respeito à diversidade, justiça social e igualdade de direitos.
"Boa noite! O que me faria desistir, é ver o histórico do candidato, como trata as minorias e como é o caráter dele. Se é uma pessoa em que nem a própria família não confia já perdeu ponto, tem falas utópicas ou com preconceito velado também não tem o meu voto." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"Um candidato que desrespeite as mulheres, que esteja envolvido em escândalos, que seja a favor de porte de armas, que seja homofóbico e visa beneficiar somente os grandes empresários e não prioriza as minorias, esse com certeza me faria desistir de votar nele." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"O que me faria desistir imediatamente de um candidato à presidência seria a falta de compromisso com a defesa das minorias, a intenção de extinguir benefícios essenciais que garantem a sobrevivência de milhares de famílias e a submissão a intervenções estrangeiras que ameacem a nossa soberania nacional." (LD, 28 anos, vendedora, PA)
"Que faria eu desistir de votar em um candidato,que quisesse impor uma religião pois somos um país laico,se tivesse proposta que fossem prejudicar os menos favorecidos e que permitisse outro país a interferir em nossa economia, cultura!!!!" (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)


Entre os bolsonaristas convictos e moderados predominou uma forte desconfiança em relação às pesquisas de opinião. Para muitos participantes, esses levantamentos deixaram de ser percebidos apenas como instrumentos de medição da opinião pública e passaram a ser vistos como mecanismos potencialmente sujeitos à manipulação por interesses políticos, econômicos ou eleitorais. A credibilidade dos institutos foi frequentemente questionada, e houve relatos de que os resultados divulgados nem sempre corresponderiam à percepção que os participantes possuem da realidade política, reforçando a sensação de que parte das pesquisas seria conduzida ou apresentada de forma enviesada.
Além da desconfiança quanto à confiabilidade dos resultados, apareceu de forma recorrente a preocupação com os efeitos que as pesquisas podem produzir sobre o comportamento dos eleitores. Os participantes argumentaram que a divulgação de levantamentos eleitorais pode influenciar principalmente os indecisos, estimulando o voto útil ou o apoio a candidatos percebidos como favoritos. Nesse sentido, as pesquisas foram frequentemente interpretadas não apenas como retratos da opinião pública, mas como instrumentos capazes de moldar preferências eleitorais e interferir no curso das disputas políticas.
"Eu penso em manipulação de opiniões publicas já que nosso voto é secreto, nem deveria existir essas pesquisas, mas existem pesquisas que não deturpam as informações, mais sim induz as pessoas a votar em um candidato específico vou dá um exemplo: o fulano de tal ta com mais votos ,então para que eu vou votar no outro candidato? Para ter que ir de novo votar no segundo turno é melhor seguir o povo . Isso se chama efeito manada obviamente pessoas pensam assim pra que vou votar em outro se ele vai ganhar só pra eu perder meu tempo ! Então as pessoas centradas que pensam no bem do país acabam sendo reprimidos pela grande massa de manobra por isso esse fato de manipular através de pesquisas esse é o principal artifício dessa conjuntura de grupo ,através disso eles conseguem influênciar o candidato ideal para eles e não para o povo , logo eu procuro não ser facilmente manipulado por esses artifícios . Procuro pesquisar sempre logico que somos humanos e a tendência é erramos e ta tudo bem o negócio é não se manter no erro e sempre evoluir." (BC, 39 anos, administrador, RJ)
"É difícil confiar totalmente nas pesquisas, pois algumas são totalmente compradas . Assim, podem ser e são manipuladas de acordo com o interesse do comprador. É preciso procurar várias pesquisas e formar sua própria opinião." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Já confiei bastante! Hoje não confio em quase nenhuma empresa de pesquisas! Penso que essas empresas são contratadas com o intuito de interferir e contaminar os eleitores indecisos. Não passa nenhuma credibilidade." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Bom dia,eu não acredito nessas pesquisas,são todas manipuladas.." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Ultimamente deixei de acreditar nas pesquisas. Estão sempre tendenciosas e utilizando de métodos pouco confiáveis e manipuladas." (BM, 41 anos, turismólogo, PE)
"Eu não acredito não. Acho que a maioria é bem manipulada; acho que os próprios canditados financiam essas pesquisas para passar mais credibilidade" (BM, 29 anos, advogada, SP)

Entre os indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes predominou uma posição intermediária entre a confiança e a rejeição das pesquisas de opinião. De modo geral, os participantes reconheceram que esses levantamentos desempenham um papel importante na compreensão do cenário político e das tendências eleitorais, mas demonstraram cautela quanto à forma como seus resultados devem ser interpretados. A credibilidade das pesquisas apareceu frequentemente associada à qualidade metodológica, à transparência dos critérios de amostragem, à divulgação da margem de erro e à reputação dos institutos responsáveis pela coleta e análise dos dados.
Ao mesmo tempo, houve amplo reconhecimento de que as pesquisas possuem limitações inerentes ao fato de retratarem apenas uma parcela da população e um momento específico da disputa eleitoral. Os participantes ressaltaram que intenções de voto podem mudar ao longo da campanha e que nenhum levantamento deve ser tratado como previsão definitiva do resultado das urnas. Também surgiram preocupações sobre o potencial das pesquisas de influenciar escolhas eleitorais, especialmente por meio do voto útil ou da concentração de preferências em candidatos percebidos como mais competitivos, embora essa preocupação não tenha levado, na maioria dos casos, à rejeição completa dos levantamentos.
"Acredito que essas pesquisas só devem ser tratadas como uma amostra das diferentes opiniões, acho que a maior parte é confiável, o datafolha me parece fazer um trabalho transparente. A questão é que nestas pesuias, a amostra é sempre uma pequena parcela da realidade total ." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Pesquisasa são partes de um todo e não refletem a opinião da maioria mas acaba que por ser uma amostra pode interferir na intenção do voto das pessoas ao saber do resultado na minha opinião. Acredito nas pesquisas mas não me deixo (ou pelo menos tento) influenciar pelos seus resultados já que tento ao menos fazer um dever de casa simples e analisar as propostas do candidato. Considero elas confiáveis e necessárias para expressar a opinião das pessoas" (IC, 29 anos, professor, RJ)
"Eu não confio 100% nas pesquisas, pois é uma estimativa, então é uma parcela da população que é interrogada, e a outra parcela da população, pode divergir da intenção de voto de quem entrou na estimativa." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Acredito que sejam muito confiáveis pois são órgãos sérios, alguns existem a mais de 30 anos e são reconhecidos em muitos países. Essa é a melhor forma de saber o que sociedade está achando de determinado político ou situação." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Olá, pessoal. De um modo geral acredito nas pesquisas, mas não confio em todas. Quando tenho tempo de olhar com mais cuidado tento observar a metodologia e as regiões pesquisadas. Quando não tenho tempo, procuro ouvir podcast jornalísticos que as analisam. Confio mais em institutos mais tradicionais, devido a experiência na área como Quest e Datafolha." (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Confio nos institutos de pesquisa com maior credibilidade : IBGE, Ipsos data folha , etc… mas mesmo assim são plausíveis de erros" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

Entre os lulistas predominou uma avaliação mais positiva das pesquisas de opinião do que nos demais grupos analisados. A maioria dos participantes demonstrou confiar nos levantamentos de forma geral, especialmente quando produzidos por institutos amplamente conhecidos e divulgados por veículos tradicionais de comunicação. Diferentemente do que ocorreu entre os grupos mais à direita, as pesquisas foram frequentemente percebidas como instrumentos legítimos para compreender tendências eleitorais e captar percepções da sociedade sobre candidatos, governos e temas públicos. A credibilidade apareceu fortemente associada à reputação das instituições responsáveis e ao reconhecimento público acumulado ao longo do tempo.
Embora tenham surgido algumas manifestações de desconfiança e questionamentos sobre possíveis tentativas de influência eleitoral, essas posições foram minoritárias diante da predominância de avaliações favoráveis. As ressalvas existentes concentraram-se mais na necessidade de verificar a origem dos dados e distinguir institutos considerados sérios daqueles vistos como menos confiáveis do que em uma rejeição ao instrumento em si. No conjunto, os lulistas demonstraram maior disposição para aceitar os resultados das pesquisas como indicadores válidos do cenário político, atribuindo menor peso às narrativas de manipulação que apareceram com mais intensidade entre os segmentos bolsonaristas.
"Depende bastante. Existem institutos confiáveis e outros não confiáveis. Acredito que é sempre bom visualizar como a pesquisa aconteceu antes de tudo, mas reconheço não costumo fazer isso quando se trata de grandes institutos como AtlasIntel e DataFolha por exemplo" (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"Acredito que são confiáveis de um modo geral. Acho que todas são confiáveis. As pesquisas feitas por grandes institutos divulgadas por TV e rádio trazem mais credibilidade como por exemplo o Ibope." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"Eu acredito que uma grande parte delas seja confiável sim. Não confio em todas, somente as que vem de fontes mais confiáveis na minha opinião, como as que costumam passar no Jornal Nacional. Acredito que por serem veiculadas de forma nacional, elas se tornam mais confiáveis." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)


Entre bolsonaristas convictos e parte dos bolsonaristas moderados predominou uma visão fortemente crítica em relação às pesquisas eleitorais e aos institutos responsáveis por sua realização. Os levantamentos foram frequentemente percebidos como instrumentos sujeitos à manipulação política, capazes de influenciar o comportamento dos eleitores e de favorecer determinados candidatos por meio da criação de percepções artificiais sobre quem estaria à frente na disputa. Nesse contexto, a decisão do TSE de suspender a divulgação da pesquisa foi amplamente interpretada como uma medida legítima de proteção contra possíveis distorções, vieses ou irregularidades metodológicas.
Mais do que questionamentos pontuais sobre uma pesquisa específica, as falas revelaram uma desconfiança estrutural em relação ao papel desempenhado por esses levantamentos no processo eleitoral. Em diversos momentos, as pesquisas foram associadas à tentativa de direcionar escolhas eleitorais, especialmente entre eleitores considerados menos informados. Embora alguns participantes tenham admitido a possibilidade de pesquisas confiáveis quando conduzidas de forma transparente e tecnicamente rigorosa, prevaleceu a percepção de que os mecanismos atuais carecem de credibilidade. Em sua forma mais intensa, essa crítica levou à defesa de restrições mais amplas ou mesmo da extinção das pesquisas eleitorais durante as campanhas.
"Bom como falamos anteriormente o TSE foi perfeito ,pois essas pesquisas são um meio de manipulação indeterminado de partidos ,como tinha frisado serve somente para fazer com que as pessoas principalmente as que não entendem de política direcionar o voto para tal candidato na minha concepção nem deveria existir." (BC, 39 anos, administrador, RJ)
"Esta certíssimo!!! Seja a pesquisa eleitoral que for, se agir com parcialidade, de forma tendenciosa e induzir a conclusões é falsa!" (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Acho que a suspensão foi correta, pois uma boa parte das pesquisas são pagas por determinados partidos e políticos. (...) Como são feitas e divulgadas hj, são apenas uma forma de propaganda eleitoral de alguns candidatos feita fora do período permitido." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Na minha singela opiniao, esse tipo de pesquisa eleitoral era para ser extinta, barrada, pois alem de ser tendenciosa, induz ao eleitor menos instruido a votar em candidatos que usam da maquina publica para tomar vantagens." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
"Acho que tem que ter embasamento para uma pesquisa ser cancelada; mas sou da mesma opinião da colega, também acho que essas pesquisas não tem muito credibilidade e deveriam ser extintas ou então melhor regulamentada." (BM, 29 anos, advogada, SP)

Entre indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes, lulistas e parte dos bolsonaristas moderados predominou a avaliação de que a suspensão da pesquisa foi inadequada e que levantamentos eleitorais não deveriam ser barrados sem justificativas robustas e irregularidades comprovadas. Ainda que alguns participantes tenham reconhecido a existência de pesquisas mal conduzidas ou potencialmente enviesadas, prevaleceu o entendimento de que a divulgação dos resultados deve ser preservada, cabendo às autoridades fiscalizar e investigar eventuais problemas sem impedir o acesso da população às informações. As pesquisas foram frequentemente percebidas como instrumentos legítimos para acompanhar tendências eleitorais, conhecer o humor da sociedade e ampliar o debate público.
Outro elemento recorrente foi a preocupação com os efeitos políticos da suspensão. Em diferentes grupos, a decisão foi associada à falta de transparência, à restrição do direito à informação e à possibilidade de interferência indevida no processo democrático. Alguns participantes manifestaram receio de que o bloqueio de pesquisas pudesse gerar desconfiança sobre a neutralidade das instituições ou favorecer determinados atores políticos. Mesmo entre aqueles que demonstraram cautela em relação à qualidade metodológica dos levantamentos, predominou a defesa de que eventuais questionamentos fossem enfrentados por meio de esclarecimentos, auditorias ou investigações, e não pela proibição de sua divulgação.
"Na minha opinião o TSE não fez certo ! Não eh justo com o eleitor não tinha que ter atendido esse pedido pesquisa eleitoral n deveria ser barrada !" (IC, 30 anos, autônoma, SP)
"Não achei certo! Porque esconder? O que teria de mais ? Não tem que barrar isso , querendo ou não as pesquisas ajudam em muita coisa!!!" (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)
"Na minha opinião nenhum tipo de pesquisa eleitoral deve ser barrada, pois essas pesquisas representam a opinião da sociedade referente aos candidatos, independente de quem seja ele." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Pra mim pesquisa só deveria ser barrada se tivesse algum problema sério na metodologia ou alguma irregularidade comprovada." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Penso que o TSE fez mal em atender o pedido de suspensão da pesquisa. Não deveria ser barrada." (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Não acho legal suspender, pq acredito q essas pesquisas devem circular e como existem várias de fontes diferentes, é importante ver várias opiniões." (LD, 29 anos, professora, RJ)
"Eu acho que não deveria ter barrado. Não tem sentido bloquear um pesquisa só porque mostra um resultado que desagradou quem quer que seja." (LL, 45 anos, professor, PB)
"Na minha opinião o TSE não poderia ter atendido a esse pedido (...) acredito que ela deveria ter sim ido ao ar para podermos acompanhar." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

De forma geral, predominou o relato de pouca participação direta em pesquisas de opinião. A maioria dos participantes afirmou nunca ter respondido levantamentos eleitorais, atribuindo essa ausência principalmente à falta de oportunidade, por nunca terem sido abordados por entrevistadores ou selecionados por institutos de pesquisa. Em diversos grupos apareceu a percepção de que esse tipo de pesquisa alcança apenas uma parcela restrita da população, o que, para alguns, alimentava dúvidas sobre sua capacidade de representar adequadamente o conjunto dos eleitores.
Ao mesmo tempo, entre aqueles que já haviam participado de pesquisas, as experiências foram descritas de maneira predominantemente neutra ou positiva. Poucos relataram problemas durante a participação, embora entre os grupos mais críticos às pesquisas tenham surgido questionamentos sobre a imparcialidade dos questionários e sobre possíveis tentativas de indução das respostas. No conjunto dos grupos, observou-se que as opiniões sobre a credibilidade das pesquisas estavam muito mais relacionadas à confiança nos institutos e nos métodos utilizados do que à experiência pessoal de participação, que geralmente foi limitada ou inexistente.
"Eu nunca respondi pesquisa de opinião porque nunca recebi, tem um pessoal que faz essas pesquisas nas ruas, essas eu não paro para responder mesmo, geralmente devido a correria do dia a dia e não dá tempo." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)
"Eu nunca respondi uma pesquisa de opinião, simplesmente porque nunca fui consultado." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Nunca participei de pesquisa de opinião, talvez por não ter sido encontrada ou chamada por algum desses institutos." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Eu nunca respondi pesquisa de opinião. Acho q é mais pq nunca fui abordado por instituto nenhum msm, pelo menos não que eu lembre." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Eu já respondi sim a pesquisas de opinião tanto presencial como por telefone." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Já respondi pesquisa de opinião sim creio que gera desconfiança toda essa ocultação." (LD, 27 anos, entregadora, RS)
"Nunca respondi nenhuma pesquisa, porque nunca fui entrevistada!" (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)
"Nunca respondi a uma pesquisa de opinião, não tive a oportunidade." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)
"Ja respondi pesquisa de opnião, acho interessante dizer que as pesquisas que respondi não tinha certo ou errado, divisão de partido e etc... sempre foram objetivas." (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Eu nunca respondi à nenhuma pesquisa eleitoral nem conheço alguém que já foi entrevistado para isso." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Eu já fui entrevistado duas vezes , mas foi pesquisa para eleições municipais." (BM, 41 anos, turismólogo, PE)
"Eu ja participei de pesquisas de intenção de votos em campanhas anteriores." (BM, 72 anos, pensionista, RJ)

Os resultados da primeira questão sugerem que a rejeição a um candidato está majoritariamente associada à percepção de que ele ultrapassaria determinados limites morais, políticos ou ideológicos considerados inaceitáveis pelos participantes. Embora os critérios variassem entre os grupos, a corrupção, o envolvimento em crimes, a desonestidade, o abuso de poder, as mentiras e os escândalos constituíram o principal ponto de convergência da discussão. Independentemente da posição política, esses elementos apareceram como razões suficientes para provocar abandono imediato do apoio eleitoral. Ao mesmo tempo, as respostas revelaram diferenças importantes na forma como cada segmento definiu seus próprios limites de rejeição. Entre os bolsonaristas convictos e parte dos moderados, a vinculação à esquerda, especialmente ao PT, surgiu como um fator de exclusão prévia para determinados candidatos. Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e os lulistas, ganharam destaque a rejeição relacionada a discursos preconceituosos, ameaças a minorias, direitos sociais e valores democráticos. Já os indecisos conservadores demonstraram critérios mais centrados na coerência, na credibilidade e na trajetória dos candidatos, indicando menor presença de barreiras identitárias e maior disposição para reavaliar suas escolhas diante das circunstâncias.
A discussão sobre pesquisas eleitorais revelou que os instrumentos de mensuração de opinião continuam sendo amplamente reconhecidos como parte relevante do debate público, mas despertam níveis muito distintos de confiança entre os diferentes segmentos analisados. A principal clivagem observada não está relacionada à utilidade das pesquisas em si, mas à credibilidade atribuída aos institutos responsáveis por sua realização e à percepção sobre os efeitos que esses levantamentos exercem sobre o comportamento eleitoral. Enquanto os bolsonaristas convictos e parte dos moderados manifestaram forte desconfiança, frequentemente associando as pesquisas à manipulação política e à tentativa de influenciar eleitores, os grupos intermediários adotaram posições mais equilibradas, reconhecendo sua utilidade, mas ressaltando limitações metodológicas e a necessidade de análise crítica. Entre lulodescontentes e lulistas predominou uma visão mais favorável, marcada pela defesa da divulgação dos levantamentos e pela percepção de que eles constituem instrumentos legítimos para acompanhar tendências da opinião pública. Apesar dessas diferenças, emergiu um ponto de convergência importante: a percepção de que as pesquisas possuem potencial para influenciar o processo eleitoral, seja por meio do voto útil, da formação de expectativas sobre os resultados ou da consolidação de candidaturas consideradas mais competitivas. Chama atenção o fato de que essa preocupação apareceu tanto entre participantes que rejeitam as pesquisas quanto entre aqueles que as consideram confiáveis. Isso sugere que o principal debate não se limita à precisão dos levantamentos, mas envolve o papel que eles desempenham na dinâmica eleitoral. Para muitos participantes, as pesquisas não atuam apenas como instrumentos de observação da realidade política, mas também como elementos que podem interferir nela, influenciando percepções, estratégias e escolhas dos eleitores ao longo da campanha.
Por fim, os participantes raramente citaram institutos para criticar especificamente. Mesmo entre os grupos mais desconfiados, as críticas foram dirigidas às "pesquisas" de forma genérica. Os poucos que citaram, utilizaram como exemplos de credibilidade o Datafolha, Ibope e Quaest.
Quando questionados especificamente sobre a suspensão de uma pesquisa pelo TSE, a credibilidade dos levantamentos mostrou-se fortemente condicionada à confiança depositada nas instituições responsáveis por sua produção e fiscalização. Embora tenha havido divergências importantes sobre a decisão, a maioria dos participantes defendeu que pesquisas eleitorais devem ser divulgadas e que eventuais irregularidades precisam ser investigadas sem impedir o acesso da população às informações. A principal exceção foi observada entre os bolsonaristas convictos e parte dos moderados, que demonstraram uma desconfiança mais estrutural em relação aos institutos de pesquisa e manifestaram maior disposição para apoiar medidas restritivas à sua divulgação. Já entre os grupos intermediários e os segmentos mais próximos da esquerda, prevaleceu a ideia de que eventuais falhas metodológicas não justificam a interrupção da circulação de informações, cabendo aos cidadãos, à imprensa e às instituições fiscalizadoras avaliar criticamente os resultados apresentados. Nesse sentido, a discussão revelou que a confiança nas pesquisas está profundamente conectada à confiança mais ampla nas instituições que organizam e regulam o processo democrático.
Observamos também que muitos participantes relataram nunca ter respondido a pesquisas de opinião, situação que apareceu de forma transversal entre diferentes grupos. Embora isso não seja surpreendente, diante do tamanho da população brasileira e das amostras relativamente reduzidas utilizadas pelos institutos, a ausência de experiência direta foi frequentemente mobilizada pelos participantes para colocar em suspeição a representatividade dos levantamentos. Curiosamente, esse argumento apareceu tanto entre aqueles que rejeitavam as pesquisas quanto entre aqueles que as defendiam, sugerindo que a discussão sobre credibilidade não está centrada apenas em aspectos técnicos, mas também em percepções sobre quem é ouvido, quem permanece invisível e até que ponto os resultados divulgados refletem a realidade vivida pelos cidadãos.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

