


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Uso de Desinformação | Relativizaram o uso de imagens antigas e defenderam que o essencial era a denúncia sobre fome e crise econômica. Predominou a ideia de perseguição política, por parte da esquerda. | Majoritariamente consideraram as imagens apenas ilustrativas e validaram a crítica social do vídeo. Uma minoria apontou incoerência no uso das imagens. | Condenaram o uso de imagens falsas como manipulação eleitoral e sinal de má-fé. Também expressaram cansaço com políticos que exploram problemas reais sem apresentar soluções. | Reconheceram que alguns temas citados eram relevantes, mas rejeitaram Flávio, por falta de credibilidade. Viram o uso de imagens falsas como prática que amplia a desinformação. | Criticaram a incoerência e o oportunismo do ataque ao governo com imagens antigas. Defenderam que a política deveria oferecer soluções concretas, não apenas acusações. | Rejeitaram fortemente o vídeo e associaram o episódio a um padrão de fake news da família Bolsonaro. Contestaram a narrativa econômica negativa. | Os participantes articularam suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Banco BRB | Predominou a ideia de que o caso faria parte de um esquema amplo de corrupção ligado ao governo Lula e a outras autoridades. O episódio foi interpretado como confirmação de crenças prévias. | Entenderam que a responsabilidade principal seria do Governo do DF, mas que o caso poderia respingar politicamente no governo federal pela repercussão nacional. Também apareceu ceticismo sobre punições efetivas. | Defenderam que o caso é majoritariamente local, mas reconheceram que pode ser explorado eleitoralmente contra Lula, sobretudo pelo uso de desinformação. | Predominou a posição de que só haveria impacto sobre Lula se surgirem provas concretas de ligação federal. Valorizaram cautela, investigação séria e rejeição a julgamentos precipitados. | Dividiram-se entre ver o caso como problema do Governo do DF e enxergá-lo como reflexo de corrupção sistêmica que atravessa diferentes governos. Mantiveram tom crítico à política em geral. | Sustentaram que o impacto direto recai sobre o DF e não sobre o governo federal. Alertaram que o caso pode ser usado por adversários para espalhar desinformação e desgastar Lula. | Os participantes articularam suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Subsídio dos Combustíveis | Reconheceram um possível alívio imediato no preço dos combustíveis, porém prevaleceu forte desconfiança de que a conta seria paga depois por meio de impostos, déficit fiscal ou medidas eleitoreiras. | Apoiaram a redução de preços no curto prazo, mas demonstraram ceticismo sobre efeitos reais, duração da medida e risco de custos futuros para a população. | Consideraram a iniciativa relevante para aliviar despesas imediatas, porém enxergaram forte componente eleitoral e dúvidas sobre sustentabilidade financeira e continuidade após a eleição. | Aprovaram a tentativa de proteger o bolso do consumidor em momento de carestia, embora tenham visto a proposta como paliativa e insuficiente para resolver causas estruturais. | Receberam a medida de forma moderadamente positiva, condicionando apoio à comprovação prática de que a redução chegaria ao consumidor e teria impacto real nos preços. | Apoiaram claramente a proposta como forma de conter inflação e ajudar a população, cobrando apenas garantias de repasse ao consumidor e soluções estruturais no setor energético. | Os participantes articularam suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |


Entre bolsonaristas convictos e a maior parte dos bolsonaristas moderados, predominou uma leitura convergente de que a controvérsia envolvendo as imagens utilizadas no vídeo teve peso reduzido diante da mensagem central apresentada. Esses segmentos tenderam a interpretar o material visual como recurso ilustrativo, sem considerar que isso invalidaria a crítica sobre fome, inadimplência e dificuldades econômicas. Em ambos os grupos, houve baixa sensibilidade ao debate sobre precisão factual. O entendimento predominante foi de que, ainda que a forma pudesse ser questionada, os problemas retratados continuariam presentes no cotidiano da população.
Também se observou forte disposição para deslocar o foco da crítica ao senador para a responsabilização do governo atual pela situação econômica e social do país. As respostas sugeriram que a denúncia feita no vídeo foi vista como legítima por expressar insatisfações já existentes nesses segmentos, especialmente em relação ao custo de vida, desemprego, juros e perda de poder de compra. Entre os convictos, essa defesa apareceu de forma mais rígida e identitária; entre os moderados, de modo um pouco mais pragmático, embora ainda majoritariamente favorável.
"Oque importa na verdade é que a fome continua sendo um problema que o atual governo não resolveu. O Flávio usou aquelas imagens para ilustrar uma realidade que ainda existe no Brasil. A galera de esquerda gosta de focar no detalhe do vídeo só para fugir do debate principal, que é a falta de comida no prato do povo" (BC, 24 anos, enfermeira, GO)
"Independente do vídeo que foi utilizado para dar contexto, a mensagem que ele passou que importa, trata-se de um assunto de extrema importância, altas arrecadações e gastos maiores ainda, desemprego, dívidas, isso que realmente está sendo o problema do Brasil nessa gestão. A mensagem está bem clara e referente ao que vem acontecendo no país, deve ser levada a sério, precisamos de mudanças, infelizmente muitos não percebem o que está acontecendo e se contentam com benefícios e discursos do atual governo." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)
"A imagem pode até não ser atual, mas cumpre um papel ilustrativo. O ponto principal é a fome que infelizmente continua existindo no Brasil. Acho que as pessoas precisam interpretar o contexto." (BM, 29 anos, advogada, SP)
"Acho que o vídeo só foi utilizado pra mostrar atual situação do Brasil e ilustrar a fala do candidato. Independente do ano, o que importa (infelizmente) é que o vídeo é real""" (BM, 41 anos, turismólogo, PE)
"Sobre o vídeo ser antigo ou não, no meu ponto de vista o fator predominante aí é o cenário que é o mesmo a fome é forte em diversos lugares, e infelizmente isso está longe de acabar" (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

Entre indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes, predominou uma convergência clara em torno da reprovação ao uso de imagens falsas, antigas ou descontextualizadas como instrumento de disputa eleitoral. Esses segmentos demonstraram sensibilidade semelhante ao tema da credibilidade, entendendo que a forma da comunicação importa tanto quanto o conteúdo apresentado. A percepção dominante foi de que problemas graves, como fome, endividamento e dificuldades sociais, não deveriam ser explorados por meio de recursos considerados enganosos. Em comum, apareceu a ideia de que esse tipo de prática compromete a confiança no emissor e enfraquece a legitimidade da crítica.
Também se observou, nesses grupos, certo cansaço com campanhas centradas em ataques e acusações, sem apresentação clara de soluções concretas para o país. Muitos participantes reconheceram que os temas levantados no vídeo possuem relevância real, mas rejeitaram a tentativa de capitalização política baseada em distorções narrativas.
"Acho absurdo. Acho pessimo. Só mostra a má fé dele" (IC, 24 anos, advogada, RO)
"Ele não me desce , e usar fotos falsas ? Sinceramente, uma pessoa baixa e suja. A fome é algo sério e querer usar isso para ajudar a ganhar votos é vergonhoso" (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)
"Flávio Bolsonaro pode até querer criticar o governo o Lula da Silva, normal da política, faz parte do jogo. mas usar imagem de outro período pra reforçar narrativa atual fica meio forçado. Pq ai mistura coisa real com contexto errado, e isso confunde mais do que informa." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Eu acho uma vergonha, propagar Fake News. Flávio Bolsonaro pontua algo que ao meu ver, é de suma importância: a regulamentação das bets, que eu sou totalmente contra, pois existem famílias falidas devido à apostas, porém, ele não tem credibilidade, já que não é a primeira vez que ele propaga desinformação com vídeos “falsos”.""" (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Uma das características do movimento bolsonarista sempre foi tentar atacar o governo Lula, então esse tipo de atitude não me surpreende... Um tiro no pé dele, infelizmente, pois perde credibilidade""" (LD, 29 anos, professora, RJ)
"Olá, pessoal. Fico tentando imaginar se o uso de imagens falsas como suporte auxiliar no vídeo do pré-candidato Flávio é intencional ou foi um erro por ignorância ou uso de IA. Em todo caso, considero que seu vídeo alcança os objetivos no público que será seu eleitorado em potencial." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

Entre os lulistas, predominou uma reação fortemente negativa ao episódio, marcada por rejeição intensa ao candidato e à família Bolsonaro como um todo. O uso de imagens antigas ou falsas foi interpretado menos como erro isolado e mais como confirmação de um padrão já associado ao grupo político, baseado em desinformação, manipulação narrativa e baixa credibilidade. As respostas revelaram que o vídeo não gerou dúvida ou reconsideração, mas reforçou percepções já consolidadas de desconfiança moral e política. Nesse segmento, a controvérsia foi absorvida como evidência adicional de comportamentos considerados recorrentes.
Também se observou forte contraposição entre a narrativa crítica apresentada no vídeo e a leitura positiva que esses participantes fizeram do momento econômico atual. Houve menções a indicadores econômicos e à ideia de recuperação nacional como forma de contestar o discurso alarmista atribuído ao senador. Além disso, lembranças negativas do governo anterior apareceram como elemento central para invalidar a autoridade do candidato em tratar de temas como fome, juros e economia.
"""Quem não lembra de quando houveram as filas para se comprar ossos nos mercados durante a pandemia? Flávio Bolsonaro e família estão há meses tentando emplacar a narrativa de que a economia está piorando.""" (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"essa familícia é uma piada mesmo, e pior que tem gente que cai. No governo do pai dele os açougues estavam vendendo osso, talvez até por isso ele tenha usado vídeos dessa época." (LL, 45 anos, professor, PB)
"""Essa família é totalmente sem noção!!! Quem não tem memória que acredite nesse discurso.""" (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)
"Esse homem não tem credibilidade nenhuma, só sabe espalhar fake News. Olhando como foi o governo do pai dele e ele ainda ter coragem de falar isso e ainda por cima usar imagens falsas." (LL, 28 anos, vendedora, PA)


"Bom na minha opinião um ta puxando o outro . Pois ja tem provas ,e evidências contundentes para até prender os investigados e ministros do STF envolvidos mas eles estão se brindando de tudo quanto é maneira ." (BC, 39 anos, administrador, RJ)
"Boa tarde! nao tenho uma opinião totalmente formada há respeito. Mas, apesar da situação ser no DF, provavelmente sobra para o lula. Um escândalo desse tamanho com banco público só reforça aquela sensação de que, com ele no poder, a corrupção volta com tudo." (BC, 29 anos, analista de sistemas, PA)
"Acho que pode respingar politicamente no governo atual. Porque estamos em ano político principalmente e esse ano tudo que acontecer no país vão usar contra os candidatos e o padrão do nosso jornalismo sensacionais." (BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)
"Pode sim respingar no governo atual, ainda mais pq hoje tudo ganha proporção nacional muito rápido. Envolve banco público, indicação política… aí já viu, vira munição pra oposição ligar isso ao governo federal, mesmo não sendo direto." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

Entre indecisos conservadores e progressistas, parte dos lulodescontentes e parte dos lulistas, predominou a percepção de que a responsabilidade direta do caso recaiu principalmente sobre o Governo do Distrito Federal. Houve convergência na leitura de que o BRB está vinculado à esfera distrital e que, portanto, nomeações, gestão e eventuais irregularidades deveriam ser atribuídas prioritariamente ao governo local. Esse bloco demonstrou maior preocupação em separar responsabilidade administrativa de disputa partidária nacional, evitando associações automáticas entre o episódio e o presidente Lula.
Ao mesmo tempo, esses grupos reconheceram que escândalos envolvendo banco público e suspeitas de corrupção dificilmente permanecem restritos ao plano regional. Predominou a avaliação de que a repercussão pública, a cobertura midiática e a polarização política poderiam produzir desgaste indireto ao Planalto, ainda que sem vínculo concreto com os fatos investigados.
"Bom dia..acredito q afete mais o governo do Distrito Federal, porque o banco é de lá. Mas pode respingar no governo federal, porque casos de corrupção acabam afetando a imagem da política em geral, inclusive do presidente ." (IP, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Na minha opinião isso atinge principalmente o Governo do DF. Mas de alguma forma, por causa da repercussão, por exemplo, pode ter alguma implicância com o governo atual." (IC, 29 anos, advogada, SP)
"Também acho que isso pega direto pro governo do DF, porque foi indicação deles e envolve banco público. No governo federal, no máximo respinga por política, mas sem ligação direta" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
"Acredito que o impacto direto é no governo do Distrito Federal pois o BRB é controlado por ele, ou seja não é um banco federal. Mas acredito que podem sim usar isso para espalhar fake News e criticar o governo federal, ainda mais por ser ano de eleição e tudo pode ser usado contra o atual presidente." (LL, 44 anos, autônomo, SP)


Entre bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, formou-se uma convergência importante em torno da utilidade imediata da medida. Esses segmentos reconheceram que qualquer redução no preço dos combustíveis tende a produzir efeitos positivos no cotidiano da população, aliviando gastos com transporte e reduzindo pressões sobre preços de bens e serviços. Houve compreensão de que o tema é sensível para o eleitorado e de que iniciativas voltadas ao combustível costumam gerar impacto direto na percepção econômica das famílias.
Apesar desse reconhecimento, predominou uma postura marcada por forte cautela. As opiniões revelaram temor de que o benefício presente fosse compensado futuramente por aumento de impostos, piora fiscal ou retorno ainda mais elevado dos preços. Também apareceu de forma recorrente a interpretação de que a proposta estaria vinculada ao calendário eleitoral, sendo percebida mais como estratégia para ampliar apoio político do que como solução duradoura.
"Essa medida por um lado dá um alívio imediato no nosso bolso quando vamos abastecer, o que ajuda muito no dia a dia. Mas por outro, fico pensando se usar o lucro do petróleo assim pode acabar desfocando de outros investimentos necessários. No fim das contas, espero que funcione e que o preço baixe de verdade, porque do jeito que está não dá pra ficar." (BC, 29 anos, analista de sistemas, PA)
"Confiem!!! Depois a gente que vai pagar essa conta com outros impostos. Quando Bolsonaro zerou esses impostos em 2022 no início da guerra da Ucrânia toda a mídia afirmou que era medida eleitoreira em ano de eleição. E agora? Brasil tá perdido e da onde vai sair esse subsídio? Adivinha quem vai pagar tudo isso!?" (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"Bom dia, acredito que será ótimo para o bolso hoje, mas pode gerar um buraco nas contas públicas amanhã." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Tomara que funcione dessa vez, porque combustível pesa demais no dia a dia, a gente depende pra tudo né. Mas sendo sincero, já teve outras medidas parecidas e no fim não senti muita diferença no bolso não… então fico meio com pé atrás. Espero que agora realmente baixe de verdade e não seja só algo que quase não muda pra população." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
"Acho extremamente relevantes, mas também vejo como uma tentativa do governo que em época de eleição quer disputar a reeleição." (IC, 24 anos, advogada, RO)
"Acho uma boa ele fazer isso , mais sabemos que tudo isso eh o conseguir continuar na presidência ! E depois oque vai ser ?! Muita promessa e cumpre pelo!" (IC, 30 anos, autônoma, SP)

Entre indecisos progressistas e lulodescontentes, predominou uma recepção pragmaticamente favorável à iniciativa. Esses grupos valorizaram qualquer medida capaz de reduzir preços e aliviar o orçamento das famílias, especialmente em um contexto em que combustíveis influenciam diretamente transporte, alimentação e custos cotidianos em geral. A preocupação central esteve menos na disputa política e mais nos efeitos concretos sobre a vida da população, o que tornou a proposta inicialmente bem recebida.
Ao mesmo tempo, tratou-se de um apoio acompanhado por exigência de resultados verificáveis. As opiniões demonstraram cautela quanto à possibilidade de os descontos não serem integralmente repassados ao consumidor ou de a medida produzir apenas efeitos passageiros. Também apareceu a percepção de que ações emergenciais ajudam no curto prazo, mas não resolvem problemas estruturais ligados à inflação e à vulnerabilidade externa dos preços.
Pra mim é válido todo tipo de economia, tá tudo muito caro e tem muita gente que compra uma coisa e não consegue gastar mais com oq precisa, pq não tem. Diariamente alguém tem que decidir entre o arroz ou a carne. Todo tipo de economia é bem-vinda. Obviamente esperamos que seja tudo seguro, sem condições erradas por trás, espero que funcione mesmo, que seja bem cuidado e que dê certo a economia. Eu apoio." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"""Acho q émais uma tentativa de segurarcurto prazo..Usar lucro do petróleo pra reduzir imposto ajuda sim agora, alivia no bolso. Mas continua sendo paliativo, não resolve a raiz do problema""" (IP, 32 anos, técnico em logística, SP)
"Vejo que e válida essas medidas, já que é pra beneficiar o consumidor final mas não vai ser eficaz pois logo logo vai ter outra alta no valor do petróleo, e não vamos sentir no bolso essas medidas que o governo esta aplicando." (LD, 27 anos, entregadora, RS)
"Eu acho uma ótima estratégia, pois vai ser uma grande ajuda no bolso do brasileiro e o ideal é que de fato consiga manter os valores e que o repasse chegue ao bolso da população, pois assim controla tbm serviços básicos que prescindam do meio rodoviário, sendo necessidade básica. O governo está de parabéns por tomar essas medidas" (LD, 47 anos, professora, MT)

Entre os lulistas, predominou apoio claro à medida, sustentado pela percepção de que qualquer ação voltada à redução do preço dos combustíveis tenderia a beneficiar diretamente a população e conter pressões inflacionárias. O grupo valorizou iniciativas que buscassem proteger o poder de compra, aliviar custos cotidianos e evitar novos encarecimentos em cadeia sobre transporte, alimentos e serviços. A proposta foi vista, em linhas gerais, como resposta positiva a uma questão econômica sensível e de forte impacto social.
Também surgiram menções à necessidade de soluções estruturais ligadas à capacidade produtiva nacional, refino, logística e soberania energética.
"Particularmente penso que tudo que diminuía o preço final para o consumidor, é bem vindo. Não sou um grande entendedor do assunto, mas sei do grande histórico das diminuições de preços nunca chegarem no consumidor final, somente os aumentos. É importante que sempre hajam garantias disso, pq senão, só serviria para a parte da iniciativa privada maximizar lucros." (LL, 43 anos, autônomo, MT)
"Realmente se for pra favorecer o consumidor será bom" (LL, 61 anos, administrador, PR)
"As medidas para não encarecer a vida do brasileiro e não causar mais inflação são positivas, mas ainda temos que recuperar as refinarias, a distribuição, os transportes, e as terras raras, como também os oleodutos dados e retomar o controle do pré Sal. Seria interessante fazer uma PEC com situações de segurança nacionais, energia, comodites, saúde e minerais e desenvolver a nossa própria indústria tecnológica, "Brasil primeiro"." (LL, 45 anos, professor, PB)
"Acho essas medidas importantíssimas para poder controlar a alta dos combustíveis. Acredito que com essas medidas, o preços possam permanecer estáveis e dessa forma não impactar tanto no bolso dos brasileiros que precisam abastecer constantemente para manter seu ritmo do dia a dia, são medidas que vão ajudar e muito." (LL, 38 anos, representante de atendimento, AL)

O posicionamento acerca da utilização de imagens falsas foi condicionado pela identidade prévia dos eleitores, por quem emitia a mensagem e pelo grau de confiança depositado em cada campo político. Entre segmentos bolsonaristas, predominou a tendência de relativizar o uso de imagens antigas e priorizar a crítica ao governo, indicando que a afinidade ideológica frequentemente atuou como filtro interpretativo. Já entre grupos intermediários — como indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes — a questão da credibilidade ganhou centralidade, com rejeição mais clara a estratégias percebidas como manipuladoras ou oportunistas. Isso sugere que, fora das bases mais consolidadas, erros de comunicação podem gerar custos reais de imagem e limitar a capacidade de expansão eleitoral. Por outro lado, entre lulistas, a controvérsia foi absorvida como confirmação de percepções negativas já cristalizadas sobre a família Bolsonaro, reforçando rejeições anteriores mais do que produzindo novo debate sobre o conteúdo do vídeo.
As reações sobre o caso do BRB indicaram que a maior parte dos participantes reconheceu o Governo do Distrito Federal como foco principal da responsabilização política e administrativa, em razão do controle do banco e das indicações ligadas à gestão local. Convém considerar, contudo, que esse entendimento pode ter sido influenciado pela própria formulação da pergunta, que contextualizou de maneira explícita o vínculo institucional do BRB com o governo distrital e destacou a origem das nomeações envolvidas no caso. Esse enquadramento provavelmente contribuiu para respostas mais ancoradas na distinção entre esferas de governo. Ainda assim, muitos participantes enxergaram possibilidade de repercussão mais ampla no cenário nacional. O impacto sobre o governo Lula foi interpretado sobretudo no terreno político. Para bolsonaristas convictos e parte dos bolsonaristas moderados, grandes denúncias envolvendo recursos públicos tenderam a ser imediatamente nacionalizadas e convertidas em desgaste ao presidente em exercício. Indecisos conservadores, indecisos progressistas e parte dos lulistas condicionaram essa associação ao surgimento de provas concretas que ligassem o caso à esfera federal, rejeitando acusações automáticas. Nesses segmentos, predominou maior preocupação com distinções institucionais e com a necessidade de evidências antes da ampliação de responsabilidades políticas. Entre lulistas, foi consensual a defesa do governo federal em relação a qualquer contaminação pelo escândalo.


O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

