Relatório 143

De 27/7 a 2/8/26

Temas:

  • Questionamentos sobre as urnas
  • Declarações de Milei
  • Investigação de Lulinha
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 27/7 2/8/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 188 interações, totalizando 6.785 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Urnas EletrônicasOs participantes defenderam que as urnas eletrônicas não são confiáveis e interpretaram os questionamentos de Flávio Bolsonaro como legítimos. Alguns usaram dados de desinformação. A desconfiança foi estendida ao STF, o TSE e o próprio processo eleitoral.O grupo apoiou os questionamentos por entender que fazem parte da democracia. Mais do que afirmar a existência de fraude, defenderam maior transparência e esclarecimentos sobre o sistema eleitoral.Os indecisos conservadores avaliaram que as declarações foram contraditórias e careciam de evidências. Predominou a percepção de que o tema foi retomado como estratégia eleitoral para antecipar uma eventual contestação dos resultados.Os participantes defenderam a confiabilidade das urnas eletrônicas e interpretaram os questionamentos como continuidade da estratégia utilizada pelo bolsonarismo para lançar dúvidas sobre futuras derrotas eleitorais.Todos consideraram que o tema das urnas já estava superado e avaliaram que sua retomada teve finalidade eleitoral. Predominou a percepção de que Flávio buscou mobilizar sua base e ganhar visibilidade diante da falta de propostas.Unanimemente rejeitaram os questionamentos às urnas e defenderam a segurança do sistema eleitoral. Interpretaram as declarações como uma estratégia para justificar uma eventual derrota e enfraquecer a confiança nas instituições democráticas.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Declarações de MileiMilei foi percebido como alguém que expressou publicamente o que os participantes acreditavam que muitos brasileiros pensavam, sendo valorizado por confrontar Lula e defender a direita sem receio das consequências diplomáticas.Embora concordassem em grande parte com as críticas dirigidas a Lula, defenderam que um chefe de Estado deveria agir com maior diplomacia e evitar declarações públicas que pudessem gerar desgastes políticos e institucionais.Predominou a avaliação de que Milei extrapolou os limites esperados para um presidente ao interferir na política brasileira, ainda que alguns reconhecessem concordância parcial com parte de suas críticas ao governo Lula.Os participantes defenderam que líderes nacionais podem ter preferências ideológicas, mas devem preservar o respeito diplomático e evitar que disputas políticas comprometam as relações entre os países.As declarações foram consideradas inadequadas e prejudiciais às relações bilaterais, predominando a percepção de que o episódio produziu mais prejuízos políticos e diplomáticos do que benefícios para qualquer dos lados.O presidente argentino foi associado ao mesmo estilo político de Flávio Bolsonaro, sendo visto como autor de uma tentativa de interferência eleitoral e de uma atuação antidemocrática e desrespeitosa às instituições brasileiras.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Investigação de LulinhaA investigação foi interpretada como confirmação de percepções já existentes sobre Lula. Predominou a convicção de que o presidente buscaria proteger o filho e de que sua declaração não era crível.Os participantes avaliaram que a fala do presidente era apenas a resposta esperada diante da situação. Predominou a expectativa de que a investigação sofresse interferências, sem qualquer mudança na imagem de Lula.Embora a notícia não tenha alterado a opinião sobre Lula, o grupo considerou correta sua declaração de não proteger o filho. Houve defesa de que a investigação deveria ocorrer sem privilégios.Os participantes defenderam que Lula agiu corretamente ao não prometer proteção ao filho e reforçaram que cada pessoa deve responder pelos próprios atos. A investigação foi vista como um teste da coerência, sem alterar a avaliação sobre o presidente.A noticía não foi suficiente para produzir mudanças relevantes em relação à imagem do presidente. Muitos avaliaram positivamente a postura adotada por Lula.Os participantes consideraram coerente que Lula defendesse a investigação do filho. Parte do grupo interpretou o episódio como mais uma tentativa de desgastar politicamente o presidente, reforçando sua avaliação positiva.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
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Pergunta 67

Durante um evento com diplomatas, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, fez declarações sobre as urnas eletrônicas brasileiras. Segundo Flávio, a empresa Smartmatic, de origem venezuelana e acusada de envolvimento em irregularidades nas eleições da Venezuela, teria relação com parte das urnas utilizadas nas eleições brasileiras. A declaração ocorreu no encontro "Debatendo o Brasil", nos Estados Unidos, que contou com a participação de representantes diplomáticos de 42 países. Após a repercussão, a equipe responsável por sua pré-campanha divulgou uma nota oficial, na qual o senador negou ter questionado a segurança do sistema eletrônico de votação brasileiro. O que vocês acham desses questionamentos feitos por Flávio Bolsonaro quanto à segurança das urnas eletrônicas usadas no Brasil?
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Questionamentos como legítimos

Os dois grupos bolsonaristas convergiram na defesa dos questionamentos feitos por Flávio Bolsonaro às urnas eletrônicas. Em ambos, predominou o entendimento de que levantar dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral constituía um direito legítimo e compatível com a democracia, sendo frequentemente associado à necessidade de ampliar a transparência e a fiscalização do processo eleitoral. Os participantes avaliaram que questionar as urnas não significava, necessariamente, rejeitar o regime democrático, mas sim buscar garantias adicionais quanto à lisura das eleições.

As diferenças apareceram principalmente na intensidade das argumentações. Entre os bolsonaristas convictos, predominou a certeza de que o sistema eleitoral seria vulnerável a fraudes, acompanhada de forte desconfiança em relação ao TSE, ao STF e às demais instituições responsáveis pela condução das eleições. Nesse segmento, os questionamentos de Flávio Bolsonaro foram interpretados como confirmação de uma percepção já consolidada. Entre os bolsonaristas moderados, embora também houvesse apoio às declarações do senador, o foco foi deslocado para a defesa do direito de questionar e para a necessidade de esclarecimentos públicos, aparecendo com menor frequência afirmações categóricas de que fraudes efetivamente teriam ocorrido.

"Boa tarde! É lógico que essas urnas eletrônicas não são confiáveis, quando o voto era no papel o Lula não conseguiu se eleger, depois que começou o voto eletrônico que ele ganhou a eleição e nunca mais saiu do cargo (...) acredito que só vamos ter eleições limpas quando o voto for auditável ou voltar o voto no papel. O que Flávio falou é a mais pura verdade." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Boa tarde! Tanto Flávio Bolsonaro, como o povo brasileiro, temos o direito de não confiar e questionar. Eu como eleitora brasileira, não confio nem 1% nas urnas eletrônicas brasileiras (...) Espero que seja investigado a segurança das urnas eletrônicas (...) pois sabemos sim que houve fraude, porém ninguém pode questionar." (BC, 46 anos, babá, PR)

"Flávio Bolsonaro está certíssimo (...) Precisamos questionar a todo momento essa segurança e transparência que eles dizem tanto haver nesse processo eleitoral (...) vamos exigir no mínimo uma maior transparência e uma fiscalização isenta." (BC, 47 anos, administradora, BA)

"Boa tarde.. Olha concordo com o Flávio. Acho que questionar e buscar mais transparência sobre as urnas eletrônicas fortalece a confiança da população no processo eleitoral. Fazer perguntas não significa ser contra a democracia, mas querer mais segurança e clareza." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Acho válido o questionamento. Questionar não é acusar, e essa pauta de fraude nas urnas é antiga. (...) acho que debater esse tema é importante e serve de alerta." (BM, 29 anos, advogada, SP)

"Na minha opinião, querer mais transparência nunca é demais. Fazer perguntas e querer entender melhor como funciona a eleição não quer dizer que a pessoa é contra a democracia (...) quando tudo é cada vez mais claro, a confiança da população no processo só aumenta." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

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Monitorando a Desinformação

Também chamou atenção a presença de respostas baseadas em narrativas desinformativas, concentradas sobretudo entre os bolsonaristas convictos e, em menor intensidade, entre os bolsonaristas moderados. Nesse segmento, apareceram como fatos afirmações sem comprovação, como a existência de fraude nas eleições de 2022, a suposta participação da Smartmatic no sistema eleitoral brasileiro, a impossibilidade de auditoria das urnas eletrônicas e a ideia de que países desenvolvidos teriam rejeitado o modelo brasileiro por falta de segurança. Mais do que simples opiniões sobre o episódio, essas manifestações evidenciaram a incorporação de narrativas já amplamente difundidas no debate público, que estruturaram a interpretação dos participantes sobre a notícia e reforçaram percepções previamente consolidadas de desconfiança em relação ao sistema eleitoral.

"Acho correto fazer o questionamento sobre a seguranças das urnas, até porque mesmo que não tenha sido provado a fraude na última eleição, sabemos que houve fraude. É impossível que um presidente ELEITO seja ODIADO por onde quer que ele ande. Eu espero que nessa eleição, não ocorra a mesma questão, porque se for para o STF eleger quem quiser, então não é preciso do voto público." (BC, 22 anos, vigilante, RO)

"É lógico que essas urnas eletrônicas não são confiáveis, quando o voto era no papel o Lula não conseguiu se eleger, depois que começou o voto eletrônico que ele ganhou a eleição e nunca mais saiu do cargo, quando não era ele era Dilma, isso é muito questionável sim, mas infelizmente estamos vivendo a ditadura do judiciário que foi todo aparelhado pelo Lula, acredito que só vamos ter eleições limpas quando o voto for auditável ou voltar o voto no papel. O que Flávio falou é a mais pura verdade, e não estamos mais numa democracia, porque não podemos duvidar das urnas sem que o STF queira te punir por isso." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Bem de acordo com pesquisas de outros paises que iria implementar essa urna nas eleições deles ,falaram que não tem segurança nenhuma países como Rússia, EUA e China negaram imediatamente o uso dessa urna que ficou centralizada aqui e em países de baixo desenvolvimento, como até então a própria Venezuela que hoje vem uma comprovação de fraude, logo essa urna realmente não passa confiança nem credibilidade por esse motivo os desenvolvedores não conseguiram expandir,essa acusação tem sim fundamentos na minha concepção como um país de primeiro mundo como o EUA ainda usa urna com um simples papel e um país tão subdesenvolvido como o Brasil usa uma tecnologia que eles chamam de tecnologia de ponta..." (BC, 39 anos, administrador, RJ)

"Eu sempre tive dúvidas sobre o funcionamento, segurança, confiabilidade das urnas eletrônica. Sem dúvida, não seria impossível fraudá-las. Além disso, elas foram utilizadas em países de esquerda, num movimento semelhante em todos eles, com as mesmas justificativas para o seu uso... (...) Se não me engano, a Smartmatic operava a partir de Cuba, bancada pelo Maduro. Só essas informações já tornam as urnas absolutamente suspeitas e não deveriam ser utilizadas. E outros fatos, como a destruição das urnas utilizadas na última eleição para a troca por outras mais modernas algum tempo após a contagem dos votos, a total falta de acesso às urnas para conferência, verificação, sendo as mesmas impossíveis de serem auditadas." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Quem nao deve nao teme! Que o TSE se pronuncie quanto a legitimidade dessas urnas, a quais, desde 2022 ninguem acredita. E a empresa é da venezuela?? Meeeuusss Deuuusss!!!!! E o Flavio esta no direito dele questionar, qual o problema né?" (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

"Questionar faz parte da democracia, principalmente em se tratando de um sistema eletrônico que muitas vezes já foi questionado. O curioso é paises desenvolvidos não usarem urnas e aqui sim.." (BM, 38 anos, professor, SP)

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Falta de provas e estratégia eleitoral

Indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes convergiram na avaliação de que os questionamentos de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas careciam de evidências concretas e tinham motivação predominantemente política. Nos três grupos, predominou a percepção de que a retomada desse tema buscava gerar dúvidas sobre o processo eleitoral, mobilizar sua base de apoiadores e construir antecipadamente uma narrativa que pudesse ser utilizada em caso de derrota nas eleições. De modo geral, os participantes defenderam que acusações dessa natureza deveriam ser acompanhadas de provas consistentes, sob risco de enfraquecer a confiança da população nas instituições eleitorais.

As diferenças apareceram principalmente na forma como cada segmento justificou essa interpretação. Os indecisos conservadores concentraram suas críticas na incoerência entre as declarações de Flávio Bolsonaro e a nota divulgada por sua equipe, além de questionarem a falta de evidências para sustentar as acusações. Já os indecisos progressistas enfatizaram a continuidade de uma estratégia política já utilizada anteriormente pelo bolsonarismo para contestar resultados eleitorais desfavoráveis. Os lulodescontentes, por sua vez, acrescentaram a avaliação de que a insistência nesse debate evidenciava a ausência de propostas relevantes para o país e servia sobretudo para manter o tema em evidência durante a campanha.

"Eu só acho engraçado um cara querer se candidatar para um cargo num sistema da qual ele descredibilizar e põe em dúvida a todo momento. Se você não concorda ou desconfia da idoneidade do processo, por que participa dele? (...) sem provas do que fala, apenas suposições vazias." (IC, 29 anos, professor, RJ)

"Não posso dizer que coloco minha mão no fogo pelo sistema. Mas, ele deveria apresentar provas do que fala, se não, é só falácia mesmo. E como citaram, realmente é contraditório, o sujeito não confiar e se candidatar mesmo assim." (IC, 37 anos, professor, RJ)

"Tudo isso começou devido à última eleição para a presidência que o Sr. Jair perdeu para Lula (...) eles continuam com o mesmo assunto para caso perca na próxima eleição, ter argumento para investigar." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

"Flávio está usando a mesma tática que o pai dele utilizou. Isso mantém os eleitores mais radicais ao lado deles." (IP, 32 anos, dentista, SP)

"Pra mim isso já deu... Toda eleição voltam com esse papo de urna, mas até hoje não apareceu uma prova concreta de fraude nas urnas brasileiras. Fica parecendo mais uma forma de deixar dúvida no ar do que realmente resolver algum problema." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"O pré-candidato é uma peça (...) faz essa declaração para colocar dúvidas sobre a lisura das eleições e assim gerar dúvidas e confusões." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)

"Boa noite. Toda essa agenda faz parte da sua campanha política. Essa mesma urna que tanto ele como o pai reclamaram, os elegeram. Todo esse movimento mostra o enfraquecimento político do Flávio frente ao Lula, e um certo nível de desespero." (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)

"Flavio Bolsonaro anda procurando brigas e não propostas para o Brasil, já passou da hora político que só quer dividir, precisamos de políticos sérios com denúncias sérias e propostas para o futuro do país." (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

"Vejo que é só mais uma forma de colocar seu nome em evidência (...) e depois do resultado usar como argumento a fraude nas urnas." (LD, 49 anos, vigilante, MT)

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Narrativa deliberada para desacreditar o processo eleitoral

Os lulistas diferenciaram-se dos demais grupos por apresentarem a interpretação mais contundente sobre o episódio. Além de rejeitarem integralmente os questionamentos de Flávio Bolsonaro às urnas eletrônicas, defenderam que as declarações faziam parte de uma estratégia deliberada para desacreditar o processo eleitoral e preparar uma narrativa de fraude para uma eventual derrota nas eleições. Para esse grupo, a controvérsia não dizia respeito à busca por maior transparência, mas à tentativa de fragilizar a confiança pública nas instituições responsáveis pela organização das eleições.

Também predominou a percepção de que esse discurso representava a continuidade de uma estratégia recorrente da família Bolsonaro, retomada sempre que os resultados eleitorais se mostravam desfavoráveis. Os participantes consideraram que a repetição dessas acusações, sem apresentação de provas, produzia danos à democracia ao disseminar desconfiança sobre a lisura das eleições e alimentar a deslegitimação das instituições eleitorais. A nota divulgada posteriormente pela pré-campanha foi interpretada como uma tentativa de reduzir os custos políticos das declarações iniciais, reforçando a avaliação de que o episódio foi planejado como instrumento de mobilização política.

"As urnas eletrônicas passam por verificações diversas da comunidade internacional (...) nada nunca foi atestado contra elas. Ele apenas quer tirar a credibilidade da lisura do processo porque sabe que vai perder e precisa de uma narrativa de perseguição." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"Já é a desculpa pronta, se puder vai culpar as urnas, se ganhar vai falar que ganhou apenas das urnas (...) o pior é que esse tipo de fala reverbera e acaba causando dano para toda a eleição." (LL, 33 anos, tradutor, SP)

"Quando ele, o pai, família ou os aliados são eleitos, aí as urnas funcionam; quando perdem ou estão com medo de perder não funcionam... isso é típico de covardes que não sabem perder com a cabeça erguida e integridade." (LL, 45 anos, professor, PB)

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Pergunta 68

O presidente da Argentina, Javier Milei, participou no sábado (25) a convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele também foi homenageado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que lhe concedeu a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria do Estado de São Paulo. Em sua fala, Milei disse que Flávio "é o único capaz de vencer Lula", chamou o presidente de "presidiário" e acusou o governo de tentar interferir nas eleições argentinas em favor da esquerda, em 2023. As falas do presidente argentino causaram problemas diplomáticos com o governo brasileiro e algumas tratativas estão sendo realizadas. O que vocês acham do comportamento e das declarações de Milei?
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Milei como porta-voz da direita brasileira

Os bolsonaristas convictos apresentaram uma avaliação amplamente favorável ao comportamento e às declarações de Javier Milei. De maneira geral, interpretaram sua manifestação como legítima, corajosa e coerente com os princípios que atribuem ao campo da direita. As críticas dirigidas ao presidente Lula foram percebidas como verdadeiras e justificadas, enquanto o apoio explícito a Flávio Bolsonaro foi recebido como um reconhecimento internacional da candidatura e um reforço simbólico ao projeto político representado pelo grupo. Predominou a percepção de que Milei apenas verbalizou avaliações já compartilhadas pelos participantes, sendo visto como alguém que expressou publicamente posições que eles acreditavam não poder manifestar livremente no contexto brasileiro.

Predominou também a percepção de que o governo brasileiro teria adotado posturas intervencionistas em processos eleitorais de outros países, tornando legítimas as críticas formuladas pelo presidente argentino. Também emergiu de forma recorrente a ideia de que setores da direita estariam submetidos a restrições à liberdade de expressão, fazendo com que a fala de Milei fosse interpretada não como uma quebra do protocolo diplomático, mas como um gesto de enfrentamento, representação e defesa de valores compartilhados pelo grupo.

"Bom dia! Achei que o Milei lavou a alma dos brasileiros que não podem aqui dentro do Brasil gritar o que ele gritou: que Lula é ex presidiário, lixo socialista que foi descondendo pelo STF e de quebra chamou o tirano ministro Alexandre de Moraes de lixo careca. Lula tentou interferir nas eleições da Argentina em favor de seus amigos comunistas e corruptos e agora quer dar uma de ofendido. Milei apenas falou a verdade entalada nas nossas gargantas amordaçadas pelo supremo judiciário aparelhado pelo Lula. Achei o comportamento do Milei de uma pessoa que está de saco cheio desses comunistas mentirosos que tentam apagar a história com narrativas que levam muitos ingênuos que não procuram conhecer a verdade, a acreditar nessas falácias." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"As falas dele foram legítimas, pois o lula fala tanto em soberania brasileira e não respeitou o querer do povo argentino em melhorar de vida, hoje o povo argentino viu que valeu muito apena colocá-lo como presidente, já teve uma evolução bem interessante e com respaldos técnicos que viabiliza ainda mais uma nova candidatura em um futuro, sobre a questão do presidente lula, ele também não falou nada de errado ele é um ex-presidiário os crimes ainda continuam no currículo dele como falei acima as urnas não tem segurança, ele tentou sim interceder nas eleições da Argentina, como também do peru,Colômbia e Venezuela e sim ele está correto em falar que o flavio é o único hoje que pode tirar o lula da cadeira presidencial. E quanto a politicagem de chantagem do lula nada vai interferir na Argentina já que hoje ela esta melhorando cada vez mais e derrepente possa chegar no patamar do Uruguai em um futuro não tão distante assim. Parabéns ao milei e ao povo que resolveram botar a corja que estragava o país deles para fora." (BC, 39 anos, administrador, RJ)

"Há gente eu gostei tanto desse comentário de Milei, eu não tinha visto antes, mas pelo que estou vendo agora, eu adorei muito, essa visão dele me representa muito, o Lula é de fato muito contraditório, porque ele prega tanto sobre a questão do respeito à soberania nacional, mas em vários momentos manifestou preferência política em relação às eleições argentinas. Milei demonstrou um posicionamento político firme e coerente com o que muitos de nós brasileiros pensamos mas que não podemos falar ou manifestar porque desde o 8 de janeiro fomos calados e poldados pelo medo. É isso mesmo. Este desgorverno desse ex-presidiário é vergonhoso, ele expressou minha opinião, totalmente." (BC, 47 anos, administradora, BA)

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Críticas à postura de Milei e defesa da diplomacia

Bolsonaristas moderados, indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes convergiram na avaliação de que Javier Milei extrapolou os limites esperados para um chefe de Estado. Apesar das diferenças existentes entre esses grupos quanto à proximidade ou distanciamento em relação ao governo Lula, predominou a percepção de que um presidente deve agir com responsabilidade institucional e preservar o respeito nas relações entre os países. Assim, as críticas concentraram-se menos no posicionamento político de Milei e mais na forma como ele escolheu manifestá-lo, considerada excessiva, inadequada e incompatível com a função presidencial.

Também apareceu de forma recorrente a preocupação com as consequências diplomáticas e políticas do episódio. Os participantes defenderam que divergências ideológicas não justificam ataques públicos entre chefes de Estado nem a interferência explícita de autoridades estrangeiras na disputa política brasileira. Entre os bolsonaristas moderados e parte dos indecisos conservadores, houve maior concordância com o conteúdo das críticas dirigidas ao governo Lula, mas ainda assim prevaleceu a avaliação de que elas deveriam ter sido expressas de maneira mais reservada e diplomática. Já entre os indecisos progressistas e os lulodescontentes, a crítica concentrou-se principalmente na necessidade de preservar o respeito institucional e evitar que disputas políticas comprometessem as relações entre Brasil e Argentina.

"Bom dia..Pois mais q ele esteje certo. Kk..na minha opinião, ele pode defender o que pensa, mas exagerou no jeito de falar. Um presidente precisa agir com respeito e responsabilidade." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Complicado. Ele tá certo, mas essa não é a postura de um líder. Fala isso nos bastidores, mas não em público. Isso acaba fortalecendo até o próprio Lula, que pode aproveitar da dituacao e agir com coitadismo." (BM, 29 anos, advogada, SP)

"Foram desnecessárias, ele pode ter suas opiniões pessoas com ele, mas publicamente e dessa maneira não deveria ter expressado, não contribui para o bom debate além de ser deselegante para postura de um chefe de Estado." (IC, 24 anos, estudante, MA)

"Desde sempre o sujeito apresenta comportamentos problemáticos ,entao não me surpreende sua atuação e posição. Nao concordo com ele em muitas coisas, principalmente em suas ações políticas e não acho que seja de bom grado ele se envolver na política brasileira mesmo sendo nosso vizinho. Acredito que deveria apresentar uma postura mais imparcial já que nao é daqui até para tratar de questões entre as relações dos dois países." (IC, 29 anos, professor, RJ)

"Pra mim o Milei gosta de aparecer mais do que de agir como presidente. Uma coisa é ter opinião, outra é ir no país dos outros pra fazer campanha e provocar. Acho desnecessário. Brasil e Argentina tem muito mais coisa importante pra resolver do que ficar nessa troca de farpas. No fim quem paga a conta dessas brigas é o povo, com comércio, emprego e relação entre os países sendo afetados. Política já tá parecendo torcida organizada, ninguém quer resolver nada, só lacrar pro próprio lado." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Acho uma postura que não cabe a um presidente, principalmente estando em domicílio desse presidente, é no mínimo desrespeitoso, até porque estando aqui, ele deveria demonstrar decoro." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

"Olá, pessoal. Acho inaceitável esse comportamento de Milei e suas declarações. Você pode e deve ter divergências políticas, mas sem banalizar o tratamento digno entre os opostos. Ofensas e tratamento desrespeitoso não são aceitáveis." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Boa noite, Esta declaração do presidente da Argentina é inaceitável, um comportamento que só afasta mais a relação diplomatica entre os dois países e entendo que não soma em nada pra campanha do Flávio." (LD, 49 anos, vigilante, MT)

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Interferência deliberada e associação ao bolsonarismo

Os lulistas apresentaram a avaliação mais enfaticamente negativa do comportamento de Javier Milei entre todos os grupos analisados. Suas declarações foram interpretadas como incompatíveis com o exercício da Presidência, sendo associadas à impulsividade, ao desrespeito às normas diplomáticas e à adoção de uma postura considerada antidemocrática. Predominou a percepção de que a participação de Milei no evento de campanha de Flávio Bolsonaro e seus ataques ao presidente brasileiro configuraram uma tentativa explícita de interferência no processo político nacional, em contraste com as acusações que ele próprio dirigiu ao governo brasileiro sobre as eleições argentinas.

Além da crítica ao episódio em si, os participantes estabeleceram uma forte associação entre Milei e o campo político representado por Flávio Bolsonaro, interpretando a aproximação como resultado da afinidade de valores, estilo de atuação e estratégia política. Também foi recorrente a avaliação de que as declarações possuíam caráter predominantemente eleitoral e provocativo, sem potencial para alterar de forma substantiva a relação entre Brasil e Argentina.

"Ele é tão impulsivo como a Família dos milicianos, por isso se dão tão bem e possuem tanto em comum. Uma pena que a Argentina esteja entregue nas mãos desse ser tão vil, ignorante e antidemocrático. Sobre as relações estarem desgastadas, pior para a Argentina que possui um mercado muito menor do que o Brasil." (LL, 33 anos, tradutor, SP)

"Milei acredita que a crise Argentina foi resolvida e isso já mostra o quão alucinado ou mentiroso ele é. Ele veio ao Brasil defender os interesses dos EUA e de Israel, país esse o qual ele vendeu uma grande porção de terra da Argentina, sabe-se lá por qual motivo, ou talvez até saibamos. Milei não apresenta provas da suposta interferência brasileira nas eleições argentinas, mas o fato é que ele sim está tentando interferir nas nossas. Única razão pela qual acredito que não devamos sancionar a Argentina, é pelo fato de que o povo já está sofrendo demais com as decisões do presidente deles, não merecem ainda mais dificuldade." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"boa noite. ele demonstrar apoio ao Flávio diz muito sobre ele sem precisar que elaboremos muito sobre. o comportamento dois é exatamente igual, por isso esse apoio. acho que é um comportamento desrespeitoso e nada esperado de um Presidente, mas também não é de se esperar muito, não é algo que me impressiona, todos eles tem essa falta de educação de desrespeitar os concorrentes ou as pessoas que não gostam." (LL, 23 anos, auxiliar administrativo, RO)

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Pergunta 69

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conhecido como "Lulinha". A investigação apura a suspeita de que Lulinha tenha cometido crimes de corrupção e tráfico de influência. A Polícia Federal vai investigar se Lulinha teria utilizado a influência dele, como filho de Lula, para facilitar que sua amiga Roberta Luchsinger, que é dona de uma consultoria, e o lobista Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, fizessem negócios com o Ministério da Saúde. O presidente Lula afirmou que não usará o cargo para proteger o filho. Lula garantiu que “não haverá nenhum privilégio” no julgamento do filho e, se for culpado, o empresário terá de pagar pelos crimes.

Essa informação modifica a opinião de vocês sobre Lula?

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Descrença na declaração de Lula e expectativa de interferência

Bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados apresentaram interpretações praticamente idênticas sobre o episódio. Nos dois grupos, predominou a percepção de que a declaração de Lula de que não utilizaria o cargo para proteger o filho não possuía credibilidade e correspondia apenas à postura que se esperava publicamente de um presidente diante de uma investigação dessa natureza. Em vez de provocar qualquer revisão de imagem, a notícia foi incorporada às avaliações já existentes sobre o presidente, reforçando a convicção de que haveria tentativas de proteger familiares e aliados políticos. Também foi recorrente a defesa de que a investigação deveria transcorrer de forma independente, com responsabilização dos envolvidos caso as acusações fossem comprovadas, embora prevalecesse o ceticismo quanto à efetiva imparcialidade das instituições e ao cumprimento da promessa presidencial.

"Não muda. Poderia ter mudado um pouco se essa resposta tivesse sido dada por ele no começo da investigação, antes dele tentar bloquear o trabalho da PF. Agora, só caracteriza mais uma tentativa de ganhar voto." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Tal pai tal filho, que a investigação seja feita e a verdade apareça. Lula ta se fazendo de 'santo', mas eu não confia em uma palavra do que ele fala! O lulinha está seguindo o mesmo caminho do pai, afinal, o fruto nunca cai longe da árvore." (BC, 22 anos, vigilante, RO)

"Bom dia..Na minha opinião, ele vai dar um jeito de favorecer o filho. Espero estar errado, mas não acredito que o tratamento será totalmente imparcial." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Não muda até porque a gente sabe que é uma resposta esperada. Coisa pra jogar pra torcida. Enquanto isso estamos na espera da investigação." (BM, 38 anos, professor, SP)

"Bom dia. Não muda em nada, por que não tem como confiar em um Presidente que está afundando no nosso país, mas se ele fizer isso, não estará fazendo mais que a sua obrigação, punir quem merece ser punido ou até, não interferir para que seja feita justiça." (BM, 54 anos, aposentado, PB)

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Reconhecimento da postura institucional, mas sem mudança na avaliação sobre Lula

Indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes convergiram na avaliação de que a postura esperada de um presidente da República era não utilizar o cargo para proteger familiares e permitir que a investigação transcorresse normalmente. Nos três grupos, predominou a defesa de que a lei deveria ser aplicada igualmente a qualquer cidadão, independentemente de seu vínculo com o chefe do Executivo, e que eventuais irregularidades deveriam ser apuradas e punidas caso comprovadas. Ao mesmo tempo, a informação produziu pouco impacto sobre a imagem de Lula, sendo percebida mais como uma obrigação institucional do que como um fator capaz de alterar avaliações políticas já consolidadas.

As diferenças apareceram principalmente na confiança atribuída à declaração presidencial. Enquanto os indecisos conservadores e progressistas demonstraram maior disposição para reconhecer positivamente a postura de Lula e aguardar o resultado das investigações, os lulodescontentes manifestaram maior desconfiança quanto às reais intenções do presidente, interpretando sua fala como parte de uma estratégia de preservação da imagem em um contexto pré-eleitoral. Ainda assim, mesmo entre os mais céticos, prevaleceu a defesa de que a responsabilização deveria ocorrer apenas com base nas provas produzidas pela investigação.

"De certa forma modifica, posso pensar que está agindo certo, não está a favor dos erros do filho caso seja provado algo, além de demonstrar que as leis servem para todos, independente do grau de parentesco." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

"Acho que é importante investigar direitinho, sem privilégio nenhum. Se fez algo errado, tem que pagar pelos crimes, igual qualquer outra pessoa. O presidente disse que não vai proteger, e é assim que tem que ser!" (IC, 30 anos, autônoma, SP)

"Apesar de discordar muito da posição do Lula em diversos segmentos, nesse sentido de não passar a mão na cabeça do filho ele é muito correto, e não é de hoje. Diferente de diversos outros políticos que vemos por aí." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Pra mim não muda muita coisa não. Filho é filho, pai é pai. Se o Lulinha fez coisa errada, que investiguem e, se for culpado, que pague. O que eu acho errado é querer passar pano só porque é filho de presidente ou querer culpar o pai automaticamente. Pra mim a lei tem que valer igual pra todo mundo." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Bom dia! Ele está agindo como um pai que quer que o filho seja corrigido, se for culpado. Eu acho isso ótimo, não seria justo ele passar a mão na cabeça do filho e usar dos privilégios. (...) Não modifica minha opinião, continua a mesma. Mudaria pra ruim caso o Lula se fizesse de cego pros erros do filho, mas ele está agindo racionalmente." (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Se o Lula realmente cumprir o que fala, me faz acreditar que essa postura dele é a correta, mas me faz ter um pouco de dúvidas, se não é pelo de as eleições estarem se aproximando." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

"Essa informação não muda minha opinião sobre o Lula. Considero que essa tem que ser a atitude correta, pois se seu filho deve, tem que pagar." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Bom dia, não muda minha opinião, o presidente lula só está dizendo o que o povo quer ouvir pelas eleições, minha opinião só mudaria se ele demonstrasse com atos uma mudança de comportamento." (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

"Confesso que um pouco, porque ver a corrupção na família, ainda mais que o Lula já foi envolvido em vários esquemas, faz a gente questionar muita coisa. Então acho q sim, que o comportamento dos filhos/família influencia como um todo. Mas achei importante o posicionamento dele em dizer que não ajudará o filho, por mais que isso não aconteça de fato, acho importante ele deixar isso claro." (LD, 29 anos, professora, RJ)

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Defesa da responsabilização individual e confiança na postura de Lula

Os lulistas foram o único grupo em que apareceram manifestações capazes de reforçar, e não apenas preservar, a avaliação positiva sobre Lula. A ampla maioria afirmou que a notícia não modificou sua opinião sobre o presidente, interpretando sua declaração de que não protegeria o filho como coerente com uma postura que atribuíam ao seu histórico político. Predominou a compreensão de que eventuais responsabilidades deveriam ser apuradas individualmente, sem que acusações contra um familiar fossem automaticamente estendidas ao presidente. Nesse sentido, o grupo distinguiu de forma recorrente a figura de Lula da conduta atribuída ao filho, defendendo que a responsabilização deveria recair exclusivamente sobre quem tivesse cometido eventual irregularidade.

Além disso, os participantes interpretaram a investigação dentro de um contexto mais amplo de disputa política, questionando a imparcialidade com que diferentes atores e famílias políticas seriam tratados pelas instituições. Enquanto parte das respostas apontou a abertura do inquérito como um movimento de natureza política, outra parcela ressaltou que a disposição de Lula em defender a continuidade das investigações reforçava sua imagem de respeito às instituições e à igualdade perante a lei.

"Se de fato não houver qualquer influência ou tentativa de blindar o próprio filho, nada mudará na minha opinião sobre o Lula. Acho que o que um filho faz ou é suspeito de fazer, não deve manchar a imagem de um pai ou vice e versa. Sabemos que para a população geral não será bem assim, mas para mim, pessoalmente, ocorrendo investigações e inquéritos com lisura, completamente imparciais, nada muda." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"Não modifica a opinião. E acho que se o filho dele cometeu algo errado, deve ir a justiça. É coerente que o pai diga que não fornecerá privilégio." (LL, 25 anos, desempregada, BA)

"Essa informação não muda em nada minha opinião sobre o Presidente, pelo contrário, pois ele sempre apoia as investigações. Quem erra deve ser investigado e se provado deve ser punido. Cada CPF uma pessoa diferente e cada um é responsável pelos próprios atos." (LL, 61 anos, administrador, PR)

"Essa informação apenas mantém o que já penso a respeito do presidente Lula, ele não tenta favorecer ninguém, mesmo o seu próprio filho, isso sim é um presidente que sabe separar as coisas." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

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Considerações finais

Os questionamentos de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas foram interpretados de maneira fortemente condicionada pelo posicionamento político dos participantes, reproduzindo clivagens já observadas em pesquisas anteriores sobre confiança nas instituições e no processo eleitoral. Entre os grupos bolsonaristas, predominou o entendimento de que questionar as urnas constitui um direito legítimo e uma forma de exigir maior transparência das eleições. Os bolsonaristas convictos partiram da convicção de que o sistema eleitoral é fraudável (reproduzindo, inclusive, diversas falas com desinformação) e ampliaram suas críticas às instituições responsáveis pelas eleições. Já os moderados concentraram seus argumentos na defesa do direito de questionar e na necessidade de aperfeiçoar mecanismos de fiscalização, atribuindo menor ênfase à afirmação de que fraudes efetivamente ocorreram. Nos demais segmentos, prevaleceu a rejeição às declarações de Flávio Bolsonaro, mas por razões parcialmente distintas. Indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes convergiram na avaliação de que as acusações careciam de provas e foram motivadas por interesses eleitorais, sendo interpretadas como uma estratégia para mobilizar apoiadores e construir uma narrativa para uma eventual derrota. Já os lulistas atribuíram um significado mais amplo ao episódio, entendendo que essa estratégia buscava deliberadamente enfraquecer a confiança nas instituições democráticas e deslegitimar o próprio processo eleitoral. Assim, mais do que alterar percepções sobre a segurança das urnas, a notícia reforçou crenças previamente consolidadas sobre a legitimidade das eleições e das instituições responsáveis por sua condução.

As avaliações das declarações de Javier Milei também se mostraram fortemente condicionadas pelos posicionamentos prévios dos participantes em relação ao campo político representado por ele e por Flávio Bolsonaro. Diferentemente de outras questões, entretanto, observou-se maior diferenciação entre os dois segmentos bolsonaristas. Em meio aos bolsonaristas convictos, predominou uma leitura amplamente favorável das falas, interpretadas como uma manifestação legítima de enfrentamento ao governo Lula e como expressão de ideias que os participantes acreditavam não poder manifestar livremente no Brasil. Nesse grupo, eventuais consequências diplomáticas foram amplamente relativizadas diante da valorização da firmeza política e do alinhamento ideológico. Nos demais segmentos — bolsonaristas moderados, indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes — formou-se um amplo consenso de que Milei ultrapassou os limites esperados para um chefe de Estado. Ainda que parte desses participantes concordasse, em maior ou menor grau, com algumas críticas dirigidas ao governo Lula, prevaleceu a avaliação de que um presidente deve preservar o respeito institucional, evitar interferências na política de outros países e priorizar as relações diplomáticas. Entre os lulistas, a interpretação assumiu um caráter mais amplo: além de condenarem a postura de Milei como antidemocrática e incompatível com a função presidencial, os participantes entenderam sua participação no evento como parte de uma estratégia de fortalecimento do campo bolsonarista e de interferência no processo eleitoral brasileiro. Assim, a quebra do protocolo diplomático encontrou respaldo apenas entre os eleitores mais fortemente identificados com a direita bolsonarista. Entre todos os demais perfis — inclusive entre grupos críticos ao governo Lula — predominou a expectativa de que relações internacionais devam ser conduzidas com prudência, respeito institucional e clara separação entre disputas eleitorais e a diplomacia de Estado.

Por fim, a notícia sobre a investigação contra Lulinha produziu impacto limitado sobre as avaliações dos participantes. Em nenhum dos segmentos surgiu um movimento significativo de mudança de opinião sobre Lula em decorrência da investigação envolvendo seu filho, indicando que o episódio foi interpretado à luz de crenças já consolidadas sobre o presidente e seu governo. As principais diferenças entre os grupos concentraram-se na credibilidade atribuída à declaração de Lula de que não interferiria no caso. Entre os bolsonaristas, prevaleceu a convicção de que haveria tentativas de proteção ao filho e de que a manifestação presidencial possuía caráter exclusivamente estratégico. Nos grupos de indecisos, predominou a percepção de que essa era a postura institucional esperada de um chefe de Estado, acompanhada, em alguns casos, de reconhecimento positivo da conduta adotada, ainda que insuficiente para alterar avaliações já estabelecidas sobre o presidente. Os lulistas, por sua vez, além de dissociarem mais claramente a responsabilidade de Lula das acusações dirigidas ao filho, interpretaram o episódio como parte da disputa política entre governo e oposição, relativizando seu potencial para afetar a imagem do presidente.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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MDP - Relatório 143