


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Manifestações na Copa | Predominou a defesa de que jogadores não deveriam se posicionar, pois o esporte deveria permanecer neutro e unir as pessoas. Apenas alguns reconheceram o direito de manifestação, desde que exercido com responsabilidade e voltado a mensagens positivas. | Predominou a avaliação de que manifestações políticas não deveriam ocorrer durante eventos esportivos, para preservar o caráter do espetáculo. Ao mesmo tempo, parte do grupo aceitou que atletas se manifestem em contextos apropriados e sobre causas relevantes. | Houve amplo consenso de que jogadores deveriam utilizar sua visibilidade para defender causas relevantes. A principal justificativa foi sua capacidade de influenciar a sociedade, conscientizar a população e exercer legitimamente a liberdade de expressão. | Predominou a percepção de que grandes competições esportivas são uma oportunidade legítima para ampliar o alcance de causas sociais, políticas e humanitárias. O grupo defendeu esse direito, desde que exercido com responsabilidade e compromisso com informações verdadeiras. | Predominou a defesa de que atletas devem utilizar sua projeção pública para dar visibilidade a causas de interesse coletivo. Como ressalva, parte dos participantes considerou que esse engajamento deveria priorizar pautas humanitárias e socialmente legítimas, evitando interesses estritamente partidários. | Houve consenso de que jogadores não apenas podem, mas têm uma responsabilidade social de se posicionar. Predominou a ideia de que a neutralidade diante de injustiças é indesejável e que a grande influência dos atletas deve ser utilizada para promover conscientização e mobilização social. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Aprovação do Governo Lula | Unanimemente o grupo discordou dos dados, expressando forte rejeição à credibilidade das pesquisas de opinião e criticando o governo Lula, acusado de fraudar números e de atuar para ampliar a dependência da população por meio de programas sociais. | Predominou uma avaliação de que o governo fracassou principalmente na condução da economia e da administração pública, sendo frequentemente acompanhada de questionamentos sobre a legitimidade política de Lula e da confiabilidade das pesquisas de aprovação. | O grupo ponderou que o governo apresentou alguns avanços, mas não entregou as mudanças esperadas, reforçando o desejo de renovação política. Foi recorrente a avaliação de que problemas estruturais, especialmente na economia e nos serviços públicos, permaneceram sem solução. | Predominou uma avaliação equilibrada, reconhecendo simultaneamente avanços e limitações do governo. As críticas concentraram-se na economia, no custo de vida e nos serviços públicos, mas sem desconsiderar políticas consideradas positivas e as limitações impostas ao Executivo. | Prevaleceu a avaliação de que o governo foi razoável, com avanços pontuais, mas aquém das expectativas e das promessas de campanha. Também apareceu a percepção de que dificuldades políticas e institucionais limitaram a capacidade de implementação da agenda governamental. | Houve uma avaliação bastante positiva do governo, baseada na percepção de melhorias econômicas e sociais e no fortalecimento de políticas públicas. O grupo atribuiu parte das limitações da gestão ao Congresso Nacional e ao contexto político, reconhecendo que ainda havia espaço para aperfeiçoamentos. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Reconciliação de Michelle e Flávio | A reaproximação foi interpretada como necessária para fortalecer a direita e o projeto político de Jair Bolsonaro. Também foi valorizada como demonstração de humildade e maturidade das lideranças em prol de um objetivo comum. | A reconciliação foi vista como importante para evitar desgastes e fortalecer a direita nas eleições. Parte do grupo, porém, condicionou sua avaliação positiva à sinceridade e à continuidade desse entendimento. | Predominou a percepção de que a reconciliação foi uma estratégia eleitoral previsível para preservar a unidade do grupo. O episódio não alterou a imagem da família Bolsonaro nem reduziu a desconfiança sobre suas motivações. | A reaproximação foi interpretada quase consensualmente como uma ação de marketing para recuperar apoio eleitoral e reduzir desgastes. Predominou a percepção de que interesses políticos prevaleceram sobre qualquer reconciliação genuína. | Os participantes avaliaram que a reaproximação atendeu principalmente à necessidade de fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro e evitar divisões internas. Houve pouca crença de que representasse uma reconciliação pessoal autêntica. | A reaproximação foi percebida como uma encenação política cuidadosamente planejada para preservar o capital eleitoral da família Bolsonaro. Parte do grupo interpretou o episódio como parte de uma estratégia de reorganização da sucessão política do campo bolsonarista. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |

Durante a Copa do Mundo e em outras competições, alguns jogadores de futebol utilizaram a grande visibilidade que possuem para se manifestar sobre questões políticas, sociais e humanitárias. Jogadores argentinos ergueram um cartaz dizendo que "As Malvinas são argentinas"; Lamine Yamal, recentemente exibiu uma bandeira em defesa da Palestina, durante a comemoração de um título do Barcelona; Vinícius Júnior e Mbappé se posicionaram sobre ataques racistas sofridos; e, ontem, Borja Iglesias , passou rapidamente por Trump, ao receber sua medalha, como forma de protesto.
Na sua opinião, jogadores de futebol devem utilizar sua visibilidade para se posicionar sobre questões políticas, sociais ou humanitárias? Por quê?

Os dois grupos bolsonaristas convergiram na defesa de que o futebol deveria permanecer dissociado de manifestações políticas, preservando seu caráter esportivo e sua capacidade de reunir pessoas com diferentes opiniões. Predominou a percepção de que a politização das competições tende a gerar conflitos, aprofundar a polarização e deslocar a atenção do público do esporte para disputas ideológicas. Também apareceu, sobretudo entre os bolsonaristas convictos, a avaliação de que jogadores não possuem legitimidade para representar politicamente seus países ou influenciar o debate público apenas em razão de sua fama e projeção.
Os bolsonaristas moderados, entretanto, apresentaram uma posição mais flexível. Embora a maioria também tenha defendido a separação entre esporte e política durante grandes competições, parte do grupo reconheceu que atletas têm direito à liberdade de expressão e podem utilizar sua visibilidade para defender causas relevantes, desde que isso ocorra de forma responsável e em momentos considerados apropriados, sem comprometer o protagonismo do evento esportivo.
"Eu na minha opinião acho que o esporte seja qual for não deve misturar com política ou qualquer ideologia partidária, o esporte não tem que ter lado, tem que ser imparcial." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Porque quando o esporte se envolve com política e ideologias que não dizem respeito, perde totalmente o sentido e a paz, o esporte é pra unir e não separar." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Penso que não. O futebol é uma 'válvula de escape' para as pessoas em um mundo tão conturbado e polarizado. Politizar o esporte ao mei ver não é benéfico." (BM, 38 anos, professor, SP)
"Boa tarde. Acho que não, pelo menos em momentos importantes como a Copa do Mundo, eles têm sim o direito de protestar, reivindicar e opinar, mas para isso poderiam usar suas imagens em momentos particulares ou reservados para tal fato." (BM, 54 anos, aposentado, PB)

Os indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes apresentaram forte convergência na defesa do direito de jogadores de futebol utilizarem sua projeção pública para se posicionar sobre questões políticas, sociais e humanitárias. Predominou a percepção de que a enorme visibilidade desses atletas lhes confere capacidade de influenciar a sociedade, ampliar a conscientização e dar maior repercussão a causas de interesse coletivo. Para esses grupos, grandes competições esportivas foram vistas como momentos especialmente eficazes para alcançar um público amplo e estimular o debate público.
Apesar desse consenso, não predominou a ideia de que qualquer manifestação seria automaticamente legítima. Foi recorrente a expectativa de que os atletas utilizassem essa influência de maneira responsável, priorizando pautas de interesse coletivo e causas consideradas socialmente relevantes. De forma geral, esses grupos reconheceram a liberdade de expressão dos jogadores, mas associaram sua legitimidade ao compromisso com mensagens capazes de promover conscientização e contribuir positivamente para a sociedade.
"Acredito que podem e devem se manifestar de acordo com o princípio da liberdade de expressão. E como foi dito muitos atletas têm influência e visibilidade na sociedade o que pode ser usado para causas importantes." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Bom dia... Sim, devem. Eles são pessoas com voz forte, e usar essa visibilidade para falar de injustiças e causas importantes é um direito e um exemplo. O esporte não vive separado da sociedade, e suas posições ajudam a conscientizar muita gente..." (IC, 30 anos, autônoma, SP)
"Pra mim podem sim. Jogador de futebol também é cidadão e tem direito de dar opinião. O importante é cada um assumir a responsabilidade pelo que fala. Só acho errado quando usam a fama pra espalhar mentira ou incentivar ódio." (IP, 28 anos, customer care analyst, SP)
"Na minha opinião pelo fato dos jogadores serem famosos, pessoas públicas e possuírem grande influência em diferentes partes do mundo sem dúvida foi muito importante durante a Copa. Os jogadores demonstrando preocupação em diferentes assuntos e situações que acontecem acaba fazendo as pessoas enxergarem e se conscientizarem sobre isso." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Olá, pessoal. Penso que os jogadores devem utilizar sua visibilidade e se posicionar sobre questões políticas, sociais ou humanitárias, porque são formadores de opinião e influenciam muitas pessoas sobre as formas de ver e estar no mundo." (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Bom dia. Acredito que sim desde que seja pautas humanitárias e sociais, pela visibilidade que eles têm na mídia eles vão conseguir a atenção de muita gente." (LD, 59 anos, educador social, CE)

Os lulistas diferenciaram-se dos demais grupos por defenderem que jogadores de futebol possuem não apenas o direito, mas também uma responsabilidade social de utilizar sua visibilidade para se posicionar sobre questões políticas, sociais e humanitárias. Predominou a percepção de que atletas com grande projeção pública deveriam contribuir ativamente para ampliar a conscientização da sociedade, denunciar injustiças e estimular o debate sobre temas de interesse coletivo. A influência exercida por essas figuras foi entendida como um instrumento que deveria ser colocado a serviço de causas socialmente relevantes.
Nesse grupo, também foi recorrente a avaliação de que a neutralidade diante de problemas sociais importantes não seria desejável para pessoas com tamanha capacidade de mobilização. Diferentemente dos demais grupos favoráveis às manifestações, os lulistas atribuíram um caráter mais normativo a esse engajamento, tratando-o frequentemente como um dever moral decorrente da projeção pública dos atletas, e não apenas como uma possibilidade legítima de exercício da liberdade de expressão.
"Não só podem como devem, jogadores com grande exposição midiática e atenção têm o dever humano de utilizarem da sua exposição para chamarem a atenção para temas sensíveis e fundamentais do mundo."
"Bom dia! Com toda certeza do mundo. Eu arrisco até que é obrigação de quem tem tamanha visibilidade 'espalhar' informações realmente úteis..." (LL, 23 anos, auxiliar administrativo, RO)
"Acredito que sim, os jogadores devem se manifestar, desde que seja por uma causa justa e que afeta muitas pessoas, não somente algo particular da vida deles. Porque eles são seguidos, são admirados, eles têm que realmente se manifestarem a favor do mundo." (LL, 35 anos, analista de sistemas, SP)
"Na minha opinião os jogadores devem sim usar de sua influência para se posicionar sobre questões políticas, sociais e humanitárias, eles fazendo isso, vão estar dando visibilidade para causas importantes no mundo e eu acho isso super válido." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

Em pesquisa divulgada na semana passada, 15/7, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve aprovação de 48% da população e foi desaprovado por 47%, segundo pesquisa Genial/Quaest. O levantamento mais recente, feito pelo PoderData de 18 a 20 de julho mostrou que 46% dos eleitores aprovam o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ante 47% que desaprovam. Outros 7% não souberam responder.
E vocês, no atual contexto, como avaliam o governo Lula? Por quê?

Os dois grupos bolsonaristas apresentaram elevada convergência na avaliação do governo Lula, caracterizada por uma rejeição ampla à gestão e por forte desconfiança em relação às pesquisas de opinião que indicavam equilíbrio entre aprovação e desaprovação. Em ambos os segmentos, foi recorrente a percepção de que os levantamentos não refletiam a realidade observada em seu cotidiano, sendo frequentemente interpretados como instrumentos de manipulação ou de influência sobre a opinião pública. Essa descrença nas pesquisas apareceu como um elemento central da discussão, antecedendo inclusive a avaliação do próprio governo.
As críticas concentraram-se principalmente na condução da economia, no aumento da carga tributária, no custo de vida, nos gastos públicos e na percepção de ineficiência administrativa. Também apareceram referências à corrupção, ao descumprimento de promessas de campanha e ao agravamento das condições do país. Embora os bolsonaristas convictos tenham mobilizado com maior frequência narrativas de natureza ideológica e institucional, associando o governo a um projeto político considerado prejudicial ao Brasil, enquanto os moderados tenham enfatizado mais a gestão econômica e administrativa, ambos produziram um enquadramento essencialmente semelhante de rejeição ao governo e de questionamento à legitimidade dos índices de aprovação divulgados pelas pesquisas.
"Eu não acredito de jeito nenhum nessas pesquisas quando vem do governo. Basta ver a população totalmente insatisfeita, que sabemos que a realidade é diferente. Eu avalio esse governo, que para mim é um desgoverno, esse partido tbm, como o pior de toda a história do Brasil. Um governo corrupto envolvido com diversos roubos e facções, não pode ser chamado de governo. Sempre a mesma conversa, sempre as mesmas promessas, mas sendo aquele que destrói o Brasil, judia dos brasileiros.
""Primeiro que não acredito nessas pesquisas, não condiz com a realidade, todos que conheço e converso sobre a situação do nosso país, reclama que esse governo está quebrando o Brasil, tem muita gente reclamando nos supermercados, o preço da comida está um absurdo, remédios, planos de saúde, e o SUS uma fila interminável de espera, nada está bom pra ninguém, só os políticos que obtém vantagem e os artistas da lei Rouanet, até os mais necessitados que dependem de bolsa família e vale gás não estão satisfeitos. É muito roubo e corrupção sem esperança de ver ladrões na cadeia, a violência está num grau assustador, não temos paz em lugar nenhum, fora governo maldito.""" (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Desaprovo. Um governo "inchado" de cargos na maquina pública, pouco eficiente. Se for avaliar esses últimos 4 anos foram de marasmo, custo de vida subiu, o.pais está estagnado, altas taxas e.impostos, endividamento das famílias é recorde. Como avaliar positivamente isso? E pior porque dar mais 4 anos pra isso?" (BM, 38 anos, professor , SP)
"Eu soube. Mas a pesquisa de aprovacao, foi feita na frente da sede do PT. Ai, nao acredito nessa pesquisa muito menos nesse governo, cujo unico objetivo nesses 4 anos foi taxar, taxar e taxar alem de gastar, gastar e gastar. " (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
"Avalio como ruim, a carga tributaria nunca foi tão alto, os gastos publicos tbm são exorbitantes, as promessas de campanha sempre foram adiadas para o ano seguinte. Dizia q o preço do combustivel não baixava pq o governo anterior não queria, hoje o preço do petróleo é muito mais barato e o preço dos combustíveis só sobe, inflação nunca cai e o governo ainda consegue trazer uma sobretaxa da China de 50% e insulta governo americano pra causar mais uma sobretaxa pra ter ganho eleitoral...." (BM, 43 anos, administradora, GO)

Indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes diferenciaram-se dos grupos bolsonaristas por apresentarem avaliações mais nuançadas do governo Lula. Em vez de uma rejeição ou aprovação absoluta, predominou uma leitura que reconheceu simultaneamente avanços e limitações da gestão. Nos três grupos, foi recorrente a percepção de que o governo não cumpriu integralmente as expectativas criadas durante a campanha e que permaneciam desafios relevantes, sobretudo na economia, no custo de vida, na segurança, na saúde e na educação. Ainda assim, diferentemente dos segmentos mais críticos, essas limitações não impediram o reconhecimento de iniciativas consideradas positivas.
Também houve convergência na compreensão de que a avaliação do governo deveria considerar fatores que extrapolavam a atuação exclusiva do presidente. Os participantes mencionaram, em diferentes graus, condicionantes políticos e institucionais, reconheceram a existência de políticas públicas bem avaliadas e adotaram uma postura mais pragmática na análise da gestão. Enquanto os indecisos conservadores tenderam a enfatizar a necessidade de mudanças e a insuficiência dos resultados alcançados, os indecisos progressistas e os lulodescontentes demonstraram maior disposição para ponderar os avanços obtidos e as dificuldades enfrentadas pelo governo, produzindo avaliações predominantemente intermediárias.
"Estou entre os 7%, em alguns pontos eu acho que o governo acerta como posicionamento em relação ao USA, alguns programas de governo como bolsa família (acho super válido, porém precisaria passar por uma apuração mais rigorosa). Mas algumas falas eu não gosto muito. Porém também sou a favor de mudanças, um novo rosto na presidência, novas ideias e atitudes, acho que já saturou.""" (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"O governo do Lula não está entregando tudo o que prometeu, mas teve avanços importantes, como o reforço na educação e ajuda para famílias mais necessitadas. Mesmo assim, sinto que ainda falta muito em várias áreas, e talvez uma nova liderança ajude a fazer as mudanças que o Brasil precisa... E oque espero...""" (IC, 30 anos, autônoma, SP)
"O governo do Lula tem seus prós e contras, analisando o contexto, até dos candidatos que vimos nesse grupo, vários deles são piores que o Lula. Entretanto, dizer que eu aprovo o desempenho do Lula é um pouco demais, até porque existem pontos estruturais onde o Lula falha muito. Mas sei também que outros candidatos destruiriam toda uma estrutura social já existente, então não posso ser leviano em dizer que rejeito totalmente o desempenho do Lula. De modo geral, eu poderia resumir, que se eu for votar desconsiderarei o Lula pro primeiro turno, iria analisar apenas no segundo.""" (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"Na minha visão o governo de Lula está regular,tem seus pontos negativos e positivos. Porque algumas ações dele foram positivas como: resolver parte do valor dos preços de combustíveis e deixar a cargo do governo por conta da guerra e o desenrola Brasil que surge para tentar auxiliar a população a quitar suas dividas. No entanto,o aumento de juros em outros produtos,não bater de frente com os Estados Unidos e barrar o tarifaço,foram os pontos negativos nos quais fiquei muito chateada.""" (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Eu aprovo ,mais como nada na vida são só flores,sim com certeza tem coisas que o presidente deixa a desejar,mais sei também que nem tudo depende só dele." (IP, 43 anos, autônomo, MT)
"boa tarde, governo Lula no geral não cumpriu o que prometeu mas também não entregou o país a quebra do investimento externo, considero que o governo atual foi razoável sem grandes destaques mas não melhorando significativamente a vida do trabalhador brasilero, até a aprovação da mudança escala 6x1" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
"Olá, pessoal. Considero o governo Lula 3 razoável, porque encontrou muita dificuldade em desenvolver algumas políticas públicas, principalmente aquelas que dependiam de aprovação de leis pelo congresso nacional. Muita disputa ideológica polarizada envolvendo a política." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

Os lulistas diferenciaram-se dos demais grupos por apresentarem uma avaliação predominantemente positiva do governo Lula, ainda que esse apoio não tenha sido irrestrito. Predominou a percepção de que a gestão promoveu avanços econômicos, sociais e institucionais, especialmente na recuperação das condições de vida da população, no fortalecimento de políticas públicas e na retomada do protagonismo internacional do Brasil. Ao mesmo tempo, o grupo reconheceu que havia aspectos passíveis de aperfeiçoamento, demonstrando disposição para criticar decisões específicas do governo sem que isso comprometesse a avaliação geral positiva da administração.
Outro elemento que distinguiu esse segmento foi a tendência de atribuir parte das limitações do governo a fatores externos ao Executivo. Foi recorrente a avaliação de que a composição do Congresso Nacional, a necessidade de garantir governabilidade e as disputas políticas restringiram a capacidade de implementação da agenda presidencial. Assim, diferentemente dos demais grupos, os lulistas interpretaram os resultados da gestão considerando os constrangimentos institucionais enfrentados pelo governo, o que contribuiu para uma avaliação favorável, ainda que acompanhada de expectativas de aprofundamento das políticas e de melhorias na condução administrativa.
"Eu avalio como regular para bom, existem muitos projetos que eu gostaria de ver sendo realizado, mas sabemos que existe uma trava chamado Congresso Nacional que não permite com que esses projetos sociais avancem na velocidade que gostaríamos. Mesmo assim, acho que em determinados momentos o Lula foi muito permissivo e omisso sobre algumas questões, como, por exemplo, trocar uma excelente Ministra dos Esportes para acomodar uma pessoa que não entende nada do assunto(ao trocar a excelente Ana Moser pelo André Fufucha). Enfim, sabemos que existem ações que independem do governo e que são necessárias para a famigerada ""governabilidade"", mas ainda assim isso me irrita e certas concessões não deveriam ser feitas ou então poderiam ter sido realizadas de outra forma. Mas, só da Reforma da Previdência ter passado e também da Escala 6x1 estar em pauta já considero duas ótimas vitórias da classe trabalhadora e por isso avalio o Governo como regular para bom. Poderia ter sido melhor, mas também não é ruim!""" (LL, 33 anos, tradutor, SP)
"Eu acho que é ótimo o governo Lula ainda mais que ele teve que pegar este país acabado depois de 4 anos do desgoverno anterior. Então em vista disso tudo, eu acredito que melhorou muito. A minha vida pelo menos está melhor. Eu sinto que meu poder aquisitivo melhorou. Eu sinto que quando vou ao mercado os preços não aumentaram mais tanto quanto aumentava antes e mesmo alguns produtos mantem o preço por muito tempo. Fora que a saúde melhorou, quem precisa de um SUS está mais tranquilo, quem recebe auxilios do governo também. Então para a população mais carente, que é a maioria, melhorou. Por esse motivo eu super aprovo o governo atual." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)
"Avalio como muito bom. Ele só não pode fazer mais pelo Brasil por conta do Congresso e do Senado que estão tomados por políticos que não estão governando pelo povo, mas sim pelos próprios interesses e pelo interesse dos bilionários." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)
"eu avalio como bom, ok. acredito na capacidade dele de tornar o Brasil um país melhor a cada dia, tanto que tivemos muitas melhorias desde então, ex: o Brasil participando de vários eventos mundiais com outros presidentes, eventos importantes no Brasil, o Brasil saindo do mapa da fome, etc, etc, etc. como todo governo, óbvio que poderiam ter mais “coisas”, mas nem tudo depende dele e isso é um grande exemplo. muitas pessoas focam em eleger presidente e esquece dos demais políticos, nem tudo gira em torno do presidente. concluindo.. acredito na força de vontade dele em melhorar as coisas para a população, acredito que ele pode ser melhor, e que ele poderia ter feito mais, mas não tenho o que reclamar em grande escala""" (LL, 23 anos, auxiliar administrativo, RO)

Após Flávio Bolsonaro publicar um pedido de desculpas a Michelle Bolsonaro, com as seguintes palavras: "renovo o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar. O nosso maior líder, que é Jair Messias Bolsonaro, que enfrenta um momento extremamente difícil que exige de todos nós, desprendimento, humildade, coragem e espírito de união para honrar o seu legado", Michelle respondeu com um vídeo (em anexo).
O que vocês acham dessa reaproximação dos dois?

Bolsonaristas convictos e moderados interpretaram a reaproximação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro de forma predominantemente positiva, entendendo que divergências pessoais deveriam ser superadas em nome da unidade da direita. Nos dois grupos, prevaleceu a avaliação de que o momento eleitoral exigia coesão entre as principais lideranças, sendo a reconciliação percebida como um movimento necessário para fortalecer o campo político e ampliar as chances de vitória nas eleições. Também foi recorrente a valorização do pedido de desculpas e da disposição para o diálogo, interpretados como demonstrações de maturidade e compromisso com um objetivo considerado maior do que os conflitos internos.
A principal diferença entre os grupos esteve na forma como avaliaram essa aproximação. Enquanto os bolsonaristas convictos manifestaram apoio mais entusiasmado, enfatizando a união como condição indispensável para o sucesso do projeto político e para a defesa do legado de Jair Bolsonaro, os bolsonaristas moderados adotaram uma postura relativamente mais cautelosa. Embora também tenham considerado a reconciliação positiva, parte do grupo condicionou essa avaliação à autenticidade e à permanência do entendimento, demonstrando preocupação com a possibilidade de que a aproximação tivesse caráter apenas circunstancial.
Graças a Deus que se acertaram para o bem da campanha do Flávio Bolsonaro. É hora da direita se unir, para somar forças positivas para resgatar o país das mãos dos ladrões, chega de brigas, o povo não aguenta mais tanta palhaçada. A Michele tá de parabéns por entender a importância desse momento que estamos vivendo, também achei o Flávio Bolsonaro bastante humilde em reconhecer que precisava dar o primeiro passo para a reconciliação, isso mostrou que ele está disposto a tudo pelo bem do Brasil.""" (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"""Fiquei satisfeito com o vídeo e especialmente com a de reconciliação dos dois. É isso que precisamos hj e sempre. As ideias poder ser diferentes, mas a vontade de fazer o Brasil voltar a crescer e livrar o povo daqueles que só querem destruir o País tem que ser muito maior. E os dois tiveram a humildade de ceder em alguns pontos pelo nosso bem. Parabéns aos dois. Só assim vamos vencer!""" (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Bom dia, acho isso um marco importante pra essa guerra que vem pela frente, e eles de forma separada seria algo mais complicado, se eles se entenderam é sinal de maior força pra virar esse jogo, no meu ponto de vista." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
"Se o objetivo é vencer as eleições é óbvio que as arestas devem estar aparadas. Meio tarde? Talvez. Mas pelo menos aconteceu. Resta saber se isso vai se efetivar, porque muitas vezes há discurso de alinhamento mas as vezes é só "pra ingles ver"" (BM, 38 anos, professor , SP)
"com a proximidade da convensão, não há mais espaço pra cortinas de fumaças ou pequenas rusgas. Sendo assim, provavelmente a direita toma um rumo mais coeso para essas eleições." (BM, 43 anos, administradora, GO)

Indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes convergiram na avaliação de que a reaproximação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro foi motivada principalmente por interesses políticos e eleitorais. Nos três grupos, predominou a percepção de que o episódio buscou reduzir desgastes públicos, preservar a unidade do campo bolsonarista e fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro diante da proximidade das eleições. Assim, a maior parte dos participantes atribuiu pouca credibilidade à ideia de uma reconciliação espontânea, interpretando o movimento como uma resposta estratégica ao contexto da campanha.
As diferenças entre os grupos apareceram principalmente na intensidade das críticas. Os indecisos conservadores adotaram um tom mais analítico e cético, reconhecendo a racionalidade política da aproximação, mas questionando sua autenticidade e seus efeitos. Já os indecisos progressistas e os lulodescontentes foram mais enfáticos ao caracterizar o episódio como uma ação de marketing político, entendendo que a reconciliação teve como principal objetivo recompor a imagem pública do grupo e evitar perdas eleitorais, sem representar uma efetiva superação das divergências.
""Eu também já esperava, conversando sobre isso com meus amigos, estava falando que só haviam duas opções pra ela, ou separar de vez ou voltar atrás, porque a pressão familiar que ela iria sofrer para que essa reconciliação acontecesse seria absurda. Por isso acho que ela não mudou de opinião, essa reconciliação foi pura estratégia política.""" (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"Já era esperado, ficaria feio a Michele se desculpar, então o Flávio assumiu o erro e reatou. Lembrando que em ano eleitoral essa estratégia de divisão seria desastrosa para ambos, não foi surpresa pra mim e também não mudou a minha perspectiva a respeito dessa família, uniram a reconciliação com estratégia política e assim segue o jogo" (IC, 24 anos, estudante, MA)
"""O pedido de desculpas foi válido, e ela ter aceitado foi de bom tom. Porém me parece aquelas cenas que vemos os bastidores e parece tudo bem programadinho, tudo uma farsa pra abafar as tretas, fazer parcerias e ganhar as eleições. " (IC, 38 anos, coordenadora , SP)
"Puro marketing político, na minha humilde opinião. Flávio Bolsonaro percebeu que não adianta tentar dividir, melhor somar para tentar levar a eleição esse ano.""" (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"Nossa, que coincidência... brigaram em público, virou desgaste, aí a eleição chega e, de repente, tá todo mundo unido de novo. Parece que o calendário eleitoral é o melhor terapeuta dessa família. Pra mim isso tem muito mais cheiro de marketing do que de reconciliação." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Essa atitude de ambos busca nada mais do que resgatar os eleitores que estavam desistindo de votar em Flávio por suas atitudes,como ele sabe que Michelle possui muita credibilidade em relação aos eleitores,principalmente mulheres,religiosas e que possuem visibilidade dentro do partido como ela." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Pra mim não tem reconciliação nenhuma, é só um acordo político para melhorar para o Flávio.""" (LD, 59 anos, educador social, CE)
"Na minha opinião não houve perdão e nem desculpas, apenas acordo político em prol da família para um melhor resultado nas próximas eleições.""" (LD, 47 anos, professora, MT)

Os lulistas diferenciaram-se dos demais grupos por ampliarem a interpretação estratégica da reaproximação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. Embora também tenham atribuído o episódio à proximidade das eleições e à tentativa de fortalecimento eleitoral do grupo, os participantes foram além da leitura de uma simples ação de marketing, interpretando a reconciliação como parte de um movimento mais amplo de reorganização do campo bolsonarista. Nesse sentido, a aproximação foi associada não apenas à recuperação da imagem pública de Flávio Bolsonaro, mas também à preservação do capital político da família e à construção de alternativas para sua continuidade eleitoral.
Além disso, predominou a percepção de que o episódio foi cuidadosamente planejado e coordenado, sendo compreendido como uma encenação voltada à mobilização do eleitorado e à reorganização das lideranças da direita. Parte dos participantes avaliou que a reconciliação poderia estar relacionada à preparação de novos arranjos políticos e à redefinição de papéis dentro da própria família Bolsonaro, reforçando a interpretação de que interesses estratégicos prevaleceram sobre qualquer tentativa genuína de superação das divergências pessoais.
"Acredito que a aproximação se deva principalmente ao enfraquecimento político do Flávio Bolsonaro e a grande possibilidade dele desistir em breve. Acredito que já estejam preparando a plataforma política para um sucessor, ou melhor, uma sucessora, por mais difícil que pareça ser para a família aceitar. Flávio não tem a menor possibilidade contra Lula e acredito que Michelle também não, mas é possível que já estejam visando a próxima eleição. Não acredito que eles tenham se perdoado visto que a rinha entre os dois não é de agora, apenas finalmente tivemos um vislumbre público de como era a situação." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"Olha, é muito dificil acreditar nesse povo. Tudo o que eles fazem é bem pensado, não dão ponto sem nó. Eu nem acredito muito nessa briga deles, eu passo a imaginar que seja um golpe para a Michele assumir o lugar do Flávio Bolsonaro na corrida pela eleição para presidente. Porque se ele desiste e ela entra no lugar dele, ela vai ser a candidata boazinha, que não compactua com os erros dele, que vai ser correta, que vai fazer tudo certinho, decente, esposa perfeita, mãe de família... Dai todo mundo esquece dos cheques do Queiroz na conta dela e muitas outras coisas que denigre a imagem dessa senhora. Eu não acredito em nada disso, sinceramente. E se realmente brigaram, duvido que fizeram realmente as pazes." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)
"Penso que todos sabem que o Flávio não terá a mínima chance de eleição e por isso estão tentando armar algum plano para que consigam uma segunda opção eleitoral. Está claro que todos os filhos da família Bolsonaro odeiam a Michelle e só se aproximam dela pelo coro emocional que ela ainda possui, principalmente entre as mulheres evangélicas. No final, tudo não passa de um grande teatro para que consigam o objetivo de eleger o máximo possível de deputados e senadores, o que, infelizmente, devem conseguir." (LL, 33 anos, tradutor, SP)

A discussão sobre o papel político dos jogadores de futebol revelou que a principal divergência entre os participantes não esteve na legitimidade da liberdade de expressão dos atletas ou nos temas por eles abordados, mas no papel que o esporte deve desempenhar na sociedade. Enquanto os grupos mais conservadorese priorizaram a preservação da neutralidade do ambiente esportivo, outros interpretaram a grande visibilidade dos jogadores como um recurso que pode, ou mesmo deve, ser mobilizado em favor de causas coletivas. Entre os bolsonaristas convictos predominou a defesa de que o futebol deveria permanecer completamente separado da política, enquanto os bolsonaristas moderados adotaram posição semelhante, embora admitindo manifestações em contextos considerados mais apropriados. Em ambos os grupos, a preservação do esporte como espaço de integração foi priorizada em relação ao direito dos atletas de utilizar eventos esportivos como palco para manifestações públicas. Nos indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes predominou uma compreensão distinta. Esses grupos convergiram na avaliação de que a enorme visibilidade dos jogadores amplia sua capacidade de influenciar a opinião pública e, por isso, legitima seu engajamento em questões políticas, sociais e humanitárias, desde que voltado a causas de interesse coletivo e exercido com responsabilidade. Já os lulistas diferenciaram-se por atribuírem aos atletas uma responsabilidade social ainda mais ampla, entendendo que a projeção pública não apenas autoriza, mas cria uma expectativa de posicionamento diante de injustiças e problemas sociais relevantes. Assim, a principal clivagem observada demonstrou ter um forte componente ideológico.
Na segunda questão, sobre a avaliação do governo Lula, as respostas foram também fortemente estruturadas pelos posicionamentos políticos dos participantes, formando um gradiente relativamente contínuo entre rejeição, avaliação intermediária e apoio. Os dois grupos bolsonaristas concentraram as críticas mais contundentes, caracterizadas não apenas pela desaprovação da gestão, mas também pela desconfiança em relação às pesquisas de opinião, interpretadas como pouco representativas da realidade. Nesse segmento, economia, carga tributária, corrupção, segurança pública e ineficiência administrativa constituíram os principais fundamentos da rejeição ao governo. Nos grupos intermediários — indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes — predominou uma avaliação mais equilibrada, marcada pelo reconhecimento simultâneo de avanços e limitações. Apesar das diferenças ideológicas entre esses segmentos, houve convergência na percepção de que o governo não cumpriu plenamente as expectativas criadas durante a campanha e que permaneciam desafios importantes, especialmente na economia, saúde, segurança e educação. Ao mesmo tempo, esses grupos demonstraram maior disposição para reconhecer políticas públicas consideradas positivas e para ponderar os condicionantes institucionais e políticos enfrentados pelo Executivo. Por fim, os lulistas destacaram-se por apresentar uma avaliação predominantemente positiva do governo, ainda que acompanhada de críticas pontuais. O grupo enfatizou avanços econômicos, sociais e institucionais e atribuiu parte das limitações da gestão ao contexto político, especialmente à atuação do Congresso Nacional e às dificuldades de governabilidade. Diferentemente dos demais segmentos, as críticas não comprometeram a avaliação geral favorável, mas expressaram expectativas de aperfeiçoamento e aprofundamento das políticas implementadas. De forma geral, o debate evidenciou que as percepções sobre o governo permaneceram fortemente condicionadas pelas identidades políticas prévias dos participantes, embora os grupos intermediários tenham mostrado maior abertura para avaliações menos polarizadas e mais baseadas no desempenho percebido da gestão.
A reaproximação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro repetiu o padrão de avaliações condicionados pelos posicionamentos políticos dos participantes. Entre os dois grupos bolsonaristas, predominou uma leitura favorável da reconciliação, interpretada como um passo necessário para fortalecer a unidade da direita e ampliar suas chances eleitorais. Ainda que os bolsonaristas moderados tenham demonstrado maior cautela quanto à autenticidade do gesto, ambos os grupos defenderam que divergências internas deveriam ser superadas em nome de um projeto político comum. Nos grupos intermediários — indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes — prevaleceu uma interpretação bastante convergente de que a aproximação foi motivada principalmente por interesses eleitorais. A reconciliação foi compreendida como uma estratégia para reduzir desgastes, preservar a coesão do grupo e fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, com pouca credibilidade atribuída à hipótese de uma superação genuína dos conflitos. Os lulistas diferenciaram-se ao ampliar essa leitura estratégica. Além de interpretarem a reaproximação como uma ação de marketing político, associaram o episódio a um movimento mais amplo de reorganização do campo bolsonarista, voltado à preservação do capital político da família Bolsonaro e à construção de alternativas para sua continuidade eleitoral. Assim, enquanto os demais grupos críticos concentraram suas análises nos efeitos imediatos da campanha, os lulistas inseriram a reconciliação em uma estratégia política de longo prazo, atribuindo-lhe um significado que extrapolava a disputa eleitoral daquele momento.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

