Relatório 145

De 10 a 16/8/26

Temas:

  • Debates Estaduais
  • Declaração de Caiado na Bahia
  • Erro na filiação de Flávio Bolsonaro
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 10 a 16/8/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 157 interações, totalizando 8.987 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Debate EstadualQuase ninguém assistiu ao debate ao vivo, mas muitos avaliaram como um espaço para medir preparo, firmeza e desempenho. Houve forte valorização do desempenho de candidatos de direita, especialmente Tarcísio e ACM Neto.O acompanhamento foi baixo e marcado por desconfiança das promessas. Quando assistiam, buscavam propostas viáveis e, principalmente, observar como os candidatos se comportavam sob pressão.Apesar do baixo acompanhamento ao vivo, houve interesse em cortes e nos próximos debates. O formato foi valorizado para conhecer propostas, candidatos menos conhecidos e avaliar postura, sinceridade e preparo, podendo ajudar na escolha.O debate foi valorizado para confrontar propostas e histórico e testar candidatos em situações não ensaiadas. Em SP, porém, os indecisos já demonstraram forte predisposição crítica a Tarcísio, reforçada pelo debate.Ninguém acompanhou o primeiro debate, mas a maioria disse ter interesse no formato, muitas vezes pelas redes. Esperavam propostas fundamentadas e planos de governo, embora com forte desconfiança de promessas e do excesso de confronto.O debate foi considerado importante para conhecer propostas e avaliar preparo, mas houve crítica recorrente ao excesso de ataques. Em SP, reforçou posições já consolidadas: avaliação positiva de Haddad e negativa de Tarcísio.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Falas de CaiadoA declaração foi vista como uma escolha infeliz de palavras, mas predominou a defesa de que Caiado não havia tido intenção racista e se referia à situação política e à violência na Bahia. O episódio praticamente não alterou a disposição de voto, inclusive porque Caiado já não era uma opção para muitos.Prevaleceu a interpretação de que a repercussão havia sido exagerada. A expressão foi entendida como referência à libertação da violência, do crime organizado ou do domínio político do PT. Mesmo quando houve críticas à escolha da palavra, ela foi tratada como um erro isolado, sem impacto relevante sobre o voto.Parte considerou que Caiado apenas havia se expressado mal, enquanto outra avaliou a declaração como ofensiva ou provocativa. A controvérsia produziu algum desgaste na imagem do candidato, mas teve efeito eleitoral limitado, sobretudo porque Caiado já despertava pouca disposição de voto no grupo.Predominou uma leitura mais contundente de racismo e preconceito. A explicação posterior teve pouca capacidade de neutralizar o peso histórico atribuído à expressão, e o episódio piorou a avaliação de Caiado. Foi o grupo em que a declaração apresentou maior potencial de ampliar a rejeição e afastar possíveis votos.A expressão foi considerada inadequada e incompatível com o cuidado esperado de uma figura pública. A declaração reforçou avaliações negativas anteriores sobre Caiado, mas produziu pouca mudança efetiva na disposição de voto, já que o candidato anteriormente despertava baixa adesão no grupo.A declaração também foi amplamente condenada, embora variassem as razões atribuídas à fala. Parte identificou racismo e insensibilidade histórica, enquanto outros enfatizaram despreparo e inadequação na escolha das palavras. O episódio reforçou uma rejeição já elevada a Caiado.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Filiação de FlávioPredominou a defesa de Flávio e a crença de que ele foi vítima de uma ação deliberada da esquerda para prejudicar sua candidatura, com pouca credibilidade atribuída a Renan e ao Missão.Prevaleceu a cautela e a defesa de que as acusações precisam ser comprovadas antes de apontar responsáveis, embora alguns tenham se inclinado a acreditar em Flávio.Predominou a desconfiança de Flávio e a percepção de que ele estaria explorando o episódio para se colocar como vítima, ainda que parte tenha preferido aguardar mais provas.Houve maior suspeita sobre Flávio e sua equipe, vistos como possíveis responsáveis ou beneficiários da repercussão, enquanto Renan recebeu maior credibilidade relativa, mas condicionada à apresentação de provas.Predominou a descrença nas duas versões e a avaliação de que apenas uma investigação poderia esclarecer o episódio, sem preferência clara por Flávio ou Renan.Prevaleceu a desconfiança dos dois lados, mas com maior descrédito de Flávio e alguma vantagem de credibilidade para Renan, sem dispensar a necessidade de investigação.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
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Pergunta 73

Ontem, a Band realizou os primeiros debates entre candidatos aos governos estaduais em diversos estados do país. Vocês chegaram a assistir ao debate entre os candidatos ao governo do estado de vocês? Para quem assistiu: o que acharam do debate? Algum candidato chamou mais a atenção, positiva ou negativamente? Por quê?

E, de modo geral, vocês costumam acompanhar debates eleitorais pela televisão ou por outros meios? Quando acompanham, o que esperam ver dos candidatos?

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Baixo acompanhamento ao vivo, mas circulação pelas redes

O primeiro debate teve baixo acompanhamento ao vivo em praticamente todos os grupos. Muitos participantes não assistiram à transmissão e, em vários casos, disseram que sequer souberam previamente que o debate aconteceria. A suposta pouca divulgação apareceu de forma espontânea em diferentes perfis, enquanto outros não acompanharam por falta de tempo ou por não terem o hábito de assistir à televisão aberta. Ainda assim, a ausência diante da transmissão original não significou necessariamente desinteresse pelos debates eleitorais, já que muitos afirmaram que costumavam acompanhá-los e pretendiam assistir aos próximos.

As redes sociais e o YouTube ampliaram a circulação do debate para além da transmissão televisiva. Participantes de diferentes grupos assistiram posteriormente a cortes, resumos, comentários ou buscaram a íntegra na internet. Assim, o debate manteve relevância como conteúdo da campanha, mas passou a ser acompanhado também de forma fragmentada e no tempo escolhido pelo eleitor, por meio dos trechos e repercussões que circularam nas plataformas digitais.

"Bom dia, não assisti, mas sempre vejo uns trechos do debate pela internet. Quando vejo, espero encontrar seriedade e compromisso dos candidatos, algo que faça valer a pena o voto." (BC, 22 anos, vigilante, RO)

"Normalmente assisto no YouTube no dia seguinte. O de ontem não assisti ainda; acompanhei a sabatina do Zema na semana passada e achei ele bem coerente." (BM, 29 anos, advogada, SP)

"Eu não assisti , mas vi alguns post no Instagram de pessoas comentando que esperava mais

Eu costumo acompanhar, não vi esse porque eu realmente não consegui. E gosto de analisar a postura e as ideias e falas deles" (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)

"Eu não assisti completo, mas eu vi vários cortes. Não costumo assistir TV. Eu vejo os vídeos pelas redes sociais, sempre acompanho por páginas ou coisas assim. Nunca pela TV. Acho interessante ver esses debates, pq mostram eles com questões, respostas, retrucada com outro candidato, eu gosto de ver. Pq eles estão fazendo de tudo pra mostrar que podem fazer e que fazem algo. As confusões... Sabe, nos debates parece mesmo que eles querem ganhar e vão fazer valer a pena, assistir aos debates me passa confiança. Mas infelizmente acaba sempre pela falta das atitudes." (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Não soube do debate e não assisti, mas de modo geral eu costumo acompanhar sim, gosto de assistir e espero que sejam discutidas propostas, mas sei que não é o que acontece na maioria das vezes. Quando n assisto na tv, procuro assistir pelas mídias sociais" (LD, 29 anos, professora, RJ)

"infelizmente não assisti pq não fiquei sabendo desse debate até então e não me mantive informada quanto aos debates nesta semana.

sim, costumo acompanhar e acredito que todos devemos acompanhar para que possamos ter um pouco mais de noção de quem vamos votar, pq a grande maioria dos candidatos são contraditórios e não sabem se quer dialogar. eu costumo acompanhar pela televisão e depois os cortes que soltam na internet. Eu espero propostas realmente boas para a população, espero candidatos comprometidos e de preferência, sem brigas, pq eles preferem brigar ao vivo do que realmente debater." (LL, 23 anos, auxiliar administrativo , RO)

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Debate como reforço de posições já consolidadas

Entre os bolsonaristas convictos e os lulistas, o debate foi interpretado principalmente a partir das preferências políticas que os participantes já tinham. Nos bolsonaristas convictos, candidatos identificados com a direita tiveram seus desempenhos valorizados, com destaque para Tarcísio em São Paulo e ACM Neto na Bahia. As falas enfatizaram a capacidade de confronto e a superioridade diante dos adversários, mostrando uma recepção marcada mais pela confirmação das avaliações anteriores do que pela busca de elementos para reconsiderar o voto.

Entre os lulistas, ocorreu movimento semelhante no sentido oposto. Em São Paulo, Haddad foi percebido como mais preparado, articulado e próximo da realidade do estado, enquanto Tarcísio recebeu avaliações negativas sobre seu desempenho e sua gestão. Apesar das diferenças na forma de avaliar os candidatos, os dois grupos convergiram na função que o debate desempenhou: entre eleitores com posições mais consolidadas, ele serviu principalmente para reforçar preferências e rejeições que já existiam.

"Eu assistir o da Bahia e São Paulo, na Bahia ACM neto foi cirúrgico em tudo, ao contrario de Gerônimo, perdido e sem rumo, sem propostas, nada de bom para o Estado da Bahia. O de São Paulo também foi bom, mais uma vezes massacre de Tarcísio. Gosto dos debates, é importante, servi pra desmascarar muito governo que não fez nada em 4 anos." (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)

"Verdade, o debate de SP foi muito bom, valeu a pena assistir o Tarcísio tratorando o Haddad" (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Não vi o debate entre Haddad e Tarcísio ao vivo, mas vi um resumo. Gosto de assistir aos debates porque é possível entender melhor o raciocínio, o preparo e o conhecimento de cada candidato, inclusive se ele está mentindo ou falando a verdade. Apesar de terem orientação e treinamento para os debates dirigidos pelo pessoal de marketing de campanha, o corpo fala, o rosto e a voz mostram se é sincero, quanto mais pressão um coloca sobre o outro candidato, mais visível é a sua intenção.
E no caso de São Paulo, Tarcísio humilhou Haddad." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Bom dia. Ontem assisti o debate entre o Tarcísio e o Haddad. Achei que o Tarcisio mente muito, floreia muito. Acho que o pensamento dele é: alguém acreditando já está bom! A superioridade do Haddad foi gritante! Fala muito melho, interage muito mais! Sabe o que está falando. Eu costumo assistir todos os debates pois gosto muito de estar por dentro do que cada um fala, mesmo sabendo que não cumprem nem 10% do que dizem. Tem alguns debates que chegam de ser até comicos. O de ontem achei meio tenso." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

"Ontem assisti o debate para Governador do Estado de São Paulo. Achei o debate equilibrado considerando o que vimos no debate da prefeitura da cidade de São Paulo há anos atrás. O Haddad me chamou muito mais atenção positivamente, parecia estar mais dentro da realidade do que acontece e vem acontecendo dentro do estado mesmo o Tarcísio sendo o atual governador, por conveniência, ele distorce bastante os dados, principalmente em relação a segurança pública a qual ele tem uma visão totalmente distinta da realidade. Antigamente, costumava ver pela TV, mas agora tem tido mais a transmissão via YouTube, então opto por lá. De debates, sempre espero ouvir proposta e menos briga e trocação de ofensas." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

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Debate como teste de candidatos e instrumento de avaliação

Entre os grupos menos definidos politicamente ou mais distantes de suas referências eleitorais, o debate foi valorizado principalmente como uma oportunidade para avaliar propostas, preparo, postura e capacidade dos candidatos de responder sob pressão. Bolsonaristas moderados, indecisos conservadores e progressistas demonstraram interesse especial por situações que fugissem das falas ensaiadas e permitissem observar coerência, segurança e reação diante de críticas. Entre os indecisos conservadores, esse papel apareceu de forma ainda mais importante, já que o debate também serviu para conhecer candidatos menos conhecidos e reunir informações para a formação da preferência eleitoral.

Ao mesmo tempo, atravessou esses grupos uma desconfiança em relação às promessas e ao próprio desempenho dos candidatos nos debates. Os lulodescontentes enfatizaram a necessidade de propostas concretas e possíveis de cumprir, enquanto indecisos progressistas cobraram explicações sobre como elas seriam implementadas. Os lulodescontentes ainda se diferenciaram pelo maior distanciamento do primeiro debate — nenhum participante havia assistido —, mas compartilharam a expectativa de encontrar propostas fundamentadas e planos de governo. Assim, nesses quatro grupos, o debate teve potencial para informar e testar os candidatos, mas seu valor dependeu da capacidade de ir além de promessas, ataques e discursos previamente preparados.

"As vezes acompanho, não espero ver muito pois um bom gestor não revela suas estratégias. Se falar demais pra mim é promessa que não será cumprida, hoje em dia assisto mais pra ver como o candidato haja sob pressão. Se não aguenta pressão não serve pra me representar..." (BM, 43 anos, administradora, GO)

"Não assisti ao debate. Fui pego de surpresa com a notícia que houve debate pois quando fiquei sabendo já havia acontecido. Tenho o hábito sim de assistir aos debates e espero ver um pouco de casa coisa: candidatos com suas propostas, acusações e farpas entre eles, provocações e também a oportunidade de conhecer alguns que não são tão famosos" (IC, 29 anos, professor, RJ)

"Não assisti, mas costumo acompanhar, e espero mais clareza das propostas dos candidatos, e vê-los sendo encurralados por possiveis situações das quais eles nem ensaiaram para opinarem, ou proporem uma solução." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

"Nao assisti o debate da bandeirantes, mas sempre acompanho os debates e espero que os candidatos tenham propostas que realmente tenham fundamentos e um plano de governo dos bem elaborado." (LD, 49 anos, vigilante, MT)

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Pergunta 74

Durante a convenção que oficializou sua candidatura à Presidência, Ronaldo Caiado comentou a disputa eleitoral na Bahia e o apoio do ex-prefeito de Salvador ACM Neto à sua candidatura. Ao falar sobre uma eventual vitória dos dois, Caiado afirmou: “Com Caiado e ACM eleitos, o povo baiano vai se sentir alforriado.” A declaração gerou críticas pelo uso da palavra “alforriado”, expressão historicamente relacionada à libertação de pessoas escravizadas. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, classificou a fala como ofensiva, destacando a história da escravidão no estado e o fato de a maioria da população baiana ser negra.

Após a repercussão, Caiado afirmou que utilizou a expressão em referência à violência e ao domínio do crime organizado, argumentando que falava em “libertar” a população que hoje estaria impedida de exercer plenamente seu direito de ir e vir.

O que vocês acharam da declaração de Caiado? E esse episódio altera de alguma maneira a imagem que vocês têm de Caiado ou a disposição de votar nele para presidente?

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Erro de comunicação, sem conteúdo racista

Entre bolsonaristas convictos, bolsoanristas moderados e parte dos indecisos conservadores, predominou a interpretação de que a declaração não havia tido intenção racista e que a repercussão atribuiu à expressão um sentido diferente daquele pretendido por Caiado. A explicação de que a fala se referia à violência, ao crime organizado e, em algumas leituras, ao domínio político do PT foi considerada compatível com o contexto em que a declaração havia sido feita. Ainda assim, mesmo entre aqueles que defenderam esse sentido, houve reconhecimento de que a escolha de “alforriado” havia sido pouco cuidadosa e poderia abrir espaço para interpretações negativas.

De maneira geral, o episódio foi tratado mais como um problema de comunicação do que como revelador de uma característica negativa de Caiado. A crítica concentrou-se na necessidade de maior cuidado com as palavras no ambiente político, enquanto parte dos participantes considerou a repercussão exagerada. Por isso, a controvérsia apresentou baixo potencial de alterar a imagem do candidato ou a disposição de voto: entre quem já não cogitava Caiado, a fala não acrescentou uma razão decisiva para rejeitá-lo; entre os mais abertos ao candidato, a interpretação predominante não foi suficientemente grave para provocar afastamento.

"Como ele mesmo explicou, a fala pode ter sido interpretada de modo errado, mas para mim não faz diferença ja que ele nunca foi uma opção de voto para mim." (BC, 22 anos, vigilante, RO)

"Não acho que ele teve intenção racista. O que vejo é que hoje em dia é preciso medir muito as palavras, qualquer brincadeira ou palavra que desagradar algumas pessoas já vira acusação de racismo ou misoginia entre outros "ismos" ou 'istas" e a esquerda e os wokes aproveitam para atacar. Eu votaria nele sem problema, mas nessa eleição aínda não." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Bom dia...Eu acho que não tem nada a ver com racismo.Para mim, ele estava se referindo à violência e ao domínio do crime, e não à questão racial. Pode ter sido uma escolha de palavras infeliz, mas não vejo dessa forma." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

"Boa noite. Eu acho que o Caiado de fato tocou no assunto do crime organizado como deve ser feito. Lá o bixo está pegando e muitos estão passando a mão, sendo coniventes. Não acredito que a expressão utilizada tenha se referido a escravidao. Também não acho que isso impactará em seus eleitores, não creio que vá denegrir sua imagem." (BM, 29 anos, advogada, SP)

"Eu particularmente não vi nada de mais na fala dele (mas acredito que pro povo baiano, eu não tenho lugar de falar), mas nos dias de hoje não se pode falar nada que gera uma repercussão absurda. Mas enfim, não muda a minha opinião sobre ele, e sinceramente ainda não tem um candidato que tenha chance de ganhar um voto meu. Esse ano está bem difícil de conseguir escolher alguém." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Não vejo nada preconceituoso nessa fala, por próprio mérito do povo baiano eles são governados por incopentes e tem um certo partido que governa a Bahia há 20 anos, creio que essa fala se referiu a essa situação, e eu tenho uma simpatia pelo candidato Caiado" (IC, 24 anos, estudante, MA)

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Fala inadequada e reforço de uma imagem negativa

Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma avaliação negativa da declaração e maior sensibilidade ao peso histórico da expressão utilizada. A palavra “alforriado” foi associada diretamente à escravidão e considerada especialmente inadequada quando dirigida à população baiana. A explicação posterior de Caiado teve pouca força para reverter essa percepção. Entre os indecisos progressistas e parte dos lulistas, a crítica foi mais contundente e a fala foi diretamente classificada como racista ou preconceituosa; entre os lulodescontentes, apareceu com mais força a cobrança por responsabilidade e cuidado de uma figura pública na escolha das palavras.

Apesar da reação negativa, o episódio produziu mais reforço do que mudança de opinião, já que Caiado anteriormente despertava pouca disposição de voto nesses grupos. A declaração confirmou ou aprofundou uma imagem negativa já existente e ofereceu novos argumentos para a rejeição ao candidato. O potencial de afastamento foi maior entre os indecisos progressistas, onde a fala chegou a aparecer como motivo suficiente para descartar seu nome, enquanto entre lulodescontentes e lulistas predominou a reafirmação de uma distância anterior.

"Declaração de cunho racista. Essa situação piora a imagem que tenho sobre ele.
Jamais votaria nele para presidente." (IP, 32 anos, dentista, SP)

"Pra mim foi uma fala bem infeliz e desnecessária. Alforria lembra diretamente a escravidão, ainda mais falando da Bahia. Depois explicar que estava falando de violência não apaga a escolha da palavra. Não mudaria tudo que penso sobre ele, mas com certeza pesa negativamente. Um racista!" (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Ele não devia ter usando esta expressão, hoje em dia temos que ter o cuidado com os termos e palavras a serem usadas. Como figura pública ele devia ter usado palavras adequadas ao tema que ele estava se referindo. O episódio não altera a imagem que tenho sobre ele." (LD, 47 anos, professora, MT)

"Olá, pessoal. Considero a declaração do candidato Ronaldo Caiado, no mínimo inapropriada. Esse episódio só reforça a imagem que tenho dele e afasta mais de qualquer disposição de votar nele." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Honestamente, ele não é e nem nunca foi uma opção de candidato para mim. Penso que foi uma escolha de palavra infeliz, que pode até não ser mal intencionada, mas nem por isso se torna boa." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"Eu acho que ele foi bem infeliz nessa declaração, pelo que vinha acompanhando da jornada dele pela presidência, ele era um dos únicos candidatos que não tinha se envolvido em escândalos até então. Acaba alterando sim a maneira como vejo ele e a minha disposição em querer votar nele." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

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Pergunta 75

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar nesta quinta-feira (13) sua candidatura à Presidência da República - após aparecer filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral. A advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, disse que se tratava de uma fraude e Flávio Bolsonaro gravou um vídeo sobre o episódio. Em contrapartida, Renan Santos, candidato pelo Missão, gravou também um conteúdo acusando a própria equipe de Flávio de ter realizado o cadastramento.

Em anexo, enviamos os 2 materiais. Após assistir, respondam:

O que vocês acham desses fatos recentes? Quem vocês avaliam que está correto?

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Defesa de Flávio e percepção de tentativa de sabotagem

Entre os bolsonaristas convictos, predominou uma adesão clara à versão apresentada por Flávio Bolsonaro, acompanhada da percepção de que o episódio teria sido provocado deliberadamente para prejudicar sua candidatura. A hipótese de que Flávio ou o PL pudessem ter responsabilidade pelo cadastramento praticamente não encontrou espaço no grupo. Ao contrário, a situação foi interpretada a partir de uma lógica de perseguição política, na qual o candidato aparecia como alvo de adversários interessados em criar obstáculos à sua participação na eleição.

Essa interpretação também fez com que Renan Santos e o partido Missão tivessem pouca credibilidade entre os participantes. As acusações apresentadas contra Flávio foram recebidas como parte da própria disputa política e, em alguns casos, incorporadas a uma percepção mais ampla de atuação de adversários contra a direita. Assim, mesmo sem elementos conclusivos sobre a autoria do cadastramento, predominou uma leitura bastante definida sobre quem ocupava as posições de vítima e de responsável pelo episódio, com baixo espaço para dúvida ou suspensão de julgamento.

“Bem diante dos fatos e de tentarem a todo custo incriminar a candidatura do Flávio tentando a todo custo sujar a imagem dele para o povo que não busca a verdade cada situação dessa para o candidato flavio é ruim ,logo ele nem o partido faria tal coisa para ninguém ficar em cima deles ,não vamos sabe quem foi o real infrator,mas sabemos que o partido PL e flavio não faria isso para evitar virar inelegível a beira da eleição.” (BC, 39 anos, administrador, RJ)

“Boa noite; estamos chegando perto da eleição, então qualquer notícia diferente a de se analisar, hoje o Flávio é o cara da direita, então não se pode dar um vacilo desse, é focar em sua campanha e ganhar. Esse ponto já abriu uma discussão para o Renan que gosta de falácia, é melhor não dá palco pra ele.” (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)

“Mediante a essas acusações o Flavio parente tranquilidade, não parecer ser mentira da parte dale e deixa nítido as intenções da esquerda.” (BC, 22 anos, vigilante, RO)

“Esse Partido do Missão é uma Fanfarrice só! Um partido que não tem nem 3 anos e já está envolvido em fraudes, so vejo que essa situação é mais uma invenção junto com a esquerda para criar essa piada. Sem falar gente que a forma como esse tal de Renan falou só prova que tem raiva do Flávio e tentou prejudica-lo, é o que eu tenho dito, tudo já sendo feito pelo desespero de ver o Brasil se preparando para ter Flavio como presidente.” (BC, 47 anos, administradora, BA)

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Cautela e cobrança por provas antes de apontar responsáveis

Entre os bolsonaristas moderados, predominou uma postura de cautela diante das versões apresentadas, sem adesão imediata às acusações de nenhum dos lados. Os participantes avaliaram que ainda não havia elementos suficientes para determinar quem havia sido responsável pelo cadastramento e defenderam que as acusações fossem sustentadas por provas. Diferentemente dos bolsonaristas convictos, portanto, a proximidade política com Flávio não levou automaticamente à aceitação de sua narrativa de fraude ou perseguição.

A principal demanda foi por investigação e esclarecimento dos fatos, acompanhada da defesa de responsabilização de quem efetivamente tivesse cometido alguma irregularidade. Também apareceu um incômodo mais amplo com a troca de acusações e com o nível da disputa eleitoral, interpretada como pouco produtiva. Embora uma parcela tenha demonstrado maior disposição para acreditar que Flávio havia sido prejudicado, essa posição permaneceu secundária diante da postura predominante de esperar por evidências antes de atribuir responsabilidades.

“Eu não poderia avaliar quem está certo na questão, até por que não politica "vale tudo " e cabe a Flávio provar que foi uma fraude e provando,que quem tiver culpa pague por suas atitudes.” (BM, 54 anos, aposentado, PB)

“No meu ponto de vista esses ataques aí não resolvem nada, tudo independente do lado que seja precisa ser provado e se quem tiver errado deve ser cobrado de forma correta.” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

“Acho que é uma situação que precisa ser investigada com cuidado antes de apontar um culpado.É importante verificar os registros e as provas para entender quem realmente fez o cadastramento. Nesse caso, acredito que está correto quem apresentar provas concretas dos fatos.” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

“Começou a patifaria; não duvido de nada. Acho importante averiguar esse cadastramento, pois se ele alega que estão tentando prejudicar, tem como provar isso.” (BM, 29 anos, advogada, SP)

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Maior desconfiança de Flávio e percepção de vitimização

Entre indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma postura de maior desconfiança em relação à versão apresentada por Flávio Bolsonaro, embora com intensidades diferentes. A recorrência de episódios envolvendo sua candidatura contribuiu para que parte dos participantes interpretasse o caso como uma tentativa de reforçar uma narrativa de perseguição política ou de gerar visibilidade. Ao mesmo tempo, não houve adesão generalizada à versão de Renan Santos, permanecendo a cobrança por investigação e provas antes de estabelecer responsabilidades.

As diferenças estiveram principalmente no grau de suspeita direcionado a Flávio. Entre indecisos progressistas e lulistas, houve maior inclinação a considerar Renan mais convincente e a admitir que Flávio ou sua equipe pudessem ter responsabilidade pelo episódio. Os indecisos conservadores também demonstraram desconfiança de Flávio e de sua postura de vitimização, mas permaneceram mais divididos sobre quem estava correto. Os lulodescontentes foram os mais cautelosos, demonstrando descrença nas duas versões e preferindo aguardar o esclarecimento pelas autoridades, sem atribuir claramente a responsabilidade a nenhum dos lados.

"Olha sinceramente esse Flávio Bolsonaro tá conseguindo ser mais vitimista que o pai Jair Bolsonaro. O cara faz tudo pra chamar a atenção pra ele, é cansativo. Pra mim é mais uma artimanha política dele pra ficar em evidência. Mais isso também nos mostra como o sistema político é ruim e falho” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

“Isso é estratégia, com certeza é só mais uma tentativa frustada do Flávio chamar atenção pra sair como vítima e ganhar voto por pena, pq parece que é isso que ele gosta. Provavelmente eles mesmos fizeram o cadastro, deveria ser investigado melhor e que a resposta seja mostrada pro público. Senti convicção nas falas do Renan sobre ter como provar, gostaria que isso fosse a frente e que ele provasse mesmo.” (IP, 26 anos, autônoma, RO)

“Agora que foi descoberta a situação. Ambas as partes vão se defender, mas terão que apresentar provas concretas para mostrar de quem foi o erro. De acordo com os vídeos não tem como saber quem está correto ainda, mas o fato não me surpreende.” (LD, 47 anos, professora, MT)

“Após assistir aos vídeos em questão, eu acredito que o Renan foi um pouco mais verdadeiro que o Flávio, essa foi a impressão que o vídeo me passou. O Flávio falou, falou e não fim não disse nada” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

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Considerações Finais

O primeiro debate entre candidatos aos governos estaduais teve baixo acompanhamento ao vivo em todos os grupos, com justificativas recorrentes relacionadas à pouca divulgação. Ainda assim, os debates continuaram sendo considerados relevantes, com redes sociais e YouTube ganhando espaço para o consumo posterior de cortes, resumos e repercussões. A recepção variou principalmente conforme o grau de definição política. Entre bolsonaristas convictos e lulistas, o debate reforçou preferências e rejeições já existentes. Entre bolsonaristas moderados, indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes, ou seja, o filé mignon dos públicos-alvo do marketing político, os debates foram tratados mais como instrumentos que permitem ao eleitor avaliar propostas, preparo, postura, coerência e reação sob pressão dos candidatos. Entre todos os grupos, os indecisos conservadores foram os que mostraram maior inclinação para conhecer candidatos e formar preferência. De forma transversal, os participantes demonstraram interesse em acompanhar os próximos debates, com expectativas de apresentação de propostas concretas e viáveis, conhecimento dos problemas e capacidade de execução, em lugar de trocas de acusações e brigas.

A declaração de Caiado não produziu uma reação homogênea, com as diferenças acompanhando claramente o posicionamento político dos grupos. Entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados, predominou a interpretação de que não houve intenção racista e de que a expressão havia sido mal escolhida ou explorada fora de seu sentido original. Parte dos indecisos conservadores acompanhou essa leitura, embora o grupo tenha apresentado maior divisão e várias críticas à inadequação da palavra. Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, a avaliação foi mais negativa. A associação de “alforriado” com a escravidão ganhou peso, e a explicação posterior de Caiado teve menos capacidade de neutralizar a controvérsia. Os indecisos progressistas foram os mais propensos a classificar diretamente a declaração como racista ou preconceituosa e a considerar o episódio relevante para a decisão eleitoral. Apesar das diferenças de interpretação, o impacto sobre o voto foi limitado na maior parte dos grupos. Isso ocorreu principalmente porque as opiniões sobre Caiado já estavam relativamente consolidadas para a maioria dos participantes. O maior risco apareceu entre os públicos ainda em processo de formação de preferência, nos quais o episódio pareceu piorar a imagem do candidato e funcionar como mais um elemento para descartá-lo.

O episódio da filiação de Flávio evidenciou uma divisão clara entre os bolsonaristas convictos e os demais segmentos. Entre os primeiros, predominou a confiança na versão de Flávio Bolsonaro e a interpretação de que sua candidatura havia sido alvo de uma tentativa deliberada de sabotagem. Entre os bolsonaristas moderados, essa defesa perdeu força e deu lugar a uma postura mais cautelosa, marcada pela cobrança por provas e investigação antes da atribuição de responsabilidades. Entre indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, prevaleceu uma desconfiança maior em relação a Flávio, embora com diferentes intensidades. A percepção de vitimização e de exploração política do episódio apareceu principalmente entre os indecisos e lulistas, enquanto os lulodescontentes adotaram uma posição mais cautelosa e desconfiaram das duas versões. Renan Santos obteve alguma vantagem relativa de credibilidade entre os indecisos progressistas, mas não houve confiança consolidada em sua versão, permanecendo forte a demanda por provas e esclarecimentos pelas autoridades.

Um aspecto relevante entre os bolsonaristas convictos foi a incorporação de informações não apresentadas nos materiais como se fossem fatos comprovados. Algumas respostas extrapolaram a discussão e se basearam em especulações sobre o cadastramento, atribuindo diretamente o episódio à esquerda, ao partido Missão ou a uma ação deliberada contra Flávio, chegando a associar o episódio a outras teorias conspiratórias sobre interferências no processo eleitoral. Esse movimento indicou que lacunas de informação foram preenchidas por narrativas previamente consolidadas de perseguição política, favorecendo a circulação de alegações sem evidências e reduzindo a disposição para aguardar a apuração dos fatos.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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MDP - Relatório 145