


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Debate na Band | O debate perdeu relevância e despertou pouco interesse devido à ausência de Lula e Flávio. Predominou a defesa da ausência de Flávio como estratégia para evitar ataques e se preservar. | Participantes cobraram a presença de Lula e Flávio, considerados essenciais para um debate relevante. A ausência de Flávio gerou incômodo, embora alguns tenham compreendido a decisão como estratégia. | Quem acompanhou valorizou o espaço para propostas e o tom mais respeitoso, com destaque positivo para Augusto Cury. Lula e Flávio foram fortemente criticados por não comparecerem. | Houve forte cobrança pela presença de Lula e Flávio, entendendo o debate como parte da responsabilidade de quem disputa a Presidência. Apesar de críticas aos ataques, algumas propostas dos demais candidatos despertaram atenção. | A ausência de Lula e Flávio foi majoritariamente criticada e reduziu o interesse pelo debate. O grupo defendeu a presença dos principais candidatos para comparar propostas, contrapropostas e preparo. | A ausência de Lula e Flávio foi mais compreendida como estratégia e não gerou desgaste relevante para Lula. Sem os dois líderes, porém, o debate não gerou interesse e foi considerado esvaziado. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Fontes de informação | Os debates foram o formato mais valorizado por exporem preparo, postura e reação dos candidatos, enquanto o horário eleitoral foi visto como artificial. As sabatinas foram consideradas úteis, mas a credibilidade dependeu fortemente da emissora e da percepção de imparcialidade. | Debates e sabatinas foram mais valorizados por mostrarem os candidatos em situações menos controladas e demonstraram potencial para influenciar o voto. O horário eleitoral teve pouca influência por ser percebido como excessivamente produzido e controlado. | Os debates se destacaram como o formato com maior capacidade de influenciar e até decidir o voto, por permitirem avaliar preparo, conhecimento e reação sob pressão. Horário eleitoral teve baixa relevância e as sabatinas dividiram opiniões. | Os debates foram considerados importantes para comparar candidatos, avaliar preparo e até confirmar ou mudar convicções. O uso massivo de celular e redes sociais, reduziu o acompanhamento do horário eleitoral e das sabatinas pela TV. | Debates e sabatinas foram valorizados para avaliar preparo, propostas e posicionamentos. O horário eleitoral perdeu centralidade diante da internet e de outras fontes de informação e por ser considerado artificial. | Os debates foram o formato preferido, sobretudo quando contavam com os principais candidatos, mas serviam mais para acompanhar e confirmar percepções do que para mudar o voto. Horário eleitoral e sabatinas tiveram interesse mais irregular. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Sabatina com Lula | O grupo avaliou que Lula teve desempenho péssimo, fugiu das perguntas, mentiu e não apresentou propostas. Parte do grupo se surpreendeu positivamente com perguntas mais duras e diretas dos jornalistas. | Para todos, Lula apresentou respostas genéricas e evasivas, não trouxe propostas novas e reforçou a percepção de desgaste e esgotamento de sua candidatura. A sabatina não alterou a rejeição já existente. | Lula foi visto como evasivo, repetitivo e sem novidades, reforçando a distância em relação à sua candidatura. Parte também criticou as perguntas, consideradas tendenciosas ou pouco focadas nos problemas do governo e nas propostas. | Lula teve desempenho predominantemente positivo, transmitindo preparo, segurança e calma. Houve ressalvas pontuais sobre respostas enroladas e rispidez, sem impacto relevante sobre a avaliação geral. | O grupo avaliou que Lula teve desempenho entre regular e bom, mas não dissipou as dúvidas desse segmento. A postura defensiva diante das investigações e a falta de maior convencimento sobre um novo mandato permaneceram como fragilidades. | Unanimemente, Lula teve bom desempenho, transmitiu segurança e experiência, e eventuais momentos de irritação foram relativizados. A principal crítica recaiu sobre a sabatina, vista como excessivamente focada em polêmicas e pouco aberta à discussão de propostas. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |


Entre os bolsonaristas convictos, a ausência de Flávio Bolsonaro foi predominantemente compreendida como uma decisão estratégica de preservação, e não como uma recusa ao debate. Prevaleceu a percepção de que, por estar entre os principais nomes da disputa e contar com um eleitorado já consolidado, sua participação poderia trazer mais riscos do que ganhos, sobretudo pela possibilidade de concentrar os ataques dos demais candidatos. Essa leitura contribuiu para que o não comparecimento não produzisse desgaste relevante sobre sua imagem dentro do grupo. Já a ausência de Lula veio acompanhada das críticas já existentes ao governo e à sua incapacidade de responder aos adversários.
Ao mesmo tempo, a ausência de Flávio e Lula reduziu fortemente o interesse pelo debate e a importância atribuída ao encontro. Os candidatos presentes foram percebidos como menos competitivos e despertaram pouca disposição para acompanhamento, reforçando a expectativa de que a disputa efetivamente relevante ocorreria entre os dois líderes. Embora tivesse surgido alguma cobrança pela participação de todos os candidatos, predominou a compreensão da estratégia de Flávio e a percepção de que sua ausência não alterou as preferências já consolidadas.
"Eu não assisti ao debate, mas acho que não comparecer ao debate foi uma tática certeira porque Flávio seria atacado por todos os outros, uma vez que ele tem mais chances de ser eleito e a grande maioria dos seus eleitores já o conhecem. Lula tbm está no páreo, mas acredito que ao ser atacado por todos os outros candidatos ele poderia falar besteira, se bem que seus eleitores são cativos; Prefiro aguardar o debate de Lula e Flávio." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Bom dia; no meu ponto de vista eu acho uma tremenda falta de respeito com o povo brasileiro, nem Lula e nem Flávio compareceu, virou piada esse Brasil, deveria ter um projeto de lei em que os candidatos a presidente deveria comparecer a todos debate de rede nacional, quando ao debate de ontem eu vi pouco, mas achei um debate até que leal pra ambos."
(BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)
"Eu não assisti o debate ,quando vi que não compareceu todos nem perdi tempo pra gosto de assistir com todos os candidatos assim podemos analisar o rebate de cada um deles. Esperando o próximo para ficar mais emocionante." (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"Eu não vi o debate. Eu prefiro acompanhar as ações e os projetos do que eu já acompanho há mais tempo do que uma campanha eleitoral, por isso, acho que não por Lula que esse deve ter fugido por que sabe que os candidatos irão mostrar a ele os erros de sua gestão mas quanto a Flavio é mais se preservar e focar no que importa." (BC, 47 anos, administradora, BA)

Entre os lulistas, a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro foi predominantemente compreendida como uma decisão estratégica relacionada à posição dos dois candidatos nas pesquisas. O não comparecimento não produziu desgaste relevante para Lula, e o grupo demonstrou maior disposição para relativizar sua ausência do que os lulodescontentes e os segmentos de indecisos. Ao mesmo tempo, a falta dos dois principais candidatos reduziu fortemente o interesse pelo debate, que foi percebido como esvaziado e menos relevante para a disputa.
Essa compreensão, porém, não significou uma aprovação irrestrita da ausência. O debate continuou sendo valorizado como espaço para apresentação e comparação de propostas, e houve reconhecimento de que a sociedade perdeu com a ausência dos principais concorrentes. A tolerância pareceu estar relacionada sobretudo ao caráter inicial do debate: a repetição das ausências ao longo da campanha poderia ser interpretada de forma mais negativa, aumentando a cobrança para que Lula e Flávio se submetessem ao confronto direto nos próximos encontros.
“Eu iria acompanhar o debate, já tinha me planejado para isso, mas com a ausência de quem realmente importava, acabei não assistindo. Concordo demais com o que o Leonardo Sakamoto comentou antes de começar o debate, é necessário rever as regras de como ele está acontecendo e fazer de uma maneira que evita essa fuga dos candidatos melhores colocados. O que ele sugeriu e que achei que faz muito sentido é deixar os debates por blocos temáticos: economia, sociedade, segurança, saúde e que todas as emissoras passem ao mesmo tempo, em um pool da programação. Dessa forma, o debate ficaria mais rico, mais interessante de acompanhar e os candidatos seriam meio que obrigados a ir em todos, já que passaria na Globo. Agora, mesmo com esse formato atual, acho feio que eles não compareçam. Entendo que seja uma estratégia de campanha e que tenha estudos por traz de cada ação, mas quem perde com tudo isso é a sociedade que deixa de ter uma oportunidade de ver os candidatos debatendo propostas e avaliando quais são as melhores e mais viáveis para o país.” (LL, 33 anos, tradutor, SP)
“não pude acompanhar, pois estava em aula. também notei que não vi muitas publicações nas redes sociais quanto ao assunto. muito estranho inclusive, se tratando de um assunto de todos os brasileiros. Nao vejo problema na ausência inicial nesse primeiro debate, agora se isso se repetir por muitos outros, o candidato estará fugindo dos debates. mas não acho que seja bom não comparecer, sendo que os debates são muito importantes para conseguir mais votos.” (LL, 23 anos, auxiliar administrativo , RO)
“Não cheguei a acompanhar o debate. Mas não vejo a ausência de Lula e Flávio como algo negativo, acho que eles estão tentando se “resguardar” ao máximo, porém, essa semana já tem um pequeno debate com os candidatos confirmados, mesmo que seja em dias diferentes, dá para a gente ter uma noção de propostas e do que os mesmos estão pretendendo caso ganhem a eleição.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

Entre bolsonaristas moderados, indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes, predominou uma avaliação crítica à ausência de Lula e Flávio Bolsonaro. O comparecimento aos debates foi entendido como parte da responsabilidade de quem disputava a Presidência, especialmente dos dois candidatos que lideravam as pesquisas. A ausência foi associada à falta de respeito com os eleitores e prejudicou uma das funções mais valorizadas desse tipo de encontro: permitir a comparação direta de propostas, posições e preparo dos principais concorrentes.
A falta dos dois líderes também contribuiu para esvaziar o debate e reduzir o interesse em acompanhá-lo, já que parte relevante da expectativa estava justamente no confronto entre Lula e Flávio. Embora a estratégia de evitar exposição e ataques tivesse sido compreendida por alguns participantes, essa justificativa não foi suficiente para neutralizar a cobrança pelo comparecimento. A crítica atravessou preferências políticas: Flávio não foi protegido entre os bolsonaristas moderados, assim como Lula também foi questionado entre os lulodescontentes.
"Bom dia, eu acompanhei sim eu achei bem ruim isso do Flávio não participar , e até o lula mesmo sabemos que a disputa será entre nós dois nessas eleições, não desmerecendo os demais participantes mais é meio óbvio. É muito importante a presença de ambos" (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
“Eu acompanhei e pela primeira vez assisti um debate de alto nível, candidatos que não se atacaram, se respeitaram, cumprimentaram e discutiram propostas, comparei visões e projetos de país e gostei da organização do debate, pessoas inteligentes são outro nível, os 2 que faltaram são 2 covardes, querem o nosso voto mas não querem conquistar” (IC, 24 anos, estudante, MA)
“Acompanhei a maior parte do debate e gostei porque focaram em apresentar suas propostas, confesso que o candidato Augusto Cury tem me chamado atenção, expõe bem suas propostas, não é um Dom Pedro II mas se comparado a Lula e Flávio tem bom senso. Sobre a ausência dos dois acho uma falta de respeito com o eleitorado, não que acredito que eles tenham algo de bom pra acrescentar...” (IC, 37 anos, professor, RJ)
“Não assisti ao debate. Mas pelo que vi depois, achei meio estranho os dois líderes nas pesquisas não terem ido. O debate é justamente a hora de colocar proposta na mesa e encarar os outros candidatos. Fica parecendo que preferiram evitar o confronto.” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
“Eu acompanhei um pouco, e achei uma baixaria, então logo tirei do canal, principalmente o Renan Santos que apela pra insultos e xingamentos. Eu penso que o Flávio e o Lula deveriam ter comparecido, porque essa é a hora de debater ideias, combater fake news, e mostrar as propostas que cada um tem, na minha opinião ficou feio o não comparecimento de ambos.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
“Não acompanhei o debate devido a falta dos principais candidatos. O debate deve estar completo para que possamos ver as propostas e projetos dos candidatos juntos para fazermos a melhor escolha na hora do voto.” (LD, 47 anos, professora, MT)
“Não acompanhei o debate, mas soube da ausência dos candidatos e acho muita falta de respeito com os eleitores, pois como candidatos, é importante que eles participem desse tipo de evento.
Mas acho q isso também mostra para a população de modo geral que existem outras opções além desses dois e acho isso importante” (LD, 29 anos, professora, RJ)

1 - Você assiste ao horário eleitoral gratuito? O quanto você acha ele importante para sua escolha eleitoral?
2 - Você assiste aos debates eleitorais? O quanto você acha eles importantes para sua escolha eleitoral?
3 - Você assiste às sabatinas nos principais jornais? O quanto você acha elas importantes para sua escolha eleitoral?

Os debates apareceram como o formato de maior relevância porque foram percebidos como o espaço em que o candidato fica mais exposto e tem menos controle sobre a própria apresentação. Diferentemente do horário eleitoral, marcado pela ideia de roteiro, edição e discurso preparado, o debate foi associado à possibilidade de observar como o candidato reage quando é provocado, questionado ou pressionado. Nesse ambiente, os participantes disseram avaliar não apenas propostas, mas também postura, segurança, capacidade de raciocínio, domínio dos assuntos, coerência e comportamento diante dos adversários. Em vários relatos, essa dimensão comportamental pareceu tão importante quanto o conteúdo apresentado.
Entre os indecisos conservadores e progressistas, esse caráter menos controlado deu ao debate um peso maior na própria formação do voto. Foram os segmentos em que apareceu com mais clareza a ideia de que uma boa ou má participação pode fazer diferença na escolha, seja para confirmar uma impressão anterior, seja para mudar de posição. Entre os conservadores, pesaram especialmente preparo, conhecimento de causa e capacidade de responder sem roteiro. Entre os progressistas, além desses atributos, apareceu com força a comparação entre candidatos e a possibilidade de observar como cada um sustenta suas propostas diante do confronto. Isso indica que, para os indecisos, o debate funciona como uma espécie de teste prático de candidatura, em que a performance pode produzir ganho ou perda real de confiança.
Entre os bolsonaristas moderados e lulodescontentes, os debates também tiveram importância elevada, mas em um cenário de escolhas menos abertas do que entre os indecisos. Nesses grupos, o formato pareceu funcionar principalmente como instrumento de avaliação de preparo, consistência e capacidade de governar, podendo reforçar ou enfraquecer uma preferência já existente. Os moderados destacaram bastante a reação sob pressão e a postura do candidato, enquanto os lulodescontentes associaram o debate à possibilidade de identificar quem parece mais preparado e quem apresenta propostas mais consistentes. Nesses segmentos, portanto, o debate ainda pode ter efeito eleitoral, mas tende a atuar mais sobre a intensidade da confiança do que sobre uma escolha totalmente indefinida.
Já entre os bolsonaristas convictos e lulistas, o debate apareceu mais como espaço de validação e acompanhamento do que como mecanismo capaz de alterar uma preferência consolidada. Nos dois grupos houve interesse em observar postura, confronto e propostas, mas as respostas sugerem menor abertura para uma mudança efetiva de voto. Entre os convictos, o debate serviu para testar firmeza, capacidade de defesa e reação diante dos adversários. Entre os lulistas, o interesse também dependeu fortemente da presença dos principais candidatos, e debates considerados esvaziados ou excessivamente marcados por ataques perderam atratividade. Assim, para esses segmentos, o desempenho pode afetar a avaliação do candidato, mas não necessariamente sua escolha eleitoral.
Houve ainda um limite importante para o potencial dos debates: eles perdem valor quando se transformam em sucessão de ataques, bate-boca ou confronto pouco produtivo. Essa crítica apareceu em diferentes segmentos e mostrou que os participantes não valorizam o embate por si só. O que torna o debate relevante é justamente a possibilidade de usar o confronto para revelar diferenças de preparo, propostas e comportamento. Quando esse espaço é percebido apenas como espetáculo ou agressão, sua capacidade de informar a escolha diminui. O principal valor atribuído ao formato, portanto, esteve menos no conflito e mais na sensação de que ele permite enxergar algo do candidato que a propaganda tradicional consegue esconder.
"Sim! Acho o debate extremamente importante para saber como cada candidato se porta diante ao confronto direto de outro candidato. É nos debates que temos a noção do que são só palavras e o que é ação.” (BC, 22 anos, vigilante, RO)
“Sobre o debate é muito importante pois ele colocar todos contra a parede e nós conseguimos observar como o candidato se sai ,e como ele consegue solucionar e porque não também acababamos descobrindo os malefícios que os mesmos causou antes de chegar ali ,aí a pessoa escolhe o seu candidato de acordo com a sua índole, se eu votar em um candidato que prometeu tudo e entregou nada o correto é na proxima eleição eu procurar outro que não vive de mentira o que hoje é bem difícil de achar agora persistir no mesmo erro passado ja é da índole da pessoa é isso .” (BC, 39 anos, administrador, RJ)
“2- os debates eu gosto de acompanhar. Gosto de ver as propostas, as “saias justas”, e o comportamento do candidatado.” (BM, 29 anos, advogada, SP)
“2. sim assisto debates, serve pra eu verificar como os candidatos se comportam quando estão sob pressão. Podem influenciar no meu voto” (BM, 43 anos, administradora, GO)
“Eu gosto dos debates, as interações são mais naturais e as respostas tendem a ser elaboradas na hora, contribui para a apresentação da visão de mundo do candidato e esse sim influencia na minha escolha.” (IC, 24 anos, estudante, MA)
“2- Tenho o costume de assistir aos debates e considero eles de extrema importância, até como ponto de diferença na escola de um candidato tendo em vista a postura, suas propostas e falas, demonstração de conhecimento de causa e por isso para mim a participação dos candidatos pode ser decisivo na hora do voto” (IC, 29 anos, professor, RJ)
“Assisto debate para confirmar ou mudar minhas convicções. Acho importante pois coloca o holofote nas críticas de governos dos candidatos.” (IP, 32 anos, dentista, SP)
“2- Sim, sempre que posso, eu assisto. Acho importante ver como um candidato se porta mediante pressão, provocações, e insultos de outros candidatos, além de conhecer mais do candidato, e seus objetivos na política.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
“2- Eu assisto aos principais debates, é o debate que mostra o preparo, dos candidatos para assumir um cargo político.” (LD, 47 anos, professora, MT)
“2- sempre procuro assistir aos debates ou pelo menos ver recortes das partes mais importantes e esse tem muita influência na minha escolha” (LD, 29 anos, professora, RJ)
“2- Costumo assistir sim, acho bem importante ver as propostas e como os candidatos interagem entre si e como respondem as perguntas feitas.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)
“2) eu assisto, mas. não ao vivo, assisto nas redes sociais. eu acho eles super importantes para entendermos visualmente como o candidato se comporta, se ele tem capacidade de dialogar, de apresentar uma boa proposta e etc. acho eles são muito importantes para a minha escolha.” (LL, 23 anos, auxiliar administrativo , RO)

As sabatinas foram reconhecidas como um espaço com potencial para aprofundar o conhecimento sobre os candidatos, mas não alcançaram a mesma relevância dos debates. Quando avaliadas positivamente, foram valorizadas pela possibilidade de explorar propostas com maior profundidade, fazer perguntas mais diretas e observar como o candidato reagiu quando confrontado sobre temas difíceis. Ainda assim, o acompanhamento foi irregular em praticamente todos os segmentos, e diferentes barreiras limitaram sua capacidade de influenciar a escolha eleitoral.
Entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados, a principal limitação esteve na desconfiança em relação à condução das entrevistas. Os participantes questionaram a imparcialidade de jornalistas e emissoras e relataram perceber perguntas tendenciosas ou tratamentos diferentes conforme o posicionamento político do candidato. Entre os convictos, essa crítica apareceu de maneira particularmente intensa em relação à Globo, enquanto outros veículos foram considerados mais confiáveis. Assim, nesses segmentos, a utilidade da sabatina dependeu menos do formato em si e mais da confiança depositada em quem conduziu a entrevista.
Entre indecisos conservadores e progressistas, as sabatinas tiveram avaliações mais divididas. Parte dos participantes valorizou a oportunidade de aprofundar propostas, conhecer posicionamentos e observar como os candidatos responderam a questionamentos mais difíceis. Outros consideraram as entrevistas rasas, ensaiadas ou pouco relevantes. Também apareceu uma diferença entre reconhecer a importância do formato e efetivamente acompanhá-lo: vários participantes disseram que não assistiram às entrevistas completas, mas tiveram contato com cortes e melhores momentos pelas redes sociais e pelo YouTube.
Entre os lulodescontentes, as sabatinas receberam avaliações particularmente favoráveis de parte do grupo. Os participantes valorizaram a possibilidade de observar se os candidatos responderam diretamente ou fugiram das perguntas, como defenderam suas propostas e como reagiram quando confrontados. Houve inclusive elogios à atuação dos entrevistadores por abordarem pontos sensíveis das candidaturas. Ainda assim, o acompanhamento também ocorreu parcialmente por cortes e melhores momentos, mostrando que a valorização do formato não significou necessariamente audiência integral das entrevistas.
Entre os lulistas, as opiniões foram mais divididas. Alguns consideraram as sabatinas importantes justamente porque colocaram os candidatos sob pressão e ajudaram a confirmar percepções sobre eles. Outros avaliaram que as entrevistas permitiram respostas excessivamente preparadas, discursos treinados ou desvios das perguntas e, por isso, preferiram os debates, nos quais perceberam maior espaço para improviso e interação direta entre os candidatos.
De maneira geral, as sabatinas ganharam valor quando conseguiram retirar o candidato do discurso pronto, confrontá-lo com perguntas difíceis e aprofundar suas propostas, mas perderam força quando foram percebidas como tendenciosas, superficiais ou excessivamente ensaiadas.
“Assisto dependendo do canal de televisão, se for na Globo não assisto, porque eles militam pra esquerda e já vem com perguntas capciosas prontas pra ferrar o candidato de direita, os candidatos de esquerda sempre são beneficiados com perguntas para enaltecer suas campanhas, então acho injusto com os eleitores. Prefiro assistir no SBT e Record se tiver sabatinas” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
“Sobre as sabatinas, tem algumas que eu realmente gosto, mas, depende tambem de quem esta apresentando, o canal de noticias que seja serio e eu que eu confio, por exemplo, não sei se vocês estão assistindo a da Globo, uma vergonha, perguntas tendenciosas, perguntas desconcertantes e que deixa bem claro que eles so querem lacrar e deixar os candidatos em mal lençóis, aff, criei pavor dessa emissora, gosto das sabatinas, mas precisam ser entrevistas isentas, sem sensacionalismo ou apelação.” (BC, 47 anos, administradora, BA)
“3- Assisto e acho muito importante,por que ali o apresentador pergunta aquilo que o povo gostaria de perguntar,isso quando é um canal sério que não se vende.” (BM, 54 anos, aposentado, PB)
“3. Assisto sempre que posso mas infelizmente a gente sente que há sabatinas direcionadas” (BM, 38 anos, professor , SP)
“Assisto as sabatinas e programas de entrevista, um ambiente em que assuntos podem ser aprofundados e também podemos conhecer um pouco do que o candidato faz a parte da política.” (IC, 24 anos, estudante, MA)
“3 - Não tenho intenção de assistir as sabatinas, mas vejo vários cortes delas, meu algoritmo sempre me trás os melhores momentos e como o título é sempre muito chamativo eu assisto com frequência. Acho elas importantes porque os jornalistas são perspicazes.” (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
“3- Não me recordo de ter assistido nos últimos quatro anos, mas depois de pesquisar sobre, achei importante. Sempre bom espremer o candidato, extrair o máximo de informações possíveis dele, principalmente pra ver se ele mantém o seu discurso.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
“3) Não tenho acompanhado muito as sabatinas também, mas acho importantes porque permitem conhecer melhor as ideias e o posicionamento de cada candidato.” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
“3- ultimamente só tenho assistido os melhores momentos, mas quero revê-los , já que estão disponíveis no YouTube. Acho ótimo,pois os entrevistadores estão muito isentos e tocando bem nas feridas dos candidatos.” (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
“3- acompanho e vejo quais candidatos nao foge das perguntas e esclarece para seu eleitorado apresentando as melhores soluções para o país” (LD, 49 anos, vigilante, MT)
“3- não assisto, nos debates ainda há algo de improviso e de percepção das verdadeiras propostas dos candidatos. Nas sabatinas só há discurso pronto e já treinado.” (LL, 33 anos, tradutor, SP)
“Tenho assistido apenas as do JN e creio que seja de grande importância pois vejo que é nesse cenário onde onde eles são devidamente confrontados.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

O horário eleitoral apareceu como o formato com menor capacidade declarada de interferir diretamente na escolha do voto. Esse resultado refletiu tanto uma perda de credibilidade do conteúdo quanto mudanças nos hábitos de consumo de informação. Mesmo entre os participantes que assistiram ocasionalmente, foram raras as indicações de que aquilo que viram nesse espaço influenciou de maneira relevante sua escolha. Em diferentes segmentos, o horário eleitoral serviu mais para conhecer candidatos e propostas do que para modificar uma preferência eleitoral.
Entre bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, a principal fragilidade esteve na própria forma como o conteúdo foi apresentado. Foram recorrentes referências a discursos “decorados”, propostas irreais, vídeos “montados” e candidatos que disseram aquilo que acreditavam que o eleitor gostaria de ouvir. A produção excessivamente controlada reduziu a credibilidade do formato e dificultou uma avaliação mais espontânea dos candidatos. Entre os indecisos conservadores, essa limitação ganhou importância adicional porque o grupo buscou informações que ajudassem efetivamente a diferenciar as candidaturas.
Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, além das críticas ao conteúdo, apareceu com mais clareza uma mudança no hábito de consumo de informação política. Muitos disseram que deixaram de assistir televisão regularmente, acompanharam pouco a programação aberta ou recorreram a outros meios para se informar. Internet, redes sociais, YouTube e conteúdos acessados pelo celular ocuparam parte desse espaço e reduziram a centralidade da transmissão tradicional do horário eleitoral.
Apesar disso, o horário eleitoral não perdeu completamente sua utilidade. Em diferentes grupos, os participantes reconheceram que ele ajudou a conhecer candidatos menos conhecidos, identificar propostas e obter uma primeira visão das alternativas disponíveis. Entre os lulistas, apareceu inclusive sua utilidade para conhecer candidatos a deputado e senador, enquanto entre os indecisos progressistas houve reconhecimento de seu papel para apresentar nomes e propostas.
Assim, o horário eleitoral enfrentou duas limitações principais. De um lado, apareceu uma barreira de credibilidade, sobretudo entre os segmentos à direita e os indecisos conservadores, que o perceberam como excessivamente produzido e pouco espontâneo. De outro, surgiu uma barreira de alcance, relacionada à redução do hábito de assistir televisão e à migração para plataformas digitais. Nesse cenário, o horário eleitoral preservou alguma importância como espaço de apresentação das candidaturas, mas teve pouca força declarada para efetivamente definir ou alterar o voto.
1) Não gosto muito de assistir não, e acho uma bobagem, porque eles falam um texto decorado e não tem como avaliar direito.” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
“1- Sendo muito sincera gente, eu não gosto de horário eleitoral não e quase não assisto, na maioria das vezes não há muitas novidades, são propostas na maioria das vezes irreais ate, quando não é apresentando alguns malucos ou fora de um contexto importante que é a politica ou tambem quando não é somente decoreba e leitura de texto já totalmente pronto, você percebe mesmo que a pessoa esta somente lendo o que ela ou alguem escreveu para ela.” (BC, 47 anos, administradora, BA)
“1)Horário Eleitoral: Assisto de vez em quando,acho pouco importante, pois é um conteúdo mais preparado.” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
“1. Não acompanho e não acho que influencia pois é tudo "montado"” (BM, 38 anos, professor , SP)
“Faz um tempo que não assisto o horário eleitoral na televisão, mas acho muito engessado e tenta passar a impressão de político perfeito, não muda a minha escolha e nem aumenta o interesse.” (IC, 24 anos, estudante, MA)
“1 - Não costumo assistir com frequência ao horário eleitoral, acho que ele contribui para conhecer os candidatos, mas não gosto do formato que é apresentado, é muito midiatico e ninguém aprofunda em suas proposta. Considero importante para contribuir para a escolha do candidato mas não decisivo.” (IC, 37 anos, professor, RJ)
“1 - Não costumo assistir, pq passa na Tv e eu não assisto tv.” (IP, 26 anos, autônoma, RO)
“1-Já assisti muito, hoje assisto, mas não com tanta frequência, além de rir das pérolas, eu acho que um momento pra conhecer candidatos que ainda não conhecemos, e ouvir suas propostas.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
“1- Não assisto. Acho que de certa forma ele é importante, mas acho que possuo outros meios mais eficazes para decidir meu candidato.” (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
“1- Às vezes assisti ao horário eleitoral gratuito, confesso que antigamente eu dava uma boa atenção pra isso, mas hoje em dia com a internet não me prendo tanto. Acho que tem sim uma leve importância para a minha escolha” (LD, 29 anos, professora, RJ)
“1- Não costumo assistir, acho muito cansativo, muitos candidatos passando juntos, muito confuso.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)
“1- eu não chego a parar para assistir, mas se estiver passando na TV enquanto eu faço alguma tarefa doméstica, vou fazendo minhas coisas enquanto ouço os candidatos. Normalmente, não há nada que altere a minha percepção dos candidatos, de qualquer maneira, acho legal de ouvir e conhecer!!” (LL, 33 anos, tradutor, SP)


Entre os bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, predominou uma avaliação negativa do desempenho de Lula. Os participantes consideraram que o presidente apresentou respostas vagas, confusas ou evasivas, sobretudo quando foi confrontado com questões mais difíceis, e perceberam pouca disposição ou capacidade de responder diretamente ao que foi perguntado. Também ganhou força a sensação de repetição: Lula teria recorrido a discursos já conhecidos, valorizado realizações anteriores e apresentado poucas novidades em termos de propostas para um eventual novo mandato. Entre os bolsonaristas, a entrevista reforçou percepções negativas já bastante consolidadas; entre os indecisos conservadores, contribuiu para manter ou ampliar a distância em relação à candidatura.
A condução da sabatina, porém, produziu avaliações menos homogêneas. Embora a desconfiança em relação à imprensa permanecesse presente, parte dos bolsonaristas reconheceu que os entrevistadores fizeram perguntas mais duras e diretas do que esperava e conseguiram colocar Lula diante de temas considerados difíceis. Entre os indecisos conservadores, apareceu com maior força uma crítica à própria entrevista: mesmo avaliando negativamente o desempenho do presidente, parte considerou que as perguntas foram tendenciosas ou pouco produtivas e que houve espaço insuficiente para discutir problemas do governo, propostas e prioridades para um novo mandato.
"Bom dia! Assisti pelas redes sociais e não podia esperar menos do Lula. Péssimo desempenho na entrevista, o que era questionado ele não respondia, mas rebatia os jornalistas com coisas totalmente aleatórias ou falando dos seus desempenhos como jornalistas, foi horrível. Não apresentou propostas, não esclareceu o que foi questionado sobre o governo dele. Ai, foi horrível!" (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Eu assisti. Não gosto da Globo e não assisto, mas quis isso para tirar minhas conclusões. Eu até pensei que a Globo iria facilitar para o Lula, mas as perguntas foram coerentes e deixou Lula numa saia justa muitas vezes e o que ele fez foi o de sempre, que é enrolar, desconversar, mentir, atacar e fingir demência. O desempenho do Lula foi péssimo. Eu fiquei admirada mesmo é com as perguntas feitas pelos jornalistas." (BC, 46 anos, babá, PR)
"Tentei assistir ao vivo mais esse cara me dá 🤢 ele é péssimo achei todas respostas genéricas sempre fugindo do assunto e se fazendo de vítima e coitadinho, pedindo chance pra afundar nosso país mais do que está afundado" (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
"Lula foi Lula, repetiu o que vem repetindo a 24 anos: "eu não sei de nada" o secretário traiu ele, o filho traiu ele, a namorada do filho traiu ele, o irmão traiu ele, o braço direito no PT traiu ele...." (BM, 43 anos, administradora, GO)
"Assisti todas as entrevistas até o momento, sobre o Candidato Lula: foi o mesmo discurso de sempre, não apresenta nada de novo, nos assuntos mais polêmicos enrolou e não respondeu as perguntas. Já era o esperado pelo menos por mim, só reforçou que ele não terá meu voto mais uma vez. Está realmente difícil esse ano" (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Não vi a entrevista mas vi cortes no Instagram da entrevista. Considero as respostas do candidato vagas e por muitas vezes que fugiu das perguntas, além de que ficava se sentido confrontado pelos jornalistas e por isso não falou de propostas do seu mandado como tb não foi direto. Mas também vejo que as perguntas dos jornalistas foram muitas vezes tendenciosas e por isso não achei justa mesmo para com ele. Vi a entrevista do Flávio Bolsonaro e tive as mesmas percepções sobre ele também" (IC, 29 anos, professor, RJ)

Entre os indecisos progressistas e lulistas, predominou uma avaliação positiva do desempenho de Lula. O presidente foi percebido como preparado, seguro e capaz de sustentar suas respostas mesmo diante de perguntas consideradas difíceis. Sua experiência, tranquilidade e domínio dos assuntos contribuíram para uma leitura favorável da participação. Entre os lulistas, essa percepção apareceu de maneira mais consistente e reforçou uma confiança já existente; entre os indecisos progressistas, a avaliação também foi majoritariamente positiva, mas permaneceu mais cautelosa e comportou ressalvas sobre respostas consideradas confusas ou enroladas e momentos em que Lula se mostrou mais ríspido.
Ao mesmo tempo, os dois segmentos direcionaram parte importante das críticas à própria condução da sabatina. Predominou a percepção de que os entrevistadores dedicaram espaço excessivo a polêmicas, investigações e questões envolvendo pessoas próximas a Lula, reduzindo as oportunidades para discutir propostas, projetos e prioridades para um eventual novo mandato. Essa leitura contribuiu para relativizar algumas das dificuldades enfrentadas pelo presidente durante a entrevista, especialmente entre os lulistas, que atribuíram parte dos momentos de irritação ao formato e à insistência dos jornalistas. Entre os indecisos progressistas, essa crítica também apareceu, mas não impediu avaliações mais equilibradas sobre limitações do próprio desempenho de Lula.
"Acompanhei por páginas nas redes sociais, não vi ao vivo. Lula não gaguejou e nem fugiu, falou mais que os entrevistadores, cheio de números e respostas rápidas. Ele estava preparado, mostrou que quer mesmo continuar como presidente. Achei ele bem posicionado e calmo, foram boas palavras, boas propostas." (IP, 26 anos, autônoma, RO)
"Não assisti ao vivo, mas vi alguns cortes. Achei que o Lula se saiu razoavelmente bem, principalmente por não fugir das perguntas mais pesadas, mas teve umas respostas meio enroladas e alguns momentos que pegou mal. No geral, não achei uma sabatina que mudasse muito minha opinião sobre ele." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Sim, assisti ao vivo ontem. Gostei muito das respostas do Lula. Foi extremamente educado apesar das perguntas maliciosas. O que eu gostaria era que as perguntas fossem estritamente relacionadas aos projetos de governo. Seria muito bom se o candidato não precisasse explicar as funções do Município e do Estado que não se misturam com as funções Federais.
Quanto ao desempenho foi muito bom na minha opinião." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"Eu assisti e acompanhei recortes também, inclusive estava reassistindo neste momento. Não é pq eu tenho uma afinidade de votar, mas acho que ele foi bem, eu não estava esperando menos, mas se fosse menos do que eu esperava, eu faria questão de mencionar. achei as respostas coerentes, ele me passou segurança em tudo o que disse e propôs. ele é um estadista experiente, diferente de todos os outros candidatos que além de não se comunicarem bem, não passam confiança alguma. achei que poderiam ter feito perguntas melhores, achei que falaram pouco sobre o plano de governo. e uma coisa que mais detesto, é que sempre dão prioridade pra fazer perguntas sobre os crimes e polêmicas dos outros para o Lula, como se ele fizesse parte de algo." (LL, 23 anos, auxiliar administrativo , RO)

Entre os lulodescontentes, a sabatina produziu uma avaliação mais dividida e menos conclusiva sobre o desempenho de Lula. Os participantes não compartilharam a leitura fortemente negativa observada nos segmentos mais à direita, mas também não demonstraram o entusiasmo presente entre os lulistas e parte dos indecisos progressistas. No conjunto, Lula foi percebido como tendo apresentado um desempenho entre regular e bom, com reconhecimento de sua capacidade de manter a calma e responder satisfatoriamente a parte das perguntas, mas sem uma atuação suficientemente forte para recuperar de maneira clara a confiança desses eleitores.
As principais ressalvas se concentraram na postura adotada diante dos assuntos mais sensíveis e na capacidade de convencer sobre a continuidade de seu governo. Lula foi percebido como mais defensivo e menos claro quando confrontado com investigações, o que manteve dúvidas em vez de encerrá-las. Ao mesmo tempo, faltou maior convencimento sobre projetos e perspectivas para um novo mandato. Dessa forma, a sabatina não provocou uma ruptura com Lula, mas também não respondeu plenamente às inquietações que já sustentavam o descontentamento desse segmento.
"Ainda não terminei,mas achei o lula meio enrolado para explicar a investigação sobre o filho. A todo momento ele tentava dar um ponto final no assunto, dizendo que se ele fez coisa errada ele vai pagar e que não irá passar a mão na cabeça igual o antecessor." (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
"Eu assisti a sabatina, e o candidato Lula não foi convincente na continuidade dos projetos em favor do Brasil, e em relação as investigações em andamento ficou na defensiva o tempo inteiro." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Não assisti ao vivo, mas vi alguns cortes depois e acompanhei um pouco da repercussão. Achei que o Lula se saiu bem até, em algumas respostas e conseguiu manter a calma nas perguntas mais difíceis, mas também teve algumas respostas meio controversas." (LD, 27 anos, entregadora, RS)
"Olá, pessoal. Não assisti a entrevista e apenas vi alguns cortes nas redes sociais. Os cortes foram ou criticando ou elogiando o desempenho de Lula. Acho que no geral ele se saiu de regular a bom." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro acabou ocupando mais espaço nas avaliações do que o próprio debate. Sem os dois líderes das pesquisas, o encontro perdeu interesse e foi amplamente percebido como esvaziado. A reação às ausências, porém, variou de acordo com a proximidade política dos participantes. Entre os bolsonaristas convictos, Flávio foi mais protegido, e sua decisão foi predominantemente compreendida como estratégia para evitar ataques e exposição desnecessária. Entre os lulistas, ocorreu movimento semelhante em relação a Lula: a ausência foi relativizada como cálculo eleitoral e não produziu desgaste relevante. Essa proteção diminuiu nos segmentos menos consolidados. Bolsonaristas moderados, indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes cobraram mais claramente a presença dos dois candidatos, entendendo que quem pretende governar deveria apresentar propostas e enfrentar questionamentos. Nesses grupos, a justificativa estratégica até foi reconhecida, mas não anulou a percepção de falta de respeito com os eleitores nem a cobrança pela participação nos debates.
Apesar do esvaziamento, o encontro mostrou que a ausência dos líderes também abriu algum espaço para os demais candidatos serem conhecidos e avaliados, sobretudo entre os indecisos que efetivamente acompanharam a transmissão. Nesses casos, Augusto Cury foi o nome que mais se sobressaiu positivamente, especialmente entre os indecisos conservadores. Nesse segmento, ele foi associado à coerência, bom senso e capacidade de expor propostas, chegando a despertar interesse em conhecê-lo melhor. Ronaldo Caiado teve um destaque positivo mais pontual, principalmente entre os indecisos progressistas, pela proposta relacionada à proteção das mulheres. Renan Santos não apresentou o mesmo saldo e sua postura foi mais frequentemente associada à agressividade, insultos e ataques.
Durante a segunda questão da semana, sobre os meios de acompanhar as campanhas, os debates foram o formato eleitoral de maior relevância para os participantes. Seu principal diferencial foi a percepção de que induzem maior espontaneidade: ao colocar os candidatos frente a frente e sob pressão, permitiram observar preparo, domínio dos temas, capacidade de argumentação, postura e coerência. Entre os indecisos conservadores e progressistas, esse desempenho ganhou maior potencial para confirmar, mudar ou até definir o voto. Entre os segmentos mais posicionados, especialmente bolsonaristas convictos e lulistas, serviu mais para avaliar e reforçar percepções já existentes.
Já o horário eleitoral teve menor capacidade declarada de influência. Entre os segmentos à direita, pesou principalmente a percepção de um conteúdo excessivamente produzido, com discursos decorados, promessas pouco críveis e pouca possibilidade de conhecer o candidato de forma mais autêntica. Em outros segmentos, somou-se a isso a perda do hábito de assistir televisão, com maior procura por informações na internet e nas redes sociais. O formato, porém, ainda preservou alguma utilidade para apresentar candidatos menos conhecidos e suas principais propostas, sobretudo para cargos legislativos.
As sabatinas ocuparam uma posição intermediária. Foram valorizadas quando conseguiram aprofundar propostas, confrontar os candidatos e retirá-los de respostas previamente preparadas, mas enfrentaram barreiras distintas. Entre bolsonaristas convictos e moderados, a desconfiança em relação à imparcialidade de jornalistas e emissoras reduziu sua credibilidade. Nos demais segmentos, pesaram mais o baixo acompanhamento, a percepção de entrevistas pouco profundas ou ensaiadas e o consumo fragmentado por cortes nas redes sociais.
Em síntese, os resultados mostraram que a relevância de um formato aumenta quanto maior é a percepção de espontaneidade e exposição real do candidato. Os participantes valorizaram menos os espaços em que a campanha controlou integralmente a mensagem e mais aqueles em que puderam observar como o candidato reage a perguntas, críticas, pressão e adversários. Também ficou evidente uma mudança na forma de acompanhar a campanha eleitoral. Mesmo quando os participantes não assistiram às transmissões originais, debates e sabatinas continuaram chegando por meio das redes sociais, YouTube, cortes e melhores momentos. Assim, a redução da audiência da televisão não significou necessariamente perda equivalente da circulação ou da influência desses conteúdos.
Por fim, a sabatina na Globo não pareceu ter produzido mudanças relevantes na imagem de Lula, mas reforçou percepções que os diferentes segmentos já carregavam sobre ele. Entre bolsonaristas convictos e moderados, a entrevista confirmou uma rejeição consolidada, com forte percepção de respostas evasivas, repetição de discursos e ausência de novidades. Entre os indecisos conservadores, a leitura também foi predominantemente negativa e manteve a distância em relação à candidatura, ainda que parte tenha criticado a condução dos jornalistas e considerado que a entrevista poderia ter explorado melhor propostas e problemas concretos do governo. Entre os indecisos progressistas, o saldo foi mais favorável. Lula transmitiu preparo, segurança e capacidade de enfrentar perguntas difíceis, embora tenham permanecido ressalvas sobre algumas respostas e momentos de rispidez. Entre os lulistas, o desempenho reforçou uma imagem já positiva, e as principais críticas foram direcionadas aos entrevistadores e ao pouco espaço dedicado às propostas. Os lulodescontentes permaneceram como o segmento mais sensível e ambivalente. A entrevista não aprofundou claramente o afastamento de Lula, mas também não recuperou a confiança perdida. O desempenho entre regular e bom conviveu com dúvidas sobre sua postura diante das investigações e, principalmente, sobre o que ofereceria de novo em um próximo mandato. Para esse público, uma exposição mais centrada em propostas, entregas e perspectivas futuras pareceu ter maior potencial de aproximação do que respostas defensivas sobre controvérsias.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

