


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Discursos do Sete de Setembro | As pautas de Lula foram vistas como repetitivas e pouco críveis, enquanto a de Flávio foi considerada mais conectada aos problemas que enxergavam no país. A mobilização dos atos foi interpretada como demonstração de maior apoio popular ao campo bolsonarista. | As pautas de ambos foram consideradas importantes, mas vistas sobretudo como estratégias para mobilizar as próprias bases. A agenda de Flávio encontrou maior identificação, embora também tenha surgido cobrança por propostas concretas. | Predominou a rejeição ao uso do 7 de setembro como palanque político, independentemente do candidato. As pautas foram consideradas relevantes, mas, para o grupo, deveriam ser discutidas em outro momento, preservando o caráter cívico da data. | As pautas de Lula foram consideradas mais relevantes, coletivas e adequadas ao 7 de setembro. Flávio foi percebido como excessivamente voltado ao confronto político, com cobrança para que apresentasse mais propostas. | As pautas dos dois foram vistas principalmente como escolhas estratégicas para mobilizar eleitores e gerar repercussão. Predominou a cobrança para que ambos tratassem de problemas mais concretos e apresentassem soluções. | As pautas de Lula foram percebidas como mais adequadas à data e voltadas ao país e ao futuro. A agenda de Flávio foi associada ao conflito político, aos ataques e aos interesses do próprio campo bolsonarista. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Afastamento de Diretor da PF | Mendonça foi amplamente respaldado, enquanto Dino foi visto como alguém que teria interferido nas investigações para proteger os envolvidos. Predominaram forte desconfiança no STF e defesa dos afastamentos e da responsabilização dos investigados. | Mendonça também foi percebido como correto e amparado pela lei, enquanto a decisão de Dino despertou desconfiança e foi associada à blindagem. Ao mesmo tempo, houve maior preocupação com transparência, investigação e devido processo legal. | O conflito reforçou a percepção de falta de transparência, interesses escusos e dificuldade para confiar nas instituições. Sem uma defesa tão clara de um dos lados, prevaleceu a cobrança por investigação ampla e responsabilização dos envolvidos. | Não houve consenso sobre quem havia agido corretamente: parte condenou o possível monitoramento ilegal, enquanto outra questionou a atuação de Mendonça. A principal convergência esteve na continuidade das investigações e punição das irregularidades comprovadas. | O caso gerou principalmente confusão e cautela, com dificuldade para tomar partido diante da complexidade das informações. Houve maior aceitação da reintegração, mas prevaleceu a defesa de investigações respaldadas pela lei e capazes de esclarecer as responsabilidades. | Predominou a defesa de que decisões dessa gravidade fossem tomadas de forma colegiada, acompanhada de maior respaldo à reintegração. Mendonça despertou desconfiança quanto à sua imparcialidade e foi associado por parte do grupo a uma atuação politicamente orientada. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Novos investigados no caso Dark Horse | A investigação foi vista principalmente como perseguição política e tentativa de desviar o foco de outros escândalos. Ainda assim, admitiram que eventuais irregularidades comprovadas deveriam ser investigadas. | Defenderam a investigação e a punição caso o uso irregular de dinheiro público fosse comprovado. Ao mesmo tempo, desconfiaram do momento eleitoral e de possível seletividade política na repercussão do caso. | As novas informações aumentaram a percepção de gravidade e de que ainda poderia haver mais irregularidades a serem descobertas. Defenderam aprofundar as investigações, embora parte tenha preferido aguardar provas antes de concluir. | As descobertas foram vistas como fortes indícios de uso indevido de dinheiro público e agravaram a avaliação negativa do caso. Predominou indignação com recursos que poderiam ter sido destinados às necessidades da população. | O caso foi considerado grave, mas ainda nebuloso e dependente do aprofundamento das investigações. Defenderam esclarecimento, responsabilização dos envolvidos e devolução de eventuais recursos desviados. | As novas informações foram recebidas principalmente como confirmação de suspeitas anteriores de irregularidades. Defenderam aprofundar as investigações e punir os envolvidos, com críticas ao uso de dinheiro público em uma produção ligada a Bolsonaro. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |


Nos dois perfis bolsonaristas, a pauta de Flávio Bolsonaro encontrou maior identificação por ter sido percebida como mais conectada às preocupações que consideravam urgentes no cenário político. A ofensiva contra Alexandre de Moraes foi inserida em uma percepção mais ampla de insatisfação com as instituições, corrupção e atuação dos Poderes, fazendo com que o tema fosse entendido como algo que precisava permanecer em discussão. Entre os BC, essa identificação apareceu de maneira mais intensa e acompanhada de uma percepção de que Flávio expressava uma insatisfação compartilhada pela população. Entre os BM, embora a pauta também tenha sido considerada pertinente, houve uma leitura mais clara de que sua escolha fazia parte de uma estratégia eleitoral voltada à mobilização do próprio campo político.
Em relação a Lula, os dois grupos reconheceram a importância de parte dos temas apresentados, mas questionaram sua capacidade de produzir convencimento naquele momento. Predominou a percepção de que eram bandeiras já conhecidas e que deveriam ter produzido resultados ao longo do governo, o que enfraqueceu sua retomada durante a campanha. Nos bolsonaristas convictos, a rejeição foi mais acentuada e esteve associada a uma descrença mais ampla no discurso e na atuação de Lula. Nos moderados, a avaliação foi menos fechada, com maior reconhecimento da relevância das pautas, mas também com a cobrança de que os candidatos avançassem para propostas concretas. Assim, apesar das diferenças de intensidade, os dois perfis convergiram ao atribuir maior atualidade e urgência à agenda de Flávio e menor novidade e credibilidade à de Lula.
"Bom dia! São pautas já esperadas pela comemoração do 7 de setembro. Eu não tenho dúvidas que o desfile em Brasília com a presença do Lula vai ficar vazio, vai flopar mais uma vez, se der público com certeza pessoas pagas e levadas pelos ônibus com lanches e promessas de dinheiro, porque os patriotas de verdade não vão comparecer pra homenagear o atual presidente. Já a avenida Paulista com certeza vai lotar, porque as pessoas estão cansadas de ser enganadas com falsas promessas, a maioria dos brasileiros querem a saída do ministro Alexandre de Moraes, Alcolumbre, Hugo Mota e Gonet. Chega de tanta impunidade, a roubalheira está escancarada pra quem quiser ver, eles não fazem nem questão de esconder mais nada. Acho essas pautas necessárias para mais uma vez mostrar com quem o povo está, vamos ver onde a multidão vai se concentrar de verdade" (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Com relação ao Lula, nada de novo, só a repetição das mesmas estorinhas mais uma vez. Já a pauta de Flavio toca no ponto que o Brasil quer ver resolvido. O Brasil não aguenta mais ser governado por alguém que não teve nenhum voto e que tomou posse da justiça." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Boa noite são pautas que estão em Alta e devem ser descuidas sim não só agora mais também quando assumir a candidatura e levar isso adiante Lula teve muito tempo para melhorar as pautas que ele já vem colocando a anos e nada muda só piora já flavio está focado no tema corrupção que está só aumentando com cada eleição ao passar dos anos só roubo em cima de roubo mais nada de novidade nas pautas usadas até agora." (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"Bom dia.Ambas são pautas muito importantes, porém as do presidente Lula deveriam ter sido observadas durante toda a gestão dele e não durante a campanha, são pautas que já deveria ser executadas pelo governo atual dele. Quanto a do candidato Flávio é uma pauta que a grande maioria do povo brasileiro quer que sejam resolvidas o mais rápido possível,por que ninguém,que seja cidadão de bem, aquenta mais os desmandos desses todos poderosos." (BM, 54 anos, aposentado, PB)
"Bom dia...Acho que cada um está usando a data para reforçar sua estratégia política. Seria interessante que, além das críticas e disputas, os candidatos aproveitassem esses momentos para apresentar propostas concretas para o país." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Acho importante e nessa data serve para marcar território e na minha opniao só reforça os votos na própria base acho difícil ampliar" (BM, 38 anos, professor , SP)

Entre os indecisos conservadores, a principal reação não esteve relacionada ao conteúdo das pautas apresentadas por Lula e Flávio Bolsonaro, mas à utilização do 7 de Setembro para promovê-las. Predominou a percepção de que a data deveria ter sido preservada como uma celebração da Independência e de seu significado histórico e nacional, sem ser transformada em espaço de campanha ou disputa entre candidatos. Nesse sentido, a crítica atingiu os dois lados e revelou um incômodo mais amplo com a presença da polarização política em uma ocasião que, na visão do grupo, deveria representar o país de maneira mais coletiva.
Os participantes não desconsideraram a relevância dos assuntos escolhidos e reconheceram que havia questões importantes nas agendas dos dois candidatos. A avaliação predominante foi de que esses debates deveriam ocorrer em outros espaços e momentos, sem ocupar o centro de uma comemoração cívica. Assim, o grupo não estabeleceu uma disputa clara sobre qual candidato havia escolhido a melhor pauta: prevaleceu a defesa de uma separação entre campanha eleitoral e celebração nacional.
"Deveriam usar a data de hoje pra promover o que de fato se celebra hoje a Independência do Brasil. Esquecer essas pautas que já estão saturadas e que eles não vão fazer nada em relação a eles, e focar no que de fato é celebrado no dia de dia." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"É uma pena uma data como essa ser usada como palco de disputa política, embora nós dois lados tenham pautas de extrema importância. Poderia aproveitar melhor o horário política, as entrevistas entre tantos, para explicarem melhorar essas pautas e na data hoje comemorarem somente o que a democracia esperava, é lamentável." (IC, 38 anos, coordenadora , SP)
"Deveriam deixar as pautas políticas de lado e comemorar a data cívica como nos anos anteriores, relembrar que somos uma nação pacífica e grande, e de hoje pra frente eles podem convocar seus apoiadores para os atos envolvendo os temas citados, politizar tudo hoje em dia não contribui com nada para o desenvolvimento do país" (IC, 24 anos, estudante, MA)

Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou a percepção de que Lula havia escolhido pautas mais adequadas ao 7 de Setembro e mais relacionadas a questões de interesse coletivo. Os temas apresentados pelo presidente foram associados ao país, às necessidades da população e ao próprio significado da data, além de serem percebidos como uma sinalização das prioridades que pretendia defender. Nos grupos, essa escolha contribuiu para uma leitura mais propositiva de Lula, especialmente pelo contraste com uma agenda política centrada em conflitos e enfrentamentos. Entre os lulistas, essa avaliação apareceu de maneira mais consolidada, enquanto entre os indecisos progressistas e lulodescontentes também houve questionamentos sobre a utilização do feriado para fins políticos, ainda que as pautas de Lula fossem consideradas mais apropriadas.
A agenda de Flávio Bolsonaro, por outro lado, foi percebida predominantemente como voltada à continuidade do confronto político, com menor capacidade de comunicar propostas ou prioridades para o país. Nos dois perfis, houve a avaliação de que o candidato utilizou o momento para reforçar disputas já existentes, enquanto esperavam maior espaço para assuntos relacionados ao futuro e às necessidades da população. Essa crítica foi mais intensa entre os lulistas, que estabeleceram uma oposição mais marcada entre as prioridades dos dois candidatos. Entre os indecisos progressistas, embora também predominasse uma avaliação negativa da escolha de Flávio, houve maior abertura para reconhecer que as questões levantadas por ele poderiam ser relevantes e deveriam ser discutidas, ainda que considerassem inadequados o momento ou a centralidade dada ao confronto.
Entre os lulodescontentes, apareceu uma cobrança para que os candidatos avançassem para questões mais concretas e próximas das preocupações da população. A percepção foi de que pautas capazes de produzir mobilização e repercussão não substituíam a apresentação de propostas e soluções para os problemas do país.
"Bom dia! Eu não acho que seja uma boa estratégia usar esse espaço que os candidatos tem pra esse tipo de ofensiva. O momento não é pra isso. Achei o momento inapropriado que o Flávio escolheu. Boas pautas do Lula, boa estratégia." (IP, 26 anos, autônoma, RO)
"Na minha opinião essas pautas não deveriam ser utilizadas numa data em que o foco é comemorar a nossa independência como um pais soberano e não focar em pautas ou ataques a instituições ou a pessoas,mesmo que a atitude dessa pessoa esteja certa ou errada. No entanto considerando as pautas mencionadas, o único que acertou foi o Lula pois nelas ele defende nossa soberania ao reforçar a importância da vacinação e principalmente o combate ao feminicidio,sem usar pautas para atacar alguém." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Ambas pautas importantíssimas, não simpatizo com o Flávio Bolsonaro, e ainda acho que ele deveria ter usado o momento pra disseminar as suas propostas, mas, de todo o modo, ele não está errado em levantar esse assunto, pois esse assunto não pode ser abafado. Quanto ao Lula, achei pautas fortes, que precisam de ser esfregada na sociedade." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Bom, a própria pergunta deixa claro como a data é usada por cada um dos candidatos e partidos. Lula, no dia simbólico para o Brasil, fala do Brasil. Flávio Bolsonaro, no dia do Brasil, decide falar da corrupção em que está envolvido." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"As pautas realmente são diferentes. Enquanto um mostra um pouco do projeto futuro do Brasil O outro está tentando atacar alguém, para no mínimo desviar de si os olofotes das suas irregularidades. Agora é hora de Brasil, o resto a Polícia faz. Se alguém tem ou não culpa ainda tem muito que investigar. Os culpados que paguem pelos seus erros e acertos." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"Eles precisam puxar esses assuntos pra poder chamar a atenção da população, mas na realidade não tem projetos sério pra nação é só oportunismo." (LD, 59 anos, educador social, CE)
"Os candidatos usaram essas pautas, pois e um tema em evidência e procura atingir um público maior para sua visibilidade, mas não apresenta propostas concretas para solucionar os problemas em geral." (LD, 49 anos, vigilante, MT)


Entre os dois perfis bolsonaristas, predominou um respaldo claro à atuação de André Mendonça. Os participantes partiram da percepção de que sua decisão havia sido baseada em elementos concretos e estava amparada pela lei, entendendo os afastamentos como uma medida necessária para permitir o avanço das investigações. Mendonça foi associado à tentativa de esclarecer possíveis irregularidades e responsabilizar os envolvidos, enquanto também apareceu uma preocupação mais ampla com a capacidade das instituições de investigarem seus próprios integrantes. Entre BC, essa percepção assumiu um tom mais contundente, marcado pela convicção de que havia irregularidades e pela defesa de punições mais duras. Entre BM, embora o apoio a Mendonça também tivesse predominado, apareceu maior preocupação com transparência, apuração e respeito aos procedimentos legais.
A reintegração determinada por Flávio Dino foi recebida com forte desconfiança nos dois grupos e interpretada predominantemente como uma interferência no avanço das apurações. Em vez de ser compreendida como uma divergência jurídica entre ministros, a decisão foi associada à tentativa de proteger os investigados e dificultar a responsabilização de possíveis envolvidos. Essa leitura reforçou uma desconfiança mais ampla em relação ao STF e a percepção de que integrantes das instituições poderiam atuar para proteger uns aos outros. Novamente, a diferença esteve principalmente na intensidade: entre BC, a reação foi mais acusatória e acompanhada de uma rejeição mais abrangente ao Supremo; entre BM, a crítica a Dino também foi expressiva, mas conviveu com uma defesa mais clara de que as suspeitas fossem investigadas e comprovadas antes da responsabilização.
"Mendonça está correto. O que está acontecendo é o sistema tentando proteger seus membros quando um ministro honesto mostra as falcatruas feitas dentro dos poderes e órgãos públicos e decidido a fazer o que tem que feito, dentro da lei. Agora é afastar os suspeitos e, sendo confirmados culpados, devem responder como pessoas comuns." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Flávio Dino não tem que se meter nisso, ele não é o relator do caso, portanto está errado, acho que só uma intervenção de fora vai por um freio nessas irregularidades e por esses bandidos atrás das grades." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Nossa dino está fazendo uso de.poder de autoridade fazendo sua reintegração o André Mendonça teve uma. Atitude correta em fazer ser afastamento mais sempre tem. Brechas na politica né infelizmente" (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"Sim estou acompanhando, só não sabia que o Flavio Dino teria determinado a reintegração dele,mas ,acho certa a decisão do Ministro André Mendonça,por se não tiveram ética e foram ilegais com um ministro imagina o que eles podem fazer com as pessoas que estão "abaixo" deles." (BM, 54 anos, aposentado, PB)
"Bom dia..estou acompanhando.Na minha opinião, um caso tão sério precisa ser investigado com total transparência e, principalmente, com respeito ao devido processo legal. Se houve uso indevido de informações da Polícia Federal ou abuso de autoridade, os responsáveis devem ser responsabilizados, independentemente de quem sejam." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Sim estou acompanhando. O que deveria ser feito é impedir as blindagens, Dino claramente tenta blindar seu parceiro. Ao invés de investigarem e buscarem a punição de quem cometeu irregularidade eles buscam proteger os acusados." (BM, 43 anos, administradora, GO)

Entre os indecisos conservadores, o episódio foi interpretado principalmente a partir de uma desconfiança mais ampla em relação às instituições, sem que predominasse uma defesa direta de André Mendonça ou uma responsabilização específica de Flávio Dino. A sucessão de decisões contraditórias alimentou a percepção de que havia interesses internos interferindo na condução do caso e de que parte relevante das informações permanecia escondida da população. Mais do que uma disputa jurídica, os participantes enxergaram um ambiente pouco transparente, no qual as próprias autoridades pareciam entrar em conflito e dificultar a compreensão sobre o que efetivamente estava acontecendo.
Essa percepção se somou a um sentimento anterior de descrédito em relação à política e à Justiça, fazendo com que o caso fosse incorporado a uma leitura mais geral de corrupção, insegurança institucional e dificuldade para confiar nas autoridades. Diante disso, a principal demanda esteve na ampliação da transparência e no aprofundamento das investigações, para que todos os envolvidos fossem identificados e eventualmente responsabilizados. Ao mesmo tempo, apareceu certo pessimismo sobre a capacidade de o caso ser completamente esclarecido e resultar em punições. Por ocorrer durante o período eleitoral, o episódio também foi relacionado às escolhas políticas, sendo percebido como mais um elemento capaz de alimentar a cautela e a desconfiança dos participantes em relação aos atores políticos e institucionais.
"É necessário uma transparência total para que todos os culpados venham ser revelados" (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"Estou acompanhando pelos telejornais e mídias sociais, e o que parece é que muitas coisas estão sendo escondidas, tá faltando transparência diante de tantos escândalos. Um faz uma coisa, o outro vai e revoga as decisões. Tem muita coisa escondida que acredito eu que nunca vamos ficar sabendo. Ainda mais que tá tudo acontecendo durante período eleitoral, serve de alerta pra quem vamos eleger." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Vi algumas notícias pelas redes sociais, um ministro afasta, o outro revoga a decisão e devolve ao cargo...aparenta ser tudo por interesse pessoal e não baseadas em valores republicanos, imagino os investidores estrangeiros vendo toda essa insegurança jurídica no nosso país" (IC, 24 anos, estudante, MA)

Entre os indecisos progressistas e os lulodescontentes, houve maior cautela para estabelecer previamente quem estava certo no conflito. Nos dois perfis, a discussão se concentrou mais na necessidade de aprofundar as investigações, esclarecer os fatos e responsabilizar quem efetivamente tivesse cometido irregularidades. Entre IP, porém, essa cautela conviveu com posições distintas sobre a atuação de Mendonça: enquanto alguns partiram da percepção de que um monitoramento ilegal deveria resultar em punição, outros questionaram a própria caracterização dessa ilegalidade e a legitimidade dos afastamentos. Assim, não se formou uma interpretação predominante sobre qual dos lados havia agido corretamente.
Entre LD, a indefinição esteve relacionada principalmente à dificuldade de compreender o caso. O acompanhamento mais superficial e a complexidade jurídica fizeram com que vários participantes evitassem assumir uma posição definitiva, cobrando mais informações e respostas antes de formar uma avaliação. Quando houve posicionamento sobre a reintegração, apareceu maior aceitação da decisão, mas sem que isso significasse defender a interrupção das investigações. Nos dois grupos, portanto, a principal convergência esteve menos na avaliação de Mendonça ou Dino e mais na defesa de que o caso continuasse sendo apurado, com respeito aos procedimentos legais e responsabilização baseada no que fosse efetivamente comprovado.
"Tô acompanhando sim, mas não 100%. Já tem a prova de que houve o monitoramento ilegal, pra mim não tem outra opção além de punir quem fez o ilegal. Se monitorou sabendo que não podia, precisa ser julgado como crime. Que continuem investigando tudo a fundo, tem também a votação da 2° turma ainda, apurem tudo direitinho e no final uma punição pra todos os envolvidos no monitoramento." (IP, 26 anos, autônoma, RO)
"Tem que afastar no mínimo o Mendonça, mesmo que os demais ministros que compactuaram com a votação de afastamento estejam nessa tramoia, pelo menos o Mendonça tem que ser afastado. Isso é nitidamente continuidade na tentativa de golpe de estado." (IP, 32 anos, dentista, SP)
"Sim, tenho acompanhado pelas redes sociais,mas principalmente pelos tabloides e jornais tradicionais de imprensa.
Acredito que não houve uma investigação "ilegal" de Alexandre de Moraes com o auxílio dos diretores da Polícia Federal e da Inteligência sobre André Mendonça, já que esse relatório, (ao que tudo indica) é praxes de protocolo da própria PF.
E acho que não cabe ao Supremo Tribunal Federal, demitir ninguém da PF, pois que os nomeia é o Presidente da República.
Agora acredito que deve ser apurado todas as denúncias e inquéritos que estão abertos,sem que isso mexa com a polícia federal e seus diretores." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Eu estou acompanhando e de acordo com os fatos apurados, a reintegração foi correta, mas espero que as investigações continuem e que todos os responsáveis sejam punidos e respondam criminalmente pelos seus atos, precisamos de respostas e conclusões." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Não tive muito tempo pra acompanhar o juridiques do processo. Mas o momento não é oportuno para o afastamento do delegado da PF. Crio que o processo deve seguir,e as investigações devem ser respaldadas legalmente,para lucidar as provas obtidas" (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
"Não estou acompanhando e confesso que está confuso, faltam respostas e acredito que deve ser investigado mais afundo" (LD, 27 anos, entregadora, RS)

Entre os lulistas, a discussão se concentrou principalmente na forma como André Mendonça havia conduzido o caso. Predominou a avaliação de que uma decisão de tamanha gravidade não deveria ter sido tomada individualmente, mas submetida ao colegiado do STF. A preocupação esteve em preservar os procedimentos institucionais e evitar que decisões monocráticas ampliassem a politização e o espaço para atuações consideradas arbitrárias dentro do Supremo. A partir dessa perspectiva, a reintegração determinada por Flávio Dino encontrou maior respaldo no grupo, sendo entendida principalmente como uma correção necessária enquanto o caso não fosse analisado de maneira coletiva.
Também apareceu com força uma desconfiança em relação à imparcialidade de Mendonça. Parte dos participantes interpretou sua atuação como politicamente orientada e percebeu seletividade na maneira como diferentes atores políticos vinham sendo tratados. Essa leitura fez com que o episódio não fosse compreendido apenas como uma discussão sobre possíveis irregularidades na Polícia Federal, mas também como parte de uma disputa política dentro das instituições. Ainda assim, houve participantes que acompanharam o caso apenas superficialmente ou demonstraram dúvidas sobre quem havia agido corretamente, inclusive questionando se uma reintegração rápida poderia prejudicar as investigações. A convergência mais clara, portanto, esteve na defesa de decisões colegiadas e de maior respeito aos procedimentos institucionais.
"Eu acho que nenhuma decisão sobre o afastamento de qualquer cargo da PF deve ser feita de maneira individual, isso fere o regimento e também transforma tudo em uma questão política. Por isso, concordo com a decisão do Dino de reintegrá-los aos seus cargos até que uma votação do colegiado seja feita. Além disso, todo essa questão envolvendo o Banco Master e o André Mendonça tem um lado claro, tudo que ele abre contra o PT, não expõe contra o PL e os partidos aliados. Eu sei que os Juízes do STF tem problemas sérios e uma relação com a classe política dominante que é bem questionável, para não dizer inadmissível. Mas, um erro não pode levar ao outro e os processos devem manter os seus ritos processuais para que não haja ainda mais autoritarismo dentro do Supremo." (LL, 33 anos, tradutor, SP)
"Estou acompanhando o caso. Penso que todas as grandes decisões devem ser feitas por um colegiado e nunca decisões feitas monocraticamente. Temos exemplos importantes como no caso da Lava Jato." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"tenho acompanhado superficialmente, uma confusão isso tudo, não entendo de legislação, mas me parece que Mendonça não poderia ter tirado o diretor da PF, também ele tem divulgado aspectos de processos só de uma lado, tudo indica que ele está usando seu cargo pra fortalecimento político de seus aliados" (LL, 45 anos, professor, PB)


Entre os bolsonaristas convictos, predominou uma leitura de desconfiança em relação à operação e às motivações por trás da investigação. O caso foi interpretado menos a partir das suspeitas específicas envolvendo o financiamento do filme e mais como parte de uma atuação seletiva das instituições contra pessoas ligadas à direita e a Bolsonaro. A percepção mais recorrente foi de que a investigação teria servido para desviar a atenção de outras denúncias consideradas mais graves pelo grupo. Nesse contexto, Polícia Federal, STF e integrantes do governo ou do Judiciário foram vistos com forte desconfiança, e a operação foi associada a perseguição política, tentativa de intimidação e tratamento desigual entre direita e esquerda.
Apesar dessa reação predominantemente defensiva, também apareceu o entendimento de que eventuais irregularidades envolvendo dinheiro público deveriam ser investigadas. Mesmo entre participantes que desconfiaram das motivações da operação, houve reconhecimento de que, caso fossem comprovados desvios ou uso indevido dos recursos, seria necessária apuração. Ainda assim, essa posição permaneceu subordinada à percepção mais ampla de seletividade: a principal cobrança foi por investigações consideradas igualmente rigorosas para todos os lados.
"Bom pelo que estou entendendo agora começou uma espécie de cassas as bruxas já que as investigações estão chegando no coração da corrupção nesse caso no stf e na cúpula da PF que diga-se de passagem pra gente essa policia serve para nada a verdade nem sei para que existe já que quando é pra ela atuar simplesmente ela não faz nada e ainda protege gente estranhamente alinhadas a crimes ,a mesma fala que não tem poder para tal cunho e outras vezes ela atua de uma forma estranhamente imparcial ,mas voltando ao caso essa investigação e não uma coisa firmada está sendo feita para esconder ou fazer com que as investigações mais importantes sejam esquecidas , entre outras palavras eles não chegaram firme nos 130 milhões e mais mesadas para filhos e ministros mas chega rapidamente em um casa que não vai da em nada a não ser que eles façam igual fez com a tal minuta de golpe que nem existiu ,simples e puramente para livrar o corrupto da PF e os ministros do STF ,e sim o dinheiro público sempre foi usado pelos artistas que não faz nada pra sociedade e alegação mais coerente nesse caso pra acabar de vez seria a tal da lei rouanet e o artifício de dinheiro pra cultura ,ué um lado pode usar o outro lado não? Por que ? Então é isso por lei esse suposto dinheiro publico para o filme estaria em acordo com a lei que ampara a cultura e o lazer ,como falei a não ser que eles queiram dá outro golpe ditador para querer incriminar alguém está tudo respaldo pela lei é isso ,como também já falando os donos do filme buscar patrocinadores que é super normal como flavio foi buscar o patrocínio do vocaro como também a globo com Luciano hulk fez o mesmo e está tudo nos conformes para não ter nenhuma hipocrisia, mas como está parecendo que eles lá toda hora muda leis para perseguir e proteger os seus ,vamos aguardar." (BC, 39 anos, administrador, RJ)
"Boa noite; será se vai investir a Globo e Luciano Hulke, pq ele também foi beneficiado, ou vai investigar quem é da direita, afinal é ano político né, eu vejo que o Brasil está uma palhaçada, sem falar nesse STF, que fica atuando em causa próprio, com um ministro corrupto, aliás; são vários." (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA) |
"Isso tudo é cortina de fumaça, pra tirar o foco do Alexandre de Moraes e seus cúmplices do banco Master. Gostei do ministro André Mendonça ter aceitado abrir investigação do filme Dark Horse. Flávio Dino está querendo ganhar tempo porque é amigo do Andrei. Eu tbm vi um vídeo que ele colocou a polícia federal aliada da esquerda pra intimidar a produtora do filme do Bolsonaro, eles estão desesperados porque sabem que os crimes que cometeram está exposto pra todo o Brasil então precisam tirar o foco de cima deles e isso não vai dar em nada." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Não estou acompanhando com detalhes sobre estes novos detalhes do caso, mas o fato é que é muito importante essa quebras de sigilo quebra de todos para não deixar pedra sobre pedra o brasileiro precisa de saber da verdade chega de tanta mentiras." (BC, 47 anos, administradora, BA)

Os bolsonaristas moderados e indecisos conservadores convergiram na defesa da investigação e da responsabilização caso fosse comprovado o uso irregular de dinheiro público. As suspeitas foram consideradas graves, mas predominou a cautela em tratá-las como fatos já confirmados. A avaliação foi de que as apurações deveriam avançar para esclarecer a origem e o destino dos recursos e determinar as responsabilidades dos envolvidos. Entre os indecisos conservadores, apareceu uma expectativa maior de que novos desdobramentos ainda revelassem outras irregularidades, enquanto os bolsonaristas moderados enfatizaram mais a necessidade de aguardar comprovações antes de condenar os envolvidos.
A principal diferença esteve na leitura sobre o contexto da investigação. Entre os bolsonaristas moderados, houve maior desconfiança sobre o momento em que o caso ganhou repercussão, com questionamentos sobre possível influência do período eleitoral, viés político e tratamento desigual das investigações. Entre os indecisos conservadores, embora o contexto eleitoral também tenha sido percebido, essa interpretação teve menor centralidade: o foco permaneceu mais diretamente na gravidade das suspeitas e na necessidade de aprofundar a apuração. Assim, ambos defenderam que o caso fosse investigado, mas os moderados demonstraram maior resistência à forma como ele estava sendo apresentado, enquanto os indecisos conservadores mostraram maior abertura à possibilidade de que as investigações trouxessem novas descobertas.
“Se houver comprovação de uso irregular de dinheiro público, os responsáveis devem ser investigados e responsabilizados. É fundamental garantir transparência e que os recursos públicos sejam utilizados corretamente.” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
“Acho que apesar das matérias saírem sempre enviesadas na mídia tem que se apurar tudo sobre Master seja Lula, xandao ou Flávio. Errou tem que pagar. Brasil precisa ser passado a limpo” (BM, 38 anos, professor, SP)
“Estou acompanhando sim e tanto Mario Frias como Flavio Bolsonaro estao firmes e convictos de estao agindo de boa fe, documentados sobre todas as transacoes e seguros da legalidade. Mas vamos ver os desdobranentos. E como sempre digo: achou irregularidades que paguem pelos crimes. Simples assim.” (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
“Cada vez que vejo algo sobre esse filme é uma polêmica envolvendo muito dinheiro. Eu acho que ainda vão descobrir muito mais coisas, muito mais dinheiro envolvido. Que sejam investigados, e sejam punidos devidamente.” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
“Estou surpreso com essa situação por justamente não saber do teor dela e estar ciente agora. Mas diante de tanta coisa acredito que haverão mais desdobramentos e encontrarão mais coisas e me interessei em acompanhar agora kkk” (IC, 29 anos, professor, RJ)
“Não estou acompanhando o caso. Considero grave qualquer caso que use dinheiro público indevidamente. Espero que os responsáveis sejam punidos de acordo com a lei.” (IC, 37 anos, professor, RJ)

Nos três grupos mais progressistas, predominou uma avaliação negativa das novas informações e uma preocupação com a possibilidade de uso indevido de dinheiro público. Houve convergência na defesa do aprofundamento das investigações, da responsabilização dos envolvidos e da devolução de eventuais recursos desviados. Entre indecisos progressistas e lulistas, as suspeitas foram recebidas de maneira mais afirmativa, com maior percepção de que as novas descobertas reforçavam a existência de irregularidades. Entre os lulodescontentes, prevaleceu maior cautela: o caso foi considerado grave, mas ainda nebuloso, e houve maior expectativa de que as investigações esclarecessem sua real dimensão antes de conclusões definitivas.
Também convergiu entre os três grupos a crítica à destinação de recursos públicos para interesses considerados particulares, especialmente diante de outras necessidades da população. Essa indignação apareceu com mais força entre indecisos progressistas e lulistas, que demonstraram menor disposição para relativizar as suspeitas e relacionaram o episódio a uma percepção negativa mais ampla sobre os envolvidos.
Os lulodescontentes concentraram-se menos nessa condenação antecipada e mais na necessidade de esclarecimento e punição caso os desvios fossem comprovados. De modo geral, diferentemente dos grupos bolsonaristas, praticamente não ganhou espaço entre esses perfis a interpretação de que a investigação representasse perseguição política.
“To acompanhando e isso da muita raiva. O dinheiro é do povo, dinheiro que falta pra saúde, escola, segurança, e os caras usando em esquema pra bancar filme e projeto ligado a político? Aí é fácil fazer festa com dinheiro dos outros. Se tiver desvio mesmo, tem que devolver tudo e responder na Justiça, seja quem for.” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
“Infelizmente no Brasil o dinheiro público é usado de maneiras erradas. Como pode que toda essa quantidade de dinheiro seja desviando para realização de um filme biográfico que não vai acrescentar nada? Se quisesse fazer o filme usassem recursos que não saísse dos cofres público.” (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
“Estou acompanhando por noticiários em podcast e programas de rádio. É revoltante mas de alguma forma não me surpreende,pois essas questões sempre ocorreram desde a época do Ex-presidente Fernando Collor de Melo, com a questão da compra do Fiat Elba. O que eu espero é que da mesma forma que foi investigado e denunciado no passado,agora chegue a um resultado positivo para o pais,e que os responsáveis por usar dinheiro público para questões pessoais sejam presos.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)
“eu acho muito preocupante quando surgem suspeitas de uso de dinheiro público dessa forma. Se os desvios forem confirmados, é algo que precisa ser investigado e responsabilizado!!E independentemente de quem esteja envolvido” (LD, 27 anos, entregadora, RS)
“Olá, pessoal. Tenho acompanhado mas parece muito nebuloso. Parece ter dinheiro de emendas, do Banco Master (que pode ter dinheiro do INSS) e de outras fontes. Além de levantar suspeitas de que servia para financiar Eduardo Bolsonaro no EUA, parece que também serviria para financiar ações partidárias junto a igrejas. Enfim, espero mais informações para entender melhor o tamanho do buraco.” (LD, 48 anos, servidor público, PA)
“Fiquei a par das notícias ontem, e devo dizer que não estou surpreso. Já sabia que iam aparecer mais escândalos envolvendo o filme do Bolsonaro. Eu acho que tudo isso deve ser levado em consideração para as eleições, e espero que a investigação seja levada a sério, pois o dinheiro usado deveria ser usado com o povo e não financiando filme de ex presidente.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)
“Completamente ridículo que dinheiro público tenha sido usado para produzir um filme em homenagem a um presidente que historicamente tentou acabar com as leis de financiamento a arte.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

De maneira geral, as reações aos temas discutidos foram fortemente condicionadas pelo posicionamento político dos grupos. As mesmas informações receberam interpretações distintas conforme a maior proximidade ou distanciamento em relação a Lula e Bolsonaro, reforçando percepções e desconfianças já existentes. Esse padrão apareceu tanto na avaliação das pautas escolhidas para o evento da Independência quanto nas discussões sobre a atuação das instituições e as novas informações envolvendo aliados de Bolsonaro.
As pautas escolhidas por Lula e Flávio para o evento da Independência tiveram maior capacidade de reforçar percepções já existentes do que de aproximar os diferentes perfis. Entre os bolsonaristas, a agenda de Flávio encontrou maior identificação por abordar questões consideradas mais urgentes no cenário político, enquanto as pautas de Lula foram percebidas como repetitivas ou pouco acompanhadas de resultados. Entre indecisos progressistas e lulistas, ocorreu o movimento inverso: Lula foi associado a temas mais relacionados ao país, às necessidades coletivas e ao significado da data, enquanto Flávio foi percebido como mais concentrado no confronto e nas disputas políticas. Entre grupos menos alinhados, os indecisos conservadores questionaram principalmente a transformação da data em espaço de campanha e defenderam a preservação de seu caráter cívico. Já os lulodescontentes interpretaram as escolhas dos dois candidatos sobretudo como estratégias para mobilizar eleitores e gerar repercussão, cobrando maior espaço para problemas concretos e propostas de solução.
O caso do afastamento e da recondução ao cargo do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, dividiu os grupos principalmente na avaliação sobre a atuação de André Mendonça. Entre os dois grupos bolsonaristas, predominou o respaldo ao ministro e a percepção de que Flávio Dino havia interferido nas investigações ao determinar a reintegração. No extremo oposto, o grupo de lulistas concentrou as críticas em Mendonça, questionando a decisão monocrática e sua imparcialidade, enquanto a atuação de Dino encontrou maior respaldo. Nos grupos intermediários, houve menos disposição para definir previamente quem estava certo. O grupo de indecisos conservadores demonstrou forte desconfiança nas instituições e interpretou a sucessão de decisões como sinal de falta de transparência e interesses internos. Já indecisos progressistas e lulodescontentes foram mais cautelosos e convergiram principalmente na necessidade de aprofundar as investigações antes de estabelecer responsabilidades.
As novas informações sobre os recursos utilizados para a produção do filme Dark Horse aumentaram a percepção de gravidade do caso, mas não produziram o mesmo nível de desgaste nos diferentes perfis. Entre os bolsonaristas convictos, predominou a leitura de perseguição política e tentativa de desviar o foco de outros escândalos, sem que o episódio provocasse desgaste evidente de Bolsonaro ou de seus aliados. Entre bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, prevaleceu uma posição mais cautelosa. Os dois grupos defenderam que as suspeitas fossem investigadas e que eventuais responsáveis fossem punidos, mas evitaram tratar as irregularidades como comprovadas. Os moderados demonstraram maior desconfiança do possível uso político e eleitoral do caso, enquanto os indecisos conservadores relataram ter expectativa de que as investigações ainda revelassem novas informações. Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma avaliação negativa do episódio e uma cobrança pelo aprofundamento das investigações. Indecisos progressistas e lulistas demonstraram maior convicção de que havia irregularidades e maior indignação com a possibilidade de recursos públicos terem sido destinados ao filme. Os lulodescontentes também consideraram as suspeitas graves, mas mantiveram maior cautela e esperaram mais informações para dimensionar o caso. Assim, a principal divisão esteve menos na defesa ou não da investigação, presente em praticamente todos os perfis, e mais na credibilidade atribuída às suspeitas e às próprias instituições responsáveis pela apuração.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

