


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Resultado do Primeiro Turno | Comemoraram o fortalecimento da direita, a votação de Flávio Bolsonaro e as derrotas da esquerda. Ao mesmo tempo, manifestaram fortes suspeitas sobre a apuração presidencial, interpretando a demora na atualização dos votos como possível sinal de irregularidades. | Demonstraram satisfação com os resultados da direita e esperança para o segundo turno, embora alguns lamentassem a ausência de uma vitória imediata. A principal frustração esteve na permanência da força eleitoral do PT, especialmente no Nordeste. | Surpreenderam-se com a liderança de Flávio Bolsonaro, pois esperavam Lula à frente, mas sem necessariamente desejar sua vitória. Predominaram apreensão com os resultados e insatisfação com as alternativas políticas, com lamentações sobre a impossibilidade de renovação. | Reagiram com tristeza, revolta e preocupação ao avanço de Flávio Bolsonaro e da direita no Legislativo. A forte rejeição ao candidato levou alguns a já definir o voto em Lula no segundo turno, mesmo sem identificação anterior com o presidente. | Demonstraram decepção e preocupação com o fortalecimento da direita e suas possíveis consequências políticas. Predominou o pessimismo em relação ao segundo turno, acompanhado de receios sobre a concentração de poder e a intensificação da polarização. | Receberam os resultados com forte indignação, tristeza e medo de retrocessos sociais e institucionais. A preocupação ultrapassou a disputa presidencial: o fortalecimento do PL no Senado foi visto como ameaça à governabilidade de Lula, mesmo em caso de reeleição. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Mudanças na Constituição | Apoiaram as mudanças constitucionais, confiando que Flávio Bolsonaro promoveria reformas para endurecer as leis, reduzir privilégios e limitar o poder do Judiciário. | Defenderam a atualização da Constituição, mas condicionaram o apoio ao conhecimento das mudanças, à participação popular e à preservação dos direitos fundamentais e democráticos. | Dividiram-se entre o receio de perda de direitos e concentração de poder nas mãos de Flávio e a percepção de que a Constituição precisa ser modernizada. Não houve consenso sobre os riscos da proposta. | Rejeitaram a proposta por desconfiarem das intenções de Flávio, temendo a retirada de direitos sociais e trabalhistas, o favorecimento de grupos privilegiados e o enfraquecimento da democracia. | Concentraram suas preocupações na possível perda de direitos trabalhistas, especialmente os assegurados pela CLT, e no enfraquecimento dos serviços públicos. Também manifestaram receios de retrocessos democráticos. | Interpretaram a proposta como ameaça à democracia, temendo a concentração de poder, o enfraquecimento das instituições e a retirada de direitos. As reações foram marcadas por medo, indignação e preocupação com o futuro do país. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Projeção de futuro | Desejaram um Brasil mais seguro, próspero e com menos impostos. Demonstraram confiança de que a permanência da direita no poder permitiria realizar essas mudanças, enquanto associaram a esquerda à piora do país. | Desejaram um país mais desenvolvido, seguro e com melhores condições de vida, mas demonstraram forte pessimismo quanto ao futuro. Consideraram que os problemas acumulados dificilmente seriam superados em dez anos, mesmo com a vitória da direita. | Desejaram um Brasil mais seguro, justo e desenvolvido, com direitos preservados e melhores serviços públicos. Demonstraram descrença na capacidade dos políticos de promover mudanças significativas, independentemente do resultado eleitoral. | Desejaram um Brasil mais igualitário, inclusivo e com direitos preservados. Dividiram-se entre a esperança de avanços sociais e o temor de estagnação ou retrocessos, especialmente diante de uma eventual vitória da direita. | Desejaram um Brasil mais justo, com melhores condições de vida e serviços públicos de qualidade. Predominou o pessimismo quanto ao futuro, com receio de retrocessos sob a direita e poucas expectativas de mudanças significativas mesmo com Lula. | Desejaram um Brasil com menos desigualdade, maior proteção social e respeito às minorias. Demonstraram forte apreensão diante do avanço da direita e da composição conservadora do Congresso, que consideraram obstáculos à preservação dos direitos e à realização de melhorias. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |


Os dois grupos bolsonaristas receberam os resultados do primeiro turno com satisfação e interpretaram o desempenho eleitoral da direita como uma demonstração de fortalecimento político e de desgaste do governo Lula e do PT. A votação de Flávio Bolsonaro alimentou o entusiasmo e reforçou a percepção de que havia condições favoráveis para a continuidade da disputa. A eleição de representantes alinhados à direita também foi valorizada, sendo compreendida como sinal de maior conscientização política dos eleitores e de rejeição à esquerda. Embora alguns participantes tenham lamentado que a disputa presidencial não tivesse sido encerrada no primeiro turno, predominou uma avaliação positiva, acompanhada de confiança, esperança e defesa da união da direita para a etapa seguinte.
A principal diferença entre os grupos esteve na maneira como interpretaram os resultados e a condução do processo eleitoral. Entre os bolsonaristas convictos, a comemoração conviveu com uma forte desconfiança em relação à apuração, alimentada pela percepção de inconsistências na contagem dos votos e por suspeitas de interferência no processo. Essas dúvidas reforçaram uma visão mais ampla de descrédito nas instituições eleitorais, sem diminuir a disposição de apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Entre os moderados, prevaleceu uma reação mais tranquila e concentrada nos resultados, sem questionamentos à legitimidade da votação. A frustração esteve mais associada à permanência da força eleitoral do PT e à necessidade de uma nova disputa, mas não comprometeu o otimismo em relação às possibilidades da direita.
“Mesmo esperando que Flávio fosse eleito já no primeiro turno, fiquei satisfeito porque a grande maioria dos eleitores dos candidatos que não passaram para o segundo turno deve votar em Flávio, aumentando muito a probabilidade dele ser eleito. É um retrato da insatisfação do povo com o PT e em especial com o Lula.” (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
“O PL se saiu muito bem e elegeu um número muito grande de senadores, deputados federais e estaduais. Muitos políticos figurinhas carimbadas da esquerda não conseguiram se eleger e reeleger, isso mostra como o povo brasileiro está bem mais consciente dos seus votos a ponto de o palhaço Tiririca ficar de fora e não se reeleger.” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
“Tem muita coisa escondida nesse congelamento de informação do resultado.” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Em Sao Paulo que é meu estado tudo certo por aqui, acredito que o pessoal votou bem mesmo tendo uma boa parte da esquerda vencemos a primeira batalha, o Tarcísio por exemplo atropelou o Haddad rs.” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
“Confesso que fiquei surpresa pois achei que a maioria iria em Lula. Fiquei feliz com o resultado e esperançosa.” (BM, 29 anos, advogada, SP)
“Tristeza pq nao se definiu logo no 1°turno. Infelizmente sou do nordeste, e o nordeste sempre faz o que nao deve, decepcionando a todos, votando na corrupcao atual...exemplo foi a Bahia que botou os mesmos larapios na cena do crime, com os senadores eleitos.... mas enquanto ha esperanca, lutaremos! O Brasil tem que se livrar de 20 anos de retrocessos.” (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

Entre os indecisos conservadores, predominou a surpresa diante dos resultados do primeiro turno, especialmente pela liderança de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Embora a realização de um segundo turno já fosse esperada, havia uma percepção relativamente disseminada de que Lula terminaria a votação à frente. O desempenho de Flávio contrariou essas expectativas e provocou apreensão, mas não significou necessariamente uma preferência pelo atual presidente. Diferentemente dos bolsonaristas, os participantes não interpretaram o avanço da direita como uma conquista política, demonstrando maior distanciamento em relação às duas principais alternativas presidenciais e insatisfação com as opções disponíveis.
As avaliações estaduais também contribuíram para o sentimento de surpresa e preocupação, sobretudo diante de resultados que contrariaram as expectativas construídas ao longo da campanha. A distância entre o cenário esperado e o resultado das urnas foi um elemento central das reações, acompanhada de questionamentos sobre os candidatos, suas trajetórias e a falta de propostas mais claras. Embora tenham manifestado críticas e desconfiança em relação a representantes da direita, os participantes não demonstraram uma identificação consistente com o campo governista. Assim, o primeiro turno ampliou as incertezas sobre os rumos da disputa, sem produzir uma orientação política comum para o segundo turno.
“Achei que o resultado não era esperado, e deixou uma grande parcela apreensiva, esperava Lula em primeiro lugar na disputa, não que gostaria disso, mas Flávio na frente foi realmente pra mim inesperado.” (IC, 38 anos, coordenadora, SP)
“Confesso que fiquei um pouco surpreso. Para a presidência eu já esperava o segundo turno, mas achava que Lula lideraria. Já para governo do RJ achei que o Eduardo Paes ganhasse no primeiro...” (IC, 37 anos, professor, RJ)
“Agora pra presidente infelizmente eu já esperava um segundo turno, mas não com esse cenário de Flávio B em primeiro, fiquei bem apreensiva com esse resultado. É revoltante pois são 2 candidatos que fugiram de debates, não sabemos propostas, fica o dito pelo não dito.” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

Os três grupos progressistas receberam os resultados do primeiro turno com tristeza, frustração e preocupação, especialmente diante da votação de Flávio Bolsonaro e do fortalecimento da direita no Legislativo. O desempenho eleitoral do candidato contrariou as expectativas de parte dos participantes e provocou indignação pela percepção de que as controvérsias envolvendo a família Bolsonaro não haviam produzido a rejeição esperada. A insatisfação ultrapassou a disputa presidencial e esteve associada ao temor de retrocessos sociais, trabalhistas e institucionais, além de preocupações com a concentração de poder e os rumos políticos do país. O resultado também alimentou uma visão pessimista sobre o segundo turno, diante da possibilidade de continuidade do avanço da direita.
As diferenças estiveram principalmente na intensidade das reações e na relação com Lula. Entre os indecisos progressistas, a rejeição a Flávio Bolsonaro ganhou força e levou alguns participantes a reconsiderar o voto em Lula, mesmo sem identificação anterior com o presidente. Os lulodescontentes demonstraram uma preocupação mais contida, marcada pelo pessimismo quanto à possibilidade de reversão do resultado e pelos receios de agravamento da polarização. Já os lulistas manifestaram maior envolvimento emocional, com sentimentos de medo, indignação e desânimo, além de uma preocupação mais desenvolvida com a composição do Senado e seus efeitos sobre a governabilidade. Nesse grupo, mesmo uma eventual reeleição de Lula não foi considerada suficiente para afastar os riscos percebidos, diante da possibilidade de dificuldades para aprovar políticas públicas e preservar direitos.
“Bom dia! Escolhi os candidatos que eu acreditava, pessoas com bons projetos e ainda assim o resultado no meu estado não foi tão confortável como eu gostaria. E sobre presidente, eu fiquei inconformada, tanta informação, tanto caos e o Flávio ainda saiu por cima, como pode tanto brasileiro não ver que está acabando com o próprio país. Espero que o segundo turno seja melhor, pq até o momento está lamentável.” (IP, 26 anos, autônoma, RO)
“Inacreditável, eu disse anteriormente que não votaria no Lula, mas mediante o cenário atual, antes Lula que Flávio Bolsonaro! Somente o Pl ocupando todas as cadeiras, um total desespero, pois as pessoas estão optando por rasgar os direitos trabalhistas, por deixar o rico cada vez mais rico.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
“Bem, eu votei nos candidatos que mais se adequaram às minhas opiniões e nos projetos que, na minha visão, mais atendem às dores e necessidades da maior parte da população brasileira. Contudo, confesso que me sinto um pouco frustrada com o protagonismo que tantos candidatos da extrema direita conquistaram nessas eleiçõe tanto no meu estado como no Brasil inteiro.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)
“Fiquei e estou bastante preocupada e até horrorizada com o resultado, pois na minha visão, muitos candidatos ligados à direita e à extrema-direita saíram fortalecidos” (LD, 27 anos, entregadora, RS)
“Fiquei muito tristi pois o resultado demonstrou que ainda somos muito polarizados apesar de que alguns candidatos não foram reeleitos pela sua incompetencia (tiririca) e outros ainda precisamos melhorar na informação sobre como votar” (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
“Como cidadão fiquei muito preocupado com o resultado e com o que pode ocorrer com um futuro próximo, pois todas as decisões tomadas vai ficar concentrado em um só grupo político.” (LD, 49 anos, vigilante, MT)
“Estou perplexo com o Brasil sendo capaz de votar em Flávio. Estou com medo do futuro do Brasil, pois tenho dificuldade em imaginar que o Lula consiga reverter este cenário, mas estou com ainda mais medo de que caso consiga, o país esteja ingovernável por conta da grande maioria do senado, mas pelo menos poderia evitar as 4 indicações ao STF. Temo muito pelo Brasil.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
“Vi a apuração com profunda tristeza. A quantidade de votos para o partido liberal ao redor do país me assusta muito. Os candidatos eleitos me causam vergonha tanto no meu estado, quanto nos outros do país. Me assusto e fico com pouca esperança para o segundo turno” (LL, 25 anos, desempregada, BA)

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Goiânia, nesta terça-feira (6), para receber apoio de Ronaldo Caiado (PSD), no segundo turno das eleições de 2026. Durante o evento, Flávio Bolsonaro falou que quer ""mudar a Constituição"", mas não disse o que pretende alterar.
Flávio discursou logo após o anúncio de apoio e disse que pretende usar a maioria dos parlamentares na Câmara e no Senado para eleger um aliado na presidência da Câmara e “então mudar a Constituição Federal e redemocratizar esse país.”
O que vocês acham dessa proposta de Flávio Bolsonaro? Existe alguma mudança que causaria medo em vocês?

Os dois grupos bolsonaristas convergiram na percepção de que a Constituição precisava ser atualizada e de que mudanças poderiam contribuir para corrigir problemas no funcionamento do Estado e das instituições. Predominou uma disposição favorável à revisão das regras existentes, associada à expectativa de maior eficiência, justiça e redução de privilégios. Entretanto, essa concordância não significou uma avaliação semelhante da proposta de Flávio Bolsonaro. Entre os convictos, a confiança no candidato sustentou uma aprovação praticamente incondicional, mesmo diante da ausência de informações sobre as alterações pretendidas. A proposta foi interpretada a partir de expectativas positivas sobre um eventual governo, sem despertar receios relevantes.
Entre os moderados, a disposição para mudanças foi acompanhada de maior cautela e preocupação com a maneira como seriam conduzidas. Os participantes consideraram necessário conhecer previamente as alterações, ampliar a participação da sociedade e assegurar que os direitos fundamentais fossem preservados. A indefinição da proposta, portanto, teve efeitos distintos: enquanto os convictos confiaram que Flávio promoveria mudanças benéficas, os moderados evitaram antecipar seu apoio sem conhecer as consequências. A principal diferença esteve no peso atribuído à confiança no candidato em comparação com a necessidade de transparência e garantias institucionais.
“Bom dia! Acredito que seja relacionado a redução da maioridade penal ou algo mais severo para crimes hediondos. Flávio não é burro para fazer algo impensável ou que prejudique diretamente o cidadão de bem, então não muda minha opnião e nem me causa medo. O voto é o mesmo!” (BC, 22 anos, vigilante, RO)
“Bom dia! É justamente por tudo isso que não tenho medo de mudança. O que me preocupa é continuar com a política que o governo Lula representa: mais impostos, mais gastos, aumento da máquina pública, insegurança e uma sensação cada vez maior de impunidade. O brasileiro trabalha, paga caro e recebe cada vez menos em troca.” (BC, 47 anos, administradora, BA)
“Boa noite. Com certeza é preciso atualizar alguns pontos da constituição, pois esses pontos deixam espaço para interpretaçoes diferentes. Além disso, a estrutura política e do judiciário precisa ser revista para que essas instituições voltem a funcionar em harmonia e respeito à constituição. Particularmente, não tenho receio dessas mudanças citadas por Flávio, uma vez que ele tem todos os motivos e razões para fazer o País voltar a andar nos eixos.” (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
“Bom dia. Mudanças sempre é bom e a nossa constituição tem mesmo que mudar , só que para mudar tem que haver a participação, também,da nossa sociedade que deveria opinar,afinal toda mudança vai nos atingir diretamente,para o bem ou para o mal.” (BM, 54 anos, aposentado, PB)
“Bom dia..Eu acho que uma mudança na Constituição precisa ser muito bem pensada.O que me daria medo seria qualquer mudança que pudesse diminuir os direitos das pessoas ou prejudicar a democracia.” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
“Acho perigosa essa fala dele, e pode ser um tiro no pé. A constituição e o que nos assegura os direitos fundamentais, e ele dizer que vai mudar, é como se nós não tivéssemos garantias asseguradas. Tanto é que a esquerda tá usando isso para atacá-lo. Deveria ter sido mais claro na sua fala.” (BM, 29 anos, advogada, SP)

Os indecisos conservadores apresentaram opiniões divididas sobre a proposta de Flávio Bolsonaro, sem que se formasse uma posição claramente predominante. Parte dos participantes considerou que a Constituição precisava ser atualizada e interpretou a possibilidade de mudanças como algo necessário para corrigir problemas acumulados ao longo do tempo. Nessa perspectiva, as alterações não despertaram receios significativos, desde que trouxessem benefícios à população. A disposição favorável, contudo, não significou necessariamente confiança no candidato, mas esteve mais relacionada à percepção de que as regras existentes precisavam ser revistas.
Em sentido contrário, outra parcela reagiu com forte preocupação, associando a proposta ao risco de enfraquecimento dos direitos fundamentais e das garantias democráticas. A desconfiança esteve relacionada tanto à ausência de informações sobre as mudanças pretendidas quanto às intenções atribuídas a Flávio Bolsonaro. A possibilidade de concentração de poder ampliou esses temores, especialmente diante da perspectiva de alterações conduzidas sem amplo consenso. Assim, o grupo se diferenciou pela coexistência de uma abertura à modernização constitucional e de uma rejeição à possibilidade de que essas mudanças fossem conduzidas pelo candidato, revelando percepções bastante distintas sobre os riscos envolvidos.
“Eu sou a favor de uma nova constituição, nosso modelo engessou todos os gastos públicos, proíbe pena de morte, dá muitos poderes ao supremo e "garante" muitos direitos que não são entregues, eu queria um modelo de constituição mais enxuta, por isso que todo presidente para governar tem que emendar a constituição e isso é horrível. Não tenho nenhum receio e acredito que já passou da hora de renovar essa constituição (*obs : eu já li a CF de 1988 completa)” (IC, 24 anos, estudante, MA)
“Boa noite Pra mim não tem motivo nenhum pra ter medo, não. É claro que dá pra ver que tem coisas que precisam ser revistas, muita coisa já vem de muito tempo e realmente precisa de mudança....!” (IC, 30 anos, autônoma, SP)
“Acho essa proposta bizarra, a constituição garante direitos fundamentais que não devem ser mudados. Nada está sendo discutido sobre reforma constitucional, ele não deve mudar a constituição assim, ainda mais em um momento que se ele ganhar indicará 4 nomes pro STF, se ele ganhar terá uma bancada majoritariamente de direita, sem oposição. E reformas amplas feitas sem amplo consenso costumam aprofundar divisões sociais e ideológicas. Isso sem contar que esse cara não gosta de pobre, de minorias, prefere empresários a trabalhador, lambe botas dos Estados Unidos... Me dá medo sim dessas mudanças.” (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

Os três grupos progressistas convergiram na rejeição à proposta de Flávio Bolsonaro, interpretada como uma possível ameaça aos direitos conquistados e ao funcionamento das instituições democráticas. A ausência de informações sobre as alterações pretendidas reforçou a desconfiança em relação ao candidato, cujas intenções foram associadas ao favorecimento de interesses particulares e de grupos privilegiados, em prejuízo da população. Predominou o receio de que uma eventual maioria parlamentar fosse utilizada para promover mudanças sem discussão suficientemente ampla com a sociedade, comprometendo garantias consideradas fundamentais. Diferentemente dos grupos mais favoráveis à proposta, os participantes não demonstraram abertura para avaliar possíveis benefícios das alterações, pois a própria iniciativa já foi recebida com preocupação.
As diferenças estiveram principalmente na natureza e na intensidade dos temores. Entre os indecisos progressistas, destacou-se a preocupação com a preservação dos direitos sociais e a proteção das populações mais vulneráveis, acompanhada de forte desconfiança em relação às prioridades políticas de Flávio. Os lulodescontentes concentraram suas manifestações nas possíveis consequências para os trabalhadores, especialmente na perda de garantias trabalhistas e no enfraquecimento dos serviços públicos, embora também tenham expressado receios institucionais. Já os lulistas apresentaram uma reação mais intensa e politizada, associando a proposta à concentração de poder, ao enfraquecimento dos mecanismos democráticos e à possibilidade de um governo autoritário. Assim, embora os três grupos compartilhassem o temor de retrocessos, os lulistas demonstraram maior envolvimento emocional com as possíveis consequências políticas de uma vitória de Flávio Bolsonaro.
“Acho essa proposta de Flávio Bolsonaro sobre "Mudar a Constituição" extremamente perigosa e preocupante. O que mais me assusta é a possibilidade de enfraquecimento ou retirada de direitos trabalhistas e do acesso à saúde e à educação. Esses direitos são fundamentais,foram conquistados ao longo de décadas e estão assegurados pela Constituição de 1988. Não podem ser tratados como privilégios que podem ser retirados ou relativizados. Qualquer medida que ameace essas garantias precisa ser firmemente questionada e combatida.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)
“Eu acho que ele se comporta como um mimado. Um absurdo querer mudar algo que tem como objetivo assegurar o direito à educação, saúde, alimento, trabalho, moradia, ou seja, o mínimo de dignidade, qualquer alteração causa medo, porque nossos direitos foram conquistados às custas de muitos sacrifícios, essas insinuações assustam, e não sei até onde ele quer provocar medo, ou de fato retirar direitos.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
“Qualquer ação ou mudança do Flávio me causa medo, pq ele não pensa num bem de todos, pensa no bem dele e dos demais superiores. Se ele for eleito, o Brasil vai ser realmente diferente, mas infelizmente negativamente. Até pq não vem nada positivo do Flávio.” (IP, 26 anos, autônoma, RO)
“Boa tarde a todos. Acho muito preocupante a fala de Flávio, gostaria de ter um arcabouço didático melhor para exemplificar a minha preocupação. Más o principal ponto que me preocupo como trabalhador CLT, são as mudanças da mesma , perda de direitos e uma desvalorização do salário” (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
“Boa Noite! Eu acho que é uma proposta eleitoral pois não se muda a constituição desta forma em um pais que é democrático. Mas a minha preocupação é com as mudanças nas leis trabalhistas CLT, pois vai impactar muito para os trabalhadores brasileiros.” (LD, 47 anos, professora, MT)
“Não concordo com esse pensamento dele e fico com medo dessas possíveis mudanças, espero que tudo seja verificado de forma cautelosa, até pq a constituição é algo bem sério para se brincar e se por ventura ele colocar coisas inaceitáveis, espero que a população se mobilize para não deixar. O que eu receio é sobre privatizações dos setores públicos, principalmente referente a educação como universalidades, visto que o governo Bolsonaro sempre atacou as universidades públicas” (LD, 29 anos, professora, RJ)
“Tudo em relação a Flavio Bolsonaro e a extrema direita me dá medo. O Senado praticamente já é do PL, maioria bolsonaristas... Camera tb, não está tão ruim qto o Senado, mas está ruim. Ele, se entrar, já poderá em 3 anos eleger 4 ministros do STF. Acredito que essa mudança da Constituição será uma mudança para melhorar o lado deles. Acho que ele é bem capaz de mudar o mandato de um presidente para 8 anos, tirar todos os direitos trabalhistas, os auxilios sociais, tirar tudo dos trabalhadores e garantir, que não terá um final de mandato onde poderá ser julgado e preso igual aconteceu com o pai. Eu vejo tempos muito assustadores para o futuro se ele entrar.” (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)
“Essa fala do Flávio e bem preocupante. A constituição é a lei mais importante que existe na atualidade, ele dizer que vai usar a maioria do Senado a favor de uma mudança nessa Constituição é algo que deveria causar muito medo na população. Com certeza existe várias mudanças que ele poderia fazer que me causa muito medo e apreensão.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)


Os bolsonaristas convictos projetaram um Brasil mais desenvolvido, seguro e próspero, no qual a população tivesse melhores condições de vida, acesso a serviços públicos de qualidade e maiores oportunidades de crescimento econômico. A redução dos impostos, o combate à criminalidade e à corrupção e a diminuição dos privilégios políticos ocuparam posição importante nessa visão de futuro. Também defenderam maior valorização do trabalho, liberdade individual e mudanças na atuação do Estado. De maneira geral, associaram o país desejado a uma sociedade mais organizada, com leis rigorosas, instituições eficientes e maior autonomia dos cidadãos em relação ao governo.
Ao imaginar o que efetivamente aconteceria nos dez anos seguintes, demonstraram maior confiança na possibilidade de transformação do país, mas condicionaram esse otimismo à continuidade da direita no poder. Interpretaram a mudança política como condição fundamental para superar os problemas nacionais e atribuíram à esquerda a responsabilidade pela manutenção ou pelo agravamento dessas dificuldades. Embora reconhecessem que as melhorias exigiriam tempo e esforço, demonstraram confiança no potencial de desenvolvimento do Brasil. Dessa forma, suas expectativas para o futuro estiveram fortemente vinculadas às preferências ideológicas, com uma perspectiva positiva sob governos de direita e negativa diante da possibilidade de continuidade da esquerda.
“Daqui a 10 anos, quero um Brasil desenvolvido, seguro e próspero, com educação de qualidade, saúde funcionando, empregos, menos impostos e respeito ao dinheiro do contribuinte. Um país onde criminosos sejam punidos, a corrupção não fique impune e políticos tenham menos privilégios e mais responsabilidade.” (BC, 47 anos, administradora, BA)
“Acredita que se a direita ganhar as eleições tudo isso pode ser possível de acontecer, mas se a esquerda ganhar será o fim do nosso país, porque já estamos vivendo dias terríveis.” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
“Como estará depende muito do governo que vamos enfrentar acredito que se for bancada petista só vai piorar infelizmente segurança principalmente agora se for bancada bolsonariata acredito que vamos ter uma melhora de 80% na segurança.” (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)

Os bolsonaristas moderados e os indecisos conservadores compartilharam o desejo de um Brasil mais seguro, desenvolvido e com melhores condições de vida. A melhoria dos serviços públicos, a ampliação das oportunidades de emprego, a redução da violência e o fortalecimento da economia apareceram como expectativas comuns. Também demonstraram preocupação com a corrupção, a má utilização dos recursos públicos e a dificuldade de garantir condições dignas à população. Apesar de reconhecerem o potencial de desenvolvimento do país, consideraram que os problemas acumulados eram profundos e exigiriam mudanças que dificilmente seriam alcançadas em dez anos. Assim, o futuro desejado apareceu distante da realidade que acreditaram ser possível construir.
A principal diferença esteve na maneira como interpretaram as causas dessas dificuldades e as possibilidades de superação. Os bolsonaristas moderados atribuíram maior responsabilidade aos governos de esquerda, especialmente pelo endividamento, pela corrupção e pela deterioração das condições do país, mas demonstraram pouca confiança em uma recuperação significativa mesmo com a vitória da direita. Já os indecisos conservadores apresentaram uma descrença mais ampla em relação à classe política, sem associar necessariamente a solução dos problemas a um campo ideológico. Para eles, a continuidade das dificuldades esteve relacionada à falta de compromisso dos governantes, à persistência de práticas políticas inadequadas e à complexidade dos desafios nacionais. Embora alguns admitissem melhorias graduais, nos dois grupos prevaleceu a expectativa de um futuro semelhante ou pior que o presente.
“Agora pensando no que eu acredito que vai acontecer, é um cenário mais sombrio mesmo que a direita vença por 10 anos, como estamos hoje? Pode melhorar mas dificilmente vai ser algo próximo do que citei acima, a recuperação de dividas astronômicas que o Brasil está, não sei nem o que dizer como será o cenário” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
“Bom dia....Eu gostaria que o Brasil daqui a dez anos fosse um país mais seguro, com menos desigualdade, mais oportunidades de emprego, saúde e educação de qualidade. Acredito que o Brasil pode melhorar, mas acho que ainda teremos muitos desafios pela frente.” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
“É muito complicado falar sobre como o Brasil estará daqui 10 anos, pq acredito q existem outros fatores alem da politica que vão acontecer nos próximos 10, 20 anos ou ate mais um pouco...” (BM, 43 anos, administradora, GO)
“No atual cenário eu não consigo imaginar um futuro muito bom não. Acredito que independente do resultado das urnas, será bem difícil meu desejo ser concretizado!” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
“Independente de quem ganha os problemas são muitos e não acredito em utopia e político perfeito, não no Brasil mas espera realmente que melhore em alguma coisa.” (IC, 37 anos, professor, RJ)
“Sinceramente, eu espero que melhore, mas acho que ainda vai demorar bastante. Muita coisa precisa mudar primeiro. Imagino que vamos ter avanços em algumas coisas, mas também desafios grandes pela frente.” (IC, 30 anos, autônoma, SP)

Os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas compartilharam o desejo de um Brasil mais justo, igualitário e com melhores condições de vida para a população. A redução da pobreza e das desigualdades, a valorização do trabalho, a ampliação do acesso à saúde e à educação e a preservação dos direitos sociais e democráticos ocuparam posição central nessa visão de futuro. Também destacaram a importância do respeito às diferenças, da proteção das minorias e da construção de uma sociedade menos violenta e intolerante. Mais do que o crescimento econômico, associaram o desenvolvimento do país à garantia de direitos, à inclusão social e à melhoria efetiva das condições de vida. Nesse sentido, demonstraram preocupação não apenas com a conquista de novos avanços, mas também com a possibilidade de perda das garantias já existentes.
Ao imaginar o que efetivamente aconteceria nos dez anos seguintes, convergiram no receio de retrocessos diante do fortalecimento político da direita, mas apresentaram diferentes graus de esperança e pessimismo. Os indecisos progressistas dividiram-se entre a confiança na possibilidade de avanços sociais e o temor de que as condições de vida permanecessem estagnadas ou piorassem, especialmente sob um governo de direita. Os lulodescontentes demonstraram uma descrença mais generalizada, pois também consideraram limitadas as possibilidades de transformação sob um novo governo Lula. Já os lulistas expressaram maior apreensão com a composição conservadora do Congresso e do Senado, que interpretaram como uma ameaça à preservação dos direitos e à continuidade das políticas sociais, mesmo diante de uma eventual vitória de Lula. Assim, o cenário político apareceu como um fator de insegurança para os três grupos, embora os lulistas tenham demonstrado maior envolvimento emocional e os indecisos progressistas tenham preservado expectativas mais variadas sobre o futuro.
“Daqui a 10 anos, queria que o Brasil fosse um lugar melhor pra viver, com emprego, salário digno, saúde e educação de qualidade, e que o povo não precisasse viver só trabalhando pra pagar conta. Queria ver menos desigualdade e mais oportunidade pra todo mundo.” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
“Se Flávio ganhar o país muda, mas se ele conseguir mudar a constituição todo sofrimento que a gente já passa só irão piorar. Sem sus, mais preconceito, mais racismo, mais exploração.” (IP, 26 anos, autônoma, RO)
“Apesar dos problemas que enfrentamos, acredito que podemos construir uma sociedade com menos ódio, preconceito e machismo.Tenho esperança de que as novas gerações contribuam para transformar essa realidade,fortalecendo o respeito, a igualdade e o compromisso com um futuro melhor para todos.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)
“Eu gostaria de um Brasil com economia estável em evolução com oportunidades para todos, saúde com todas as especialidades acessíveis, com segurança e educação de qualidade. Do jeito que as coisas estão encaminhando, vamos ter uma economia instável, saúde precária, com muita fila de espera e a educação ainda precisando de muitos pontos para avançar....” (LD, 47 anos, professora, MT)
“Gostaria que daqui a dez anos os direitos em nossa sociedade não tivessem sido retirados e tivesse diminuído essa dualidade sem filtro e racionalidade na política brasileira. Porém, imagino que muita coisa vai mudar para pior e minhas filhas e netos terão um mundo pior para viver.” (LD, 48 anos, servidor público, PA)
“Caso o lula seja eleito, também não vejo muita mudança,pois terá um governo engessado graças ao congresso de maioria do PL” (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
“O Brasil dos meus sonhos é aquele em que não existam tantas discrepâncias entre uma classe social e outra. É um país com a economia equilibrada, onde todas as pessoas tivessem chances de estudar, de ter um bom trabalho, tenham sua casinha, de não ter que se preocupar em conseguir comprar a comida e dar o básico para seus filhos.” (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)
“Sobre o cenário, será sombrio, indenpendemente do que aconteça no dia 25, já que serão oito anos com um Senado e um Congresso tomado por ultraconservadores, os quais, não deixarão com que nenhum dos meus sonhos se torne realidade.” (LL, 33 anos, tradutor, SP)
“Prefiro estar otimista e dizer que o Brasil daqui a 10 anos vai estar muito melhor para se viver do que hoje em dia.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)



O primeiro turno produziu reações bastante distintas entre os grupos. Enquanto os bolsonaristas comemoraram o fortalecimento da direita e demonstraram otimismo para o segundo turno, os grupos progressistas e lulistas receberam os resultados com frustração, preocupação e pessimismo. Os indecisos conservadores se diferenciaram por uma reação marcada principalmente pela surpresa, sem identificação clara com os candidatos que avançaram na disputa presidencial.
O desempenho de Flávio Bolsonaro foi o principal elemento das avaliações nacionais. Entre os bolsonaristas, sua votação foi interpretada como sinal de desgaste de Lula e de fortalecimento da direita. Nos demais grupos, a liderança surpreendeu porque havia uma expectativa relativamente disseminada de que Lula terminaria o primeiro turno à frente. Entre os progressistas e lulistas, essa surpresa veio acompanhada de indignação diante da permanência do apoio eleitoral à família Bolsonaro, apesar das controvérsias associadas a ela.
O fortalecimento da direita no Legislativo também ganhou destaque, mas recebeu interpretações opostas. Para os bolsonaristas, representou uma conquista importante e uma demonstração de rejeição à esquerda. Para os progressistas, lulodescontentes e, sobretudo, lulistas, despertou receios de retrocessos sociais, concentração de poder e dificuldades de governabilidade. Entre os lulistas, chamou atenção a percepção de que mesmo uma eventual reeleição de Lula não seria suficiente para afastar essas preocupações.
Mesmo com Flávio à frente, a confiança no processo eleitoral também diferenciou os grupos. Entre os bolsonaristas convictos, a satisfação com os resultados conviveu com suspeitas de irregularidades na apuração presidencial, especialmente relacionadas à demora na atualização dos votos. Essas interpretações não apareceram entre os moderados nem nos demais grupos.
A proposta de Flávio Bolsonaro de modificar a Constituição provocou reações fortemente influenciadas pelo posicionamento político prévio dos participantes. Como o candidato não esclareceu quais alterações pretendia realizar, as avaliações se concentraram menos no conteúdo concreto da proposta e mais na confiança ou desconfiança em relação às suas intenções.
Entre os bolsonaristas convictos, a confiança em Flávio praticamente eliminou os receios. As mudanças foram associadas à expectativa de corrigir problemas institucionais, endurecer leis e reduzir privilégios. Já os bolsonaristas moderados também reconheceram a necessidade de atualizar a Constituição, mas defenderam maior transparência, participação popular e garantias de preservação dos direitos fundamentais. Os indecisos conservadores apresentaram a maior divisão de opiniões. Parte considerou necessárias as mudanças e não identificou motivos para preocupação, enquanto outra demonstrou forte desconfiança em relação ao candidato e temeu a concentração de poder e a perda de direitos. O grupo evidenciou que a disposição para reformar a Constituição não significou necessariamente apoio à iniciativa de Flávio. Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou a rejeição à proposta, interpretada como uma possível ameaça aos direitos sociais, trabalhistas e democráticos. Os lulodescontentes concentraram seus receios nas consequências práticas para os trabalhadores e os serviços públicos, enquanto os lulistas demonstraram maior preocupação com a concentração de poder e o risco de retrocessos institucionais, acompanhada de forte envolvimento emocional.
Por fim, o Brasil desejado para os próximos dez anos apresentou forte convergência entre os grupos, independentemente das preferências políticas. Segurança, saúde e educação de qualidade, melhores salários, redução das desigualdades e maiores oportunidades de emprego apareceram como expectativas compartilhadas. As diferenças estiveram nas prioridades: os grupos à direita enfatizaram a redução de impostos, o combate à criminalidade e a eficiência do Estado, enquanto os grupos progressistas destacaram como prioridades a proteção dos direitos, a inclusão social e o fortalecimento das políticas públicas.
A principal distância apareceu entre o país desejado e aquele que os participantes acreditaram que encontrariam daqui a dez anos. Os bolsonaristas convictos demonstraram maior otimismo, condicionado à permanência da direita no poder. Já os bolsonaristas moderados e os indecisos conservadores apresentaram uma visão mais pessimista, embora por razões diferentes: os primeiros responsabilizaram principalmente os governos de esquerda, enquanto os segundos demonstraram descrença mais generalizada na classe política. Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, o futuro despertou preocupação com possíveis retrocessos sociais e democráticos. Os indecisos progressistas preservaram alguma esperança de melhorias, os lulodescontentes demonstraram pouca confiança em mudanças mesmo com Lula, e os lulistas concentraram seus temores no fortalecimento da direita e na composição conservadora do Congresso.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

