Relatório 151

De 21 a 27/9/26

Temas:

  • Fim das Bets
  • Ligação de Vorcaro com Kassio Nunes Marques
  • Clima Eleitoral
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 21 a 27/9/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 169 interações, totalizando 7.963 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Fim das BetsConcordaram com a necessidade de proibir ou restringir os jogos, mas interpretaram a decisão sobretudo como eleitoreira e tardia, voltada a melhorar a imagem de Lula às vésperas da eleição.Consideraram necessária uma regulamentação mais firme, embora parte preferisse limitar e fiscalizar em vez de proibir. Também desconfiaram do momento da medida e atribuíram a iniciativa a interesses eleitorais.Aprovaram amplamente a decisão, vista como necessária diante do vício, endividamento e excesso de publicidade. As principais ressalvas foram a demora e a necessidade de fiscalização efetiva para que a proibição funcione.Apoiaram de forma praticamente consensual o endurecimento das regras, tratando as apostas como fonte de vício, endividamento e prejuízos sociais. Parte defendeu inclusive a proibição das apostas esportivas.Avaliaram a medida como necessária e positiva, embora tardia. Vários consideraram insuficiente preservar as apostas esportivas e defenderam uma proibição mais abrangente.Aprovaram fortemente a proibição, associando os jogos a vício, endividamento e exploração dos mais vulneráveis. Parte defendeu proibir também as apostas esportivas e ampliar o controle sobre publicidade e influenciadores.Embora favoráveis à decisão, os participantes construíram seus argumentos de acordo com seus grupos de pertencimento.
Vorcaro e a "Turma do KN"As revelações reforçaram a percepção de corrupção disseminada no STF e no sistema político, com pouca surpresa diante de novos envolvidos. Defenderam investigação e punição de todos, inclusive Nunes Marques, apesar de sua ligação com Bolsonaro.Predominaram indignação e defesa de afastamento, investigação e punição dos ministros envolvidos. Ao mesmo tempo, houve forte descrença de que haverá responsabilização, diante da percepção de que o caso ainda envolve muitas outras figuras.O caso aprofundou a perda de credibilidade do STF, sem distinção relevante entre ministros indicados pela esquerda ou pela direita. Além da punição dos envolvidos, apareceram defesas de mudanças institucionais no Judiciário e forte expectativa de impunidade.Viram o caso como uma rede crescente de relações e interesses, que pode revelar ainda mais envolvidos. Defenderam investigação rigorosa e punição, mas com maior cautela em condicionar as acusações à comprovação dos fatos.Interpretaram as revelações como demonstração da capacidade do poder econômico de influenciar diferentes poderes e instituições. Defenderam a continuidade das investigações e mecanismos mais independentes de controle sobre o Judiciário.Associaram mais diretamente Nunes Marques a Bolsonaro e incorporaram o episódio a uma crítica mais ampla ao bolsonarismo e à direita. Também apareceu a percepção de que casos envolvendo esse campo político recebem menor repercussão, embora alguns tenham cobrado investigação antes de conclusões definitivas.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Clima EleitoralPredominaram esperança e confiança em uma vitória da direita, embora acompanhadas de tensão e apreensão com o processo eleitoral. No convívio, perceberam ambientes majoritariamente alinhados e relativamente tranquilos.Prevaleceram preocupação, medo e incerteza, sobretudo diante da possibilidade de continuidade do atual governo. A eleição foi percebida como mais morna, com poucas propostas, muito desgaste e menor entusiasmo.Dominaram desesperança, frustração e descrédito diante da repetição da polarização e da sensação de “mais do mesmo”. O clima foi visto como menos mobilizado que em eleições anteriores, apesar da permanência das divisões.Predominaram tensão, preocupação e decepção diante de uma eleição percebida como instável e confusa. A polarização e as controvérsias envolvendo os principais campos produziram desgaste, cansaço e dificuldade de escolha.A eleição foi percebida como mais tranquila e pacífica que as anteriores, embora com expectativa e preocupação diante da reta final. Ao mesmo tempo, denúncias e escândalos alimentaram desilusão e descrédito com diferentes lados da disputa.Predominaram tensão, medo e incerteza com o desfecho da eleição, acompanhados de cansaço e desesperança. A proximidade da disputa aumentou a apreensão, embora alguns ainda mantivessem otimismo com o resultado.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
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Pergunta 91

Na próxima quarta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende assinar uma Medida Provisória (MP) para uma regulamentação mais firme das Bets. Jogos e cassinos online, como o chamado jogo do “Tigrinho”, devem ser proibidos. Já as apostas esportivas não serão proibidas, mas devem sofrer maiores restrições de publicidade. O que acham da decisão?
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Excelente decisão, porém... eleitoreira

Entre os bolsonaristas convictos e moderados, decisão foi recebida com forte desconfiança em relação às motivações do governo, ainda que houvesse reconhecimento dos problemas provocados pelas apostas. Predominou a percepção de que jogos e bets haviam produzido consequências graves, sobretudo pelo vício, endividamento e comprometimento da renda das famílias, o que justificava algum tipo de intervenção. A concordância com o mérito da medida, porém, não se converteu em aprovação ao governo: a iniciativa foi considerada tardia e apareceu acompanhada do questionamento sobre por que as restrições não haviam sido adotadas anteriormente.

Nesse sentido, o momento do anúncio ganhou mais peso do que o conteúdo da medida na avaliação política. A proximidade da eleição alimentou a interpretação de que o governo teria agido para recuperar apoio e construir uma imagem de preocupação com a população, tornando recorrente a caracterização da iniciativa como eleitoreira. Ao mesmo tempo, não houve consenso sobre até onde deveria ir a intervenção: enquanto parte defendeu restrições ainda mais duras, inclusive sobre apostas esportivas, outra parcela mostrou maior resistência à proibição e preferiu regulamentação, fiscalização e limites, preservando a possibilidade de escolha individual.

“Eu acho que o governo está desesperado porque sabe que vai perder no primeiro turno e está se fazendo de bonzinho pra enganar os trouxas, já era pra ter proibido esses jogos a muito tempo, isso tem destruído famílias e sonhos, tem pessoas que já perderam tudo e se suicidaram por causa desses jogos. Mas porque ter essa ação agora perto das eleições, pra passar uma imagem de preocupação com quem joga, tem que proibir todos os jogos até os esportivos. Então eu acho que essa decisão é eleitoreira, apesar de que antes tarde do que nunca proibir esses jogos bets.” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

“Boa tarde; mais uma medida eleitoreira pra tentar enganar o povo, se caso ganhar volta a liberar tudo, o engraçado é que ele só está fazendo coisa pq está muito mal nas pesquisas. No meu ponto de vista, deveria ser proibido a muito tempo, principalmente esse tigrinho que vem acabando com várias famílias, proíbe também essas bets, ou paga imposto alto, são elas junto com o tigrinho que vem acabando com várias famílias.” (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)

“Acho ótimo. Acho que precisa ter mais regulamentação sobre o assunto, já que é uma máquina de fazer dinheiro. Porém acho que é mais uma medida pré campanha, e não feita por pensar no povo.” (BM, 29 anos, advogada, SP)

“É uma boa medida? Sem dúvida! Porem... pq não fez essa regulamentação láaaaaaaaa atras, quando autorizou que as bets tomassem contam do Brasil? Agora? Ás vesperas da eleição? ‘oww homem bom e santo’ esse.. SQN! Cai quem quer no golpe eleitoral.” (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

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Apoio à decisão

Entre os indecisos conservadores, a medida foi recebida com ampla concordância quanto à necessidade de maior controle sobre os jogos e apostas. Predominou a percepção de que a intervenção havia demorado, diante do crescimento das plataformas, do endividamento dos jogadores e da exposição intensa à publicidade. A proibição dos cassinos online foi considerada adequada, enquanto a restrição à propaganda das apostas esportivas também encontrou apoio, especialmente pela percepção de que esses conteúdos haviam se tornado excessivamente presentes e estimulavam a aposta como possibilidade de ganho financeiro.

Ao mesmo tempo, as opiniões revelaram uma preocupação mais pragmática com a efetividade das medidas. A proibição, isoladamente, não foi entendida por todos como suficiente, diante da possibilidade de manutenção dos jogos na ilegalidade. Por isso, fiscalização, cumprimento das regras e controle da publicidade ganharam centralidade, enquanto também apareceram alternativas como maior tributação das bets e educação financeira. A crítica ao momento eleitoral existiu, mas teve peso secundário: diferentemente dos bolsonaristas, a avaliação do mérito da medida prevaleceu sobre a desconfiança em relação às motivações do governo.

“Bom dia! Acho que demoraram muito para regulamentar de forma mais rígida, mas antes tarde do que nunca, agora é fiscalizar e fazer valer as restrições.” (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

“Eu particularmente considero a decisão apertada, embora não aposto e não tenho apreço nenhum por bets vejo que proibir esses cassinos duvidosos é uma medida correta, quanto às apostas esportivas elas tem um lastro nas partidas realizadas e o jogador pode acompanhar o andamento, já o tigrinho é programado pra tirar o máximo que puder do jogador, resta apenas mais consciência e educação financeira para a população compreender e que aposta não é investimento” (IC, 24 anos, estudante, MA)

“Decisão eleitoreira, sou meio alienado a essa questão fora do RJ, mas no Rio de Janeiro os caça-níqueis estão destruindo famílias desde os anos 80, o jogo do bicho está enganando pessoas no Rio de Janeiro desde 1800 são práticas proibidas? Sim! Mas acontecem com frequência no dia-a-dia da periferia? Sim! NA ILEGALIDADE. Não adianta apenas proibir, é necessário muito mais...” (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

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Apoio e celebração da decisão

A decisão foi recebida com aprovação ampla, sustentada principalmente pela percepção de que as apostas haviam ultrapassado a esfera da escolha individual e se transformado em um problema social. Endividamento, vício, perda de patrimônio e comprometimento da renda familiar apareceram como consequências que justificavam uma intervenção mais firme do Estado. Também houve forte incômodo com a disseminação da publicidade e com a atuação de influenciadores na promoção das plataformas, entendidas como mecanismos que ampliavam a exposição e alimentavam a expectativa de dinheiro fácil.

As críticas, portanto, não se dirigiram prioritariamente à intervenção, mas ao fato de ela ter demorado ou não ter ido suficientemente longe. Houve defesa recorrente de que as apostas esportivas também fossem alcançadas pela proibição, diante da percepção de que poderiam produzir problemas semelhantes ou absorver usuários dos jogos proibidos. Fiscalização efetiva, restrições à publicidade e maior responsabilização de quem divulgava essas plataformas também foram cobradas. Mesmo quando apareceu uma leitura eleitoral da iniciativa, ela não anulou a aprovação da medida: o mérito da decisão permaneceu no centro das avaliações, enquanto as ressalvas apontaram sobretudo para a necessidade de ampliar seu alcance e garantir sua implementação.

“Tem que apertar mesmo. As bets viraram vício pra muita gente, tem família sendo destruída, gente se endividando e até casos de suicídio. Isso já virou um problema de saúde pública, não é só joguinho não. Tem que meter fiscalização pesada e parar de vender essa ilusão de dinheiro fácil.” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

“Eu acho uma ótima ideia, pois não é de hoje que o governo deveria ter essa atitude,já muitas pessoas estão individadas ao jogar nessas plataformas e acabam viciadas gastando seu dinheiro com essas apostas. Tambem acho que as apostas esportivas deveriam ser proibidas pelas mesmas.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)

“Acho ótimo,pois pensa numa coisa chata essas propagandas de jogos o tempo todo. E fora que coisas sem fiscalização vira bagunça” (IP, 43 anos, autônomo, MT)

“bom dia, excelente decisão um pouco tarde mas necesaria e bem vinda, aparentemente o governo do lula sabe as decisões que deve tomar mas realiza de forma bem tardia, já existem outros problemas a ser regulados mas antes tarde que nunca.” (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

“Boa Tarde! É uma ótima iniciativa, pois esses jogos estão acabando com muitas famílias, através do vício e endividamento. Mas acho que devia proibir as apostas esportivas junto porque são jogos também.” (LD, 47 anos, professora, MT)

“Gostaria de ver isso acontecendo. Entendo toda a polêmica em relação ao banimento das apostas esportivas, muita gente afirma que o futebol brasileiro morreria com uma decisão como essa, mas não tenho conhecimento sobre isso. Penso que o ideal seria banir tudo, mas sem dúvida alguma, banir pelo menos os cassinos já seria algo gigante e mexeria com diversos lobbys já bastante penetrados na câmara e no senado. Espero que ele tenha coragem de fazer isso de fato.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

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Pergunta 92

Novas mensagens do celular de Daniel Vorcaro, obtidas pela Polícia Federal e enviadas ao STF (Supremo Tribunal Federal), revelam um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com a chamada “Turma do KN”. “KN”, conforme as trocas de mensagens, seria uma menção ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF. A “turma” seria uma referência ao desembargador Newton Ramos e a esposa dele, a advogada Camilla Ramos. O repasse seria feito em caso de resultados favoráveis em ações para destravar créditos e precatórios de usinas de açúcar de interesse do Banco Master. Diálogos extraídos do celular de Vorcaro mencionam também tratativas sobre um suposto pagamento mensal de R$ 500 mil direcionado a Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques. O ministro assumiu o cargo durante o governo de Bolsonaro.

Vocês acompanharam essa nova descoberta envolvendo outro ministro do STF? O que pensam sobre esse caso?

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Deterioração da credibilidade do STF.

Nos três grupos mais à direita, as novas revelações foram interpretadas a partir de uma desconfiança que já estava consolidada em relação ao STF e ao funcionamento do Judiciário. Por isso, as informações produziram mais confirmação do que surpresa: reforçaram a percepção de que irregularidades e relações de interesse não estariam restritas a indivíduos isolados, mas alcançariam diferentes integrantes das instituições. A origem política das indicações perdeu importância diante dessa leitura mais abrangente, e predominou a defesa de que todos os envolvidos fossem investigados e, caso comprovadas irregularidades, responsabilizados.

Ao mesmo tempo, a cobrança por punição conviveu com forte descrença na capacidade das instituições de promovê-la. A percepção de que novos envolvidos ainda poderiam aparecer ampliou a dimensão atribuída ao caso e aprofundou a perda de confiança no Judiciário. Entre os indecisos conservadores, essa insatisfação assumiu um caráter um pouco mais institucional, chegando ao questionamento das regras de funcionamento e controle do STF.

Entre bolsonaristas convictos e moderados - sempre mais informados -, apareceu de forma mais intensa a percepção de impunidade. No conjunto, porém, os três grupos convergiram na avaliação de que o problema ultrapassava personagens específicos e indicava uma deterioração mais ampla da credibilidade institucional.

“Boa noite! Acompanhei e acho que todos que tem envolvimento devem serem julgados igualmente e justamente.” (BC, 46 anos, babá, PR)

“Boa noite ,eu também acompanhei um pouco hoje e todos os envolvidos devem ser julgados iguais sobre Daniel ele foi esperto deu corda e muitos caíram na dele agora tem que ter punição” (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)

“Boa noite! Não acompanhei. Acho que esse caso sobre Vorcaro e tudo que houve com o banco master ainda vai longe, são muitas descorbertas, muito dinheiro envolvido e pessoas importantes. Ainda vamos ouvir sobre esse assunto.” (BC, 22 anos, vigilante, RO)

“Estou acompanhando de perto tudo que sai sobre o Vorcaro o cara era envolvido até o pescoço com muita gente, e digo mais se mexer mais um pouco aí aparece mais coisas e mais pessoas. De verdade no fundo todos sabemos que a maioria vai sair ileso desses crimes” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

“Acho que já tem evidências suficientes para responsabilizar esses ministros. O complicado é que pelo visto, metade do STF está envolvido. Mas sinceramente acho que isso não vai dar em nada, e que mais uma vez passarão impunes.” (BM, 29 anos, advogada, SP)

“Boa tarde! Não cheguei a ver essa última atualização, esse caso a cada hora tem um novo envolvido. Não me surpreende mais nada. Espero que todos os envolvidos sejam devidamente punidos” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

“Não vi essa reportagem. Mas vindo da nojeira que está o STF nada mais surpreendente. Está claro que muitos tiraram vantagens neste esquema, seja indicação da esquerda seja da direita, o STF não tem mais credibilidade nenhuma.” (IC, 37 anos, professor, RJ)

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Dinheiro, poder e instituições

Entre os indecisos progressistas e lulodescontentes, o caso foi interpretado menos como um episódio restrito a um ministro e mais como parte de uma rede ampla de relações entre poder econômico, agentes públicos e instituições. A sucessão de novas informações reforçou a percepção de que as investigações ainda poderiam alcançar outros envolvidos e revelar conexões mais extensas. Diante disso, predominou a defesa de aprofundamento das apurações e de responsabilização independentemente da posição ocupada, embora as avaliações tenham apresentado maior cautela em tratar as suspeitas como fatos definitivamente comprovados.

Entre os lulodescontentes, essa leitura assumiu um caráter mais estrutural, com maior ênfase na capacidade do poder econômico de produzir influência, privilégios e relações de interesse dentro das instituições. Também apareceram questionamentos sobre a autonomia e a eficácia dos mecanismos responsáveis por fiscalizar integrantes do próprio Judiciário. Entre os indecisos progressistas, prevaleceu mais diretamente a necessidade de investigar todas as conexões e acompanhar o surgimento de novos envolvidos. Nos dois grupos, portanto, a gravidade atribuída ao caso esteve associada não apenas às condutas individuais investigadas, mas à possibilidade de que elas revelassem relações mais profundas entre dinheiro e poder.

“Não acompanhei não, só vi por cima. Mas se isso for comprovado, é coisa muito séria. R$ 427 milhões e ainda esse papo de pagamento mensal é dinheiro demais pra simplesmente fingir que não aconteceu. Tem que investigar tudo e, se tiver alguém envolvido, seja ministro, advogado ou quem for, tem que responder.” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

“Bom dia,penso que cada vez mais coisas estão aparecendo e fica complicado não acreditar. Espero que isso tudo seja, analisado com bastante cautela,e que realmente os envolvidos sejam punidos,e que essa sujeira não seja jogada pra baixo do tapete,como outras.” (IP, 28 anos, vendedora, AL)

“Infelizmente não consegui acompanhar direito essa notícia. Penso que realmente todo o sistema político do pais: executivo,legislativo e judiciário está podre. Relações com investigados e empresários deveriam ser rigosorasamente proibido para que situações assim não ocorram.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)

“Bom dia Tenho acompanhado. Acho que o processo de auditoria de um ministro deve ser menos burocrático. Outro ponto é que o processo de abertura de investigação não deve estar nas mãos dos ministros. Para evitarmos incongruências como as que ocorreram e as que ocorrem.” (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)

“boa tarde, acompanho caso Vorcaro mas não ouvi sobre essa notícia, impressão que dá é que não existe nenhum âmbito que não esteja corrompido é somente esta se falando de 1 banco e 1 pessoa da margem a pensar como estarão os outros bancos e instituições públicas no brasil” (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

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Enquadramento político-partidário

Entre os lulistas, as novas revelações foram interpretadas de maneira mais diretamente vinculada à disputa política. A relação de Nunes Marques com Bolsonaro, responsável por sua indicação ao STF, ganhou centralidade nas respostas e fez com que as suspeitas fossem incorporadas a uma avaliação mais ampla e já negativa do bolsonarismo e da direita. Assim, o episódio não foi lido prioritariamente como evidência de um problema generalizado do STF, mas como mais um elemento que reforçava críticas anteriores a esse campo político e aos atores associados a ele.

Essa politização também aproximou o caso da disputa eleitoral. As revelações foram percebidas como potencialmente capazes de produzir desgaste sobre aliados de Bolsonaro e alimentar questionamentos sobre futuras indicações ao Supremo. Paralelamente, apareceu a percepção de que denúncias relacionadas à direita receberiam menor atenção pública e midiática do que aquelas envolvendo seus adversários. Ainda assim, houve alguma cautela quanto às acusações, com defesa de investigação antes de conclusões definitivas, embora predominasse uma predisposição a considerar as novas informações coerentes com percepções negativas já estabelecidas sobre Bolsonaro e seus aliados.

“Estou sabendo desse caso agora, mas nada me espantaria em um ministro indicado por Bolsonaro, não atoa boa parte da propaganda política dos atuais candidatos aliados à ele fala justamente sobre as próximas indicações ao STF, onde eles têm um interesse de se empregnarem ainda mais. Triste como o bolsonarismo corrompeu até a casa mais tradicional da vida política.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

“Não acompanhei essa nova descoberta, estou sabendo agora. Penso que isso só piora a imagem dos Bolsonaros e afeta a candidatura do Flávio.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

“Sim, acompanhei, mas acredito que precisa de investigação policial e técnica. Sem conhecer tudo e fora do contexto nada de opinião fixa.” (LL, 61 anos, administrador, PR)

"Vou ser sincero: não me conformo como tudo que vem da extrema direita e de Bolsonaro tem falcatruas. Até os ministros que ele colocou no STF parece que estão tirando proveito da situação. Eu esrou" (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

"Cair nas mãos da direita aqui no Brasil parece mais cair nas mãos de bandidos, pelas coisas que estamos vendo." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

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Pergunta 93

Falta aproximadamente uma semana para o primeiro turno das eleições. Como vocês avaliam o clima desta eleição? Se tivessem que resumir em uma palavra o sentimento de vocês em relação ao processo eleitoral deste ano, qual seria? E como vocês percebem esse clima entre as pessoas com quem convivem?
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Esperança e confiança

Entre os bolsonaristas convictos, predominou uma percepção mais positiva e confiante da reta final da eleição. A esperança de mudança no governo federal e a expectativa de vitória da direita estruturaram as avaliações, fazendo com que a proximidade da votação fosse vivida mais como expectativa de confirmação de um resultado desejado do que como indefinição sobre as alternativas eleitorais. Essa confiança também apareceu no modo como perceberam o ambiente ao redor, frequentemente descrito como favorável às suas próprias preferências e relativamente tranquilo no convívio cotidiano.

A tensão e a apreensão também estiveram presentes, mas não significaram desânimo com a candidatura apoiada. Estiveram relacionadas principalmente à desconfiança sobre o processo eleitoral e ao receio de que fatores externos pudessem interferir no resultado esperado. Dessa forma, esperança e preocupação coexistiram: mostraram-se confiantes na força eleitoral da direita, ao mesmo tempo em que demonstraram insegurança quanto às condições em que a disputa seria concluída.

O meu sentimento é de esperança da mudança desse governo federal, para um governo de verdade, que faça realmente a diferença para salvar nosso Brasil. Espero que se não forem todos, que a maioria dos governadores eleitos e deputados, sejam de direita. O medo é de acontecer o tal golpe, que muitos estão divulgando. Medo de fraudes, visto que já houve e não confio nas urnas eletrônicas. Lula sabe que legalmente, a direita vence e isso sabemos que ele e toda a esquerda agem de maneira que vençam. As campanhas estão a todo vapor." (BC, 46 anos, babá, PR)

“Meu sentimento aparti desse momento é de apreensão pois muitos ainda não estão sabendo votar [...] mas tenho essa ênfase de que se todos votarem no melhor para o nosso país a esperança será renovada para todos.” (BC, 39 anos, administrador, RJ)

"Bom dia! Aqui na minha cidade achei as companhas fracas, mas bem definidas. Estou com sentimento de ESPERANÇA, acredito que vamos saber votar certo e tirar o pt.

A convivencia está ótima, aqui em casa sempre estamos em concordancia em relação a politica." (BC, 22 anos, vigilante, RO)

"Bom dia; eu avalio como fervoroso, o PT sabe que não ganhar, trás aqueles artista que só aparece em 4 anos, fizeram até um vídeo com o Pochat kkkkkk. Com quem eu vivo está tranquilo😃" (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)

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Desgaste e estranhamento

Entre bolsonaristas moderados, indecisos conservadores e indecisos progressistas, predominou uma percepção negativa e desgastada do processo eleitoral. A proximidade da votação não produziu maior entusiasmo ou mobilização; ao contrário, reforçou sentimentos de preocupação, incerteza, frustração e descrédito. A eleição foi percebida como pouco propositiva e atravessada por polarização, denúncias e escândalos, elementos que reduziram as expectativas em relação ao processo e alimentaram a sensação de que a disputa oferecia poucas perspectivas concretas de mudança.

Apesar dessa convergência, houve diferenças na origem do desconforto. Entre os bolsonaristas moderados, a preocupação esteve mais associada à possibilidade de continuidade do atual governo, embora também tenham demonstrado desalento com o cenário político de maneira mais ampla. Entre os indecisos, o desgaste atingiu mais diretamente as próprias alternativas eleitorais: conservadores enfatizaram a repetição da polarização e a sensação de “mais do mesmo”, enquanto progressistas perceberam uma disputa instável e confusa, marcada por conflitos e controvérsias que dificultaram a escolha. Nos três grupos, contudo, prevaleceu um ambiente de menor entusiasmo e de pouca confiança de que a eleição produzisse mudanças significativas.

“Eleição esquisita. Propostas quase nada, o povo desalentado e as denúncias de corrupção comendo solto. Uma das eleições mais ‘frias’ dos últimos tempos.” (BM, 38 anos, professor, SP)

“Eu me sinto anestesiada. Na verdade, acho que tudo continuará igual. Sem grandes mudanças. Não tenho esperanças que haverá alguma melhora para nós que estamos na ponta do barco.” (BM, 29 anos, advogada, SP)

“Pra mim tá um clima de ‘de novo a mesma coisa’ mais um ano tendo que ver esse circo entre Direita e Esquerda. Em uma palavra seria ‘DESESPERANÇA’ [...] vejo que as pessoas perderam a esperança em políticos.” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

“O clima e de descrédito, a maioria das pessoas estão desacreditadas com as eleições e só vão votar por obrigação mesmo, são os políticos de sempre e não há mudança relevantes e com os escândalos recentes esse descrédito só aumenta.” (IC, 72 anos, pensionista, RJ)

“Frustração. Eu penso na música da Elis Regina: ‘ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais’. Acho que o clima dessas eleições está menos caótico, se comparado as eleições do Lula x Jair, as pessoas ainda estão divididas, mas o convívio dos meus conhecidos está mais pacífico.” (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

“Boa tarde! Avalio que este cenário ao meu ver, está muito instável e complexo. Ainda não conseguir escolher nenhum candidato. É bem preocupante e ao conversar com amigos e familiares todos estão com esse mesmo sentimento.” (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)

“Percebo que o clima dessa eleição está muito tenso e uma certa pressão entre os dois principais concorrentes [...] Com tudo acaba nos gerando um sentimento de raiva e indignação, pois ambos os candidato tem sujeiras, irregularidades e casos de corrupção nas costas.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)

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Apreensão e desgaste

Entre lulodescontentes e lulistas, a reta final da eleição foi acompanhada por apreensão, incerteza e desgaste com o ambiente político. Nos dois grupos, a proximidade da votação não esteve associada a um entusiasmo crescente, mas à percepção de uma disputa ainda marcada por divisão, conflitos e escândalos. A expectativa em relação ao resultado conviveu com sentimentos de preocupação, desilusão e cansaço, indicando menor segurança sobre os rumos da eleição e sobre o próprio cenário político.

A principal diferença esteve na intensidade e na forma como essa tensão foi percebida. Entre os lulodescontentes, prevaleceu a avaliação de que o ambiente havia sido mais tranquilo e pacífico do que em eleições anteriores, apesar da divisão política e de certa apreensão com a reta final. Entre os lulistas, a tensão apareceu de maneira mais acentuada e esteve mais diretamente relacionada à incerteza sobre o resultado da disputa, acompanhada de medo, desesperança e desgaste com a mobilização política. Assim, enquanto os primeiros perceberam uma relativa redução da hostilidade eleitoral, os segundos vivenciaram a proximidade da votação com maior inquietação e preocupação com o desfecho.

“Boa noite. Eu diria que o sentimento é de preocupação. Acho que muita gente está apreensiva com o que pode acontecer e as pessoas estão bem divididas… Entre as pessoas que eu conheço, percebo bastante discussão e opiniões diferentes, principalmente entre esquerda e direita.” (LD, 27 anos, entregadora, RS)

“Boa noite! O clima desta eleição está bem tranquilo, presenciei algumas discussões sobre os principais candidatos mas foram foram bem equilibradas sem baixarias.” (LD, 47 anos, professora, MT)

“Tenho visto de forma mais descontraída, lembro na que última eleição as pessoas estavam mais tensas e brigando mais [...] Então estou sentindo o clima um pouco mais brando, em comparações a outras eleições onde pessoas pararam de falar com a proporia família.” (LD, 29 anos, professora, RJ)

“Estou bastante tenso devido a proximidade que os dois candidatos tomaram nas pesquisas nas últimas semanas. Honestamente, não sei mais o que esperar. Todo mundo que parecia ter uma certeza já não parece ter tanta assim, mas sigo otimista e acreditando que vai dar tudo certo no final e em campanha.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

“É um clima de desesperança, de que nada do que fizermos será suficiente. [...] Eu mesmo, confesso, não tenho lido e nem visto muita coisa, minha saúde mental não me permite mergulhar com o afinco, como já fez em 2018 e 2022.” (LL, 33 anos, tradutor, SP)

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Considerações finais

A proposta de endurecer as regras sobre bets encontrou aceitação majoritária em todos os perfis, sustentada por uma percepção bastante disseminada dos danos provocados pelos jogos, especialmente vício, endividamento e comprometimento da renda familiar. Mesmo entre os mais críticos ao governo, houve reconhecimento de que o problema demandava algum tipo de intervenção. As diferenças apareceram menos no diagnóstico sobre as apostas e mais na avaliação da iniciativa de Lula e no grau de restrição considerado adequado.

Entre os bolsonaristas, a concordância com parte do conteúdo foi atravessada pela desconfiança política. A proximidade da eleição levou a medida a ser interpretada predominantemente como tardia e eleitoreira, voltada à recuperação de apoio e à construção de uma imagem de preocupação com a população. Os indecisos conservadores ocuparam uma posição intermediária: aprovaram amplamente o endurecimento das regras, mas deram maior ênfase à viabilidade e à efetividade da intervenção. Fiscalização, controle da publicidade e cumprimento das restrições foram considerados fundamentais diante da percepção de que simplesmente proibir poderia deslocar parte das atividades para a ilegalidade. Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, a aprovação foi mais direta e a demanda, em vários relatos, foi por uma intervenção ainda mais abrangente. A demora do governo foi criticada, mas sem retirar o mérito da decisão. A manutenção das apostas esportivas concentrou as principais ressalvas, com defesa recorrente de sua proibição, além de cobranças por maior controle da publicidade, fiscalização das plataformas e restrições à atuação de influenciadores.

As novas revelações do caso Master produziram pouca surpresa e foram tratadas, em quase todos os grupos, como reforço de percepções anteriores sobre a relação entre poder econômico, Judiciário e agentes políticos. A expectativa de que novos nomes ainda aparecessem foi disseminada, assim como a defesa de continuidade das investigações e responsabilização dos envolvidos caso as irregularidades fossem comprovadas. Entre os três grupos mais conservadores, predominou o aprofundamento da desconfiança no STF, percebido como uma instituição com problemas que ultrapassariam ministros específicos. A cobrança por punição conviveu com forte expectativa de impunidade. Entre indecisos progressistas e lulodescontentes, a leitura se concentrou mais na existência de uma rede de interesses que involve dinheiro e poder, com maior preocupação com a apuração dos fatos e com os mecanismos de controle sobre o Judiciário.

Os lulistas se diferenciaram ao politizar mais diretamente o episódio. A indicação de Nunes Marques por Bolsonaro colocou o bolsonarismo e a direita no centro da interpretação, fazendo com que as revelações fossem percebidas também por seus possíveis efeitos sobre aliados e sobre a disputa eleitoral. Nesse grupo, as suspeitas envolvendo o ministro foram entendidas como mais uma evidência de problemas associados ao campo bolsonarista, chegando a ser relacionadas ao desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro e ao interesse da direita em futuras indicações ao STF.

A uma semana do primeiro turno, o clima eleitoral foi predominantemente marcado por sentimentos negativos, com preocupação, incerteza, tensão, medo, frustração e desgaste atravessando a maior parte dos grupos. A esperança e a confiança apareceram de forma mais clara entre os bolsonaristas convictos, que antevem a vitória da direita e retorno de Bolsonaro, enquanto nos demais perfis prevaleceu menor entusiasmo com o processo eleitoral.

A polarização permaneceu como elemento importante, mas foi percebida menos como mobilização e mais como fonte de cansaço e repetição. Entre bolsonaristas moderados e os dois grupos de indecisos, ganhou força a sensação de uma campanha pouco propositiva, confusa e atravessada por escândalos, acompanhada de descrédito nas alternativas e baixa expectativa de mudanças significativas. Entre os eleitores ligados a Lula, a apreensão também esteve presente, mas assumiu formas distintas. Os lulodescontentes perceberam um ambiente relativamente mais tranquilo e pacífico do que em eleições anteriores, embora permanecessem preocupados e desiludidos. Entre os lulistas, pesaram mais a tensão, o medo e a incerteza diante do resultado da disputa.

De forma geral, a reta final não produziu um movimento generalizado de entusiasmo ou confiança. Mesmo quando o convívio foi percebido como menos conflituoso do que em eleições anteriores, permaneceu um pano de fundo de desgaste, insegurança e baixa expectativa em relação ao processo político.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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MDP - Relatório 151