Relatório 155

1/10/26

Temas:

  • Quem vota nos demais candidatos - Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury - e por quê?
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

No dia 01/10/26, os seis grupos responderam se pretendem votar em Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos ou Augusto Cury e quais as razões da escolha. No total, foram coletadas e analisadas 62 interações, totalizando 3.315 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Voto em Caiado, Zema, Renan Santos ou CuryNinguém vota nos quatro: a prioridade é concentrar votos em Flávio para vencer Lula no primeiro turno, com menções ao STF. Zema e, em menor grau, Caiado receberam elogios e foram vistos como aliados num eventual segundo turno. Cury foi descrito como alguém que "se perdeu" e se aproximou da esquerda, e Renan Santos como o pior de todos.Todos votam em Flávio e disseram que não é "inteligente dividir voto" nem há chance de os demais derrotarem Lula. Dois afirmaram que, não fosse Flávio, votariam em Zema, visto como alguém "sem tantos vícios" da política. Cury foi rejeitado de forma enfática.Foi o grupo mais receptivo. Cury é o preferido de vários participantes, pela postura diferente e pelas propostas, e um deles disse que suas falas foram tiradas de contexto; Caiado foi lembrado pelo governo de Goiás e pela segurança, e um participante já decidiu votar em Renan Santos. Houve também quem desistisse de Cury por achar suas propostas "mirabolantes".Ninguém declarou voto nos quatro. Criticaram a falta de propostas concretas e de confiança e o fato de serem, em sua maioria, de direita; citaram a defesa da anistia ao 8 de janeiro, o envolvimento de Zema com Vorcaro e ligações de Renan Santos com neonazistas. Uma participante elogiou pontos de cada programa e disse que gostaria de "juntar" partes deles.Grupo dividido. Uns pretendem votar em Cury ou Zema para "sair da polarização", e outro em Caiado pela experiência. Os demais rejeitaram os quatro: Caiado como "a cara do centrão e do agro", Zema pela dívida de Minas, Renan pela concepção de democracia e pela falta de força política.Rejeição quase total, por serem candidatos de direita ou extrema direita, despreparados e autoritários. Renan Santos foi apontado como o mais perigoso, Zema como "capacho dos Bolsonaro" e Caiado por se dispor a soltar Jair Bolsonaro; para um participante, as opções reforçaram o voto em Lula. A exceção foi um participante que pretende votar em Caiado.Entre os evangélicos bolsonaristas, prevaleceu o voto concentrado em Flávio, com simpatia por Zema e Cury apenas como aliados para um segundo turno. Nos demais grupos, as opções se dividiram entre Cury, Caiado e Zema, justificadas pelo desejo de renovação e de sair da polarização, ao lado de rejeições por despreparo, autoritarismo ou proximidade com o bolsonarismo.
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Pergunta 97

Em relação aos demais candidatos:

Ronaldo Caiado (PSD)

Romeu Zema (Novo)

Renan Santos (Missão)

Augusto Cury (Avante)

Você pretende votar em algum desses? Quais a razões para a escolha do seu voto? E quais as razões para não votar neles?

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Votos concentrados em Flávio, simpatia reservada ao segundo turno

Entre os bolsonaristas, convictos e moderados, ninguém pretende votar nos quatro candidatos, e a razão mais citada foi estratégica: o momento seria de concentrar os votos em Flávio Bolsonaro para derrotar Lula, de preferência já no primeiro turno. Participantes disseram que "não é inteligente dividir voto", que nenhum dos quatro tem força para vencer o PT e que é melhor "não apostar em segundo turno". Entre os convictos, esse argumento veio junto com críticas ao STF, descrito como "aparelhado pela extrema esquerda", e com o temor de que algo seja feito para impedir as eleições.

A recusa, porém, não significou rejeição a todos os nomes. Zema recebeu elogios de convictos e moderados pelo trabalho em Minas Gerais e por parecer "sem tantos vícios" da política, e dois moderados disseram que votariam nele se não fosse Flávio; Caiado foi lembrado pela experiência. Vários convictos se referiram a esses candidatos como possíveis aliados num eventual segundo turno, para "tirar o PT desse país". Cury e Renan Santos tiveram tratamento diferente: Cury foi descrito como alguém que "se perdeu" na campanha e se associou a esquerdistas, e Renan como o pior de todos, "nem para vereador".

"Não vou votar em nenhum desses acima porque o momento agora é de concentrar os votos no Flávio para vencer o Lula no primeiro turno. E se houver segundo turno, meu voto será de Flavio. Acho que Ronaldo tem muita experiência, seria até um bom presidente, Zema também seria uma boa opção considerando o trabalho que tem feito em MG, Cury, nem vou considerar, mas como eu disse, a hora é de concentrar os votos para poder fazer frente ao Lula e tudo o que o PT e o STF podem fazer essa semana para que não haja eleições."(BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Não votarei pq não acho inteligente dividir voto, e esses candidatos não tem força para derrotar o Lula."(BM, 29 anos, advogada, SP)

"Eu iria votar no Zema acho ele sem tantos "vícios " da política. No Cury não voto nem a pau, mas o Zema não tem chances de vencer o PT então pra evitar Lula vamos de Flávio"(BM, 38 anos, professor , SP)

"Não voto neles. Escolhi Flávio por sua visão do Brasil e do povo. Se eu não votasse em Flávio votaria em Zema sem problemas."(BM, 54 anos, aposentado, PB)

"Eu também gosto bastante do Zema, ele é um bom candidato, mas no momento que estamos passando, em STF aparelhado pela extrema esquerda é melhor não apostar em segundo turno, que essa eleição se decida logo no 1° turno, corremos o risco de morar num país com a pior ditadura que é do judiciário"(BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Então nesse ano tem dois a mais que seria uma ótima opção mas eles tem pouca mídia Então acaba ficando centralizado no pL e no pt a escolha nacional, porém eu achei bastante interessante algumas propostas e também o currículo do zema e do novo cury e na realidade atual se por ventura tiver segundo turno eles serão os candidatos mais fortes para os candidatos a frente procurar ,mas nesse momento específico e estratégico o mais indicado pra esse turno não são eles ."(BC, 39 anos, administrador, RJ)

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Augusto Cury: novidade atraente, propostas sob suspeita

Cury foi o nome mais citado como opção de voto, sobretudo entre indecisos conservadores e lulodescontentes. Quem o prefere destacou sua postura, "bem diferente dos outros candidatos", e propostas consideradas atraentes, e vários disseram que ele seria uma forma de renovar a política e "sair dessa polarização". Uma lulodescontente reconheceu que ele não tem experiência para o cargo, mas disse que "uma pessoa nova pode trazer alguma esperança"; um indeciso conservador afirmou que suas falas foram tiradas de contexto pela imprensa e que, entre Lula e Bolsonaro, prefere se abster.

Ao mesmo tempo, muitos participantes contaram que chegaram a considerar Cury e desistiram depois de pesquisar sobre ele. As razões variaram: propostas "distópicas e um pouco mirabolantes", falas "fora da casinha", despreparo político, a ideia de consultas médicas por vídeo e, conforme o lado de quem falava, a suspeita de que seria um "bolsonarista enrustido" ou de que apoiaria a esquerda. Alguns disseram gostar dele como escritor, mas não como candidato, e um lulodescontente disse que pensou em votar nele, mas que "a dicotomia PT X PL venceu mais uma vez".

"Bom dia! Augusto Cury tem minha preferência atualmente, gostei de sua postura frente aos demais, além de suas propostas que são atraentes. Os demais acredito que seja contraponto para o segundo turno apoiar quem oferecer o benefício melhor ."(IC, 38 anos, coordenadora , SP)

"Sinceramente darei meu voto ao Augusto Cury. Não porque acho que ele é o candidato perfeito mas diante dos outros é o único sensato, infelizmente suas falas foram tiradas de contexto, deturpadas e mal-interpretadas coisa típica da imprensa do brasileiro fazer. Mas se tiver que escolher entre Lula e Bolsonaro eu prefiro absterme."(IC, 37 anos, professor, RJ)

"Mesmo sem ter experiência para o cargo, eu pretendo votar no Augusto Cury, não tem muita escolha, mas uma pessoa nova pode trazer alguma esperança."(LD, 47 anos, professora, MT)

"Bom dia, estou pensando votar em augusto Cury mas ainda é um pensamento, o motivo para votar nele é mais pra sair dessa polarização que existe no nosso país.sobre em não votar no caiado, Zema e Renan não acredito nos projeto de governos deles."(LD, 59 anos, educador social, CE)

"No início quando augusto Cury estava se destacando meus olhos brilharam sobre ele, todavia conforme fui analisando suas propostas notei que era distopicas e um pouco mirabolantes (assim como de muitos candidatos) e por isso descartei tal opção. O mesmo aconteceu com outros candidatos que além de não terem propostas não sou condizente com seus pensamentos. Levando em conta a força que está a dualidade Lula x Bolsonaro, ainda estou indeciso sobre quem devo votar nesse primeiro turno, mas num eventual segundo minha escolha por não ter melhor opção seria Lula"(IC, 29 anos, professor, RJ)

"O Augusto Cury teve seu pico de fama depois daquele debate onde lula e Flávio faltaram e eu confesso que na época fiquei balança pelas proprostas dele e a forma como ele dizia que iria salvar o Brasil, mas passou depois de pesquisar sobre ele e ouvir as atrocidades fora da casinha kkkk. Ja os demais, eu nunca pensei em votar em nenhum."(BC, 22 anos, vigilante, RO)

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Experiência e renovação: Caiado, Zema e Renan como alternativas

Os outros três candidatos também receberam intenções de voto fora do bolsonarismo, embora em menor número. Caiado foi a escolha de participantes que valorizaram a experiência e o governo de Goiás, com menções a políticas contra a violência, à saúde e à educação; isso apareceu entre indecisos conservadores, entre lulodescontentes e até num lulista, que disse ter se interessado sobretudo pelas propostas de segurança pública. Uma indecisa conservadora disse que ainda esperava o debate da noite para decidir se votaria nele.

Zema foi a opção de uma lulodescontente que disse querer sair da polarização e considerou Renan e Cury inexperientes. Renan Santos teve apenas um eleitor declarado, um indeciso conservador que disse não valer a pena votar "nos mesmos políticos de sempre" e que se identifica com a visão geracional e o projeto de país do candidato, mantendo simpatia por Caiado, Zema e Cury. Nesse conjunto, a ideia de renovação apareceu tanto para justificar o voto em políticos experientes quanto em candidatos novos.

"Entre os candidatos acima estou entre Ronaldo Caiado e Augusto Cury, primeiramente para mudar um pouco, tentar dar uma renovada, se possível na política em que estamos vivendo. Ronaldo Caiado foi um bom governador de Goiás, tinha políticas públicas efetivas contra a violência e incentivo a educação e ao meu ver tem bastante experiência.

Já Augusto Cury gostei da postura dele e a forma como ele expressou as suas propostas, mesmo não tendo experiência no âmbito político, tem uma visão diferente."(IC, 72 anos, pensionista, RJ)

"Com esses nomes que estão a concorrer pra presidência pretendo votar no Caiado, pois creio que ele tem experiência e competência pra fazer um Brasil melhor."(LD, 49 anos, vigilante, MT)

"Eu pretendo votar no Caiado, acho que ele foi um bom governador e gostaria de ver ele sendo presidente. Ele tem boas propostas para a saúde e a segurança pública (o que me chamou mais a atenção). Já os demais candidatos, não me atraíram tanto quanto ele."(LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

"Bom dia, pretendo votar no Zema sobretudo pra sair da polarização, Renan e Cury não votaria pois são muito inexperientes para o cargo em questão"(LD, 40 anos, turismóloga, SP)

"Eu já decidi meu voto no Renan Santos, na minha visão não vale a pena votar nos mesmos políticos de sempre e esperar resultados diferentes, vejo que a visão geracional se assemelha a minha e as propostas de governo e projeto de país também, mas tenho simpatia pelas candidaturas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, nessa mesma ordem"(IC, 24 anos, estudante, MA)

"Eu estou pensando muito sobre o Ronaldo Caiado, pelo que li ele fez um bom governo em Goiás, mas ainda não me convenci completamente, vou esperar o debate de hoje pra ter certeza se votarei ou não. Por um momento votar no Augusto Cury, mas depois de avaliar desisti. Os demais não terão meu voto. Mas vou tentar decidir hoje através do debate."(IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

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Críticas candidato a candidato: anistia, escândalos e propostas irreais

Parte dos participantes justificou a recusa avaliando cada candidato separadamente. Uma indecisa progressista comentou os programas um a um: elogiou as propostas de segurança e saúde de Caiado, o corte de supersalários e o ajuste no Bolsa Família de Zema, o plano de Renan Santos contra as facções e para as favelas e as ideias de Cury para a educação, mas disse que a defesa da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro "acabou com todas as boas expectativas" sobre Caiado e Zema, criticou a "meritocracia" de Renan na assistência social e as consultas por vídeo de Cury. Ela concluiu que gostaria de "juntar algumas partes deles e montar 1 só".

Outras avaliações foram mais duras. Caiado foi associado ao centrão e ao agro e a investigações, e um indeciso conservador disse temer que ele "dê liberdade pra fazer chacina"; Zema foi criticado pela isenção fiscal, por ter duplicado a dívida de Minas Gerais, por usar fake news e pelo envolvimento com Vorcaro. Renan Santos foi descrito como autor de "propostas irreais feitas pra tiozão do ZAP", sem força política para implementá-las e ligado a neonazistas; um lulodescontente disse rejeitá-lo pela concepção de democracia que defende. Entre os bolsonaristas convictos, Renan também foi o mais rejeitado, chamado de "cópia do Lula".

*Ronaldo Caiado*: Achei boa algumas idéias na economia, mas acredito que os benefícios vão fazer falta pras famílias que perderem, pq ele vai "revisar" né. A proposta da segurança está muito boa, alguma coisa precisa ser feita. Mandou bem na saúde também, porém a anistia pelo 8 de janeiro acabou com todas as minhas boas expectativas sobre ele.

*Romeu Zema* : É bom fazer uma melhoria na economia e encontrar novos meios ou melhores os meios que já tem de ganhar dinheiro. Porém, a privatização das estatais é preocupante, não concordo. Mas o corte de super salários já é um ponto positivo. Esse ajuste que ele quer fazer no bolsa família eu achei ótimo, pq muitas pessoas não trabalham em outro lugar pq perdem o bolsa, acabam ficando refém disso, por medo de ser demitido a qualquer momento e a família passar necessidade. Esse 5k também é excelente, pq vai tirar os interesseiros e deixar realmente quem precisa. E o pensamento com o futuro das crianças, eu achei interessante esse projeto. Na questão da segurança e diminuir idade penal, ele foi excelente, ele tava sendo mais positivo pra minha votação. Mas infelizmente, também quer a anistia. Era o melhorzinho.

*Renan Santos* : Eu gostei muito do plano dele de remover a favela e manter as pessoas, espero que isso funcione bem na prática, pq a ideia é muito boa. O plano dele contra facções também é ótimo, sem moleza. Mas ele se perdeu muito na assistência social. Meritocracia? Sério? Como que uma mãe com 3/4 filhos que antes vivia do bolsa família e faxinas na casas dos outros, vai conseguir trabalhar 'obrigatóriamente' com essas crianças? Não tem condições.

*Augusto Cury* : Ele mandou bem demais nos planos pra educação, finalmente alguém que quer uma coisa boa, não vi ngm falar de educação como ele, precisamos muito.

Mas na saúde ele ultrapassou, não vejo como um médico vai poder me examinar por uma vídeo chamada, não faz sentido pra mim. Deveria melhorar os hospitais, os atendimentos, os prédios hospitalares. Ao mesmo tempo que essa ideia é ruim, os cuidados com os neurodivergentes é muito bom. Ele tá querendo ser presidente pra deixar outra pessoa governar? Eu hein."(IP, 26 anos, autônoma, RO)

"O que me desestimula a votar em cada um: Ronaldo Caiado: acho o menos pior, meu medo é em questão de segurança pública, ele dar liberdade pra fazer chacina.

Romeu Zema: Isenção fiscal.

Renan Santos: propostas irreais feitas pra tiozão do ZAP

Augusto Cury: já li vários livros desse sujeito, mas enquanto político ele é despreparado"(IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Não pretendo votar em nenhum deles.

O Caiado é a cara do centrão e do agro .

O Zema é um filhinho de papai que como único mérito político foi duplicar a dívida pública mineira

E o Renan Santos não tem força política pra implementar metade das suas ideias políticas.

Em certo momento eu cogitei votar no Cury ,más infelizmente a dicotomia PT X PL venceu mais uma vez"(LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)

"Não irei votar em nenhum deles.

Caiado: Tem rolo envestigado até envolvendo assassinato.

Zema: Usa de fake news como argumentos e tem envolvimento com Vorcaro.

Renan Santos: Envolvido com galera neo-nazista.

Augusto Cury: Visão meritocrática sem justiça social."(IP, 32 anos, dentista, SP)

"Olá, pessoal. Não pretendo votas nesses candidatos, principalmente no Renan Santos, porque ele defende uma concepção de política e de democracia que se afasta muito do que acredito para nossa sociedade."(LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Eu não gosto do Caiado. Zema até me simpatizo, mas não tenho confiança. Cury apoia a esquerda. Renan Santos é uma extrema vergonha, cópia do Lula."(BC, 46 anos, babá, PR)

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Direita com outro nome: a rejeição em bloco entre os progressistas

Entre os lulistas e boa parte dos indecisos progressistas, a rejeição atingiu os quatro em bloco. A razão mais repetida foi a posição ideológica: os candidatos seriam de direita ou de extrema direita, "do mesmo partido do bozzo", e um participante disse não votar também em candidatos de centro, por considerar que é preciso "se posicionar". Lulistas descreveram os quatro como despreparados, autoritários, pouco transparentes e com "altíssimo potencial pra corrupção", e citaram motivos específicos: a cessão de terras raras de Goiás a empresas americanas por Caiado, a disposição dele de soltar Jair Bolsonaro, Zema como "capacho dos Bolsonaro" e Renan Santos como o mais perigoso. Uma lulista disse se assustar com o número de apoiadores de Renan.

Entre os indecisos progressistas, a crítica se voltou também à qualidade das candidaturas: campanhas fracas, falta de propostas concretas, oratória ruim e ausência de confiança. Uma participante disse que o país precisa de novos nomes para acabar com a polarização, mas que nenhum dos quatro oferece isso. Para um lulista, a fraqueza das opções tornou seu voto em Lula "ainda mais convicto".

"Não pretendo votar em nenhum. Não voto em Caiado pois o conheço pouco e o pouco que conheço foi aquela medida entreguista e não constitucional onde ele cedia terras raras de Goiás para empresas americanas. Renan Santos é um neoliberal. Augusto Cury um grande falastrão, formado em universidade famosa por compra de diplomas. Romeu Zema é apenas um capacho dos Bolsonaro no NOVO."(LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"De jeito nenhum. Entre os que eu mais rejeito: 1º Romeu Zema (esse é de longe o pior de todos, fingindo ser homem do povo, forçando sotaque...) 2º Renan Santos (De longe o mais perigoso, extrema direita). 3º Caiado (faz de tudo para ter os eleitores de direita, está até disposto a soltar Jair Bolsonaro da cadeia para isso) 4º Augusto Cury (não tem relevância para ser presidente. Não é tão ruim quanto os outros três, porém, tem que ter mais experiência para poder assumir um cargo tão alto. Talvez servisse para ser candidato a vereador. Além do que, é de direita)."(LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

"Não pretendo votar em nenhum. Acho todos despreparados e autoritários. Me assusta muito que um candidato como Renan tenha conseguido tantos apoiadores e intenção de voto."(LL, 25 anos, desempregada, BA)

"Não pretendo votar em nenhum deles, a não ser que aconteça algo muito inesperado e o Lula não chegue para o segundo turno, o que penso ser quase impossível. Desses, nenhum me agrada de verdade e seriam opções que dificilmente eu votaria, mesmo se fossem para outros cargos, como Senador ou Deputado. Isso só demonstra como está ruim as opções para o Executivo, no Legislativo tenho dúvidas entre alguns nomes, o que demonstra uma maior opções de escolhas, mas para essa eleição, está duro, bem duro, o que faz com que o meu voto no Lula seja ainda mais convicto."(LL, 33 anos, tradutor, SP)

"Nao pretendo. Todos citados acima nao tem projeto político cujo qual eu acredite e confie. Todos ai tem uma coisa em comum, dançam conforme a musica, sem embasamento algum, campanhas fracas, projetos políticos que nao se sustentam, a oratória de todos tambem deixa a desejar, nao transmitem sequer confiança."(IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Não pretendo votar em nenhum desses candidatos. Reconheço que estamos precisando de novos candidatos para se candidatar a presidência do nosso país e finalmente acabarmos com essa polarização de ESQUERRDA X DIREITA e seria essa razão do meu voto,um"Novo Candidato". Mas não pretendo votar em nenhum dos candidatos,pois acredito que a maioria deles é de DIREITA e não apresentaram propostas concretas para ocuparem o cargo."(IP, 46 anos, vendedora, RS)

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Considerações finais

Os bolsonaristas convictos e moderados não pretendem votar em nenhum dos quatro candidatos, por entenderem que os votos devem se concentrar em Flávio Bolsonaro para derrotar Lula, de preferência no primeiro turno. Isso não impediu elogios a Zema e, em menor grau, a Caiado, vistos como aliados para um eventual segundo turno, enquanto Cury e Renan Santos foram rejeitados. Os indecisos conservadores foram os mais receptivos: vários preferem Cury, outros consideram Caiado e um já decidiu votar em Renan Santos, embora alguns tenham abandonado Cury depois de conhecer suas propostas.

Os lulodescontentes se dividiram entre votos em Cury, Zema e Caiado, justificados pela experiência ou pelo desejo de sair da polarização, e a rejeição aos quatro. Os indecisos progressistas não declararam voto em nenhum deles, criticando a falta de propostas, a defesa da anistia e o alinhamento à direita, ainda que uma participante tenha elogiado pontos de cada programa. Os lulistas rejeitaram os quatro quase sem exceção, como candidatos de direita, despreparados e autoritários, com uma única intenção de voto em Caiado. Entre os evangélicos, as posições acompanharam as de seus grupos de origem.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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