Relatório 154

30/9/26

Temas:

  • Quem vota em Lula e por quê?
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

No dia 30/09/26, os seis grupos responderam se pretendem votar em Lula e quais as razões da escolha. No total, foram coletadas e analisadas 49 interações, totalizando 2.794 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Voto em LulaRejeição absoluta, expressa com nojo e raiva. Citaram corrupção, a prisão e a anulação das condenações ("descondenado"), o roubo do INSS e o caso Master, além de uma fala recente sobre meninas e "toque" e declarações sobre usuários de drogas e celulares roubados. Duas participantes disseram ter votado em Lula no passado antes de "abrir os olhos", e a conversa terminou com a expectativa de vitória de Flávio no primeiro turno.Ninguém vota em Lula, e vários disseram nunca ter votado. As razões foram corrupção, endividamento, juros altos, inflação, a promessa não cumprida sobre combustíveis e uma lista de escândalos que vai do mensalão ao "careca do INSS". Também apontaram idade e tempo no poder e criticaram as "medidas eleitoreiras" do fim de campanha.A maioria não vota em Lula no primeiro turno, por desgaste ("já deu", "velha política"), escândalos e insegurança pública, incluindo a recusa em classificar facções como terroristas. O aumento do Bolsa Família e a proibição das bets às vésperas da eleição foram vistos como eleitoreiros. Dois votariam nele num eventual segundo turno, um deles citando a hipótese de disputa contra Bolsonaro, e um reconheceu que ele está entre os "menos piores" em políticas públicas.Grupo dividido. Quem vota em Lula citou benefícios à classe trabalhadora e aos mais pobres, Pé-de-Meia, cotas, proibição das bets e distância do caso Master. Quem não vota no primeiro turno pediu renovação e duvidou dos benefícios do último mandato, e um deles, que preferia Jones Manoel, disse que votaria em Lula no segundo turno para evitar a vitória da oposição.Grupo dividido. Os que votam em Lula, mesmo "sem conforto", citaram o fim da escala 6x1, a isenção do IR até R$ 5 mil, a cesta básica e benefícios vividos pela família (Minha Casa Minha Vida, SENAC, CEDERJ). Os que não votam apontaram corrupção, a prisão e a necessidade de renovação; dois disseram que poderiam votar nele num segundo turno, a depender do adversário, em especial contra Flávio.Quase todos votam em Lula, descrito como o mais competente, experiente e preparado e como o nome mais forte contra o "fascismo" e Flávio. Citaram Move Brasil, Desenrola, Bolsa Família, SUS, SAMU e Farmácia Popular, e o respeito dele pelas pessoas. Vários disseram ter críticas a Lula; um participante prefere uma terceira via no primeiro turno e só votaria nele no segundo.Entre os evangélicos, predominou a rejeição, concentrada sobretudo numa bolsonarista convicta que comentou com indignação a fala sobre o "toque" em meninas, as declarações sobre o tráfico e o roubo do INSS. Nos demais grupos, evangélicos alegaram corrupção, desgaste e insegurança para não votar no primeiro turno, alguns admitindo votar nele no segundo. Houve votos a favor, justificados por programas como Move Brasil e Desenrola e pelas políticas para os mais vulneráveis.
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Pergunta 96

Hoje falaremos no candidato à reeleição, Lula.

Você pretende votar nele ou não? Quais a razões para a escolha do seu voto? E quais as razões para não votar nele?

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Corrupção, prisão e o "descondenado": a rejeição sem margem

Entre os bolsonaristas, convictos e moderados, ninguém pretende votar em Lula, e a recusa veio quase sempre em termos absolutos: "nunca votei e nunca vou votar", "Deus que me defenda", "o pior presidente da história". A corrupção foi o argumento central. Participantes lembraram a prisão e a condenação, chamaram Lula de "descondenado" e listaram casos que vão do mensalão e do petrolão ao roubo do INSS, ao Banco Master e às suspeitas sobre filhos e aliados. A isso se somaram queixas sobre a economia, como endividamento, juros altos, inflação, impostos e a promessa não cumprida de baixar o preço dos combustíveis, e sobre a violência. Um participante comparou a trajetória de Lula à de Maduro e disse que o país caminha para a fome e a dependência de "esmolas" do governo.

Duas participantes disseram ter votado em Lula no passado, uma delas tendo cursado a faculdade pelo ProUni, e contaram que passaram a rejeitá-lo depois de "abrir os olhos"; uma delas disse sentir nojo e raiva dele. Entre os convictos, a rejeição se estendeu a toda a esquerda, inclusive a vereadores, e a conversa derivou para a escola: uma participante defendeu que escolas "sem partido" ensinem política às crianças para que distingam esquerda e direita, outra respondeu que, com "esse tipo de gente no poder", isso só serviria para doutrinar, e uma terceira contou ter pedido à escola das filhas que retirasse "pautas esquerdistas" das aulas. Um moderado declarou voto em Flávio por considerar que o governo de Jair Bolsonaro foi melhor.

"De forma alguma, nunca, jamais. Votar em Lula seria um retrocesso em todos os meus princípios. Ele é mentiroso, é articuloso, ladrão, é um cara de pau, que comanda uma quadrilha e se faz de sonso. Alem disso tudo, é uma pessoa que tem coragem de enganar as pessoas mais humildes, de se aproveitar das pessoas mais humildes para criar nelas uma falsa esperança de que ele é um salvador da Pátria, mas que na verdade ele é um asqueroso. Eu tenho nojo dele, tenho raiva. E por incrível que pareça eu tambem já votei nele, já defendi ele, já estive no lugar de muitas pessoas que eu vejo hoje que votava nele porque achava que eu tinha a obrigação de votar nele pelas até então oportunidades que eles me favoreceu porque minha primeira faculdade foi através do PROUNI, mas a partir do momento que passei a estudar, que abri meus olhos, que passei a entender um pouco além das caridades que ele diz fazer, eu entendi o quanto eu fui enganada e o quanto este homem é corrupto e ordinário. Sinceramente, além disso, de verdade, eu não consigo pensar em mais 4 anos de poder do PT aqui no Brasil, no STF, meu Deus, o Brasil vai falir, é muita roubalheira, é uma quadrilha de sangue suga que está acabando com nosso pais, com nossas economias e tornando a nossa vida um inferno que hoje estamos vivendo, sem saúde, sem segurança e sem nenhum poder de compra."(BC, 47 anos, administradora, BA)

"Depois que abri meus olhos, jamais votaria num descondenado corrupto, desonesto, mentiroso que está lascando o Brasil. Já votei sim, no passado, porque não entendia sobre esquerda e direita, mas graças a Deus abri meus olhos e nunca mais votarei em candidatos de esquerda. Lula está cheio de escândalos de corrupção, filhos dele e aliados, todos envolvidos no roubo do INSS, banco Master e os crimes que ele foi descondenado que parece que ficará por isso mesmo."(BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Não votarei em Lula. Motivos pra não votar no Lula? Mensalão, petrolão, Lulinha, Lutsinger, careca do INSS, insistência em manter a fake News envolvendo Aparecida, aprovação das bets, taxa das blusinhas, corte do teto das enfermeiras, inflação, não baixou o preço dos combustíveis como disse que faria, e etc"(BM, 43 anos, administradora, GO)

"Nunca votei no Lula ou em alguém do PT e não vou votar nele de novo. Se pesquisarem a trajetória do Maduro, desde o início de sua carreira política, vão entender que Lula vem seguindo cada etapa da carreira do Maduro, fazendo tudo igual, passo a passo, com se estivesse seguindo a mesma cartilha para destruir o País, com a destruição da indústria, do Agro, do comércio, das forças armadas, passando pelo aparelhamento da justiça, em especial do STF, até chegar onde o Maduro chegou: fome, miséria, com o povo dependendo de esmolas distribuídas pelo governo. Enfim, um País destruído e com a população refém do governo, que quer a todo custo se perpetuar no poder. Não é isso que quero para minha família, meus filhos, para os brasileiros. Chega de corrupção, de roubos, de sujeira sem fim. Ou mudamos o País agora ou não teremos mais chance de sobreviver."(BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Não voto nele. Escolhi Flávio para mudar e ver se melhora,pois com Bolsonaro foi bem melhor e Flávio segue a mesma linha do pai. Lula acabou nosso país e nos empurrou em dividas cada dia maior,e aconteceu muita corrupção e roubos no governo dele ,por seus indicados."(BM, 54 anos, aposentado, PB)

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Falas recentes e medidas de fim de campanha

Declarações recentes de Lula foram citadas como motivo adicional de rejeição. A mais lembrada foi uma fala sobre meninas "acostumadas a levar toque desde cedo", que bolsonaristas convictos classificaram como desrespeito às mulheres; uma indecisa conservadora também mencionou "falas e críticas honestamente nojentas" dos últimos dias. As participantes mais ativas entre os convictos comentaram ainda declarações sobre usuários de drogas e sobre quem rouba celular "pra comprar cervejinha", que interpretaram como defesa do tráfico, e a acusação de que ele humilhou uma categoria de trabalhadores em rede nacional. Várias falas compararam o tratamento dado a Lula com o que, segundo elas, Jair ou Flávio Bolsonaro receberiam se dissessem o mesmo, e disseram que o Judiciário protege o presidente.

Outra crítica, presente entre moderados e indecisos conservadores, foi dirigida às medidas tomadas perto da eleição. O aumento do Bolsa Família e a proibição das bets foram vistos como "medidas eleitoreiras" e "atitudes desesperadas de fim de campanha"; uma indecisa conservadora observou que o aumento poderia ter vindo antes e que as bets nem deveriam ter sido legalizadas. A insegurança pública apareceu no mesmo registro: uma pensionista disse que a violência só aumenta e criticou Lula por ter sido contra classificar facções como grupos terroristas. Ao final, convictos disseram que Lula fez inimigos entre mulheres, cristãos e torcidas, que só venceria com fraude e que esperam a vitória de Flávio no primeiro turno.

"Nunca votei e nem votaria! Tenho varios motivos para não votar nesse nojento e um deles é a recente fala dele, que "meninas são acostumadas a levar TOQUE desde cedo", mas claro que isso é só um dos motivos, não podemos deixar de falar da robalheira, os escandalos, o fator dele ter sido preso e condenado... O maior inimigo do lula é ele mesmo!"(BC, 22 anos, vigilante, RO)

"Como posso votar num presidente que apoia quem rouba celular pra comprar cervejinha?"(BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Como votar num sujeito prepotente, arrogante que humilha uma categoria de trabalhadores em rede nacional?"(BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Não voto nele pois não gosto dele. Não gosto da postura dele como presidente. Ele está no poder há anos e nada de bom foi feito para o Brasil. Estamos em colapso. Juros altíssimo.

E o pior é ver as medidas eleitoreiras que ele está fazendo, em ato de desespero."(BM, 29 anos, advogada, SP)

"Não pretendo votar no Lula, pois em quatro anos muita coisa que ele falou que ia melhorar não melhorou ao contrário e cada dia que passa a violência só aumenta e não vejo no governo dele propostas incisivas para combater realmente o crime organizando e o tráfico, e ele mesmo foi contra classificar as facção como grupos terroristas, quem vive na insegurança somos nós a população de bem. Sem contar com as atitudes desesperadas de fim de campanha, para conseguir mais voto, que ao meu ver foi um tiro no pé."(IC, 72 anos, pensionista, RJ)

"Para falar a senceridade ainda não sei cê voto ou não , pois lula tmbm entro em polêmicas , e começou a fazer as coisas como o aumento do bolsa , cancelamento das bets alguns dias antes da eleição , sendo que poderia ter aumentado antes e as bets n era nem p ter legalizado ! AGR realmente n sei , era bom da oportunidades para quem ainda não liderou ...."(IC, 30 anos, autônoma, SP)

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"Já deu": desgaste, renovação e o voto de segundo turno

Fora do bolsonarismo, a razão mais comum para não votar em Lula foi o tempo no poder. Indecisos conservadores e progressistas e lulodescontentes disseram que "já deu de Lula", que ele representa a "velha política" e que o país precisa de "uma cara nova" ou de "sangue novo". Essa avaliação veio junto com a menção aos escândalos, que uma lulodescontente disse estarem "superando os benefícios", e com a percepção de poucas mudanças no último mandato; uma indecisa progressista disse não saber se Lula traria benefícios aos trabalhadores, "pelo que vimos nos últimos 4 anos". Um indeciso conservador disse ter votado nos dois primeiros mandatos, os únicos que considera "regulares".

Boa parte dessas recusas, porém, valeu apenas para o primeiro turno. Em todos esses grupos, e também entre os lulistas, houve quem dissesse que votaria em Lula num segundo turno, especialmente se o adversário for Flávio ou Jair Bolsonaro, "por falta de opção" ou "mais por evitar que a oposição vença do que por afinidade". Uma indecisa progressista disse ter medo da vitória da oposição, embora não pretenda votar em Lula; outro afirmou que seu candidato ideal seria Jones Manoel, sem chances reais. Um indeciso conservador reconheceu que Lula talvez esteja "no grupo dos menos piores" em políticas públicas e direitos dos trabalhadores, mas manteve a decisão de não votar nele.

"Não pretendo votar no Lula, só voto num possível segundo turno. Na minha opinião já deu de Lula no poder."(IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Não pretendo votar no Lula, não votarei nele porque eu acredito que ele representa a velha política. Talvez ele esteja no grupo dos menos piores, pensando em políticas públicas e em defender o direito dos trabalhadores. Mas por discordar de várias medidas dele no último mandato eu não votarei."(IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Não pretendo votar no Lula nesse primeiro turno, minha decisão é por conta de saber que o PT e o Lula já foi envolvido em vários escândalos de corrupção, inclusive preso e sou a favor de mudanças, acho q ele já ficou um bom tempo e é interessante pro país colocar outra opção. Mas caso o cenário de um segundo turno seja Lula x Flávio Bolsonaro, aí votarei nele, mas no primeiro turno não"(LD, 29 anos, professora, RJ)

"Bom dia. Votaria, como votei da ultima. Mas meu candidato ideal é o Jones Manoel. Uma pena nao ter chances reais. É o projeto político que acredito pro país. Essa eleição nao irei votar, ao menos no primeiro turno. Mas no segundo, se eu votar, sera nele. Mais por evitar que a oposição vença do que por afinidade com seu projeto político. Lula tem algumas propostas interessantes q conversa com oq acredito Mas precisamos de sangue novo e alguem q representa de fato a classe trabalhadora."(IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Estou indeciso quanto ao meu voto para presidente no momento atual, todavia se ele chegar ao segundo turno com Bolsonaro meu voto por falta de opção será nele, mas por enquanto ainda ano sei em quem vou votar para presidente"(IC, 29 anos, professor, RJ)

"Eu votaria no Lula, porém só em caso de segundo turno. Devo ir em uma terceira opção. Lula já ficou muito tempo no poder e sendo sincero, não vi muitas mudanças significativas."(LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

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Políticas sociais e benefícios vividos na própria família

Entre os que declararam voto em Lula, sobretudo lulistas, lulodescontentes e indecisos progressistas, a justificativa mais concreta foram as políticas públicas. Participantes citaram a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a proposta de fim da escala 6x1, a redução de impostos sobre a cesta básica, o Move Brasil, o Desenrola, o Pé-de-Meia, as cotas, os auxílios e a proibição das bets. Nas falas, Lula aparece como o presidente que "mais trouxe programas públicos sociais" e que esteve ao lado da classe trabalhadora e dos mais pobres.

Várias dessas falas se apoiaram em experiências pessoais. Uma lulodescontente contou que os pais compraram casa pelo Minha Casa Minha Vida e carro com a redução do IPI, que fez curso técnico gratuito no Sistema S, comprou a própria casa pelo programa e cursa faculdade gratuita pelo CEDERJ. Uma lulista disse ter crescido numa família que dependeu do Bolsa Família e ter sido socorrida pelo SAMU e atendida pela Farmácia Popular. Esse apoio veio com ressalvas: um lulodescontente disse votar "de maneira não confortável", e um indeciso progressista apontou como defeito ser "muito maleável com a classe burguesa".

"Irei votar no lula sim, me alinho com as propostas dele ,como o fim da escala 6x1, zerar o imposto sobre produtos da sexta básica, entre outros projetos. Além disso, foi no governo dele que minha família mais se beneficiou, meus pais compraram casa pelo "minha casa minha vida". Meu pai comprou carro com a redução do IPI. Eu fiz curso técnico, que valia um carro zero,no sistema S (SENAC, SENAI,...) TOTALMENTE CUSTEADO,desde passagem uniforme até vale alimentação. No último governo eu comprei minha casa pelo minha casa minha vida. Eu faço faculdade pelo sistema CEDERJ, cursos ministrado por universidades públicas. Totalmente gratuito. Que só foi possível pela criação do programa "universidades abertas do Brasil", criada no primeiro governo lula . Quando olhamos pro cenário político brasileiro é bem complicado não se decepcionar,visto td a falcatrua e corrupção, mas nós temos que entender em que lado estamos, quem irá representar nossos interesses, quem está apto a fazer políticas públicas que estão a favor de nós,o povo. Infelizmente nem Flávio nem o pai estão nesse lado."(LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)

"sim, pretendo votar no Lula. as razões são simples, se for comparar o cenário atual dos demais candidatos. não temos um lídero a altura dele, ele é o mais competente e experiente. sinto que os demais estão concorrendo ao cargo para benefício próprio. eu sou nascida e criada no berço público, quem dera que fosse pelo lado de ter família nesse meio, mas é porque sou de família muito pobre, que dependeu por muitas décadas do bolsa família. mais do que isso, sempre usei os serviços públicos de saúde, pois não tinha dinheiro para arcar com plano de saúde. graças a ele, fui muito beneficiada com os serviços do SUS como SAMU que me socorreu no início do mês de agosto em um acidente de trânsito. a farmácia popular que me forneceu os remédios após o acidente e em muitas outras vezes quando precisei. eu não sou igual a direita que é fã de político igual é fã de diva pop, eu sei o que o Lula precisa melhorar e me posicionei em todos esses anos sobre o que eu gostaria que ele fizesse e mudasse, pq é exatamente assim que funciona, temos que cobrar os políticos apesar de estarmos satisfeitos. o respeito que ele tem pela população, a dedicação com o povo, a gentileza. ele pode ser o que for, mas nunca destratou ninguém, nunca causou milhares de mortes e não está em envolvido em diversos casos de corrupção."(LL, 23 anos, auxiliar administrativo , RO)

"Olá, pessoal. Apesar de não votar de maneira confortável, irei votar nele sim, porque ainda desenvolveu políticas públicas de enfrentamento de desigualdades sociais e de beneficiar principalmente a classe trabalhadora, como a isenção do IR para quem ganha até 5mil e o fim da escala 6x1."(LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Sim,eu pretendo votar no Lula. Pois acredito que ele seja um candidato humilde,sem preconceito e que se preocupa com o povo,criando diferentes bolsas de estudo(pe de meia e outros) e diferentes cotas,sempre incentivando os jovens a ter acesso de alguma forma à educação. Auxiliando as famílias carentes diferentes benefícios assistenciais. A única razão que me faria não votar nele seria um novo candidato com o mesmo perfil mas com novas ideias,pois ao mesmo tempo reconheço que nosso pais precisa sair dessa bolha(esquerda-direita)."(IP, 46 anos, vendedora, RS)

"Bom dia,eu pretendo votar nele sim . Pois até onde conheço Lula foi um dos únicos presidentes que trouxe benefícios para a classe trabalhadora,para classe menos favorecida. Creio que ele tem muito a trazer ainda. Reafirmando é o que eu acho."(IP, 43 anos, autônomo, MT)

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O mais preparado contra Flávio e o "fascismo"

Entre os lulistas, o voto também foi justificado pela comparação com os adversários. Lula foi descrito como o candidato mais competente, experiente e preparado entre os que têm chance, como "o nome mais forte para combater o fascismo e o Flávio" e como a melhor forma de afastar o país do "entreguismo" da família Bolsonaro. Participantes disseram que os candidatos da direita só pensam em empresários e banqueiros, que a direita "virou sinônimo de bandidagem" e que os demais concorrem em benefício próprio; um lulista rejeitou a "falsa equivalência" entre Lula e os Bolsonaro.

Outro traço dessas falas foi a valorização do respeito de Lula pelas pessoas e da pluralidade que ele representaria, com menções à cultura, ao esporte e às florestas. Os lulistas fizeram questão de dizer que têm críticas: um afirmou ter "muitas críticas" à forma de governar, embora o Congresso barre parte dos projetos, e outra disse que, diferentemente da direita, que seria "fã de político igual é fã de diva pop", cobra o presidente mesmo satisfeita. Nem todos os lulistas, porém, votam nele no primeiro turno: um participante disse que deve escolher uma terceira opção por não ter visto mudanças significativas.

"Meu voto é no candidato Lula. Não acredito na falsa equivalência que tentam fazer entre ele e a família Bolsonaro. Vejo ele como a melhor opção para o Brasil atualmente, principalmente para afastar o Brasil do entreguismo a família Bolsonaro."(LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"Meu voto é no Lula não apenas por ser o nome mais forte para combater o fascismo e o Flávio, mas também por acreditar que ele tenha o melhor e mais preparado projeto político para o país. É inegável o quanto o Brasil voltou a avançar em 4 anos e o quanto que ainda avançará nos próximos 4. Claro que tenho muitas críticas ao Lula e a forma dele governar, mesmo sabendo que o Congresso mata muitos dos seus projetos e planos políticos. Enfim, voto nele pela cultura, pelo esporte, pelas florestas e por tudo o que ele representa."(LL, 33 anos, tradutor, SP)

"Meu voto é no Lula, ele é o mais preparado entre os que tem chance e penso que ele representa muito bem a a pluralidade da sociedade brasileira, além claro, de ter respeito básico pelas pessoas, coisas que seu principal adversário obviamente não tem"(LL, 45 anos, professor, PB)

"Sim, meu voto irá para o Lula. Escolho ele pois ele é muito mais humano do que os candidatos da direita que não ligam nem um pouco para o povo e só pensam em agradar empresários, banqueiros, gente que tem muito, muito dinheiro! Fora que estamos vendo que a direita aqui no Brasil virou sinonimo de bandidagem. Portanto, vou votar no Lula pois confio muito que só ele terá como nos manter em crescimento e sendo respeitados no exterior. Não tenho nenhum motivo que me impedisse de votar nele."(LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

"Sim, meu voto é no candidato Lula. Ele com certeza é o mais competente e melhor preparado para fazer o Brasil continuar crescendo."(LL, 61 anos, administrador, PR)

"Meu voto é no Lula. O move Brasil , isenção de imposto, incentivos para estudantes de rede pública e o desenrola Brasil me agradaram bastante. Acho também que em comparação com os outros candidatos, ele se destaca. Acho que tem muito a ser feito e melhorado no país e por isso ele é a minha opção de voto"(LL, 25 anos, desempregada, BA)

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Considerações finais

Os bolsonaristas convictos rejeitaram Lula sem nenhuma margem, com forte carga emocional e acusações de corrupção, mentira e desrespeito às mulheres, e passaram boa parte do dia comentando falas recentes do presidente e projetando a vitória de Flávio no primeiro turno. Os bolsonaristas moderados também rejeitaram Lula por unanimidade, com ênfase em corrupção, economia, juros e tempo no poder, e criticaram as medidas tomadas perto da eleição. Entre os indecisos conservadores, a maioria não vota em Lula, por desgaste, escândalos e insegurança, mas dois admitiram votar nele num eventual segundo turno.

Indecisos progressistas e lulodescontentes ficaram divididos. Parte declarou voto em Lula por causa de programas sociais e de benefícios vividos na própria família, muitas vezes com ressalvas; outra parte disse que não vota nele no primeiro turno, citando corrupção e necessidade de renovação, mas que o apoiaria no segundo turno para impedir a vitória da oposição. Os lulistas declararam voto em Lula quase sem exceção, por considerá-lo o mais preparado e o melhor contraponto a Flávio, sem deixar de mencionar críticas ao governo. Entre os evangélicos, predominou a rejeição, puxada pelas bolsonaristas convictas, mas houve também votos a favor e votos condicionados ao segundo turno.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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